Mostrar mensagens com a etiqueta Ingmar Bergman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ingmar Bergman. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sonata de Outono, de Ingmar Bergman (1978)

«Sonata de Outono» juntou dois grandes nomes da Sétima Arte com o mesmo apelido: Ingmar Bergman na realização e Ingrid Bergman numa das suas últimas aparições no grande ecrã, que lhe garantiu também uma nomeação para os Óscares na categoria de Melhor Actriz, algo pouco comum quando se trata de um filme estrangeiro. A nomeação foi justíssima, pois neste filme Ingrid Bergman tem uma enorme interpretação ao lado de Liv Ullmann, que também não lhe fica atrás.

O argumento centra-se na visita de Charlotte (Ingrid Bergman) a casa da sua filha Eva (Liv Ullmann), depois da morte de um dos seus amantes. Mas aquilo que parecia ser um regresso a casa depois de muitos anos, inicialmente com toda a gente bem disposta, cedo se torna um regresso odioso. Isso nota-se logo numa primeira sequência, quando Eva diz à mãe que a sua irmã doente também está a viver com ela, notícia que não é bem recebida por Charlotte. Mais tarde ao mesmo tempo que Eva tem um curioso diálogo com o marido sobre a sua mãe Charlotte, no andar de cima esta tem um monólogo que uma vez mais dá a ver a natureza da sua personagem. Tudo explode a meio da noite, quando mãe e filha, sobretudo esta, desabafam sobre fantasmas do passado.

Apesar de não ser um dos mais conhecidos filmes de Ingmar Bergman, «Sonata de Outono» não deixa de ser um grande filme. A presença de Ingrid Bergman, e que excelente presença, é apenas um brinde para os fãs do cineasta, que têm aqui todos os ingredientes da sua obra: desde as relações destroçadas a fantasmas do passado, passando por excelentes interpretações e personagens bastante vincadas no seu modo de ver as coisas, nada falta. E o confronto entre Ingrid e Liv não podia ser uma grande despedida na carreira da primeira, que apenas iria regressar num derradeiro papel num filme para televisão em 1982, onde interpretou o papel de Golda Meir.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

domingo, 29 de maio de 2011

Belle du jour: Julia Dufvenius

Julia Dufvenius, em «Saraband», de Ingmar Bergman

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Fonte da Virgem, de Ingmar Bergman (1960)

(crítica com spoilers)

As décadas de 1950 e 1960 foram as melhores da carreira de Ingmar Bergman. Não só foram as duas décadas mais proliferas do cineasta, como também foram as que nos trouxeram alguns dos seus filmes mais emblemáticos. «A Fonte da Virgem» é sem sombra de dúvida um dos melhores filmes deste período e da obra de Bergman. Desde 1957, quando realiza «O Sétimo Selo», o filme onde Max von Sydow enfrenta cara a cara a Morte num jogo de xadrez com repercussões fora do tabuleiro, que este actor fazia parte da família de actores do cineasta sueco.

Aqui volta a ser uma das peças centrais, interpretando Töre, um homem bastante religioso cuja filha Karin (Birgitta Pettersson) é violada e morta por três assaltantes. Quando descobre acaba por vingar-se dos criminosos, matando-os também. A partir de uma lenda local da Idade Média, Bergman apresenta em «A Fonte da Virgem» mais uma reflexão sobre a relação entre Deus e o Homem. O final, quando Töre questiona Deus sobre o que se passou - a morte de uma inocente e a consequente vingança por parte de alguém que devia saber perdoar - é arrepiante.

Além de Töre, praticamente todas as outras personagens têm características bem vincadas, o que faz com que este seja um filme perfeito em todos os sentidos. A dualidade entre Karin, a loira virginal, e a empregada grávida de cabelos negros Ingeri (Gunnel Lindblom), que faz com que a última deseje o mal à primeira e depois acabe por se considerar culpada pelo sucedido é outro dos exemplos. O plano final, quando os pais de Karin levantam o seu corpo e surge uma nascente, a tal fonte da virgem que dá o título ao filme, é dos mais belos de sempre. Curiosamente, é Ingeri a primeira a lavar-se naquela água, como que se estivesse a lavar os seus pecados. Todos estes elementos fazem de «A Fonte da Virgem» um dos melhores filmes de Ingmar Bergman.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

sábado, 26 de março de 2011

Sorrisos de uma Noite de Verão, de Ingmar Bergman (1955)

