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domingo, 6 de novembro de 2011

Killer Joe, de William Friedkin (2011)

Longe vão os dias de ouro da carreira de William Friedkin, autor de dois grandes clássicos dos anos 1970: «Os Incorruptíveis Contra a Droga» e «O Exorcista», este um filme que apesar de ter influenciado bastante cineastas da área do terror acabou por ficar datado. A última vez que um filme de Friedkin chegou ao cinema foi em 2006, com o estranho «Bug». Este ano regressou com «Killer Joe», que, tal como o anterior, é baseado numa peça de teatro da autoria de Tracy Letts. Mas desta vez o resultado final é mais acessível.

O filme conta a história de uma família do Texas que vive num parque de roulotes e cujo filho Chris (Emile Hirsch) convence o pai Ansel (Thomas Haden Church) a matar a sua mãe, que não vive com eles, para assim conseguirem ter direito a um seguro de vida que será entregue à filha mais nova do casal Dottie (Juno Temple). Para tratarem do assunto contratam Joe Cooper (Matthew McConaughey), também conhecido como Killer Joe, um polícia corrupto e com poucos escrúpulos que tem uma carreira de assassino profissional nas horas vagas. Mas, como seria de esperar, nem tudo corre como previsto e a falta de dinheiro para pagar o contrato coloca a jovem Dottie no meio da trama, como caução. A relação entre Dottie e Joe acaba por espoletar o resto do filme, que oscila entre a comédia e o drama para contar a história das relações bastante peculiares de uma família e um grupo de pessoas que não tem onde cair morta e faz tudo por dinheiro.

Sendo baseado numa peça de teatro, nota-se também alguma teatralidade em «Killer Joe», o filme, sobretudo quando se tratam de cenas passadas na casa da família. A principal diferença em relação a «Bug» é a presença de um maior número de personagens em cena. E, tal como no anterior filme de Friedkin, as interpretações são o ponto forte, com grande destaque para Matthew McConaughey, muito, mas mesmo muito longe daquilo que estamos habituados a ver, e Thomas Haden Church, num daqueles papéis que irá ficar para sempre na memória de quem vir «Killer Joe». Não será um dos melhores filmes de sempre, mas é muito provavelmente o melhor filme de William Friedkin, cineasta que está a ser alvo de uma homenagem na edição deste ano do Estoril & Lisbon Film Festival, em muitos anos.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

domingo, 22 de maio de 2011

Cliente de Risco, de Brad Furman (2011)

Matthew McConaughey é um daqueles actores que tem andado um pouco perdido nos últimos anos. Sem ser um actor extraordinário, é um actor que quando quer e não entra em comédias românticas ou filmes de acção de pouca qualidade, até consegue sacar boas interpretações. Basta ver o caso de «Amistad», de Steven Spielberg. Em «Cliente de Risco», a segunda longa metragem de Brad Furman, também não fica nada mal. Aliás, a sua interpretação é o que acaba por safar o filme.

Tal como no filme de Spielberg, neste caso a personagem de Matthew McConaughey também é um advogado. Mick Haller, que tem como escritório um automóvel Lincoln (que dá o nome ao título original do filme), é um advogado que recebe uma proposta para defender um jovem na casa dos 20 anos, descendente de boas famílias, acusado de ter espancado violentamente uma mulher. Passado pouco tempo descobrimos que nem tudo é como parece e Mick Haller vê-se metido num embrulho daqueles em que não sabe bem o que fazer.

«Cliente de Risco» vale sobretudo pela interpretação de Matthew McConaughey, que está bem acima da média. Apesar de estar bem acompanhado no capítulo dos secundários (Marisa Tomei, Ryan Phillippe, William H. Macy e John Leguizamo, para referir os mais conhecidos), estes praticamente não têm espaço. Nota-se sobretudo nas personagens de Marisa Tomei e William H. Macy, que parecem estar lá só para marcar presença. A história em si também não é nada de especial e como filme de tribunal está uns furos abaixo dos melhores do género. As cenas passadas no julgamento são mesmo do pior do filme. «Cliente de Risco» acaba por ser um bom entretenimento, mas nada mais.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amistad, de Steven Spielberg (1997)

A já longa carreira de Steven Spielberg sempre oscilou entre filmes mais familiares, homenagens a géneros que sempre o atraíram e filmes históricos. «Amistad» enquadra-se neste último campo. Filmado entre «O Mundo Perdido: Jurassic Park» e «O Resgate do Soldado Ryan», conta um episódio da História norte-americana relacionado com a escravatura. No final dos anos 1830 os escravos que estão a ser transportados no navio negreiro espanhol Amistad conseguem libertar-se e depois de um sangrento motim conseguem tomar conta do navio. Para bem ou para o mal, acabam por ir parar aos EUA, numa altura em que o tema da escravatura dividia o país em dois, facto que levou mais tarde à Guerra Civil entre os estados do Norte, contra a escravatura, e os do Sul, a favor da escravatura. É no centro deste furacão ideológico que o grupo de escravos acaba.

«Amistad» não é um dos melhores filmes de Spielberg. É demasiado longo o que acaba por se tornar um pouco chato em certas partes. É um bom filme de época bem feito, com alguns pozinhos de filme de tribunal, mas nas cenas em que podia ser mais forte, não passa no teste. Sobretudo naqueles discursos que podiam ser mais empolgantes. Um dos problemas, na minha opinião, prende-se com a escolha do actor principal (Matthew McConaughey), que nunca consegue estar à altura do papel que lhe coube: o advogado de defesa dos escravos. O mesmo acontece com os papéis secundários, que nunca são muito explorados. Mas por um lado, ainda bem, pois se o fossem o filme duraria bem mais do que as 2 horas e tal que já dura.

Ainda assim, no campo dos secundários, há que realçar a prestação de Anthony Hopkins, que lhe valeria uma nomeação para Melhor Actor Secundário nos Óscares desse ano, e de Djimon Hounsou, que teve neste filme uma das suas primeiras grandes interpretações. Destaque ainda para a excelente banda sonora de John Williams, que apesar de não ser das melhores e mais conhecidas do compositor, está muito bem conseguida, pois consegue como poucas adaptar-se ao filme.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB