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19/12/10

Um novo conceito, uma nova ideia.


Julian Assange assumiu, desde que criou o WikiLeaks, que o seu objectivo seria "publicar sem medo factos que precisam ser tornados públicos".
E é desta ousadia e do autêntico passo em frente simbolizado pela expressão “sem medo”, que emerge a actividade ímpar de um homem corajoso, que sabe o que quer fazer e o que sente que deve ser feito e está consciente dos riscos envolvidos.
Para ele, qualquer governo é susceptível de ser corrompido, caso não seja vigiado cuidadosamente, ou seja, o ditado de que "o poder corrompe" é uma verdade absoluta.
Não espanta portanto a reacção do governo americano (e outros), a qual, além do mais, seria patética se não fosse ridícula, tendo em conta as críticas feitas às autoridades chinesas, aquando da censura ao Google, pela secretária de estado Hilary Clinton, ao afirmar, hipocritamente, que mesmo em países autoritários, governados por ditadores, as redes de informação têm contribuído para descobrir novos factos e tornar os governos mais transparentes.
Aliás, esta sanha persecutória a Assange, que culminou com a sua detenção, revela, acima de tudo, o uso contumaz de dois pesos e duas medidas e a adopção do chamado duplo padrão com que se avaliam de maneira diferente situações semelhantes e que é um 'tique' que, como todos sabem, está disseminado por tudo quanto é sítio.
Independentemente de algum cepticismo com que possamos analisar a exactidão de certas notícias, quer se queira ou não, o WikiLeaks é um novo conceito, uma nova ideia, que não vai morrer e mesmo que, aqueles que a perseguem, consigam bloqueá-lo, surgirão outros WikiLeaks, milhares de WikiLeaks, dedicados a publicar documentos que merecem vir a público.

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