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terça-feira, novembro 04, 2025

A minha primeira "Cacilhas"...


A primeira vez que me recordo de ouvir falar de Cacilhas, foi nas páginas de um dos livros de leitura da escola primária.

Era um texto de algum escritor (tenho de investigar o caso...) que vinha acompanhado de uma imagem nocturna do Tejo, com um Cacilheiro a fazer a travessia e tinha como fundo as luzes da Outra Banda.

Não me lembro do conteúdo do texto, mas pela imagem que ficou gravada na minha cabeça, à distância de mais de meio século, penso que se devia falar do regresso a casa das muitas pessoas que trabalhavam em Lisboa e viviam na outra margem do Rio. 

Sim, a Cacilhas desse tempo, não fugia do epiteto de "dormitório da Capital", que continua actual...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, fevereiro 11, 2025

«Há um olhar sobre o passado em Almada. Mas, e o presente, onde é que está?»


Sei que posso estar enganado, até por hoje ser uma pessoa "mal informada" (basta não ter redes sociais, por onde tudo circula...), mas faz-me confusão sentir que não há oposição política em Almada.

Quando se percebe com alguma nitidez, que Almada está muito pior do que era, há dez anos. Basta andar pelas ruas e perceber que nunca existiram tantos buracos nas estradas, tanto lixo à vista de todos, e zonas verdes completamente descuidadas.

Mas posso continuar: a realização de obras públicas de melhoramento são uma desgraça, nunca são cumpridos os prazos (há diferenças superiores a seis meses e até um ano) e sente-se muitas vezes que se gastou "dinheiro para nada", ou seja, ficou tudo, mais ou menos igual.

Mas onde noto mais diferenças é na oferta cultural. É muito menor. Isso também acontece por que se tentou, com êxito, asfixiar o associativismo local (há dezenas de colectividades que fecharam portas nesta última década, por falta de apoio...).

Lá estou eu a deixar a "caneta" escrever sozinha... 

O que que queria dizer, é muito simples. Faz-me confusão que o vereador António Matos, eleito pela CDU, faça excelentes retrospectivas do passado, do trabalho meritório que o seu partido realizou em Almada e nunca fale do presente. 

E tem tanta coisa para criticar!

Daí a pergunta que dá título a estas minhas palavras: «Há um olhar sobre o passado em Almada. Mas, e o presente, onde é que está?»

Até parece que está tudo bem em Almada, pelo menos para a CDU...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, novembro 13, 2023

Almada, 50 anos de Cidade, 50 anos de Liberdade


Hoje e amanhã decorre na Sala Pablo Neruda o congresso, "Almada, 50 anos de Cidade, 50 anos de Liberdade".

Passei por lá de manhã e ouvi as quatro primeiras comunicações, sobre a história de Almada. Embora as intervenções tenham de ser curtas, por todas as razões, gostei sobretudo de ouvir falar do que não conhecia (e também não pensava... agora estou a pensar na intervenção da arqueóloga Tânia Casimiro).

Amanhã também devo passar por lá de manhã, para ouvir mais duas ou três comunicações, para ficar a saber mais uma ou outra coisa.


quinta-feira, setembro 28, 2023

Calúnias, Mentiras e Ignorância...


Ao ler a notícia publicada na revista "Sábado" ainda sobre a estátua de Camilo, no Porto, obra do escultor almadense, Francisco Simões, perdi todo o respeito intelectual que tinha por Alexandre Pomar.

O antigo crítico de arte escreve (no facebook, claro...) sobre a ligação de Francisco Simões ao "PCP de amigalhaços e cumplicidades em várias direcções", ao mesmo tempo que fala também "corrupção autárquica e dinheiro fácil". Refere depois que Simões foi vereador "da APU na Margem Sul, por onde multiplicou estátuas e monumentos".

O crítico é ignorante porque devia saber que Francisco Simões saiu do PCP no começo dos anos 1980, numa das primeiras cisões do partido (pós-Abril). E que eu saiba, nunca mais voltou (normalmente trata-se de uma viagem sem retorno...).

É mentiroso e caluniador, porque Francisco Simões durante anos não teve qualquer obra pública da sua autoria em Almada, onde foi vereador da Cultura. E as obras que existem, hoje, estão patentes nas estações da Fertagus. Ou seja, não tiveram qualquer intervenção autárquica.

