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domingo, 29 de janeiro de 2012

28 Dias Depois, de Danny Boyle (2002)

Cinco anos antes de nos levar até ao espaço, Danny Boyle trouxe uma espécie de apocalipse ao planeta Terra. Mais concretamente ao Reino Unido, onde tem origem uma estranha epidemia que se alastra rapidamente e tem como efeito transformar os humanos em zombies. 28 dias depois do início das primeiras infecções Jim (Cillian Murphy) acorda numa cama de hospital onde esteve em coma sem saber muito bem o que se passou. Ao andar por uma Londres completamente deserta acaba por descobrir que algo não está bem quando tem o primeiro encontro com os infectados. Com a ajuda de Selena (Naomie Harris) e Mark (Noah Huntley) consegue escapar e esta dupla de sobreviventes explica-lhe o que se passou ao longo das últimas semanas.

«28 Dias Depois» é um daqueles filmes que toda a gente fala bem e fazem nascer o chamado hype que nos leva a ficar com vontade de ver um determinado filme. Confesso que depois de o ver fiquei um pouco desanimado. Como aqui escrevi ontem, a propósito de «Missão Solar», Danny Boyle não é dos meus realizadores favoritos. E este filme de terror é, na minha opinião, um falhanço. Talvez o problema tenha sido a vontade de Boyle fazer um filme de zombies diferente do cânone. Podia ter resultado bem, como em «Missão Solar» tinha resultado como filme de ficção científica diferente do habitual, mas não resulta. E o início de «28 Dias Depois», sobretudo nas sequências passadas numa Londres assustadoramente vazia, prometia tanto. O problema é na segunda metade do filme, onde o filme se perde completamente.

O argumento, assinado por Alex Garland, é do mais básico que há, chapa 4, não há grandes sustos nem reviravoltas que valham a pena ficar à espera do que irá suceder às personagens. A banda sonora, que neste tipo de filmes é essencial para manter a atmosfera em suspenso, também não funciona da melhor maneira. Depois de uma boa surpresa chamada «Missão Solar», que quase me fez começar a olhar para a obra de Boyle com outros olhos, chega uma desilusão que me volta a afastar dos filmes do realizador britânico. Pelo menos durante os próximos tempos.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

sábado, 28 de janeiro de 2012

Missão Solar, de Danny Boyle (2007)

Goste-se ou não de Danny Boyle (e eu por acaso até nem sou grande fã, apesar do genial «Trainspotting»), se há coisa que o realizador britânico não pode ser acusado é de não arriscar, de vez em quando, fazer obras um pouco diferentes do normal. É esse o caso de «Missão Solar», um filme de ficção científica, que no conjunto da carreira de Boyle pode ser colocado ao lado do filme de terror «28 Dias Depois». Ambos os filmes contam com argumento de Alex Garland, o autor do romance «A Praia», que também foi adaptado pelo realizador em 2000 e cujo resultado não foi o melhor.

Realizado antes do oscarizado «Quem Quer Ser Bilionário?», «Missão Solar» relata os acontecimentos de uma missão espacial cujo objectivo é lançar uma bomba contra o Sol para 'ressuscitar' a estrela e assim salvar a Terra. A missão até estava a correr da melhor maneira até que a nave recebe um pedido de ajuda supostamente enviado por uma anterior missão, que se julgava perdida. A tripulação resolve então descobrir o que se passou e talvez até obter uma ajuda extra na missão. E começam os problemas.

Muito provavelmente «Missão Solar» não ficará para a história do Cinema como um clássico de ficção científica, mas o resultado final não é mau de todo e consegue cumprir o que lhe é pedido: ser um bom filme de entretenimento, sem entrar em grandes devaneios, apesar da metade final começar a entrar por caminhos um pouco mais filosóficos. Com um elenco que reúne algumas caras conhecidas, mas sem grandes estrelas (talvez as maiores sejam Cillian Murphy, que transita do anterior «28 Dias Depois», e Chris Evans, que recentemente interpretou Capitão América), Boyle conseguiu mostrar-nos uma boa história de ficção científica e as relações humanas entre os tripulantes, que muitas vezes têm de deixar ficar para trás os próprios sentimentos em prol do bem de todos e da missão que lhes foi incumbida.

