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martes, 7 de septiembre de 2010

PEDRAS RUBRAS - MOREIRA - MAIA



AQUI FOI ONDE NASCI









Aqui nasci, nesta formosa terra!
Embalada pela brisa atlântica,
que as árvores torce,
faz voar folhas, em espiral,
murmúrios, quais assobios,
e o canto dos pássaros trás.
Fonte da minha alma de poeta,
já que ao calcá-la sinto
as gotas das morrinhas
e o canto dos riachos
onde a sede saciei.
Caminhos que recorri
entre verdes valados
salpicados de silvados
e pretas amoras doces!
Campos de trigo e de milho,
salpicados de vermelhas papoilas
pondo o meu coração a nu;
entre pedras rubras, graníticas,
polidas do passo do tempo,
fruto de correrias da tenra infância,
que, agora, no recordo flutuam.
Beijos que recebi a cada instante.
Ternura nas carícias matinais.
Gotas de rocio dum tempo ido,
que as faces, hoje, ainda molha.







Imensos os campos de Moreira.
Desde o verde intenso dos milheirais,
ao pálido das cearas de trigo,
salpicados de papoilas,
formando um florido jardim.
Entre quintas.
Cata-ventos.
Estradas cobertas de ramadas.
Água pelas bermas.
Até lírios e violetas,
decoram esses prados verdejantes.
Tão só os acordarão,
os suaves, quase celestiais,
ruídos naturais;
dos riachos,
dos pássaros,
ou de uma criança a brincar.
Assim são as terras da Maia.
Desde o Mosteiro de Moreira,
passando por Refonteira,
Gantão, Matos, Real, e Sendal
até Quires.
Os valados adornados de silvas,
malápios, castanheiros,
eucaliptos, carvalheiras e pinheiros,
suavizam os dias de Estio,
que são poucos,
pois o que mais apoquenta
é a solidão das tardes
nas morrinhas invernais.
Na mente de todos,
as façanhas da gente da Terra.
Desde o Lidador a Vieira de Carvalho,
como filhos ilustres que foram.
Até por aqui passou dom Pedro IV,
antes de invadir o Porto.
Fez histórico o largo da feira,
ao acampar ali as suas hostes.
Que às quintas-feiras se enche de gente.
Até a capelinha foi testemunha disso
A da Nossa Senhora Mãe dos Homens.
Assiste, no seu silêncio,
ao que passa em Pedras Rubras,
assim como lá ao fundo a velha Escola primaria.
A estação.
O aeroporto.
Os bombeiros.
A banda da música.
O vistoso rancho folclórico.
A chula que cantava e dançava o meu pai.
Só as romarias e as procissões acordam-lha,
com foguetes e música,
desse letargo e pacifismo.
Por fim as Guardeiras,
donde eu nasci,
donde a minha mãe me embalou,
donde aminha avó me ensinou,
donde o meu avô me mostrou a vida,
donde o meu pai fez-se meu companheiro,
e a minha irmã minha amiga.
A fisga, os grilos,
As castanhas assadas.
A matança do porco.
Atalhos e quintais.
Lameiros, poços e riachos.
Boiças com pinheiros centenários.
Eucaliptos gigantes.
O Ramalhão.
O Costa Maia.
O David.
Os Pereira.
As do tintureiro.
A chinêla, que era a minha avó.
Hoje, longe de este belo reduto,
deixei vagar a minha mente,
para este reencontro com a minha Terra,
Com as minhas raízes,
Moreira da Maia.
Donde este maiato cresceu em paz.
Donde fui imensamente feliz.













A Freguesia de Moreira é uma das mais históricas e significativas da região de entre Douro e Ave: "da Mui Antiga Terra da Maia". Moreira, a "Villa Moraria", é referida, pela primeira vez, em documentos do início do Séc. X, pelos notários da época, antes do nascimento de Portugal.






O Mosteiro de São Salvador de Moreira foi considerado pelo bispo D. Diogo de Sousa, como o mais antigo da sua dieces.









A única filha do Lidador, Gonçalo Mendes da Maia, braço directo de Afonso Henriques, casou com um homem de Moreira.







O exército de D. Pedro IV acampou em Pedras Rubras, depois do desembarco em Pampelido, em 1832. Esse sitio ainda hoje é chamado, "Praça do Exército Libertador"(actualmente é onde se celebra um mercado-feira, todas as quintas feiras). O monarca pernoitou na casa dum lavrador local.








Luís de Magalhães, foi jornalista, escritor e poeta, deputado e ministro: senhor da quinta do Mosteiro. Trouxe às terras de Moreira, à sua casa, grandes vultos da intelectualidade portuguesa da época como Eça de Queirós, Antero de Quental, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, Jaime de Magalhães Lima, Alberto Sampaio e António Feijó.





A vila de Moreira é, hoje, uma das freguesias mais progressivas do Concelho da Maia. a maior zona industrial do País.







Pedras Rubras é onde se situa o Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro. Teve inicio nos anos 40 com o nome de Aeroporto de Pedras Rubras. É de salientar a corporação dos bombeiros voluntários, hoje equipada com os melhores modernismos. Possui também uma estação de metro com o mesmo nome, fazendo parte da Linha B do Metro do Porto.