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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Artista, de Michel Hazanavicius (2011)

Li algures que «O Artista» é um daqueles filmes para dividir opiniões. E pelo que me tinha apercebido, antes de o ver, foi essa a sensação com que fiquei. Há quem tenha gostado muito e há quem não tenha gostado nada. Eu tendo a inclinar-me para o segundo campo. Apesar de reconhecer que em alguns casos até nem seja um mau filme, acho que ao mesmo tempo «O Artista» é um filme que oferece diferentes leituras consoante quem o vê. Quem não conhece (ou pelo menos não está tão habituado a ver) muito cinema mudo, achará que estamos perante um grande filme. E daí este ser mesmo um daqueles filmes que está a amealhar nomeações e prémios um pouco por toda a parte, o que só ajuda a criar o hype (ai o hype...) que as nomeações para os Óscares apenas vieram ajudar. Pelo contrário, a maioria dos conhecedores e amantes do cinema mudo poderão ver «O Artista» apenas como um mero simulacro de um filme mudo. O que no fundo é disto que se trata.

Em «O Artista» Michel Hazanavicius leva-nos ao final dos anos 1920 para contar a história de George Valentin (Jean Dujardin), um galã do período do mundo cuja popularidade é ameaçada pela chegada do som à Sétima Arte. O que é visto por muitos como o futuro do Cinema, para George não é mais do que um falhanço, pois acredita que as pessoas vão ao cinema para ver os actores como ele e não para os ouvir falar. Em paralelo, o filme acompanha a ascensão de Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma jovem mulher que começa como figurante num filme de George, empurrada pelo próprio, e acaba por se tornar uma das maiores estrelas do sonoro.

Além de uma história pouco original, «O Artista» falha em vários aspectos. Tem alguns bons pormenores, sobretudo a nível da banda sonora, mas pouco mais. Não servirá para trazer novos públicos para o mudo (e seria esse o objectivo do filme?), nem irá provocar um certo sentimento de nostalgia junto dos fãs deste período do cinema, pois não passa da rama.

Com muitas mais limitações os realizadores da altura fizeram um trabalho muito melhor, os exemplos de grandes filmes mudos são mais que muitos. E sobre este tema um senhor chamado Billy Wilder já tinha feito em 1950 uma das grandes obras-primas do cinema («O Crepúsculo dos Deuses»), que basta para remeter «O Artista» para não mais do que uma nota de rodapé na História do Cinema. Mesmo que, como não será de estranhar, venha a receber uma mão cheia de estatuetas douradas na próxima cerimónia dos Óscares.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo. Realizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.

O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge. E estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratadas como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.

Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

sábado, 26 de dezembro de 2009

Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder (1959)

«Quanto Mais Quente Melhor» é um filme que está no imaginário de muita gente, sobretudo dos fãs de Marilyn Monroe, pois é nesta obra de Billy Wilder realizada em 1959 que a actriz canta o famoso «I Want To Be Love By You». Tal como em vários filmes de Wilder, este é uma comédia que relata a história de dois músicos na falência que a caminho de um trabalho têm o azar de parar no sítio errado à hora errada, e acabam por assistir ao um massacre perpetuado por um grupo de mafiosos.

Ambientado no final dos anos 1920, em plena Lei Seca, «Quanto Mais Quente Melhor» acompanha a fuga destes dois músicos (Jack Lemmon e Tony Curtis) para a Florida onde se fazem passar por mulheres para não serem reconhecidos pelos seus perseguidores. E para se disfarçarem nada melhor do que ingressar numa banda composta só por mulheres. É nesta banda que travam conhecimento com Sugar Kane Kowalczyk (Marilyn Monroe), uma música da banda que faz o papel da loura burra (aparentemente), e que acaba por levar os dois músicos a apaixonarem-se.

Estamos assim perante uma comédia de enganos, em que todos se enganam uns aos outros: a dupla foragida engana os mafiosos e as companheiras de banda e os mafiosos enganam a polícia (geniais os diálogos trocados entre o líder do gangue, Spats Colombo (George Raft), e o polícia que o persegue, Detective Mulligan (Pat O'Brien). Pelo meio Marilyn acaba por se apaixonar por um falso milionário que é nem mais nem menos Tony Curtis. Já Jack Lemmon, que tem aqui um dos seus melhores papéis, uma prova que era um dos grandes actores norte-americanos, acaba por ficar com a fava, ficando noivo de um velho milionário (Joe E. Brown). A frase final, dita por este milionário resume bem o filme: «ninguém é perfeito» pois Marilyn apaixona-se a sério mas não por um milionário, como queria, e Lemmon que era o que menos confusões queria acaba noivo do milionário, completamente apaixonado pelo músico que julga ser uma mulher, mesmo quando ele lhe diz que é um homem. É a esta frase que surge a resposta com que termina «Quanto Mais Quente Melhor».

Para quem gostar, aí fica a famosa cena em que Marilyn Monroe canta «I Want To Be Loved By You».




Nota: 4/5

Site do filme no IMDB