30/09/14

Back in town

Ao invés do que sucedeu na viagem de ida, em que o voo saiu e chegou com grande atraso, agora, no regresso, o avião descolou e aterrou à tabela.
A conclusão é simples e linear: Quando fui para lá, cheguei na hora errada ao lugar certo, quando vim para cá, cheguei na hora certa ao lugar errado.

Le solitaire

                                

Cela dit, je fais un clin d'oeil au mot de Sartre. "L'Enfer c'est les autres". Léo Ferré

C'est vrai, le pire pour ceux qui aiment être solitaires pendant quelques instants, ce sont les autres parce qu'ils essaient de les sortir de leur solitude.

                                      

Poluição


Po(st)emas


Ary por ele próprio e como só ele sabia.

Lisbon by night

Sexofone--------saxofome
aqui jazz a humanidade
sepulcro de pedra-pomes
duma pseudo euro-cidade.

Antro de feras criadas
entre manteiga e obuses
cansadíssima corrida
de modernas avestruzes.

Na cave do cio soa
um rumor acutilante
faca----pássaro----que voa
em seu espaço percutante.

Sexofone--------saxofome
agulha de tédio e ritmo
ninguém ouve----ninguém come
a noite não tem princípio.

Mancebos de longas tranças
enforcados em gravatas
vão depauperando as danças
com os pés aristocratas.

Megalómanos artistas
ademaneiam poemas
enquanto velhas coristas
coçam glórias e eczemas.

Um canceroso rebenta
seu tumor de nicotina.
Uma prostituta tenta
suicidar a vagina.

Sexofone--------saxofome
o banqueiro está de esperanças
foram-lhe ao rabo do nome
mais de um milhão de crianças.

Seus olhos de rã repleta
batraqueiam um efebo
sua pupila secreta
rumina bolas de sebo.

Entanto a noite esfaqueia
o ventre das virtuosas
senhoras com pé de meia
que bebem água de rosas.

Das tripas lhes faz um nó
dos ovários um apito.
Estou tão só que me faz dó
solfeja seu pito aflito.

Sexofone--------saxofome
um continente castrado
vai desesperando de um lume
nunca mais incendiado.

Fenícios celtas e godos
odeiam seus próprios corpos.
Agora vingam-se todos
do peso de estarem mortos.

Mortos da morte mais lenta
que é possível conceber-se
dilacerada placenta
de estando morto------nascer-se.
Ary dos Santos

Da hipocrisia à pedofilia passando pela Oftalmologia

                                          Roger



Imagem adaptada

27/09/14

Sounds of Saturday CCXLIV


Sigur Rós - Svo Hljòtt (Islãndia)

26/09/14

A abordagem, o muro e o torcicolo.

                                   Oslo fjord

Quando chegámos ao deque superior, já os contingentes italiano e japonês tinham invadido o espaço.
Enquanto uns gesticulavam "ruidosamente" sobre se seria preferível instalarem-se antes na proa do ferry, os outros irradiando a simpatia habitual que os caracteriza, entretinham-se a fotografar-se mutuamente pela enésima vez e distribuíam, divertidos, chapéuzinhos e casacos por tudo o que era cadeira.
Assim sendo, sem problemas de consciência e fazendo jus ao velho atavismo dos cordões do desenrasca, não hesitámos em nos lançar numa abordagem, tipo raide, a umas cadeiras menos expostas, mudar os acessórios para outras e deslizar subtilmente para a primeira fila de mesas, a dois passos da popa. Os simpáticos nipónicos haveriam de resolver o problema, do que era de quem, pacificamente, como é seu apanágio.
Esperavam-nos dezasseis horas de viagem de regresso a casa, o final de tarde estava agradável e, enquanto fosse dia, era ali que estaríamos bem a ler, a conversar e a deleitar-nos com a beleza do Fiord de Oslo.
Mal nos tínhamos instalado, com aquele ar triunfante que, como bons portugueses, costumamos assumir sempre que se trata de celebrar os feitos gloriosos da navegação, quando, surgido sabe-se lá de que portaló, se instalou à nossa frente, bem junto à amurada, um autêntico muro, não da “vergonha”, porque isso já lá vai, nem tão pouco dos “sem vergonha”, como o da Cisjordânia e o de Tijuana.
Era sim, uma cortina de carne e osso que apontava, em média para os 1,90 m e cujo revestimento de ádipe, reflectia à saciedade o culto dos "big mac" na pátria do caviar. Uma boa dúzia de russos, opacos e da pesada, autênticos "armários" com ar de novos-ricos da era Putin, verdadeiros filhos de esturjão com aspecto de intrujão, que não possibilitaram qualquer “glasnost” capaz de nos permitir desfrutar da paisagem, sem ficar com uma espécie de torcícolo de tanto nos esticarmos.
Por uma vez o palpite marinheiro falhou, não ganhámos nada em sair de Oslo de costas, só para termos a ilusão de que ainda estávamos a chegar.

Texto revisto

25/09/14

O óbvio ululante

Quando eles anunciam que vão "retirar" consequências, é certo que já lhes disseram que as causas não os vão "tramar".

24/09/14

A sugestão do governador

Se isto for posto em prática, quase toda a governança vai jogar ao dominó para o jardim do Príncipe Real.

As primárias

Não é difícil escolher como votar nas primárias, quando um dos Antónios é a favor da alternância pela alternância e o outro é a favor do contrário.

22/09/14

A sentir-me irritado mesmo ao longe.

A salsicha educativa está a fazer-me chegar a mostarda ao nariz.

É o que faz tê-lo...

Então até à Eternidade!...

20/09/14

Sounds of Saturday CCXLIII


Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa : Volver a los 17

19/09/14

A explicação

Eis aqui a explicação para a vitória do "não".

18/09/14

And now? *

Será que a Escócia vai passar a ser conhecida como o resto do Reino Unido? 





By the way:

For the name is not the same 
and it never will be,
a dram is only a real dram,
from a bottle of ‘Scotch Whisky’

Eu, que até prefiro o whiskey irlandês, compreendo a reacção dos scotiches no que respeita à sua bebida nacional.

* Ver link

15/09/14

Le dessin


Mon petit-fils. Tu ne cherches pas, Tu trouves!

13/09/14

Sounds of Saturday CCXLII


Yves Montand: Quand un soldat

12/09/14

Deambulações e constatações

Esta Europa por onde deambulo é decididamente de "outro mundo", ainda que conserve alguns tiques e costumes. Mas é muito diferente da outra, aquela meretriz dissoluta do strich de Berlim e do trottoir de Paris que, com a colaboração torpe dos proxenetas de plantão, nos seduziu e franqueou as portas da alcova, para depois, indiferente à pateada, sair pela direita alta, deixando-nos com as calças na mão...

11/09/14

A data das ignomínias

Decorria o ano de 2001 e eu passeava, vagarosa e  tranquilamente, pela sedutora tarde de Copenhaga.
De súbito, o telemóvel tocou para me anunciar de supetão que a América estava a ser atacada. Assim, sem mais.
Num ápice corri até um bar de um hotel em Radhus Place, onde assisti atónito, através da televisão, por casualidade, na companhia de cidadãos norte-americanos, tão incrédulos como eu, à derrocada de um dos símbolos do poder dos Estados Unidos, às mãos da barbárie terrorista e fanática.

                                           
Entretanto, como sempre tinha acontecido desde 1973, a memória remeteu-me para um outro 11 de Setembro, o da sangueira do Chile. O golpe perpetrado pelos USA e levado a efeito pelo biltre Pinochet e seus carrascos.
Foi exactamente isso que recordei aos meus companheiros de ocasião que, justiça lhes seja feita, se apressaram a condenar.
Por vezes as ignomínias parecem combinar as datas.

 

10/09/14

Mais um comissário de elevada (risos) estatura.

Já por lá tinha parasitado um Pinheiro (variante bonsai), estadista nas horas vagas, também conhecido como “le bon vivant de la Grand-Place” e que, entre outras, assumiu a pasta do Golfe, apesar de não acertar um “shot” e ficar sempre bem acima do par, sem sequer conseguir um “doubley boggey”, não obstante ter estado bem rodeado de “caddies” amigos.
Agora vai para lá, um vintém (tamanho porta-moedas) de telintar aflautado, com a pasta da Investigação, Inovação e Ciência. Uma espécie de professor pardal, mestre em alquimia, capaz de descobrir fusões e aquisições, num tubo de ensaio de economês.

Apostila: Percebo pouco ou nada de Golfe mas sou um especialista em alquimia.

08/09/14

A minha escolha


Fiquem bem que eu vou folhear e ler mais umas páginas antes de apagar a luz.

06/09/14

A Festa

Manuel, Amigo e irmão. Poeta. Fico feliz por ti.

Não há Festa como esta...

Transporta-nos ao Futuro. A Festa.
Como se o tempo fosse veleiro de todas as quimeras
E os punhos de agora explodissem em flores
Na boca das crianças...
E o ventre da terra fosse uma papoila ruiva
No corpo das searas. E os braços dos homens
Fossem torrentes de afectos no ombro cansado
De todos os proscritos...
E o trabalho o generoso gesto da partilha dos frutos.
Apenas.
Transporta-nos ao Futuro. A Festa.
Na claridade integral dos dias pressentidos
Que os homens desenham no ardor de suas lutas.
E na reinvenção do amor em cada esquina.
E no farnel da Igualdade.
E na febre de Liberdade.
Que os hinos sejam. Então. E os rituais se cumpram
Como umbrais de Esperança. E luz de alvorada.
E lanterna. E guia nos passos de dor
Que trilhamos.
E a porta aberta. Seja.
E o rosto dos homens livres e diversos
Seja em seus traços alegoria sinfónica
Do Mundo...

Manuel Veiga

Sounds of Saturday CCXLI


Harry belafonte: Try to remember

Considerável...

Convenhamos que 5 é uma marca considerável, ainda que longe dos 6,15 do Sergey Bubka.

04/09/14

O califado e o video game



Com a respeitabilidade que dimana das exóticas cãs, que ora tem ora não tem, o omnisciente Nuno Rogeiro revelou na Sic Notícias, que o mapa que estende o califado à Península Ibérica foi retirado de um video game.
Um verdadeiro desmancha-prazeres este distinto comentador.
Estragou o negócio de alguns militantes “muralistas”, bufarinheiros do susto no Facebook, que diariamente vendem califados a pataco como se estivessem num bazar do Martim Moniz ou num estaminé das redondezas da mesquita ali à Praça de Espanha.

01/09/14

A advertência

A advertência até é capaz de ser verdade, porque todos sabemos que o malandro do Putin é assim e o palerma do Durão é anão!