A juntar a tudo isto temos uma excelente banda sonora, assinada a meias pela banda Underworld (que já tinha 'emprestado' o tema «Born Slippy» a «Trainspotting») e pelo compositor John Murphy (outro nome que tinha colaborado com Boyle em «28 Dias Depois»), que consegue dar alguma força à acção quando é preciso. E para quem nem gostava tanto dos filmes deste realizador antes de ver este filme, «Missão Solar» até acabou por se tornar uma agradável surpresa.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 9 de julho de 2011

Maus como as cobras: Frank Begbie

Frank Begbie (Robert Carlyle), em «Trainspotting», de Danny Boyle

segunda-feira, 7 de março de 2011

Banda Sonora: Festival, de Sigur Rós

«Festival», de Sigur Rós - Banda Sonora de «127 Horas», de Danny Boyle

sábado, 26 de fevereiro de 2011

127 Horas, de Danny Boyle (2010)

Por estes dias já toda a gente ouviu falar de «127 Horas». Não só por ser um dos nomeados para os Óscares ou porque é o filme mais recente de Danny Boyle, mas devido a uma determinada cena demasiado forte. Não a vou relatar (apesar de se calhar já toda a gente ter ouvido falar nela) para não estragar o efeito surpresa aos que não sabem do que se trata. Posso apenas referir que não é agradável e mesmo os que já sabem do que se trata podem estar preparados para sentir algum desconforto.

As 127 horas do título do filme dizem respeito ao período em que Aron Ralston (James Franco) passou preso num buraco no meio das montanhas do Utah. O problema aqui não foi apenas o facto de ter ficado preso num buraco, mas o facto de ter ficado com a mão presa por uma pedra de tamanho considerável. O que vemos ao longo de cerca de uma hora e meia são as tentativas de Aron para se desenvencilhar do sarilho em que se meteu, pois ninguém sabia para onde ele tinha ido. Basicamente é um filme com pouca acção, em que a personagem principal se limita a tentar sair da situação em que se meteu. Pelo meio vai analisando a vida e os erros que foi cometendo ao longo da vida.

Baseado numa história verídica o que salva o filme é a prestação de James Franco, com os seus monólogos perante uma câmara que conseguiu levar. Alguns destes momentos são surreais, mas espelham bem o desespero da personagem. Quando à realização, uma vez mais Danny Boyle recorre a uma estética que remete para os videoclips, tal como já acontecia no anterior «Quem Quer Ser Bilionário?», com a montagem bastante rápida, por vezes dividida em vários ecrãs. A banda sonora, com algumas músicas mais electrónicas também se presta a essa montagem. Um filme deste justifica a nomeação para os Óscares? Na minha opinião não, tal como nunca pensei ver o anterior filme de Boyle ganhar as estatuetas que ganhou. Mas da maneira como os prémios da Academia estão, já não consigo fazer prognósticos. Para mim, só não vi o «Toy Story 3», este é o mais fraco dos 9. Mas em suma, quem gosta de Boyle vai continuar a gostar, quem não gosta, não vai passar a gostar com este filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Biblioteca cinematográfica: Trainspotting, de Irvine Welsh

O livro: Publicado em 1993 «Trainspotting» é o romance de estreia do escocês Irvine Welsh. Tal como o escritor, as personagens são oriundas do bairro de Leith, um subúrbio de Edimburgo. Em «Trainspotting» travamos conhecimento com um grupo de jovens sem grandes perspectivas de futuro, que vivem à espera da próxima bebedeira, da próxima dose de heroína ou da próxima sessão de pancadaria. Tudo depende dos vícios de cada um. Uma das características que diferente da adaptação cinematográfica, assinada por Danny Boyle em 1996, é o facto de o livro estar dividido por capítulos contados na primeira pessoa pelos vários personagens principais: Mark Renton, Simon "Sick Boy" Williamson (Marado, na versão portuguesa), Daniel "Spud" Murphy (Batata), Francis "Franco" Begbie, Davie Mitchell e Tommy Laurence. Uma excelente obra que retrata o final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e as dificuldades da juventude britânica e a forma como encaram os problemas da época, como as drogas, o desemprego, a Sida, entre outros aspectos. Em 2002 Irvine Welsh voltou a estas personagens na sequela «Porno» e está prevista para 2012 a publicação de uma prequela, com o nome de Skagboys. A título de curiosidade, Irvine Welsh começou a aventurar-se no Cinema em 2007, quando realizou a curta-metragem «Nuts». Desde então já filmou o documentário «The New Ten Commandments» (2008) e a longa «Good Arrows» (2009). Para 2011 está prevista a estreia de mais uma longa metragem: «The Magnificent Eleven».

