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30 junho, 2025

Pétala nº 3862


"O mar é o céu sentado no chão."
"O mar é água que estremece... É água que inspira e expira."
VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

"O que deslumbra no mar é tudo o que o mar não mostra, esse além para onde se somem os navios em viagem. Não é o sossego rasante que se espraia sobre as águas nem o cântico das ondas. Isso é apenas beleza...”
JOÃO PINTO COELHO, arquitecto, professor e escritor português (1967-), in “Mãe, Doce Mar”, Ed. Leya, 2022


"Caminhamos como quem entra na água para diluir a dor e submergir nela. Deixarmos a tristeza vogar ao ar livre: abandonarmo-nos."

"Este tipo de caminhadas (…), que vão do azul da manhã ao laranja da tarde, sem nada de vivo ou cortante, não apazigua a tristeza. Não constitui o elixir tonificante, a fonte de energia. Não a anulam: transformam-na. (…)"

“Quando tudo estiver destruído, quando a civilização tiver desaparecido após um grande cataclismo, talvez não reste mais do que caminhar sobre ruínas fumegantes de uma humanidade submersa.”

O fim do mundo não é quando tudo para, mas quando tudo continua, interminavelmente. Não há outra coisa a fazer senão pôr um pé diante do outro…

FRÉDÉRIC GROS, filósofo, professor, escritor francês (1965-), in "CAMINHAR uma filosofia" (2009), Ed. Antígona, 2024


“Os limites do meu conhecimento são os limites do meu mundo.”
O meu mundo acaba onde acaba a minha linguagem. Não podes pensar aquilo que não dizes, e não podes dizer aquilo que não pensas.”
LUDWIG WITTGENSTEIN, filósofo austríaco, naturalizado britânico (1889-1951) 
(citado por Pedro Abrunhosa)

“Nós aprendemos a construir a linguagem por razões puramente espirituais. Porque precisamos de comunicar uns com os outros”.
PEDRO ABRULHOSA, cantor e compositor português (1960-), in entrevista a Lia Pereira, revista “E”, jornal Expresso, 17 Maio 2024

"Sabemos que a extrema dor física afugenta a linguagem; é desencorajante saber que a dor mental faz o mesmo."
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Nada a temer”, Ed. Quetzal, 2020


Fotos de Teresa Dias
1 -  PORTUGAL/Cascais, 2025 
2 -  ESPANHA/Isla Canela, 2024
2 - PORTUGAL/Faro - Ria Formosa, 2025

16 junho, 2025

Pétala nº 3860

"(…) quando escrevo, faço-o por amor à palavra (…)”

“Escrevo, quase inteiramente, a partir das entranhas do desgosto.”

“A alma de um homem, ou a falta dela, tornar-se-á evidente pelo que ele consegue cinzelar numa folha branca.”

“(…) não há nada mais mágico e belo do que as frases a ganhar forma no papel.”

CHARLES BUKOWSKI, poeta e romancista norte-americano (1920-94), in "Sobre a escrita", Ed. Alfaguara, 2025


“Quando se desaloja uma frase prisioneira há muito tempo, ela aproveita a liberdade.”

“Os romances servem para se escrever o que se é incapaz de fazer na vida real”

“Há livros que falhamos, como certos encontros: passamos ao lado de histórias e de pessoas que poderiam ter mudado tudo. Por causa de um mal-entendido, de uma capa, de um currículo sofrível, de um a priori. Felizmente, a vida por vezes insiste.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023


"É inevitável. (...) a dado momento - tem logicamente de acontecer - um escritor terá um último leitor."

"Vivemos, morremos, somos lembrados, somos esquecidos. Não de repente, mas por etapas." 

"Para os escritores, o processo de ser esquecido  não é claro. «É melhor para um escritor morrer antes de ser esquecido, ou ser esquecido antes de morrer?»"

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Nada a temer”, Ed. Quetzal, 2020
“Manhã após manhã durante 50 anos, enfrentei a próxima página indefeso e mal preparado. Escrever para mim é um feito de Auto-preservação. Se não o fizesse, morreria. Então fi-lo. A perseverança, e não o talento, salvou-me a vida. Tive também a sorte de não considerar a felicidade importante e de não ter compaixão por mim próprio.”

PHILIP ROTH, escritor americano (1933- 2018)

(fotos PIXABAY)

08 julho, 2024

Pétala nº 3825

"Walter Benjamin disse que um anjo nos recorda tudo o que esquecemos."
(Enrique Vila-Matas, in "Paris Nunca se Acaba")


“Não é por envelhecermos que esquecemos.”

“Uma lembrança nunca morre, apenas adormece.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


"A memória é voluntária e o esquecimento também.”

"A minha maneira de lidar com a memória é confiar-lhe unicamente aquilo que ela depois tem orgulho em recordar.”
 
“Dizem que, à medida que envelhecemos, nos lembramos melhor dos primeiros anos. Eis uma das muitas e grandes ciladas que nos aguardam: a vingança senil.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Amor & Cª”, Ed. Quetzal, 2023 


“… os velhos, como tirando isso não têm mais nada para fazer, contam o passado como ninguém. Não vale a pena procurar nos livros ou nos filmes: como ninguém.”

“… quando um velho morre é uma biblioteca que arde…”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "os esquecidos de domingo", Ed. Presença, 2023


(Fotos: PORTUGAL/Cascais - São Pedro do Estoril, 2024)

24 junho, 2024

Pétala nº 3823


“As autoridades medievais levavam os animais a tribunal e avaliavam seriamente os seus delitos; nós pomos os animais em campos de concentração, enchemo-los de hormonas e cortamo-los aos bocadinhos, para que nos façam lembrar o menos possível uma coisa que já cacarejou ou baliu ou mugiu. Qual dos mundos é mais sério? Qual é moralmente mais avançado?” 

“Vimos ao mundo, olhamos em volta, fazemos certas deduções, livramo-nos das velhas patranhas, aprendemos, pensamos, observamos, concluímos. Acreditamos nos nossos próprios poderes e na nossa autonomia; transformamo-nos na nossa própria obra. (...) 
E que tal darem-nos a hipótese de morrer quando nos apetecer, quando estivermos fartos?” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Nada a temer”, Ed. Quetzal, 2020


"Para superar os vícios da natureza humana, primeiro seria preciso alcançarmos a verdadeira humanidade do SER."

DOUGLAS MELO, conhecido no seu blogue "DOUG-BLOGcomo  Doug, é um jornalista, escritor, blogueiro, professor/PhD (Philosophiæ Doctor) brasileiro (1970-)

(fotos PIXABAY, montagem minha)



OBRIGADA, meu querido amigo!


11 março, 2024

Pétala nº 3808

Pessoa, pessoas, pessoas...


“Será que algumas pessoas não conseguem ver para além daquilo que se lhes coloca à frente?” 

"… as pessoas seguem o seu caminho sem se encontrarem, se o vento do destino não as unir.”

“As pessoas podem amar-se e, no entanto, perder-se.” 

BERNHARD SCHLINK , escritor alemão (1944-), in “A Neta”, Ed. ASA, 2023


“O número de pessoas que conhecemos em profundidade é estranhamente escasso.” 

“Todos somos capazes de pensar em pessoas que usam a simplicidade fabricada ou artificial como modo de passar pelo mundo.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


“Há pessoas que possuem uma afetividade falsa, pessoas muito pobres de sentimentos que fingem ser afeto. Esses são intitulados «artistas da vida».”

“Se pudesse transformava todas as pessoas do mundo em não desconhecidas.”

DAVID GROSSMAN, escritor israelita (1954-), in “A vida brinca comigo”, Ed. Dom Quixote, 2020

(fotos net)




13 novembro, 2023

Pétala nº 3793


“É terrível rechaçarmos o que em tempos, brevemente, amámos, ou julgámos amar, ou quisemos pensar que amávamos. Mas a que estamos acorrentados, ainda assim, para a vida toda.”
DAMON GALGUT, escritor sul-africano (1963-), in “A Promessa” (Booker Prize, 2021), Ed. Relógio d'Água, 2021

"... o encantamento deve ser conservado em seu próprio vaso, de contrário transborda e desfaz-se em nada."
LÍDIA JORGE, escritora portuguesa (1946-), in “Misericórdia”, Ed. D. Quixote, 2022"

“… uma parte do amor reside em ser-se surpreendido pela pessoa que se ama, embora se possa conhecê-la profundamente e bem. É um sinal de que o amor está vivo. A inércia mata o amor – e não só o amor sexual; todos os tipos de amor.”
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022

"Casamento, sucesso, amor, são só palavras…”
JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009


“Não sei se estás em mim
ou se estou em ti, ou se me pertences.
Penso que estamos ambos no interior
de outro ser que criámos e se chama «nós».

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


(fotos Pinterest)

30 maio, 2023

Pétala nº 3783

"Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!"
(Fernando Pessoa)


“Mais tarde na vida esperamos algum descanso, não esperamos? Achamos que merecemos. Eu pelo menos achava. Mas depois começamos a perceber que a vida não tem obrigação de recompensar o mérito.”

“Quanto menos tempo de vida temos, menos queremos desperdiçá-lo. É lógico, não é? Mas a maneira como utilizamos as horas poupadas… isso já é outra coisa que provavelmente não teríamos previsto na juventude.”

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O sentido do fim”, Ed. Quetzal, 2011


"Toda a gente está sempre a passar por alguma coisa, não é verdade? No fundo a vida é isso. Coisas e mais coisas que temos de ultrapassar."

SALLY ROONEY, escritora irlandesa (1991-), in "Conversas entre amigos" (Conversations with Friends, 2017), Ed. Presença, 2018


(fotos net)

15 maio, 2023

Pétala nº 3772

“O que se passa com o presente que está sempre ansioso por julgar o passado?" 
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O homem do casaco vermelho”, Ed. Quetzal, 2021

“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente...” 
MÁRIO QUINTANA, poeta brasileiro (1906-94)


(MALDIVAS, 2022)



28 abril, 2023

Pétala nº 3765

"Belle Époque"


A vida imita a vida; a arte também imita a vida, é claro; e mais raramente a vida imita a arte.


