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domingo, 12 de dezembro de 2010

West Side Story - Amor Sem Barreiras, de Robert Wise e Jerome Robbins (1961)

«West Side Story» é ainda hoje um dos musicais com mais Óscares no currículo. Nada mais, nada menos do que 10. Adaptado pela dupla Robert Wise e Jerome Robbins a partir de um musical homónimo da Broadway, esta é a história de amor entre dois jovens pertencentes a meios diferentes, neste caso ligados a dois gangues rivais de Nova Iorque. De um lado temos os Sharks, oriundos da comunidade porto-riquenha, do outro os Jets, filhos dos imigrantes europeus que vêem os EUA como o seu território.

É no meio deste barril de pólvora que nasce o amor entre Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood). O primeiro é o melhor amigo de Riff (Russ Tamblyn), o líder dos Jets, e a segunda a irmã de Bernardo, o líder dos Sharks (George Chakiris). Mas West Side Story vai muito para além de uma simples história de amor, tão ao gosto dos amantes de um bom romance. Mostra-nos também, através dos dois grupos rivais, a história dos conflitos que sempre fizeram parte de Nova Iorque. Mais tarde Martin Scorcese filmou esta realidade, mas num período histórico muito anterior, em «Gangues de Nova Iorque». Não é à toa que num dos conflitos entre os dois grupos, Bernardo chama nativos aos Jets, expressão que define um dos grupos no filme de Scorcese citado.

As sequências musicais são bastante boas, muitas ainda hoje são conhecidas e fazem parte de qualquer boa antologia do género, e algumas conseguem mesmo aprofundar os temas que à partida dificilmente pensaríamos encontrar num musical, género conotado com o amor e romance. A tal rivalidade é apenas uma delas. Mas por exemplo numa das cenas mais famosas, com a música «America» (que pode ser visionada abaixo), encontramos um excelente retrato do sonho americano visto pelos olhos de quem o procura: as mulheres vêem os EUA como a terra das oportunidades, enquanto que os homens a vêem como uma terra de oportunidades. Mas no fundo ninguém quer deixar o país.

Apesar de ter já quase 50 anos, «West Side Story» é um filme que nos apresenta uma Nova Iorque que ainda permanece no ideal de quem sonha com a cidade que nunca dorme. É um bocado datado, é certo, mas aquela a Manhattan onde decorre a acção ainda hoje é possível encontrar em muitos filmes passados em Nova Iorque. (spoiler) E curiosamente, apesar do sucesso que teve na altura da estreia, é um filme que tem um final triste, o que acaba por ser de certa forma surpreendente se pensarmos que muitos realizadores são 'obrigados' a filmar um final feliz para agradar às plateias.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Silent Night, Deadly Night III: Better Watch Out, de Monte Hellman (1989)

Na década de 1980 as séries de filmes de terror estavam na moda, atingindo maior popularidade com «Sexta Feira 13» e «Pesadelo em Elm Street». Recentemente os dois vilões destes franchises foram recuperados para um filme em que se enfrentavam, de seu nome «Fred Vs Jason».

A série «Silent Night, Deadly Night», cujo primeiro filme estreou em 1984, foi outra das séries de terror realizadas naquela década e chegou aos cinco episódios com o filme «The Toy Maker» em 1991. Pelo meio houve este terceiro episódio, realizado por Monte Hellman.

A série centra-se em Richard 'Ricky' Caldwell (Bill Moseley), um serial killer que ficou traumatizado com a morte dos pais em criança às mãos de um assassino vestido de Pai Natal. É também com este disfarce que mais tarde Ricky irá matar as suas vítimas. No terceiro episódio, este que nos interessa, o assassino que se julgava morto encontra-se em estado de coma num hospital e um médico (Richard Beymer, que iria mais tarde entrar na série Twin Peaks) resolve fazer experiências ligando-o a uma jovem cega com poderes psíquicos (Samantha Scully), no sentido de estabelecer contacto com Ricky e descobrir o que vai na cabeça dele.

O problema é que o assassino acorda mesmo e começa a carnificina. E se este filme até podia ganhar alguns pontos, até nem está mal feito e tem pormenores bastante bem conseguidos, tem outros que não lembram a ninguém. A começar pelo facto de a figura de Ricky ter o cérebro à mostra, dentro de uma espécie de aquário. E mesmo assim consegue pedir boleia quando foge do hospital sem ninguém o impedir, numa das cenas mais cómicas deste terceiro «Silent Night».

Depois ao longo da sua caminhada, onde tem como objectivo encontrar a jovem que o acordou, vai fazendo mais uma série de vítimas e como seria de esperar, ninguém sai ileso. E é tudo muito pobrezinho, apesar de conseguir pregar pelo menos um grande susto numa das cenas em que Ricky sai disparado de uma porta.

A título de curiosidade, este é também o primeiro filme para cinema em que aparece Laura Harring, que em 2001 fará dupla com Naomi Watts em Mulholand Drive, de David Lynch. Nesta sua estreia coube-lhe o papel da rapariga que mostra os seios, um outro cliché dos filmes desta altura.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB