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09 junho, 2025

Pétala nº 3859

"Amigos
Que desgraça nascer em Portugal"
(António Nobre, citado em "Viagem de Inverno")


Férias da Pátria (2007) - excerto
“No país que me coube em sorte, os velhos são tristes, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os serviços públicos funcionam mal, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as escolas estão degradadas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os transportes são maus, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as ruas têm buracos, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os canais de televisão são um estendal de imbecilidades, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os políticos são medíocres, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as praias estão poluídas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as casas estão arruinadas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; nas bibliotecas públicas os livros caem de podres, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as câmaras são focos de corrução, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria. (…)
Chegara o momento, concluí, para tirar férias da Pátria.”

Inquietações modernas (2018) - excerto
"Muitos dos pais abastados argumentam que os jovens têm hoje facilidades únicas (...) mas quando começarem à procura de emprego, outra música cantará. Os fundos que chegaram ao nosso país após a adesão à União Europeia foram, sabemo-lo, mal utilizados. Os nossos descendentes têm razão se, um dia, nos pedirem contas pelo que andámos a fazer nas décadas de 1980 e 1990."

MARIA FILOMENA MÓNICA, filósofa, socióloga, docente, investigadora, escritora portuguesa (1943-), in “Viagem de Inverno” (compilação de artigos publicados em diversos jornais e revistas), Ed. Relógios de Água, 2024


Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou ave da esperança.
(...)

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa (versos do poema "Ave da Esperança")",
 Ed. Dom Quixote, 2000

(fotos: PIXABAY)


06 fevereiro, 2023

Pétala nº 3726

“- A cama não é uma coisa maravilhosa?
- A cama é a nossa Pátria
- Quem disse? 
- Eu.” 

ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano (1899-1961), in “Verdade ao amanhecer (True at first light, publicação póstuma 1999)”, Publicações Dom Quixote, 2001 
Prémio Nobel de Literatura, 1954


10 junho, 2022

Pétala nº 3541

"Não choro pela pátria, Ninguém chora pela pátria (excerto)
Retém-se o grito que lavra pelo corpo
sulcos sangrentos e o faz sentir em si a pele
que se separa e encolhe ante a violência 
da dispersão comum e do falso fulgor
que encobre a irreparável divisão 
de se ter perdido o universo e a viva comunidade”

ANTÓNIO RAMOS ROSA, poeta português (1924-2013), in “POESIA PRESENTE”, Ed. Assírio &Alvim, 2014



(foto Pinterest)



05 maio, 2021

Pétala nº 3262


“Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em quem se bata, a ortografia sem ípsilon, como um escarro direto que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.” 

FERNANDO PESSOA, poeta português (1888-1935), in “Livro do desassossego”, Ed. Tinta da China, 2014



(Hoje, Dia Mundial da Língua Portuguesa!)


(foto net)

25 abril, 2021

Pétala nº 3252


“ Aqui, onde o coração reclama uma pátria melhor,
volto ao lugar das palavras que nunca calei, por saber 
que o silêncio se articula na errância da voz e que nele cabe
a solidária multidão que ama, por inteiro, a liberdade. 
A boca sabe-me, inesperadamente, a sangue, em nome 
daqueles que desistiram do sonho, sem remorsos, à margem 
da esperança. Tardei a encontrar o exótico perfume
com que alucinei os dias e as noites, onde, de um trago só,
bebi a própria sede, guardada no barro da memória. 
Agora, sou dos que medem o desassossego dos lábios pelo silente 
sobrevoar dos pássaros, rente à coragem ou às lágrimas. 
As minhas mãos se dão com a inquieta força de quem vive
ancorado ao fascínio de ter no olhar um horizonte livre, 
tão límpido, como a luz transfigurada das manhãs."

GRAÇA PIRES, poetisa portuguesa (1946-), in "Poemas escolhidos 1990-2011"


(imagem Pinterest)

26 setembro, 2017

Pétala nº 1950

“O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho.” 

Ramalho Ortigão, escritor português (1863-1915)

21 junho, 2015

Pétala nº 1122

“A ciência não tem pátria.”

Louis Pasteur, biólogo francês (1822-95)

14 outubro, 2013

Pétala nº 504

“Minha pátria é a língua portuguesa.”

Fernando Pessoa, poeta português (1888-1935)

03 julho, 2012

Pétala nº 5

“A pátria é algo que se sente, que não se pode definir. Eu a sinto muito profundamente. Se a definimos, estamos diluindo-a em palavras.” 
JORGE LUIS BORGES, escritor argentino (1899-1986)