“A Belle Époque foi um tempo de larga riqueza para os ricos, de poder social para a aristocracia, de snobismo intrincado e descontrolado, de ambição colonial impetuosa, de mecenato artístico e de duelos cuja escala de violência refletiu muitas vezes mais a irascibilidade pessoal que a honra ofendia. Não houve muito a dizer a propósito da Primeira Guerra Mundial, mas pelo menos varreu muito disso.” 


“É estranho que a construção «
andar à cata de ouro» esteja exclusivamente reservada a mulheres que se agarram a homens com o objectivo de subirem a escada da mobilidade financeira. Os maiores pesquisadores de ouro da Belle Époque foram aristocratas franceses e ingleses que se casaram com herdeiras americanas para renovar a linhagem, reviver o sentido de privilégios e reforçar a conta bancária.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O homem do casaco vermelho”, Ed. Quetzal, 2021 




Pinturas de Jules Alexandre Grun, pintor francês (1868-1938)
Leia sobre a  "Belle Époque".


21 abril, 2023

Pétala nº 3762

Tempo e Memória...


“Os que negam o tempo dizem: quarenta é nada, aos cinquenta estamos na flor da idade, sessenta são os novos quarenta, e por aí fora. Uma coisa eu sei: que existe o tempo objectivo, mas também o tempo subjectivo, aquele que se traz no interior do pulso, junto ao lugar da pulsação. E este tempo pessoal, que é o tempo verdadeiro, é medido na nossa relação com a memória.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O sentido do fim”, Ed. Quetzal, 2011




“É um lugar severo, o reino da memória, um armazém esventrado e sombrio de tábuas podres e escadas enferrujadas onde ocasionalmente passamos tempo a revolver artigos abandonados.”

ABDULRAZAK GURNAH, escritor nascido em Zanzibar, em 1948, a viver em Inglaterra desde a década de 1960, in “Junto ao mar”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022
Prémio Nobel da Literatura, 2021


(fotos net)

06 março, 2023

Pétala nº 3745

Progredirá a civilização? (…) É indubitável que sim em termos de medicina, ciência, tecnologia. Mas em termos humanos, morais? Em termos de filosofia? Em termos de seriedade?” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


(foto net)



20 fevereiro, 2023

Pétala nº 3736

“… os mortos não nos podem dizer que estamos enganados. Apenas os vivos podem fazê-lo – e podem estar a mentir. Por isso, confio mais nos mortos. Isto é bizarro ou sensato?” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


14 fevereiro, 2023

Pétala nº 3732

“Haverá alguma palavra mais mitificada, mais maltratada, mais mal-entendida, mais flexível em termos de sentido e intenção, mais manchada, mais deslustrada pela saliva de um milhão de línguas mentirosas do que a palavra «amor»? E haverá alguma coisa mais banal do que queixumes sobre isso? No entanto, não a podemos substituir, porque também é robusta, granítica, de armadura impermeável. É à prova de água, resistente a tempestades, deflectora de relâmpagos.”

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022



Hoje, Dia dos Namorados.


(foto net)

07 fevereiro, 2023

Pétala nº 3727

“… hoje, na paisagem digital, amigos e seguidores passaram a significar coisas diferentes, coisas aguadas. Muitas pessoas conhecem outras pessoas sem de facto as conhecerem. E sentem-se felizes com essa superficialidade.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


16 janeiro, 2023

Pétala nº 3711

“… um tempo anterior aos computadores portáteis dentro da sala de aulas e as redes sociais fora dela; quando as notícias provinham dos jornais e o conhecimento provinha dos livros. Era um tempo mais simples ou mais aborrecido? Ambas as coisas ou nenhuma?

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


09 janeiro, 2023

Pétala º 3706

A vida é triste mas bela, ou bela mas triste?

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


29 novembro, 2022

Pétala nº 3685

Homens e mulheres: os mal-entendidos e as interpretações erradas, os acordos preguiçosos ou falsos, as mentiras bem-intencionadas, a clareza ofensiva, as explosões não provocadas, a jovialidade fiável que esconde a indolência emocional. E por aí fora.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


14 novembro, 2022

Pétala nº 3670

“A bisbilhotice é verdadeira no sentido de que repete aquilo em que alguém acredita ou aquilo em que alguém que eles conhecem acredita; ou, se forem eles próprios os autores dela, aquilo em que gostariam de acreditar. Portanto, a bisbilhotice é verdadeira para a mentira, pelo menos, e verdadeiramente reveladora do carácter e mentalidade do bisbilhoteiro.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O homem do casaco vermelho”, Ed. Quetzal, 2021


12 outubro, 2022

Pétala nº 3637

“Os livros mudam ao longo do tempo; pelo menos, muda o modo como os lemos.”

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O homem do casaco vermelho”, Ed. Quetzal, 2021





12 março, 2022

Pétala nº 3480

“Quantas vezes contamos a história da nossa vida. Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contámos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas - principalmente - a nós próprios.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O sentido do fim”, Ed. Quetzal, 2011