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25/06/14

O homem do Satuo



O aparato com que cultivava o puro havano, devidamente enquadrado pela barba que lhe encimava a gola, funcionou sempre como arrebique das manifestações de jactância de novo-rico rústico, mas nunca lhe concedeu a tão desejada pátina de pessoa com pedigree. 
Não obstante, foi sendo sucessivamente eleito pela maioria dos munícipes, rendida à justificação de que, enquanto edil, o homem podia ser corrupto mas apresentava trabalho. 
Entre iniciativas de fachada e obras de reconhecido valor, a sua almejada coroa de glória teria sido o Satuo, uma inutilidade, em movimento contínuo, sempre vazia, que apenas serve para poluir os ouvidos de uns tantos. 
Se acaso decidir celebrar a saída da cadeia com uma passeata nessa espécie de comboio fantasma, vai sentir-se a ainda mais só do que na cela que partilhava com outros dois reclusos.