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08/01/11

O fim do...

Os tempos vão maus para aquelas seitas que andam de porta em porta a anunciar o fim do mundo.
É que agora o que assusta mesmo é o fim do mês...

21/11/10

Humor de alto quilate

Chama-se a isto humor de alto quilate. Um desafio à argúcia num poste digno de figurar no museu do Vaticano.

09/01/09

O percurso


Bela Tarr: Redesigning Satantango


Faz tempo que homens e resíduos traçaram um itinerário comum e sublimaram uma relação mórbida, a qual, não obstante, parece agradar a ambos.
Inseparáveis, perseguem-se até à exaustão, porque já interiorizaram que irão permanecer juntos até se aniquilarem mutuamente.
As primeiras vítimas serão os homens, só depois os resíduos, já que ninguém sobreviverá para os continuar a produzir.
No dealbar de mais ano repete-se a patética travessia dos dias. Pouco interessa quem passa primeiro, quando o testemunho de uns é o desencanto e o de outros a poluição.
Este espantoso plano-sequência de Bela Tarr reflecte, em toda a sua crueza, a humanidade que somos; sombria, acossada e vazia.

28/12/08

Diante do incompreensível

........Foto: Times Online ( reflexo do ataque de Israel, ontem,na Faixa de Gaza:)

OS LÁBIOS CORTADOS

Eu poderia ter contado
a história do rouxinol assassinado
Poderia ter contado
a história...
se não me tivessem cortado os lábios.


GRITAREI

No Século Vinte

Aprendi a não odiar
durante séculos
mas obrigaram-me
a brandir uma flecha permanente
diante do rosto de uma píton
a brandir uma espada de fogo
diante do rosto do Baal demente
a transformar-me no Elias do século vinte

aprendi
durante séculos
a não proferir heresias
hoje açoito os deuses
que estavam no meu coração
os deuses que venderam o meu povo
no século vinte

aprendi
durante séculos
a não fechar a porta diante dos hóspedes
mas um dia
abri os olhos
e vi as minhas ovelhas roubadas
enforcada a companheira da minha vida
e nas costas de meu filho
sulcos de feridas
então reconheci a traição dos meus hóspedes
semeei o meu umbral com minas e punhais
e jurei em nome das cicatrizes
que nenhum hóspede ultrapassaria o meu umbral
no século vinte

durante séculos
não fui mais do que poeta
assíduo frequentador dos círculos místicos

mas transformei-me
num vulcão em revolta
no século vinte!

Samih Al Qassim
In: Poesia Palestina de combate (dois poemas)



Da violência fanática, assuma ela a forma falsa e melíflua dos caracóis pendentes ou dos olhares torvos do fundamentalismo, resulta sempre o grito lancinante da desesperança, a dor de uma criança, nas esquinas da morte, diante do incompreensível.


São mais os chefes...

..............……………(A luz está agora no máximo da sua intensidade)

O ENCENADOR-NARRADOR
(…) Esta luz é um truque teatral destinado a permitir que V. Exas. Vejam o que se passa na escuridão.
(… ) E nada de ruídos, está a travar-se uma batalha e uma batalha é uma coisa sagrada. Os civis –e V.Exas., não passam de civis desprezíveis– não têm o direito de interromper as batalhas. Se não fosse isso, até eram capazes de alterar o curso da História prejudicando gravemente os generais que não têm outra possibilidade de nela figurar. (…) O Encenador volta a sentar-se e o general diz, em tom pomposo de festa de juramento de bandeira:
O GENERAL – Eu sou o general zero, escolhido para dirigir esta batalha por ter obtido a melhor classificação do meu curso: 20 em ginástica, 20 em aprumo militar, 20 em pontualidade, 20 em respeito pelos meus superiores hierárquicos. Dentro de zero minutos os meus oficiais reunir-se-ão aqui para discutir o plano zero que me permitirá pôr termo a esta guerra antes de ser reformado. Estou farto de ouvir a minha mulher.
VOZ DE MULHER – Pede a reforma, filho, e deixa-te de fantasias. Olha que é melhor pedi-la já, enquanto estás na mó de cima, do que esperares pelo fim da batalha. Prefiro a tua reforma de general vivo, à minha pensão de viúva de herói morto. Pede a reforma, que já tens idade para ter juízo.
O GENERAL – Pois é , mas lá se vai o carro de graça, a gasolina por metade do preço, o impedido, os convites oficiais… e ninguém torna a fazer-me continência na rua…
VOZ DE MULHER – E depois? Ainda não estás farto de fitas? Olha, filho, passas a ser aquilo que és e mais nada. Pede a reforma. Pede a reforma, que eu faço-te uma açordinha de chouriço como tu gostas…
O ENCENADOR – Esta cena doméstica revela o péssimo gosto do autor. (…)
O GENERAL – Enquanto a Pátria estiver em perigo, é meu dever sacrificar-me até à última gota de sangue (…)

Luis de Sttau Monteiro
In: A Guerra Santa (Teatro Minotauro) 1967

Não obstante a opinião do encenador a respeito do gosto do autor, entendo que bem avisados andam os que dizem que as mulheres têm normalmente razão. Dessem-lhes os maridos ouvidos e nada disto se passaria.
Por outro lado, eu, que de guerras nada percebo e que, nesta matéria, tenho por única referência o valente soldado Chveik, que além de estar na base mais “básica” da pirâmide, ainda por cima era solteiro e não tinha quem lhe desse destes conselhos, também acho que são mais os chefes do que os índios.

19/11/08

Para ler e reflectir

Salvo uma ou duas incursões, mais ou menos satíricas, passe a presunção, tenho procurado manter uma postura não calculista nem ambígua, mas prudente e aconselhável, para quem, como eu, não capta a verdadeira amplitude da trapalhada, em que as decisões políticas, desta gente de módica competência, nos envolveu a todos, professores, pais, alunos e cidadãos atónitos
Todavia, daqui não decorre que não tenha apreendido o suficiente, para perceber quais as consequências nefastas que, desta deriva governamental, a roçar a paranóia, podem resultar para o futuro do ensino e da educação no país dos Magalhães e outras tretas.
Daí que não hesite em estabelecer um link para um poste inserido num blogue, que é uma das maiores referências da nossa blogosfera.
Para ler e reflectir.

20/10/08

O fascínio das peúgas

A não perder, esta profunda reflexão sobre o quotidiano fascinante das peúgas e o segredo misterioso ocultado na gaveta que as acolhe.
E, para descanso de todos, não há o risco de contrair a Sumbra*, porque branca, só a magia das palavras do autor.

* Síndroma do uso da meia branca.