Eu como escrevi mais que uma vez contra a "arte da ferrugem" de José Aurélio (até aqui no "Casario"), que ocupa demasiadas praças e jardins de Almada, tal como também lamentei que não existisse uma única obra de Francisco Simões (que não conheço pessoalmente...) no Concelho onde nasceu, não poderia deixar de me manifestar contra esta "cultura de ódio, mentira e inveja" que continua a proliferar nas redes sociais.

(Fotografia de Luís Eme - Pragal)


sexta-feira, dezembro 09, 2022

Mais Autoritarismos que "Colonialismos" na Presidência da Câmara de Almada...


Embora esteja cada vez mais distante d0 município de Almada, muito pouco socialista, de vez em quando descubro que a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, faz questão de ser notícia, pelos piores motivos.

A última aconteceu durante a reunião ordinária de câmara, onde deixou bem visíveis os seus "tiques de autoritarismo", que já são quase mais famosos em Almada que o Cristo Rei, ao cortar a palavra a uma Munícipe, por esta ter usado a imagem de uma "Almada Colonial", para falar dos problemas de realojamento das pessoas que moravam no Bairro do Torrão (Trafaria).

Nem de propósito, no dia seguinte a ter lido esta notícia, fiquei preso às palavras que o ensaísta Eugénio Lisboa escreveu na revista "Ler" (Inverno de 2022), sobre a censura. Palavras que transcrevo com a devida vénia:

«A censura vem dos tempos mais remotos, porque uma das tendências mais naturais, no ser humano, é mandar calar o seu semelhante, quando este diz qualquer coisas que não lhe agrada ouvir. A expressão “Por que não te calas?” não foi inventada pelo ex-rei de Espanha, Juan Carlos. Tem uma tradição que vem de longe e não foram só os tiranos quer dela fizeram uso ou a recomendaram. O egrério Platão sugeriu, com empenho, que Homero não fosse lido por leitores imaturos - De então para cá tem sido um fartote.»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, outubro 09, 2021

A Indomável Resistência da Incrível


Um dos aspectos que mais foi salientado nos discursos da Sessão Solene da Incrível, foi a excelente actuação da sua Banda Filarmónica, com todos os intervenientes a darem um destaque especial (e merecido) ao facto de uma boa parte dos músicos serem jovens adolescentes ou no começo da idade adulta. 

E isto acontece numa Sociedade Filarmónica que comemorou 173 anos de idade!

Provavelmente a mensagem mais importante que se poderia reter, é que ter muita idade no mundo associativismo não é sinónimo de velhice.

Por outro lado, não há melhor marca na história da Incrível que a sua indomável resistência. Só assim se percebe, que depois de uma paragem forçada devido à pandemia, a banda surja com grande brilho e glória, para satisfação de todos os Incríveis, com toda esta juventude, que é sempre motivo de esperança para o futuro.

E claro, é muito bonito inaltecer os jovens músicos que tocaram no palco, tal como o seu maestro, mas é ainda mais importante não esquecer os seus dirigentes, e sobretudo apoiar o seu trabalho. 

Se há lugar onde se deve apoiar o mérito, é no Associativismo. É bom que, de uma vez por todas, se distribuam "canas de pesca" em vez de "caixas de peixe" pelas Colectividades, que se façam protocolos que dignifiquem ao mesmo tempo o Movimento Associativo e o Poder Local.

 Teremos todos a ganhar com esta mudança de paradigma.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 28, 2021

Almada é a Terra do Futuro...


Depois de quatro anos quase "cheios de nada", são no mínimo curiosas as palavras da presidente da Câmara, depois de ter sido reeleita:

«Almada é uma terra extraordinária. Nós tínhamos dito há quatro anos que Almada pode. E Almada fez muito durante os quatro anos e pode fazer mais. Tínhamos dito que Almada tinha de reencontrar a sua centralidade na Área Matropolitana de Lisboa [AML] e, de facto, hoje Almada é a terra do futuro da AML.»

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 21, 2021

"Guerra" de Cartazes em Almada


Acontecem sempre coisas no mínimo curiosas, durante as campanhas eleitorais.

A CDU achou por bem colocar vários cartazes com projectos para o futuro (mesmo que isso seja coisa para o dia "de são nunca à tarde"...), espalhados por vários pontos do Concelho. O PS replicou, colocando cartazes ao lado, com uma questão: "Só agora?" Falando também dos 40 anos de poder comunista... dizendo que "Almada não quer regressar ao passado".

