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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Inadaptado, de Spike Jonze (2002)

Em 1999 a dupla Spike Jonze e Charlie Kaufman juntou esforços, o primeiro enquanto realizador e o segundo como argumentista, para nos dar um genial filme chamado «Queres Ser John Malkovich?». O filme acabou também por marcar a estreia de ambos na Sétima Arte. Três anos depois regressaram ao trabalho e o resultado não poderia ter sido melhor. «Inadaptado» conta a história de um argumentista, o próprio Kaufman, interpretado por Nicholas Cage, no rescaldo de «Queres Ser John Malkovich?» com dificuldade em escrever um novo argumento, devido a um bloqueio criativo. O tema do novo argumento, uma história sobre um caçador de orquídeas, não ajuda muito e a pressão em cima de Kaufman, que vem de todos os lados, desde o estúdio que não vê resultados ao gémeo Donald que tem mais sucesso do que Charlie apesar de não levar as coisas tão a sério, apenas pioram a situação.

«Inadaptado» é um daqueles grandes filmes, um dos melhores da última década, que nos faz pensar e puxar pela cabeça, tal como o anterior filme desta dupla já tinha feito bastante bem. E o filme não é mais do que um jogo entre o Kaufman e o espectador, algo que o argumentista é especialista (basta ver a sua estreia na realização «Sinédoque, Nova Iorque», também bastante recomendável, ou os argumentos que escreveu para Michel Gondry), criando labirintos e narrativas cruzadas que às tantas não conseguimos destrinçar se aquele bloqueio existiu de facto ou não. O que é certo é que perto do final a história avança por caminhos que poderiam ter sido escritos por Donald Kaufman, personagem que não existe na realidade a não ser no filme. Isto apesar de o filme ser assinado por Charlie e Donald Kaufman, em mais um jogo de espelhos magnífico.

A cereja no topo do bolo é mesmo a interpretação de Nicholas Cage, no papel dos dois gémeos, que nos faz lembrar que o sobrinho de Copppola quando quer até consegue ser um bom actor. Pena que esta faceta nos últimos anos esteja cada vez mais desaparecida. Junto de Cage encontramos ainda uma genial dupla (Meryl Streep e Chris Cooper) que uma vez mais está à altura do que lhes é pedido, e que ajudam «Inadaptado» a ser não só um dos grandes filmes da primeira década do século XX, como um daqueles filmes que dá gosto ver e rever, pois descobrimos sempre algo de novo.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

domingo, 29 de maio de 2011

O Homem do Tempo, de Gore Verbinski (2005)

Nos últimos anos a carreira de Nicholas Cage tem andado meio perdida num turbilhão de filmes de acção que nos deixam saudades dos seus bons velhos tempos. Contudo nem sempre os filmes que tem feito são de deitar fora. Pelo menos no que toca a sua interpretação. E «O Homem do Tempo», realizado por Gore Verbinski entre os dois primeiros episódios da saga «Piratas das Caraíbas», é um dos exemplos que mostram que Cage quando quer ainda consegue ser um bom actor.

A interpretação de Cage é aliás a melhor parte de «O Homem do Tempo», a história de David Spritz, o apresentador da meteorologia de um canal de Chicago que tem a oportunidade de ir trabalhar para uma televisão nacional em Nova Iorque. Só que se a sua carreira está de vento em popa, a sua vida pessoal nem por isso. Além de passar a vida a levar com comida em cima quando está na rua, David tem de lidar com a doença do pai e com uma separação que tenta a todo o custo evitar.

«O Homem do Tempo» não é um grande filme, mas vê-se bem, apesar de ter passado meio despercebido. É uma oportunidade de ver Nicholas Cage num papel diferente do que nos tem habituado nos últimos nos e em grande nível, acompanhado por dois bons secundários: Hopes Davis, que interpreta a sua esposa, e Michael Caine, o pai.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

domingo, 24 de abril de 2011

Cotton Club, de Francis Coppola (1984)

Quando se junta uma boa história e um bom realizador, o resultado geralmente é bom. É o que acontece em «Cotton Club», filme de gangsters realizado por Francis Ford Coppola em 1984. Passado no final dos anos 1920 e início dos anos 1930 «Cotton Club» aborda as guerras entre grupos mafiosos e as tensões raciais em Nova Iorque ao som do Jazz e do sapateado dos clubes da altura. Um desses clubes é precisamente o Cotton Club, um clube de Jazz que existiu em Nova Iorque, onde decorre grande parte da acção.

Não tendo um, mas vários protagonistas, Coppola consegue contar inúmeras histórias com aquele pano de fundo. Temos o trompetista Dixie Dwyer (Richard Gere) que se apaixona por Vera Cicero (Diane Lane), a amante de Dutch Schultz (James Remar), um gangster a quem o músico salva a vida. Owney Madden (Bob Hoskins), o dono do Cotton Club e grande rival de Dutch para controlar o Harlem. Os irmãos Sandman e Clay Williams (interpretados pelos também irmãos na vida real Gregory e Maurice Hines, respectivamente), que tentam um lugar no famoso clube de Jazz. E mesmo assim não nos perdemos neste autêntico mundo, onde até há oportunidade para falar, se bem que ao de leve, das ligações entre Hollywood e a máfia. Perde-se apenas um pouco na recta final, onde o gás parece começar a faltar, mas a última sequência, onde a estação dos comboios se mistura com o clube, consegue ser um belo final.

Com grandes interpretações e boas coreografias nas cenas musicais, «Cotton Club» é um bom filme que retrata bem a época onde decorre a acção e conseguiu envelhecer bastante bem, ao contrário de muitos outros filmes da década de 1980. Basta ver que dois dos actores que por estes dias estão um bocado perdidos nas suas carreiras, Richard Gere e Nicholas Cage, que interpreta o irmão mais novo de Dixie, têm neste filme duas boas prestações.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB