Mostrar mensagens com a etiqueta Mark Ruffalo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mark Ruffalo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Biblioteca Cinematográfica: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

O Livro: Três anos antes de ganhar o Prémio Nobel da Literatura, o único para um escritor de língua portuguesa, José Saramago publicou «Ensaio Sobre a Cegueira», uma obra bastante negra sobre a Humanidade. Tudo começa quando um homem perde a visão. De repente todo o mundo vai sucumbindo a uma estranha epidemia de cegueira e as pessoas só vêem em branco. A narrativa segue a mulher de um médico, a única que não foi afectada, e mostra-nos a sobrevivência de uma espécie que perdeu um dos seus sentidos mais importantes. Com descrições bastante fortes e em alguns casos arrepiantes, «Ensaio Sobre a Cegueira» é um dos retratos mais negros da socieade, escrito por um dos melhores escritores portugueses de sempre, que tinha uma forma de escrever bastante peculiar, que gerou ódios e paixões.

O Filme: Apesar das dúvidas do escritor, que nunca gostava muito de dar autorização às adaptações dos seus livros, «Ensaio da Cegueira» acabou por chegar ao Cinema em 2008. Filmado pelo brasileiro Fernando Meirelles e escrito por Don McKellar, a versão cinematográfica teve direito a abertura do Festival de Cannes e reuniu um elenco de certa forma original, com actores originários de diversos países: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Julianne Moore, Danny Glover (EUA), Sandra Oh (Canadá), Gael García Bernal (México) e Alice Braga (Brasil). As próprias filmagens passaram por diversos países do globo, pois uma das condições impostas para a adaptação ir em frente era que o cenário fosse uma cidade irreconhecível. Daí, o filme ter sido filmado no Brasil, Canadá e Uruguai.

O resultado foi um bom filme, tendo em conta que filmar uma história deste tipo seria muito complicado à partida. Como é que seria possível filmar a cegueira. Não sendo tão bom como o original, um dos melhores livros de Saramago, Meirelles esteve à altura da missão e recebeu o aval do escritor, recentemente falecido.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (2010)

«Os Miúdos Estão Bem» é um retrato de uma família composta por duas mães e dois filhos que começa a atravessar uma fase de turbulência quando um dos jovens decide conhecer o pai biológico. Só esta frase poderia afastar muita gente do filme, devido a preconceitos de cariz sexual, mas este é um retrato de uma família normal que acontece ter duas mães em vez de um pai e uma mãe. E uma família normal porque Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), as duas mães que compõem o casal de lésbicas educaram os seus petizes Joni (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton) e Laser (Josh Hutcherson), como se fossem uma família tradicional. O seu comportamento apenas se vem alterar quando se dá o encontro com Paul (Mark Ruffalo), o dador de esperma que foi utilizado pelas duas para engravidarem.

Além desta faceta do choque entre três personagens que nada têm em comum, «Os Miúdos Estão Bem» aborda também a questão da adolescência e o despertar para a sexualidade por parte dos dois filhos. A rapariga está prestes a entrar para a faculdade e a abandonar o lar enquanto o rapaz faz as tropelias normais de um jovem inconsciente ao lado de um amigo bastante parvo, que parece saído da série Jackass. Com excepção de Mark Rufallo, que faz um papel de personagem engraçadinha mas sem graça, todos os elementos da família têm uma boa prestação, sobretudo as duas mães, que têm uma excelente química. Quase que parece que estão a interpretar um casal a sério.

Estamos assim perante uma comédia dramática que precisava de ir um pouco mais longe para produzir o efeito desejado. O problema é que «Os Miúdos Estão Bem» não consegue ser atingir o alvo na maioria das cenas mais cómicas (por exemplo, penso que a personagem do jardineiro que ajuda Jules podia ter sido melhor aproveitada) e as cenas dramáticas também pecam por não ser convincentes. Um bom filme para ver numa tarde de fim-de-semana.

Nota: 3/5

Site oficial do filme