Mostrar mensagens com a etiqueta Forest Whitaker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Forest Whitaker. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de outubro de 2010

Bird - O Fim do Sonho, de Clint Eastwood (1988)

«Bird - O Fim do Sonho» não é só um grande filme sobre a vida de Charlie Parker, um dos mitos do jazz que teve uma vida trágica que terminou aos 34 anos. É também a longa que cimenta a carreira de Clint Eastwood como realizador, que a partir daí tem um currículo cheio de grandes obras, algo que não se podia dizer do período anterior, e o filme que dá a oportunidade a Forest Whitaker para provar que é um grande actor.

Um filme obrigatório para os fãs de Eastwood realizador e para os amantes do jazz, que acompanham em cerca de duas horas e meia a vida de um dos maiores saxofonistas do género que tocou ao lado de outros gigantes, com destaque para Dizzy Gillespie, cujo papel na vida de Charlie Parker fica bem patente em «Bird». A interpretação da genialidade do saxofonista, assim como os problemas com a droga e álcool que o perturbam está magistralmente interpretada por Whitaker, na altura da estreia um quase desconhecido, apesar das aparições em «Bom Dia Vietname», de Barry Levinson, «Platoon», de Oliver Stone, ou «A Cor do Dinheiro», de Martin Scorcese.

Na própria cinematografia de Eastwood «Bird» acaba por ser um filme de certa forma atípico. Surgem alguns aspectos oníricos, a história não é contada sequencialmente, mas em flashbacks, alguns derivados de sonhos, que não são comuns na sua obra. Talvez a opção por estes ambientes oníricos tenha algo a ver com a música de Charlie Parker, um pouco dada ao improviso.

E apesar de ser um confesso adepto de jazz, de já antes de 1988 ter realizado filmes com a música como campo de fundo («A Última Canção») e mesmo sendo autor de algumas das bandas sonoras dos seus filmes, Clint Eastwood só iria voltar a filmar um filme sobre música em 2003, quando participou no projecto para televisão «The Blues», onde assinou o documentário «Piano Blues». Com «Bird» deu-nos uma boa oportunidade para conhecermos um capítulo da história do jazz, que infelizmente não é dos mais felizes, tirando a excelente música do saxofonista.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Sítio das Coisas Selvagens, de Spike Jonze (2009)

O realizador Spike Jonze gosta de filmar histórias que nos remetem para universos paralelos, sem nunca sair do real. Foi assim em «Quem Quer Ser John Malkovich» e em «Inadaptado». Em «O Sítio das Coisas Selvagens» também somos levados para um universo paralelo, mas desta vez é um universo mais virado para o fantástico. Isto porque se trata de uma adaptação de um livro infantil publicado Maurice Sendak em 1963 que conta a história de Max (Max Records), um miúdo que se chateia com a mãe (Catherine Keener)e foge de casa para se encontrar no tal sítio das coisas selvagens.

Este é um mundo povoado por sete monstros (com vozes de actores como Chris Cooper, Forest Whitaker ou James Gandolfini), cada um com as suas características, que primeiro tentam comer o pequeno Max, mas este consegue convencê-los de que é o seu rei e acaba por se tornar amigo deles. À margem desta relação entre o rapaz e os monstros, que são fruto da sua imaginação e espelham muitos dos medos e experiências que tem na sua vida real, Max vai aprendendo a ter responsabilidades e a saber como lidar com os outros. O que é magnifico nesta história é que o rapaz consegue uma relação bastante forte com os monstros e estes reagem à sua presença primeiro estranhando e com medo, depois já como se fosse mesmo um deles.

A sensação que dá é que Spike Jonze fez com «O Sitio das Coisas Selvagens» um filme para agradar a um público mais independente, puxando pelo seu lado mais infantil e fantástico. E este factor está bem patente na excelente banda sonora, criada por Karen O, a vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, e pelo compositor Carter Burwell, que em breve vamos poder ouvir na banda sonora do próximo filme dos irmãos Coen.

Mas o que falha é a utilização excessiva da câmara à mão, pois o movimento é tanto que às vezes quase ficamos tontos com a turbulência em demasia. E a história precisava de um pouco mais de espessura, apesar de a adaptação da obra original, cujo argumento é do próprio Jonze e de Dave Eggers, por si só dever ser bastante complexa. É que o livro de Maurice Sendak apenas tem oito frases e tirar de lá 101 minutos deve ter sido muito complicado. Um filme para quem gosta de universos fantásticos.

Nota: 3/5

Site oficial do filme