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sábado, maio 16, 2026

Olho em redor


Foto: Pixabay


Olho em redor;

o mundo transpira guerras,

ódios, violências.

Famílias desavindas,

crianças com fome,

destruição, prantos, doenças,

rumos sem nexo.

Lágrimas rasgam sulcos

nos rostos envelhecidos

de quem sofre.

Impiedosamente

o poder, a ganância e a loucura

empurram para o abismo

milhões de seres indefesos.

O que espera os vindouros

neste planeta em ebulição?

Será que a paz é viável?

Será que a esperança não é palavra vã?

Será que o Homem é recetivo à Luz?

Ou estará o mundo a

mergulhar na escuridão?


Texto
Emília Simões
16.05.2026



sábado, março 14, 2026

Os meus olhos vagueiam perdidos


Edvard Munch

Os meus olhos vagueiam perdidos
na penumbra dos dias em que
a claridade se ausenta
de mentes que não enxergam horizontes
de justiça, lealdade e amor.


Nas águas do mar embrenho-me
para dissimular o sal
que me escorre do rosto,
numa mistura límpida,
purificando os ruídos que me perturbam
os sentidos e a razão.


Um silêncio inquietante 
roça-me os passos
e a voz atrofia-se 
num gesto desumano.
Quando irromperá a luz
no coração de quem ignora
os caminhos da paz?


Texto
Emília Simões
14.03.2026


sábado, novembro 08, 2025

Morreste-me, minha mãe.

Uma rosa do teu quintal

Morreste-me, minha mãe.
Amanhã faz um ano que partiste.
Quem diria que, aquele engasgo traiçoeiro,
te tiraria a vida!
Ainda te estou a ver... Deitada, 
serena, como se esboçasses um sorriso.
Uma imagem que me acompanha
e que guardo escondida no meu coração.
Assim, como os últimos beijos que
trocámos.
Como eram carinhosos os teus afagos.
Tardaram, mas senti-os, porque únicos.
Como tu, que também eras única!
Eras uma pessoa muito especial.
Tardei em conhecer-te e 
foi breve o nosso tempo, mas
estava guardado o melhor para o fim.
É que a vida não é como desejamos,
mas conforme a vontade de Deus.
Descansa em paz, minha mãe!
Tua filha que sempre te amou.

Para a minha mãe.
5/8/1931-9/11/2024

Texto
Emília Simões
08.11.2025

sábado, maio 10, 2025

A primavera


A primavera é feita de coisas, que não precisam de nomes.
Tonalidades diversas a perder de vista...
Pássaros a gorjear voejando em redor do ninho;
a cria espia a migalha que a mãe lhe coloca no bico.
Uma orquestra toca, suavemente, a melodia
da paz e da esperança e os insetos cirandam
à volta do néctar, que sugam com sofreguidão.
Lá longe a casa continua deserta, sombria,
cercada por muros de primaveras remotas.
Já não a reconheço, a primavera é feita de coisas
que guardo entre as minhas mãos.


Texto e foto
Emília Simões
10.05.205



sábado, fevereiro 01, 2025

O meu mundo

Pixabay


O  meu mundo era tão restrito,
mas tão belo.
Longe do bulício das cidades, 
dos ruídos de que só mais tarde me apercebi.
Era um tempo de viver a natureza por inteiro.
Nas flores, nas aves, no azul dos céus,
no sol a brilhar por entre as searas
douradas, ao entardecer.
O mundo era perfeito. Respirava-se paz.
À noite milhões de estrelas cintilavam no céu
e tantas estrelas cadentes pude agarrar...
As constelações bem definidas no firmamento,
como jamais pude enxergar.
Em noite de Lua Cheia, como parecia tão próxima...
Uma noite tentei alcançá-la mas, desisti.
Estava muito alta e eu tão pequenina...
O meu mundo mudou-se para outro mundo.
Tão longe e tão perto nas emoções
que em mim ficaram guardadas,
nos intervalos dos silêncios
que, tantas vezes, se soltam nas asas do vento.

Texto
Emília Simões
01.02.2025
Foto Pixabay



sábado, dezembro 28, 2024

As minhas palavras estremecem


As minhas palavras estremecem.

Escondo-as num coral em silêncio.

Não quero que ninguém as leia,

ouça ou profane.

O vento, por vezes, distorce

o sentir e a imaginação dos poetas,

que se arrastam nas penas,

que os pássaros vão deixando aqui e ali.

Na vertigem do tempo

rodopio segura de que 

apenas as palavras amor e paz,

podem salvar os pactos.


Texto e foto
Emília Simões
28.12.2024

sábado, outubro 19, 2024

Ainda será tempo de salvar a Terra?



Ainda será tempo de salvar a Terra

se o Homem não ambicionar tesouros

se o poder não for a sua sede

mas o amor a sua ambição.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se os vilões que fomentam a guerra

e fazem alastrar a fome e a morte

semearem campos de trigo

e plantarem sementes de paz.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se o egoísmo der lugar ao desapego

e o Homem aprender a viver

com modéstia  e sentido de justiça.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se o Homem beber das águas das fontes

e ficar saciado com o ar puro, a beleza e a luz

que emanam deste ainda tão fascinante Planeta.


Ainda será tempo de salvar a Terra?


Texto
Emília Simões
19.10.2024
Imagem Net

sábado, julho 20, 2024

No meu silêncio



Debruçada na tarde
do meu silêncio
escuto a minha voz interior
que me fala de amor
de paz
de justiça
de um mundo melhor.


Mas desperto
e à minha volta
ouço a voz do mundo
que  me fala de guerra
de inequidade
de desatino
de ódio.


Dos meus olhos
deslizam 
gotas de orvalho.
que me rasgam a pele.


Resgato o silêncio
e ouço a tua voz
que me fala de
claridade e esperança.

Texto
Emília Simões
20.07.2024
Imagem Google

sábado, junho 08, 2024

Era pungente o seu viver



Era pungente o seu viver.

Penalizava-se por atos irrefletidos.

Chegava a cravar as unhas nas 

palmas das mãos

para se distrair desses atos

que ainda a combaliam.

Não dava mostras de remorsos,

mas fora dura consigo mesma

e não se perdoava

martirizando-se descalça

sobre espinhos que lhe feriam a alma.

O suor a escorrer sangue,

os lábios cerrados cobertos de sal,

não lhe davam a paz

que o seu coração ansiava.

Na correnteza do rio

muitas lágrimas caídas

misturavam-se com os peixes.

Ainda hoje se julga amarrada

à pedra onde esculpia a sua dor.

Texto
(Ensaio sobre ficção)
Emília Simões
08.06.2024
Imagem Google

segunda-feira, dezembro 18, 2023

É dezembro, quase Natal!


É dezembro, quase Natal!

O frio alastra nas cidades,

vilas e aldeias.....

Azáfama costumeira

onde impera o consumismo

num frenesim desmedido,

torna dezembro ainda mais frio

para os que dormem ao relento,

para os que caem por terra

nos cenários de guerra.

Tanta fome no mundo,

tanta sede de afetos,

tanto choro de crianças nuas

por um destino

que lhes assassinou os pais.

Tanta prepotência e ganância,

que violam todos os direitos humanos.

É urgente  a paz, a fraternidade,

e o calor dos afetos. 

É urgente o Amor!

É urgente o Natal!


Texto
Ailime
Imagem Google
18.12.2023


Desejo a todos santo e feliz Natal!



sábado, outubro 14, 2023

Ouve a voz da razão


Quando o teu coração sangrar

ouve a voz da razão e atravessa a ponte.

Haverá sempre algo de novo do outro lado

que te fará sorrir  e te apontará novos caminhos.

O sol brilhará sempre, mesmo que dos teus olhos

se soltem lágrimas amargas.

O teu rosto será o espelho da esperança,

o renascer em cada esquina da vida.

Não temas, porque nada é em vão.

Debruça-te nos silêncios da noite

e ouve a voz da razão.

Na tua quietude sentirás paz.


Texto
Ailime
14.10.2023
Imagem Google

sábado, julho 23, 2022

Havia um oceano dentro dela



Havia um oceano dentro dela

de águas calmas, sem ondulação,

que mergulhava no silêncio das madrugadas

e na paz do entardecer.

Os barcos navegavam à tona

rodeados de corais verdes e azuis

que a cerceavam nas  noites

em que as marés fitavam a Lua

e o luar a cingia meio tímido.

Nestes momentos a presença de Deus

tomava-lhe as emoções e o silêncio

era apenas brisa refrescante

numa praia invisível.


Texto
Ailime
23.07.2022
Imagem
Google



sábado, junho 04, 2022

No som do silêncio


Ângela Felipe


No som do silêncio

a claridade da manhã

como um cântico

a inebriar-me os sentidos

passadas as sombras

que anuviavam meus dias.

Os pássaros voejam alegres

e pousam na minha janela

o esplendor do voo

como num abraço de paz

acordando as palavras

adormecidas na noite.

Foguetes anunciam a festa

e as palavras bailam desordenadas

ao sabor do vento

desfazendo a solidão.


Texto
Ailime
04.06.2022

terça-feira, janeiro 18, 2022

O silêncio abre os meus olhos

 


O silêncio abre os meus olhos

e nele me reencontro

quando na brisa das manhãs

o sol rompe uma nuvem

e os pássaros

em revoada, entoam a alvorada

no desabrochar de uma flor.

O silêncio abre os meus olhos

num recôndito vale sombrio

onde a quietude se faz presente

nas curvas sinuosas dum rio.

O silêncio abre os meus olhos

quando o sol se esconde no horizonte

e a terra respira paz.

 


Texto
Ailime
18.01.2022
Imagem Google

terça-feira, agosto 31, 2021

É quase outono nas dunas



É quase outono nas dunas,

os oásis  têm sede  e as plantas mirram.


Nada é igual como dantes

quando os caminhos floriam de paz

nos teus pés descalços pelo vento

deambulando como plumas.


Ainda estamos a tempo

de colher flores amarelas

nos dias em que as névoas

orvalharem os desertos.


Texto
Ailime
31.08.2021
Imagem
Google

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Para o ano de 2011

Para o ano de 2011
Desejo menos guerras,
Menos crianças desprotegidas,
Menos mulheres violentadas,
Menos idosos abandonados.

Desejo mais paz,
Mais justiça,
Mais fraternidade,
Mais solidariedade,
Mais amizade entre os povos.

Para todos os que se encontram doentes, tristes e sós expresso os meus votos para que sintam renascer a Esperança em seus corações!

Gostaria ainda que 2011 fosse um ano de mudança de mentalidades e que os jovens conseguissem ver os seus sonhos realizados!

Para todos os meus amigos desejo um Novo Ano repleto de saúde, harmonia e paz!

Ailime
31.12.2010
Imagem cedida gentilmente pela Net

sexta-feira, novembro 26, 2010

URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar a alegria,
Multiplicar as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.


Eugénio de Andrade,
Antologia Breve

26.11.2010
Ailime



domingo, outubro 10, 2010

Pémio Nobel da Paz 2010

«O Comité Nobel Norueguês decidiu distinguir Liu Xiaobo com o Nobel da Paz. O activista político chinês está preso desde Dezembro de 2008, quando foi descoberto um manifesto para a promoção de reformas políticas na República Popular da China.

A democracia no seu país é o objectivo político de Liu Xiaobo, que foi uma das figuras do movimento de estudantes que se manifestou em 1989, na Praça de Tiananmen. A promoção dos direito humanos na China é outra das lutas deste intelectual.

«Liu Xiaobo foi distinguido pela sua luta longa e não violenta pelos direitos fundamentais da China», explicou o Comité Nobel, esta sexta-feira de manhã. A decisão pode agora, como Pequim ameaçou, deteriorar as relações entre a Noruega e a China.

Os responsáveis chineses consideram a distinção como um «gesto hostil», uma vez que Liu Xiaobo cumpre uma pena de prisão de onze anos por «incitar a subversão do poder do Estado chinês».

In: A Bola.pt
Imagem cedida gentilmente pela Net

Congratulo-me com todos os  homens e mulheres que muitas vezes sem nos darmos conta lutam incessantemente pela Paz. 
Parabéns Liu Xiaobo!

Ailime
10.10.2010