O filme: «Trainspotting» foi adaptado ao grande ecrã em 1996 por Danny Boyle, sendo na altura a sua segunda longa-metragem e um dos melhores filmes do cineasta até à data. Ao contrário do livro, que relata a história do grupo de amigos, o filme centra-se na personagem de Mark Renton, interpretado por Ewan McGregor. A interpretação do então muito jovem McGregor, (tinha 25 anos e três filmes no currículo), foi o pontapé de saída para a carreira daquele que é actualmente um dos grandes actores britânicos da actualidade. Apesar desta aparente limitação e pouca fidelidade ao livro, o «Trainspotting» de Danny Boyle continua a ser um dos grandes filmes de culto dos anos 1990, com uma banda sonora bastante conhecida, da qual ficou famoso o tema «Born Slippy», dos Underworld. No restante elenco encontramos actores como Ewen Bremner (Batata), Jonny Lee Miller (Marado), Kevin McKidd (Tommy), Robert Carlyle (Begbie, uma das personagens mais bem conseguidas do filme, a par de Batata). O filme foi ainda nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, tendo perdido para «O Arremesso», assinado por Billy Bob Thornton. Irvine Welsh tem um pequeno cameo.

Para recordar o filme, ficam dois vídeos com duas das grandes cenas de «Trainspotting»: a primeira quando Mark Renton tem uma overdose (pode chocar algumas sensibilidades) e a segunda é uma entrevista de emprego com Batata.



domingo, 13 de dezembro de 2009

Michael Haneke e «O Laço Branco» dominam prémios do cinema europeu

O filme «O Laço Branco», de Michael Haneke, foi o grande vencedor da 22ª edição dos Prémios do Cinema Europeu, ao vencer três galardões: Melhor Filme Europeu, Melhor Realizador e Melhor Argumentistas. Com esta chuva de prémios «O Laço Branco» consagra-se como um dos grandes filmes do ano, depois de ter conquistado a Palma de Ouro em Cannes. Por cá a estreia da mais recente obra de Michael Haneke está prevista apenas para o início de 2010.

Na cerimónia de entrega dos prémios, realizada ontem em Berlim, foram ainda distinguidos os actores Tahar Rahim e Kate Winslet, por «Um Profeta» e «O Leitor» respectivamente. Recorde-se que Kate Winslet já tinha conquistado o Óscar de Melhor Actriz pelo mesmo papel.

Os restantes premiados foram:

CARLO DI PALMA EUROPEAN CINEMATOGRAPHER AWARD 2009
Anthony Dod Mantle por «Anticristo» e «Quem Quer Ser Bilionário»;

EUROPEAN FILM ACADEMY PRIX D’EXCELLENCE 2009
Brigitte Taillandier, Francis Wargnier, Jean-Paul Hurier e Marc Doisne pelo Som de «Um Profeta»;

EUROPEAN COMPOSER 2009
Alberto Iglesias por «Abraços Desfeitos»;

EUROPEAN DISCOVERY 2009
«Katalyn Varga», Roménia/Reino Unido/Hungria
Argumento e Realização de Peter Strickland
Produzido por Tudor Giurgiu, Oana Giurgiu & Peter Strickland;

EUROPEAN FILM ACADEMY ANIMATED FEATURE FILM 2009
«Mia et le Migou», França/Itália
Realizado por Jacques-Rémy Girerd, co-realizado por Nora Twomey;

EUROPEAN FILM ACADEMY SHORT FILM 2009
«Poste Restante», por Marcel Lozinski;

EUROPEAN FILM ACADEMY LIFETIME ACHIEVEMENT AWARD
Ken Loach;

EUROPEAN ACHIEVEMENT IN WORLD CINEMA
Isabelle Huppert;

EUROPEAN FILM ACADEMY DOCUMENTARY 2009 – Prix ARTE
«The Sound of Insects - Record of a Mummy», Suíça, de Peter Liechti;

EUROPEAN CO-PRODUCTION AWARD – Prix EURIMAGES
Diana Elbaum e Jani Thiltges;

EUROPEAN FILM ACADEMY CRITICS AWARD 2009 – Prix FIPRESCI
Andrzej Wajda por «Tatarak»;

PEOPLE’S CHOICE AWARD for Best European Film
«Quem Quer Ser Bilionário», Reino Unido
Realizado por Danny Boyle
Escrito por Simon Beaufoy
Produzido por Christian Colson.

Mais informações aqui.