Só que estes últimos quatro anos socialistas e sociais democratas, deixaram tanto a desejar, que há uma forte possibilidade de os almadenses quererem mesmo voltar ao "passado"...

(Fotografia de Luís Eme - Feijó)


quarta-feira, agosto 11, 2021

O Copo Meio-Cheio dá Sempre Jeito aos Políticos...


Ao ler a entrevista feita à presidente do nosso Município, Inês de Medeiros ao "semmais", sublinhei algumas das suas palavras, por terem os "pózinhos" muito utilizados pelos políticos, esses mesmo, que são capazes de transformar fantasia em realidade. 

Vou começar pela cultura, por razões óbvias: 

«Houve muito investimento na cultura, a todos os níveis. Aumentámos os apoios regulares às companhias e outras associações e clubes com um critério que lhe permite hoje saber com o que contam.»

Claro que é possível que tenha sido feito mais investimento na cultura. Para isso basta que seja dado mais um milhão para o Festival de Teatro de Almada (é um dado hipotético...), mesmo que algumas associações e clubes de que fala, em vez de receberem apoio, tenham sido convidadas a devolver dinheiro, em nome do tal "critério"...

É por isso que é sempre possível dizer que "aumentámos os apoios regulares às companhias e outras associações e clubes"... O copo meio-cheio deu sempre mais jeito aos políticos que o copo meio-vazio...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


domingo, maio 30, 2021

15 anos e 1812 textos depois...


Foi no dia 30 de Maio de 2006, que publiquei o meu primeiro "post" num blogue criado por mim, este mesmo, o "Casario do Ginjal".

E entretanto já passaram 15 anos... Pelo caminho surgiram outros blogues da minha autoria, porque escrever sempre foi uma coisa fácil, talvez em demasiados registos, mas ninguém é perfeito.

Como gosto, sobretudo de escrever, tenho permanecido fiel aos blogues. Sei que isso também acontece porque dou preferência a este ambiente calmo, menos propenso a mal-entendidos e a confusões (as redes sociais são muito isso...).

E enquanto continuar satisfeito, vou continuar por aqui.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, janeiro 29, 2021

Às Vezes Acontece...


Esta "frase" acabou por ser publicada no "Largo" (por engano) e acabou por ficar.

Como o "Casario" está quase abandonado, ao sabor desta pandemia que nos fecha em casa, tinha pensado usar este quase letreiro, colocada à entrada do "Castelo" (nunca gostei de lhe chamar castelo, embora tenha muralhas, por ser feito de cimento, para mim os castelos são feitos de pedra...) por aqui.

No "Largo" disse que esta frase soava tanto a "estado novo", embora governantes como o Costa ou o Marcelo fossem capazes de colocar frases iguais, aqui e ali, para nos encherem de "moral"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, agosto 22, 2020

As Dores da Idade...


Quando a mãe se queixou das dores de cabeça e culpou as "mudanças de tempo" (cada vez mais repentinas...), a minha filha sorriu, como se se tratasse de uma "invenção", ou de uma "desculpa".

Quando se tem dezasseis anos, duvida-se de tudo, também por o corpo suportar quase tudo... É cedo demais para sentir as dores físicas da idade, sentem-se mais as emocionais...

(Fotografia de Luís Eme - Porto Covo)

domingo, julho 05, 2020

A "Ligação à Comunidade Local"


Há quase 27 anos realizou-se em Almada o "3.º Congresso Nacional de Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto".

Houve dezenas de intervenções, algumas bastante importantes, mas que acabaram por passar ao lado de quase todos os participantes, inclusive dos Almadenses. Uma delas foi da autoria do meu amigo Fernando Barão (em representação da Incrível Almadense), que nos deixou em Maio, que passados estes anos, não só mantém a actualidade como nos demonstra todo o tempo que se perdeu, sem fazer essa coisa simples e praticável, que é a "Ligação (das Colectividades) à Comunidade Local", que temos todo o gosto em transcrever os seus três primeiros parágrafos:

«A verdadeira e única saída para a evolução do Movimento Associativo será a sua ligação à comunidade que o rodeia.
Assim é da máxima importância, o estabelecimento de ligações pragmáticas e afectivas de todos os núcleos colectivistas de uma localidade com a sua população, de forma a que esta reconheça as suas validades e sintam, no dia a dia, as suas acções benéficas e altruístas.
Uma instituição colectiva, nos tempos que vão correndo terá de ir ao encontro da sua comunidade local, com objectivos certeiros, perscrutando primordialmente as suas carências. Terá de ser, insofismavelmente, o elemento necessário ao seu abastecimento de índices que alterem superiormente, as formações físicas e anímicas dessas gentes vítimas de uma sociedade consumista onde impera  o lucro fácil em troca de péssimos serviços.»

Todos aqueles que fizeram o que o Fernando, muito bem escreveu, que conseguiram com que as suas Colectividades se aproximassem das comunidades onde estão inseridas e lhes oferecessem o que necessitavam, de certeza que ficaram melhor que, os que se limitaram apenas a assobiar para o ar ou a bater à porta das autarquias, para pedir o respectivo "subsídio"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, abril 15, 2020

Bom Dia "Cantores"!

Penso que foi na televisão que ouvi alguém a lamentar-se, que nem sequer ouvia os pássaros...


Mas se há "gente" que tem regressado às cidades, sem medos de "viroses", é a passarada.


Como calculam, não estou a falar de pombos ou gaivotas. Mas de melros, pardais, entre outros pequenos cantores... Até descobri um casal de corvos na antena de televisão dos vizinhos da frente...

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, setembro 26, 2019

O "Capítulo Maldito"...


Há um capítulo do meu caderno "25, uma experiência associativa em almada (1994-2019)",  mais polémico que todos os outros, onde faço uma análise fria e objectiva sobre a relação do poder autárquico com o associativismo ("O Poder Local e o Associativismo").

Não tenho qualquer problema em apontar o dedo a quem em vez de distribuir "canas de pesca", distribuiu "caixas de peixe" (e não existe qualquer desculpa, para quem exerceu o poder durante mais de quatro décadas...) pelas colectividades almadenses.

Embora reconheça que já seja tarde para discutir o que quer que seja, gostava que as minhas palavras servissem para algo mais, que as habituais discussões de café...

Claro que também gostava que alguns amigos meus comunistas não tivessem ficado incomodados com as minhas palavras, que apenas dão "voz" ao meu olhar atento e à minha experiência associativa de 25 anos, mas...

segunda-feira, maio 27, 2019

A Passagem do "Espanta-Peixes"...

Às vezes o cacilheiro aproxima-se ligeiramente da margem e os pescadores não acham muita piada.

Talvez por ser um bocado grande, alguns rapazes habituaram-se a chamar-lhe o "espanta-peixes"...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 17, 2019

Aprender a Dizer Não...


É quase uma verdade "la paliciana", a palavra sim, ser sempre muito mais agradável, e fácil de dizer, que a palavra não.

Durante anos e anos, quase que só "pratiquei a palavra sim", tantos nos meios associativos como nos meios literários locais.

Isso acontecia por gosto (e vaidade claro...), por amizade (é sempre difícil dizermos não a um amigo...) e também por dever (estarmos bastante ligados ao meio e sentirmos que devemos transmitir aos outros as nossas inquietações e os nossos conhecimentos...).

Depois começamos a perceber que estamos a aparecer vezes demais... "ensaiamos o primeiro não", com a desculpa da "agenda" (mesmo que ela esteja quase vazia de compromissos do género...). Achamos que não devemos voltar a escrever o prefácio de um livro do mesmo autor, mesmo que seja de um amigo, para não nos repetirmos (o "não" nem sempre é bem aceite, as pessoas acham que a recusa se deve à sua qualidade - nestes casos, a falta dela...).

O mais curioso, é que quando nos habituarmos a usar a palavra "não", sentimos-nos muito mais livres...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 11, 2019

«O que é isso de 'rabos de palha'?»


Pois é, a sabedoria popular tem muito que se lhe diga. Nem parece que foi criada quase em oposição aos "eruditos" dos tempos passados...

A minha filha com catorze anos, perguntou-me o que era isso dos 'rabos de palha' (ela pergunta-me muita coisa, que eu tenho a mania que ela já devia saber...  esqueço-me de que não passou uma boa parte das férias grandes da infância, na aldeia, na casa dos avós, tal como eu e o meu irmão. Esta passagem pelos campos foi decisiva para o enriquecimento do meu vocabulário, sem que me apercebesse...).

