Agora que se aproxima o mundial de futebol e ainda perduram os ecos da euforia rubra dos seis milhões, que a visita Papal a Fátima deixou marcas indeléveis e o fado está bem e recomenda-se, proponho-me deixar aqui uma sugestão para uma série de “Prós e Contras” subordinados ao tema: Está ou não está a ser um flop, o efeito da trilogia dos EFES na vivência quotidiana do país cabisbaixo, sorumbático e, por enquanto, Socratiano?
Seria, a meu ver, uma excelente oportunidade para a palavrosa Fátima, a outra, aplicar o seu larguíssimo critério de equidade e promover uma série de tertúlias, a propósito, com conhecidos especialistas nas matérias, a saber:
O professor Queiroz, o estilista, que anuncia à exaustão que tem um feeling igual ao do banco que lhe paga o anúncio; o frei César das homílias à segunda, desde que previamente lhe retirem os fósforos, isqueiros, pederneiras, enfim, tudo o que provoque fogo; o laico João, que pouco sabe e muito diz, mas necessita de estar na ribalta e de momento não há eleições lá fora para passear; a Elisa dos concursos, porque (se a memória me não falha) a última aparição remonta à votação no Botas; o Bagão melífluo, imprescindível, que sabe das podas e até já entrou num filme, no qual não cantou nem se presignou, mas declamou; o Rui sindicalista –tendência “Gant”– que vai a todas e entende tanto de sondagens como de bola ou vice-versa; a Dra. Kátia, fadista cavaquista, se não estiver de banco ou a fazer publicidade a um outro; o Rogeiro pós-tudo, que de tudo sabe, nomeadamente, do efeito vertiginoso da rosca nos parafusos sem porcas e a sua influência no equilibrio de forças na conjuntura internacional; o Rui dos caracóis, com os chips que deveriam integrar a estrutura das novas bolas, a fim de tornar inúteis os milagres de Fátima que validam golos-fantasma; O Amaral, psi dos finórios, para nos explicar o que vai na alma dos árbitros assistentes, no momento do offside; o Sousa Ta(libã)vares, para denunciar o mistério da ausência do 4º F (de fumar); O Dias venenoso, depois lhe ministrarem uma dose reforçada de valeriana e desde que exista um antídoto por perto; o eclético Magno, o Maquiavel da Areosa, sob a condição de não levar com ele, os milhares de amigos bem colocados; a Pluma Caprichosa do eixo, que não está fadada para ter fé na bola, mas mas consegue discretear sobre os três temas; o Seara das queijadas para assegurar a ceia aos convidados; o Pôncio ressabiado, a defender a teoria da intensidade das patadas dos centrais do seu clube; o Santos “o grego”, bivalente, mas francamente melhor em rezas do que em táctica; a soror Isilda pega(n)do num abaixo assinado a favor da transmissão de fados ao longo das peregrinações; o nobilíssimo Câmara Pereira, que sonha levar o fado ao trono, acompanhado à guitarra; a Zézinha funâmbula a tecer loas à agudeza de espírito do seu amado Botas, no aproveitamento da trilogia; o padre Melícias, porque é sempre um acto de misericórdia convidá-lo; o abutre, perdão, o abrupto Pacheco, que está muito a tempo de enveredar pela carreira de fadista e abrilhantar as noites de verão da Marmeleira, nos intervalos dos postes, comentários e comissões; o Barreto, "o saudoso" que, lembrando-se da esmerada educação que recebeu na Suiça, está sempre pronto para ouvir o fado do latifúndio; o Santana menino que, a cantar o fado vadio, vai ajustando as contas e nunca perde oportunidade para dar no 'cavaquinho' com a 'vareta' do violino; o Ricardo, 'o mãozinhas', com um segurança por perto, não vá ele subtrair à sorrelfa um ou dois microfones; etc., etc.
Para preencher os intervalos, nada melhor do que uns bons momentos de fado, com o pândego Proença, o amarelo (que não da carris), mais a sua conversada, a patusca Helena trabalhista, a cantar à desgarrada o faduncho "bambochatas sim manifs não!" -Ah Fadistas!!!
E chega de potênciais participantes porque nas matérias em questão, é impossível esgotar a lista de personalidades à altura do evento e o poste já vai longo.