Mostrar mensagens com a etiqueta Mia Farrow. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mia Farrow. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de março de 2012

Zelig, de Woody Allen (1983)

Quem é (ou foi) Leonard Zelig? É esta a pergunta que Woody Allen nos faz em «Zelig». Protagonizado pelo próprio cineasta, como é habitual na maior parte das suas obras, este é um falso documentário sobre uma figura bastante peculiar: um estranho homem que tem a capacidade de se transformar consoante as pessoas com quem está. Ou seja, se Leonard estiver ao lado de um grupo de índios, transforma-se aos poucos em índio, se estiver num grupo de pessoas gordas, sucede o mesmo. No fundo é apenas uma forma de Zelig se adaptar ao ambiente onde se encontra.

O filme de Woody Allen tenta descobrir um pouco mais sobre esta personagem misteriosa, aparentemente descoberta por Scott Fitzgerald, um dos primeiros a encontrá-lo numa festa de alta sociedade nos idos anos 1920, através de filmagens de arquivo que traçam a sua história. E esta inclui não só a sua história familiar como uma investigação científica desenvolvida pela psiquiatra Eudora Nesbitt Fletcher (Mia Farrow), que tenta descobrir porque razão Zelig tem o problema que tem.

Não sendo o primeiro falso documentário realizador por Allen, território que já tinha sido abordado pelo realizador no início da carreira em «O Inimigo Público», esta não é contudo uma das melhores obras do nova-iorquino, apesar de conter alguns bons achados humorísticos, sobretudo nas poucas cenas em que há diálogos, como é o caso das sessões entre Zelig e Eudora, ou na recriação de um suposto filme sobre a vida de Leonard Zelig. «Zelig» apenas falha na parte narrada, que apesar de contar bem a história da personagem peca por ser demasiado abreviada e em partes parece que o argumento está um pouco desequilibrado. O que acaba por prejudicar a obra de um cineasta cujos filmes vivem sobretudo do argumento.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Peter Yates (1929-2011)

Morreu o realizador britânico Peter Yates. Vítima de doença prolongada o cineasta morreu em Londres aos 81 anos deixando como legado pelo menos um grande filme que fica na memória dos cinéfilos: «Bullitt», o policial protagonizado por Steve McQueen que tem uma das melhores cenas, se não mesmo a melhor, de perseguição automóvel da História do Cinema. Além de «Bullitt», realizado em 1968 e que foi apenas a sua quarta obra, recebeu quatro nomeações para os Óscares, ambas para Melhor Filme e Melhor Realizador: em 1980 com «Os Quatro da Vida Airada» e em 1984 com «O Companheiro».

A carreira de Peter Yates começou no final dos anos 1950, princípio dos anos 1960, quando foi realizador assistente em vários filmes, entre os quais «Os Canhões de Navarone», de J. Lee Thompson. A sua estreia na realização dá-se em 1963 com «Mocidade em Férias», musical interpretado por Cliff Richard. Até se tornar realizador de cinema a tempo inteiro, em 1967, Peter Yates realiza ainda episódios das séries de televisão «Danger Man» e «O Santo».

Em 1968 dá o grande salto para os EUA para filmar o já referido «Bullit». A partir daí dirige nomes como Mia Farrow e Dustin Hoffman, Peter O'Toole, Robert Mitchum, Raquel Welch e Jacqueline Bisset, entre outros. Teve uma carreira de 28 títulos nas várias décadas, até 1999 quando filma «Curtain Call». Na primeira década deste século realiza apenas dois telefilmes: «Don Quixote» e «A Separate Peace». Para recordar Peter Yates a tal cena de «Bullitt».

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Semente do Diabo, de Roman Polanski (1968)

E por falar em filmes sinistros, «A Semente do Diabo» bem pode entrar para este capítulo. Um dos primeiros filmes realizados por Polanski nos EUA, depois de ter feito carreira na Europa, o filma fica também marcado por ter sido feito antes do terrível assassinato da actriz Sharon Tate, na altura esposa do realizador e grávida em estado avançado, às mãos da Família Manson.

«A Semente do Diabo» é também um dos grandes filmes do cineasta polaco, um dos gigantes do cinema ainda vivos e que está a atravessar uma fase complicada na sua vida. Neste filme Rosemary (Mia Farrow) e Guy (John Cassavetes) são um jovem casal que se muda para um apartamento situado num prédio maldito, onde no passado ocorreram acontecimentos relacionados com bruxaria. Curiosamente, o filme foi filmado no edifício Dakota, onde mais tarde iria morar John Lennon e onde acabou por ser assassinado por Mark Chapman.

Pouco ligando a estes pormenores o casal acaba por ir viver para um apartamento de uma antiga inquilina e torna-se amigo de um outro casal mais velho que os apoia e tudo faz para estar junto dos jovens. Até que Rosemary engravida e o caso muda de figura e começam a surgir episódios estranhos envolvendo os vizinhos e o próprio marido, que antes não tinha sucesso e de repente consegue um papel depois de um actor rival ter tido um estranho acidente que o deixa cego.

Aqui Polanski mostra as suas cartas e apresenta-nos algo de que já estávamos habituados: uma personagem feminina presa num apartamento (antes já o tinha feito com Catherine Deneuve em «Repulsa») que começa a delirar e a ter medo de tudo o que a rodeia. E as cenas dos sonhos são brilhantes. Mia Farrow consegue aqui uma grande interpretação. Tão depressa está como uma jovem mulher contente por estar perto de ser mãe, como depois entra em paranóia quando descobre o que se passa ao seu redor.

E depois temos um final desconcertante, em que Rosemary aparentemente se deixa resignar pelo destino que lhe coube. Ficamos sem saber se ela quer aquele filho por ser quem é ou se o quer por ser sua mãe. No fundo é um dos grandes dilemas que fica para a história do cinema.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

4 - Actrizes que dá gosto ver trabalhar: Mia Farrow

Mia Farrow, em A Semente do Diabo