“Solidão em tempo de adolescência: pode não matar, mas dói.
(…) A solidão acontece mesmo sem isolamento social e tem uma dimensão subjetiva que reflete a forma como as pessoas percebem a sua vida social. Nos relacionamentos sociais, quando o que temos é menos do que o que desejamos, a solidão emerge.
Sendo uma experiência emocional negativa, está associada a sentimentos de falta, de vazio, de desligamento, que muitas vezes parecem mais intensos do que aquilo que é suportável. Neste sentido, a solidão dói e remete aqueles que a sentem para uma condição de profunda infelicidade, de recolhimento sobre si próprio, de vazio e desesperança. (…)
Adolescentes que sofrem de solidão têm menos possibilidades de serem aceites socialmente. Não se enquadrando naquilo que os pares consideram um comportamento normativo, estão mais sujeitos à rejeição, à exclusão e até à vitimização. Na saúde pode conduzir a uma desregulação do sistema imunitário, tornando estes adolescentes mais vulneráveis a contrair doenças. É ainda mais provável que iniciem comportamentos prejudiciais como o tabagismo, consumo excessivo de álcool e de drogas, obesidade e problemas de sono. A solidão está ainda associada e é preditora de sintomatologia depressiva, com a possibilidade de ocorrerem ideias de suicídio. (…)"
Excerto do Artigo de Opinião “Solidão em tempo de adolescência: pode não matar, mas dói", de OLÍVIA RIBEIRO, investigadora do WJCR do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, publicado no jornal «Público» de 30 Agosto 2020