No centro da narrativa está Victor (Fernando Luís), um português que ganha a vida com esquemas, alguns deles envolvendo imigrantes, e Liza (Chulpan Khamatova), uma imigrante de Leste que é a segunda esposa de Victor e está longe de ser feliz no país onde procurou fugir da sua origem. O resto das personagens fazem parte de um universo que inclui os companheiros de esquemas de Victor, cada um de um país estrangeiro, e os imigrantes que procuram ajuda para legalizarem a sua situação. Além de ter uma boa história, apesar de em alguns momentos se tornar previsível e perder o gás, arrisco dizer que «América» poderá vir a ser um dos melhores filmes portugueses dos últimos tempos.
Tecnicamente está muito bem feito. Tem planos bem filmados, um som excelente, uma bela fotografia e interpretações bem conseguidas. Neste campo destaque para Fernando Luís, que tem um grande papel e está à altura, provando que é um dos melhores actores de cinema que temos visto em Portugal. Basta ver os papéis que tem desempenhado nos filmes de João Canijo. Destaque ainda para um bom punhado de secundários, com Raul Solnado à cabeça, naquele que seria a sua última presença no grande ecrã.
O facto de o filme ter sido produzido com alguns meios (o que pode levar a questionar-nos sobre uma das características do Indie: cinema independente) e com fundos de vários países (além de financiamento português, «América» contou com dinheiro do Brasil, Espanha e Rússia) talvez tenha ajudado ao resultado final, bem acima da média do cinema mais comercial que se tem feito nos últimos anos neste canto da Europa. E caso seja bem promovido, tem estreia prevista para o próximo dia 26 de Maio, poderá vir a ter uma boa carreira nas salas. E é uma boa surpresa para quem pensa que o cinema português só tem obras para o umbigo.
Nota: 4/5
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