Mais um interessante retrato das relações humanos é o que nos apresenta Ingmar Bergman em «Sorrisos de uma Noite de Verão». O filme relata a história de várias pessoas e as suas paixões umas pelas outras. Vou tentar simplificar: o advogado viúvo Fredrik (Gunnar Björnstrand) é casado em segundas núpcias com a jovem Anne (Ulla Jacobsson), com quem sabemos posteriormente o casamento não foi consumado. Quando conhecemos o casal, o advogado prepara-se para levar a esposa ao teatro, para ver uma peça onde participa a sua antiga amante Desiree Armfeldt (Eva Dahlbeck), que já não vê há alguns anos. Ao mesmo tempo chegou o seu filho Henrik (Björn Bjelfvenstam), um jovem com algumas dúvidas entre seguir carreira na Igreja ou deixar-se levar pelas suas paixões: primeiro pela empregada do pai, Petra (Harriet Andersson), depois pela madrasta. Entretanto, quando Fredrik se vai encontrar com Desiree descobre que esta tem um amante, o conde Carl Magnus Malcolm (Jarl Kulle), que por sua vez é casado com uma amiga de Anne. O desenlace vai ter lugar num fim-de-semana organizado pela mãe de Desiree na sua mansão, onde todas as paixões recalcadas se descobrem e cada um tem o destino que merece.

(spoiler) Curiosamente o resultado final acaba por representar um grande volte-face para todos: quem estava bem no início acaba mal, e quem estavam mal quando o filme começa acaba bem. «Sorrisos de uma Noite de Verão» é mais um daqueles bons filmes de Bergman, por vezes com um tom cómico, que nos faz pensar sobre as dúvidas perante tudo o que está à nossa volta. E os temas abordados dois grandes temas: o Amor, representado nos vários casais em cena, cada um com as suas especificidades, e a Religião, tema bem caro à obra do cineasta sueco, bem expressa na relação entre Fredrik e o filho.

Mas as grandes personagens acabam por ser duas secundárias: Petra e o criado da mãe de Desiree, que também acabam por ser levados pela paixão, que funcionam como uma espécie de consciência de todas as outras personagens.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

domingo, 20 de março de 2011

Belle du jour: Harriet Andersson

Harriet Andersson, em «Mónica e o Desejo», de Ingmar Bergman

domingo, 13 de março de 2011

Mónica e o Desejo, de Ingmar Bergman (1953)

Se há cineastas que nos fazem reflectir, colocando as personagens em situações limite, quase como que imitando a realidade, Ingmar Bergman é por certo um deles. «Mónica e o Desejo», filme de 1953, é a história de um jovem casal sem grandes perspectivas (Mónica, de 17 anos, e Harry, de 19 anos) que foge durante o Verão para viver a sua paixão longe das preocupações. Mas o que começa como uma história de amor entre dois jovens que se vão descobrindo aos poucos começa a mudar quando Mónica engravida e os dois têm de começar a ser responsáveis. Harry faz tudo para manter o casal à tona, voltando à escola para dar uma vida melhor à nova família, mas a vontade de Mónica de continuar a ser independente acaba por acabar com o romance.

Interpretado por Harriet Andersson, papel que acabou por ficar um dos ícones do cinema europeu da década de 1950, e Lars Ekborg, o filme acabou por ajudar a carreira de Bergman a saltar para fora das fronteiras suecas, onde já era nome conhecido, não só como realizador, mas também como argumentista e encenador de peças de teatro. A história da descoberta do amor na adolescência está muito bem captada pela sua câmara e a própria utilização das estações do ano para representar o evoluir da relação é utilizada de forma magistral. De destacar também a forma como está retratada a juventude da altura, que tinha de trabalhar desde cedo para ganhar a vida, muitas vezes em trabalhos fabris. «Mónica e o Desejo» é um, dos muitos, grandes filmes que o realizador sueco nos deixou como legado.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Lena Nyman (1944-2011)

Morreu Lena Nyman. Um dia após ter sido noticiada a morte de Maria Schneider, actriz de «O Último Tango em Paris», chega-nos o anúncio da morte de Lena Nyman, actriz sueca que ficou conhecida pelo papel de Helena desempenhado no filme «Sonata de Outono», de Ingmar Bergman. Tal como o mestre realizador sueco, Lena Nyman teve uma carreira dividida entre o Cinema e o Teatro. A estreia no grande ecrã ocorre em 1955, quando entra no filme «Farligt löfte», de Håkan Bergström, mas apenas em 1967 dá nas vistas, ao participar em «Continuo a Ser Curiosa», de Vilgot Sjoeman. Tanto por esta prestação como pela participação em «Jag är nyfiken - en film i blått», um ano mais tarde, realizado pelo mesmo cineasta, ganhou um prémio de Melhor Actriz, atribuído pelo Instituto do Cinema da Suécia.

Lena Nyman entrou em mais de 50 filmes, em TV e Cinema, o último dos quais em 2006: «Att göra en pudel», de Anette Winblad. A actriz faleceu hoje de manhã, vítima de doença.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedro Costa e João César Monteiro entre os melhores da década

A Cinemateca de Ontário colocou três filmes portugueses, dois de Pedro Costa e um de João César Monteiro, na lista dos melhores filmes desta primeira década do século XXI. A lista foi criada para comemorar os 20 anos da instituição que vai também projectar algumas das obras em 2010, no âmbito de um ciclo denominado «The Best of the Decade: An Alternative View».

Portugal está representado na lista por «Juventude em Marcha» (15ª posição da lista) e «O Quarto de Vanda» (14ª com «Os Respigadores e a Respigadora», de Agnès Varda e «Songs From The Second Floor», de Roy Andersson) e «Vai e Vem», de João César Monteiro (30ª posição com «Longing», de Valeska Grisebach, «Secret Sunshine», de Lee Chang-dong e «Longe do Paraíso», de Todd Haynes). Destes três filmes portugueses, apenas os de Pedro Costa vão integrar o ciclo, o que prova uma vez mais a força que o realizador tem vindo a ganhar internacionalmente.

E é curioso ver que nesta lista, criada a partir de um inquérito feito a mais de 60 especialistas na Sétima Arte, de programadores de festivais a historiadores, os filmes de Pedro Costa ficaram à frente de obras de cineastas conceituados como David Lynch («Mulholand Drive»), David Cronenberg («Uma História de Violência»), Gus van Sant («Elephant» e «Gerry»), Pedro Almodóvar («Fala Com Ela») ou Ingmar Bergman («Saraband»).

Os dez primeiros classificados da lista são:

1 - «Syndromes and a Century», de Apichatpong Weerasethakul;
2 - «Platform», de Jia Zhang-ke;
3 - «Still Life», de Jia Zhang-ke;
4 - «Beau travail», de Claire Denis;
5 - «In the Mood for Love», de Wong Kar-wai;
6 - «Tropical Malady», de Apichatpong Weerasethakul;
7 - «The Death of Mr. Lazarescu», de Cristi Puiu e «Werckmeister Harmonies», de Béla Tarr;
8 - «Éloge de l'amour», de Jean-Luc Godard;
9 - «4 Months, 3 Weeks, 2 Days», de Cristian Mungiu;
10 - «Silent Light», de Carlos Reygadas.

A lista completa encontra-se aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Tortura, de Alf Sjöberg (1944)

Antes de Ingmar Bergman se aventurar na realização de filmes, foi um grande argumentista. Aliás, muitos dos seus filmes seriam baseados em argumentos da sua autoria. E foi precisamente este «Tortura» em 1944 que marcou a sua estreia na escrita para cinema, dois anos antes de realizar o seu primeiro filme.

«Tortura» é um filme que tem no centro um liceu onde um dos professores é considerado um sádico tirano pelos seus alunos. São poucos os que não têm medo desta figura a quem deram a alcunha de Calígula (Stig Järrel). No seu oposto está um aluno que foi chumbado por não ter estudado a lição. Por sua vez, a fechar o triângulo das personagens principais de «Tortura» está uma rapariga, que trabalha numa tabacaria e se enamora pelo rapaz.

Com o desenrolar do filme vemos que todos têm os seus traumas pessoais e como é complicado ultrapassá-los. Uma das marcas da obra futura de Bergman, que também aqui começou a filmar algumas das cenas. Desde o professor que diz ter problemas com nervos e que o levaram a passar um tempo internado no passado ao estudante que não aguenta a pressão de ter chumbado, passando pela jovem que tem medo de estar sozinha porque alguém vai ter com ela.

Uma das partes mais expressivas de «Tortura» é precisamente o quarto da jovem, onde o jogo de sombras criado por Sjöberg está muito bem feito e faz lembrar a tempos o expressionismo alemão dos anos 1920, nomeadamente quando vemos a sombra de uma mão a aproximar-se da rapariga, numa das cenas. Poderia dizer-se que quase sentimos a presença de Nosferatu, se bem que aqui a sombra não é sobrenatural.

Filmado no final da II Guerra Mundial, «Tortura» foi visto na altura como um filme de oposição ao nazismo. Daí a figura do professor ser visto como uma autoridade demasiado forte dentro da sala, mas que na realidade não o é por dentro devido aos seus problemas psicológicos. Ao mesmo tempo, «Tortura» apresenta de certo modo o ambiente das escolas naquela altura.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB