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sábado, junho 13, 2026

Na aridez dos dias

Pixabay


Na aridez dos dias

em que as manhãs acordam

sem horizontes definidos,

penumbras toldam os olhares

que sobre os barcos estendem as mãos vazias,

na procura do tudo e do nada

do tanto e tão pouco

num rio em chamas 

entre margens geladas

num silêncio profundo 

coberto de limos.

Ao longe, um estrondo, um gemido.

O mundo a desmoronar-se

sobre os barcos desfeitos

submersos nas cinzas

espalhadas no dorso do rio.


Texto,
Emília Simões
13.6.2026



domingo, agosto 12, 2018

Seguia-te os passos

Desconheço o autor

Seguia-te os passos pesados
e ria a saltar de árvore em árvore
o desassossego da inocência
que não repreendias nas palavras
que o teu silêncio guardava.

As águas corriam plácidas, no rio,
nas margens palpitavam cardumes
que te brilhavam no olhar
como sóis a lampejar nos barcos
a maré vazia de limos.


Texto
Ailime
Agosto 2018

terça-feira, março 15, 2016

Pudera eu


Pudera eu devolver-te a leveza dos pássaros
para que voasses nas margens do rio
o sorriso que, desperto, em teu olhar
te ilumina o entardecer.
Pudera eu retirar todos os limos
que te resvalam nos gestos
a fragilidade do chão, escorregadio
sob os teus pés vacilantes.
Pudera eu devolver-te num raio de sol
a seiva a pulsar, qual primavera em apogeu
a cingir-te nos braços, o rio ao amanhecer.
Pudera eu atrasar os ponteiros do relógio
para te retardar no rosto os teus olhos cor de rio.

Texto
Ailime
Imagem Google
15.03.2016