Além de ser um excelente retrato da Idade Média, nomeadamente da vida e do poder do clero naquele período histórico, «O Nome da Rosa» acaba por ser uma reflexão sobre a literatura e a forma como alguns livros eram vistos pela Inquisição, pois mais tarde vemos que é a leitura de um determinado livro é responsável pela morte de quem os lê. E tal como não podia deixar de ser, e isso é muito comum na restante obra de Umberto Eco, o escritor recorre à sua sabedoria nesta matéria para apresentar alguns dos termos que lhe são caros, como os sinais e os seus significados que vão sendo analisados sob um ponto de vista empírico de William. Já o aprendiz Adso serve de ponte com o leitor, pois também este vai aprendendo com as ideias do seu mentor.
Bastante fiel ao livro em que se baseia, a adaptação é um dos grandes filmes dos anos 1980 e explora bastante bem os cenários do mosteiro onde decorre a acção, sobretudo as cenas que decorrem na biblioteca. De realçar que este mosteiro não existe, foi recriado numa colina nos arredores de Roma e reza a lenda que foi um dos maiores cenários de exterior criados na Europa desde a rodagem de «Cleopatra». Apenas algumas das cenas interiores foram filmadas na Abadia de Eberbach, na Alemanha. O esforço de Jean-Jacques Annaud, que levou cerca de quatro anos a preparar o projecto, renderam ao filme vários prémios, com destaque para o César de Melhor Filme Estrangeiro e dois Baftas: Melhor Actor Principal e Melhor Maquilhagem.