«O Dinheiro», filme baseado numa obra de Emile Zola, é uma crítica ao capitalismo. E quão actual continua a ser nos dias que correm. No centro do argumento está o banqueiro Nicolas Saccard (Pierre Alcover), dono do Banco Universal e um especulador nato, que só vive para fazer dinheiro, sem olhar a meios para atingir os seus fins. No início do filme vemos os seus planos cair por terra, quando um accionista maioritário vota contra um aumento de capital no banco. Mais tarde sabemos que este accionista anónimo era um testa de ferro para um rival de Saccard, Alphonse Gundermann (Alfred Abel), dono de uma petrolífera que pretende desmascarar Saccard.
O banqueiro resolve então voltar à carga e decide apoiar um projecto de Jacques Hamelin (Henry Victor), para valorizar as acções do Banco Universal. Mas o plano de Saccard é maior, pois outro dos objectivos é conquistar a esposa do piloto, Line Hamelin (Marie Glory), que se apercebe mais tarde dos planos do banqueiro e acaba por levá-lo a tribunal, acusando-o de fraude.
A história de «O Dinheiro» é um excelente conto moral sobre o poder e a influência do dinheiro. Mas vai muito para além de uma simples história. O filme de Marcel L'Herbier, um dos mais caros da altura, tem excelentes cenas e está muito bem filmado. Para a história ficam as cenas filmadas na própria Bolsa de Paris, como referido atrás. Uma das mais espantosas consiste numa montagem em paralelo onde a partida de Jacques Hamelin decorre ao mesmo tempo em que ocorre uma sessão na Bolsa e à medida que o avião levanta voo, também a câmara faz a mesma trajectória, atravessando a sala da mesma forma, dando um efeito fantástico. Uma grande lição de cinema, até para muitos dos cineastas actuais.
Aqui faço um aparte, se me permitem. Numa altura em que a Cinemateca Portuguesa está a atravessar algumas dificuldades, a projecção destes filmes é só mais uma prova da importância deste tipo de espaços, que devem ser defendidos por todos os que podem e gostam de cinema. Estive na manifestação, apesar de não ter ficado até ao fim, pois a sessão começou antes de acabar o encontro, e gostei de ver as dezenas de pessoas que se juntaram em defesa da instituição que tanto acarinhamos, sobretudo mais jovens. Pena que na sessão estivessem pouco mais de 10 pessoas, sendo que no final restavam apenas seis. Mas, uma vez mais, ainda é uma prova de que há amantes de bom cinema que precisam de um espaço destes para ver filmes, que de outra forma nunca poderiam ver ou descobrir num grande ecrã. Longa vida à Cinemateca e a todos os que fazem dela um espaço mágico!
Nota: 5/5
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