Comecei por dizer que os rabos de palha deixam sempre rasto por onde passam... Depois fui mais longe e disse, que às vezes falamos de coisas, como se não tivéssemos nada a ver com elas, mas há sempre alguém que nos lembra que não é bem assim. Somos traídos pela memória mais vezes do que devíamos.

Acabei por lhe dar um exemplo prático, de Cavaco Silva (que como diz o meu amigo Gui, é a "virgem mais puta de Portugal"...), que sempre que tem uma oportunidade destila os seus "ódios de estimação", esquecido dos seus "pecadilhos" enquanto governante e político. Mas basta perceber que ele é o homem que garante a pés juntos, que nunca foi político, quando foi dez anos primeiro-ministro e outros dez presidente da República (sem somar o seu tempo como ministro das Finanças...).

Pois foi, afinal nos seus governos também havia primos, tios, e até esposas de ministros...

quarta-feira, março 20, 2019

O Velho Hábito de "Atirar Areia para os Olhos" dos Outros...

O "Encontro do Movimento Associativo Almadense" foi de tal forma livre, que houve quem usasse a palavra para defender o indefensável. Falamos de um autarca do PS, presidente da União de Juntas da Charneca de Caparica e Sobreda, que até quis usar palavras caras, dizendo que os problemas do Associativismo são endógenos e não exógenos (internos e não externos...), tentado salvar a face do Município, como se o Encontro tivesse como único objectivo atacar a Câmara Municipal de Almada.

Os problemas internos que existem na generalidade das colectividades (e são vários...) foram quase sempre provocados por factores externos a estas, ou seja, pelas próprias mudanças da sociedade onde estamos inseridos, que se foi tornando, de ano para ano, mais egoísta e individualista, colidindo frontalmente com os princípios do Associativismo.

Não há nenhum modelo Associativo do século XIX, XX ou XXI. Há assim adaptações sócio-económicas, sócio-culturais e sócio-desportivas, que se fazem (ou devem fazer...) naturalmente ao longo dos anos. 

Neste caso em particular, se há alguém que está a abrir "trincheiras" (palavra de Pedro Matias...), é o Município, que nem sequer se dá ao trabalho de ouvir os dirigentes associativos do concelho de Almada.

É muito fácil falar na "urgência" de trazer os jovens e as mulheres para o Movimento Associativo, para desviar as atenções.  Difícil é alterar o rumo actual da sociedade, cada vez mais desigual, e que trata os jovens como se fossem cidadãos de segunda, apesar das suas qualificações, oferecendo-lhes na generalidade dos casos, trabalho precário e mal pago...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 17, 2019

Autarquia Almadense de Costas Voltadas para o Associativismo

Ontem estive presente no "Encontro do Movimento Associativo Almadense", que se realizou na Cova da Piedade, organizado pela Associação das Colectividades do Concelho de Almada, onde se abordaram, com alguma pertinência, alguns dos problemas que afectam o Movimento Associativo Popular do Concelho.

Estiveram presentes cerca de 100 pessoas, cuja maioria eram dirigentes associativos. Houve vinte intervenções, da mesa e da plateia, quase todas elas pertinentes, trazendo para a reunião problemas concretos e oferecendo também algumas pistas para a sua resolução.

Percebemos que existe um problema comum, a falta de apoio e de sensibilidade, por parte do Município, perante a generalidade das Colectividades de cultura, desporto e recreio, que todos sabemos, continuarem a substituir o Estado nos seus deveres, expressos na Constituição...

A ausência de qualquer elemento do Município (foram convidados a Presidente do Município, o Presidente da Assembleia Municipal, os Vereadores e um Director de Serviços...), diz quase tudo sobre sobre a sua posição perante um parceiro, incontornável, em Almada.  

Sim, incontornável. As Associações são as responsáveis por quase tudo o que se faz na cultura, no desporto, no recreio, junto das populações. Nos últimos anos ainda têm ido mais longe, oferecendo apoio nos cuidados primários que são prestados, às pessoas mais idosas e carenciadas de Almada (todas as Freguesias do Concelho têm associações de reformados, às quais se juntam outras IPSS's que diariamente apoiam milhares de pessoas...).

Trabalho esse que sempre foi feito, maioritariamente, de forma voluntária e graciosa.

Durante a próxima semana irei escrever no "Casario" sobre algumas das coisas mais importantes que ouvi (algumas delas completamente incompreensíveis...).

(Fotografia de Luís Eme)