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10/05/13

Cenários sombrios


É importante trazer de novo a talhe de foice, a realidade que Michel Foucault classificou de "fascismozinho reles", ao referir-se ao pequeno repressor que se insinua dentro de cada indivíduo e que extravasa tanto no seio familiar, como no quotidiano do trabalho (ou do não trabalho) e que, até nas situações mais comezinhas, não se consegue eliminar mesmo por quem, dotado de uma elevada consciência política, tenha domínio sobre os mecanismos de sublimação da ética, da educação e da honestidade intelectual.
Urge reconhecer que essa ideia corresponde ao ambiente em que se vive  neste tempo de lâminas, mesmo quando, paradoxalmente, nele estão inscritas a indiferença e a apatia.
Uma prática do dia-a-dia, ora semi-invisível ora às escâncaras, de subtis ou grosseiras opressões, que faz das relações interpessoais uma ruína e despreza as minorias; que ignora os idosos e os deficientes, que espezinha os humildes e os diferentes; que exerce crueldade sobre os animais, etc.
Daí que se possa experimentar alguma apreensão e até receio, pelo ovo de serpente que se está a pretender chocar.
E porque a nossa memória é também feita da memória dos outros, urge não baixar a guarda e estar atento aos cenários sombrios que, inevitavelmente, poderão resultar do ressurgimento de uma mentalidade hipócrita, obscurantista e anti-social que, paulatinamente, pode querer instalar-se de novo. 

Imagem: O ovo da serpente - Ingmar Bergman 

bth: Janeiro2010 (texto revisto)

11/01/10

Cenários sombrios

É importante trazer de novo a talhe de foice, a realidade que Michel Foucault classificou de "fascismozinho reles", ao referir-se ao pequeno repressor que se insinua dentro de cada indivíduo e que extravasa tanto no seio familiar, como no quotidiano do trabalho e até nas situações mais comezinhas, se não se consegue eliminar graças a uma elevada consciência política ou a mecanismos de sublimação da ética, da educação e da honestidade intelectual.
Não hesito em reconhecer que essa ideia corresponde ao que se vai passando por aí: Uma prática do dia-a-dia, ora semi-invisível ora às escâncaras, de subtis ou grosseiras opressões, que faz das relações interpessoais uma ruína e despreza as minorias; que ignora os idosos e os deficientes, que espezinha os humildes e os diferentes; que exerce crueldade sobre os animais, etc.
Daí que se possa experimentar alguma apreensão e até receio, pelo ovo de serpente que se está a pretender chocar.
E porque a nossa memória é também feita da memória dos outros, urge não baixar a guarda e estar atento aos cenários sombrios que, inevitavelmente, poderão resultar do ressurgimento de uma mentalidade hipócrita, obscurantista e anti-social que, paulatinamente, parece querer instalar-se de novo.
Imagem: O ovo da serpente, filme-Ingmar Bergman