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segunda-feira, agosto 03, 2026

O Adeus a um excelente Músico, um grande Associativista e um bom Amigo


Soube hoje do desaparecimento de Joaquim Brás, um grande Incrível, que tive o grato prazer de conhecer e conviver quase diariamente, quando ambos fizemos parte da direcção da "Catedral do Associativismo Almadense".

Além de dirigente era um excelente músico (saxofonista) e o elemento mais antigo da Banda Filarmónica da SFIA, com mais de cinquenta anos de dedicação à razão da existência da nossa Colectividade. 

Mas o Brás foi sempre mais que isso. Estava sempre disponível para a nossa Incrível, fazendo  um pouco de tudo, fosse na banda, no teatro, na sede ou no salão de festas. 

Além da amizade que ficou, o convívio com o Joaquim (e como outros grandes associativistas Incríveis) foi sobretudo uma grande lição de humanismo e companheirismo, num tempo memorável (para mim),  quando ainda se privilegiavam os valores colectivos, quando o nós estava à frente do eu...

(Fotografia de Luis Eme - Almada - o Joaquim Brás aparece em primeiro plano na fotografia que ilustra este cartaz do Município)


terça-feira, junho 17, 2025

Ficamos sempre mais pobres, mesmo sem nos apercebermos...


Embora Almada seja uma cidade grande, é quase uma "aldeia" no campo cultural.

É por isso que quando nos deixam duas pessoas num curto espaço de tempo (uma semana...), ligadas ao mundo dos livros, perguntamos, por onde andámos, que nunca tivemos "tempo" para ter uma simples conversa (ao telefone não conta...) com elas...

Falo de Armindo Reis e Teresa Rita Lopes, professores, escritores e poetas... O homem esguio que gostava de escrever para crianças e a mulher de olhos cor de mar, que viveu sempre apaixonada por Pessoa.

Se com a Teresa Rita só falei, uma vez, ao telefone, com o Armindo, começámo-nos a cumprimentar há menos de um ano, de uma forma simpática, por almoçarmos às segundas no mesmo restaurante e termos um ou outro amigo em comum...

Não foi por nos deixarem que passaram a ser boas pessoas ou melhores escritores. Até porque nos deixaram os seus livros para os revisitarmos... Mas não deixa de ser estranho, que tenhamos vivido na mesma cidade e tenhamos passado a vida a percorrer ruas diferentes...

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, agosto 05, 2023

A Vida é Isto...


Talvez possam achar que duas pessoas não fazem uma "Tertúlia", mas eu e o Chico não pensamos assim, porque não nos é nada difícil convocar um ou outro amigo ausente, a pretexto de um nada que pode ser tudo...

Neste Verão temos contado quase semana sim semana não com o Tomás (uma ou outra vez com companhia), o bisneto do Chico, que com os seus treze, catorze anos, se insere muito bem nas nossas conversas, e coisa melhor, sabe ouvir e sabe falar. Ou seja, é um bom tertuliano. Quando o Carlos nos diz a brincar que estamos a renovar a "Tertúlia" com sangue novo, sorrimos. Não tanto pela tal renovação, mas por sabermos que o Tomás nos trás coisas novas (até uma ou outra anedota...), recebidas com um sorriso fraterno, por mim e pelo avô.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas para mim tem tudo a ver. 

Falo do telefonema que recebi hoje do Chico a dizer-me que o nosso companheiro Luís Serra tinha partido. O Luís fez parte da nossa "Tertúlia do bacalhau com grão", durante vários anos. Problemas familiares e de saúde ditaram o seu afastamento voluntário (ainda insistimos para quem ele continuasse a aparecer, porque o nosso encontro semanal podia funcionar como um "bálsamo", como acontecia com o bom do Orlando, que nos dizia que "renascia" às segundas-feiras...). Não conseguimos inverter esta sua "marcha solitária" e agora recebemos a notícia do seu adeus.

Fica a saudade do amigo, do associativista e do artista almadense (construía miniaturas de barcos com uma minúcia e uma arte digna de realce).

(Fotografia de Carlos - Almada)


domingo, janeiro 08, 2023

O Adeus de Carlos Guilherme (1941-2023)


Carlos Guilherme Sanches de Almeida, além de ter sido um dos "Capitães de Abril", foi um grande associativista almadense, fazendo jus à herança familiar deixada pelo seu pai, António Henriques, o grande historiador da Incrível Almadense.

Foi também a Incrível que nos aproximou e fez com que, além de nos tornarmos amigos, fossemos também os "pais" de várias iniciativas culturais, inclusive  a co-autoria de dois livros ("A Incrível e a Poesia Através dos Tempos, 1884-2012)" e "António Henriques, O Associativista e o Historiador de Almada e das suas Colectividades, 1915-2015").

Além dos habituais convívios com os seus antigas camaradas de armas na "Associação 25 de Abril", ajudou a fundar a "Tertúlia do bacalhau com grão" no restaurante Olivença (com o Chico, o Orlando e comigo), em Almada, onde durante alguns anos nos reunimos, semanalmente. Nesta tertúlia de amizade, aberta a outros bons amigos - que chegaram  a ser uma dúzia -, falávamos de tudo o que nos apetecia, com a Incrível e a História de Almada sempre presentes (e falamos...), o Carlos, com alguma ironia, gostava de afirmar que "nunca se dizia mal de ninguém".

Infelizmente, devido a problemas de saúde foi forçado a deixar este nosso convívio.

E hoje recebemos a triste notícia do seu adeus...

Sobra a saudade e a memória, capaz de "manter vivos" tantos momentos inesquecíveis, passados na companhia do Carlos e de outros amigos...

(Fotografia de João Miguel - Almada)