quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
À reconquista do Homem
As medidas de restrição de despesas, tomadas pelo governo, vitimaram quem já se esperava e, provavelmente, já eles próprios esperavam: os funcionários públicos e os pensionistas.
Isto é: os mais fracos.
Isto é: continuam a pagar a crise aqueles que não têm culpa dela e mais têm sofrido com ela.
O grande capital, os plutocratas, as classes altas continuam a tratar da vidinha.
Isto é: a aumentar a riqueza e a recomporem-se dos abalos da crise de que são responsáveis. –à custa daqueles que roubaram.
A crise é o resultado do neocapitalismo selvagem, à rédea solta, sem regras –e da ganância.
Obviamente, é o resultado da imoralidade que assiste aos donos do mundo,
já imorais por o serem...
porque o mundo não tem que ter ‘donos’,
é um bem a partilhar justamente.
E neste mundo (isto é mundo?) agredido, aleijado, deformado, adulterado, falsificado, não há lugar para o Homem.
Este mundo é o palco dos canibais e dos flibusteiros.
O roubo passou a ser um ‘valor’ respeitado.
Onde deveríamos encontrar o Homem, reencontramos o escravo.
As soluções vergonhosas que os governos -assoldados, directa e indirectamente, pelos privilegiados do capital- promovem não levarão senão ao reforço dessa imagem monstruosa do novo escravo.
Do ex-homem.
Do homem-coisa.
Do homem-peça-de-máquina, a produzir para a barriguinha dos plutocratas, dos privilegiados, dos especuladores, dos salteadores que fumam cigarrilhas
e dos seus criados.
É urgente reconquistar o lugar do homem –reconquistar o Homem, livre, em movimento para a posse da vida digna, o Homem ético, culto, realizado.
Em suma: o HOMEM.
Isto é: os mais fracos.
Isto é: continuam a pagar a crise aqueles que não têm culpa dela e mais têm sofrido com ela.
O grande capital, os plutocratas, as classes altas continuam a tratar da vidinha.
Isto é: a aumentar a riqueza e a recomporem-se dos abalos da crise de que são responsáveis. –à custa daqueles que roubaram.
A crise é o resultado do neocapitalismo selvagem, à rédea solta, sem regras –e da ganância.
Obviamente, é o resultado da imoralidade que assiste aos donos do mundo,
já imorais por o serem...
porque o mundo não tem que ter ‘donos’,
é um bem a partilhar justamente.
E neste mundo (isto é mundo?) agredido, aleijado, deformado, adulterado, falsificado, não há lugar para o Homem.
Este mundo é o palco dos canibais e dos flibusteiros.
O roubo passou a ser um ‘valor’ respeitado.
Onde deveríamos encontrar o Homem, reencontramos o escravo.
As soluções vergonhosas que os governos -assoldados, directa e indirectamente, pelos privilegiados do capital- promovem não levarão senão ao reforço dessa imagem monstruosa do novo escravo.
Do ex-homem.
Do homem-coisa.
Do homem-peça-de-máquina, a produzir para a barriguinha dos plutocratas, dos privilegiados, dos especuladores, dos salteadores que fumam cigarrilhas
e dos seus criados.
É urgente reconquistar o lugar do homem –reconquistar o Homem, livre, em movimento para a posse da vida digna, o Homem ético, culto, realizado.
Em suma: o HOMEM.
Em Bruxelas milhares de pessoas denunciam a mentira da austeridade
A Bruxelles, des dizaines de milliers de manifestants contre les mesures d'austérité de l'UE
par Georges Gobet
Les syndicats européens ont fait bloc, mercredi 29 septembre, dans les rues de Bruxelles, pour défendre une Europe plus sociale.
Plusieurs dizaines de milliers de personnes (80 000 selon les premières estimations) défilaient, mercredi 29 septembre dans l'après-midi, dans le centre de Bruxelles, pour une grande manifestation européenne contre les mesures d'austérité prises, ou envisagées, dans de nombreux Etats.
La Confédération européenne des syndicats (CES) espérait mobiliser 100 000 manifestants venus d'une trentaine de pays, mais principalement de Belgique, de France et d'Allemagne. En additionnant les actions menées simultanément dans divers pays, les syndicats évoquent le plus vaste mouvement social européen jamais organisé contre des mesures envisagées par l'Union européenne (UE).
Les forces de police belges, venues de tout le pays, étaient présentes en masse. Elles avaient même reçu un appui de collègues néerlandais. Quelque 150 arrestations préventives avaient été opérées avant le départ du cortège. Celui-ci regroupait des délégations syndicales et politiques très diverses. On y voyait aussi bien des syndicalistes finlandais que des retraités britanniques, des membres du syndicat policier Eurocop que des travailleurs grecs réclamant la "justice sociale".
"FÉDÉRATION DES RICHES"
Les membres des trois organisations syndicales belges étaient les plus nombreux, précédés de personnages déguisés et grimés, membres d'une prétendue "fédération des riches" ou de la "fédération des entreprises fraudeuses".
Une délégation devait rencontrer, en fin d'après-midi, José Manuel Barroso, le président de la Commission et, avant cela, Yves Leterme, le premier ministre belge qui exerce actuellement la présidence tournante de l'UE. Les syndicats européens réclament, entre autres, une taxation des transactions financières et une coordination des politiques fiscales au sein de l'Union.
Plus généralement, ils appellent à une véritable "Europe sociale" et reprochent au pouvoir européen de ne se préoccuper que des déficits et de la position concurrentielle des Etats membres alors que les inégalités ne cessent, selon eux, de croître.
"La politique sociale ne peut pas se limiter à l'assouplissement de la législation sur le travail ce qui ne créera pas d'emplois ou de croissance", affirme John Monks, secrétaire général de la CES. Selon lui, le fait de réduire les dépenses publiques alors que l'économie ne redémarre pas pourrait provoquer une nouvelle récession. Des délégations françaises étaient présentes et appelaient notamment au maintien de la retraite à 60 ans.
Les syndicats européens n'ont pas choisi la date du 29 septembre au hasard puisque c'est le jour où la Commission de Bruxelles annonçait précisément des réformes du Pacte de stabilité avec, à la clé, des sanctions contre les Etats trop endettés. Des mesures de "prévention" et de "correction" censées remédier à des situations comme celle qu'a connue la Grèce, avec, aussi, un renforcement de la surveillance des politiques macro-économiques menées par les différentes capitales.
Parallèlement, la "task force" européenne sur la gouvernance économique, présidée par Herman Van Rompuy, le président permanent du Conseil européen, poursuit ses travaux en vue du prochain conseil des chefs d'Etat et de gouvernement, les 28 et 29 octobre.
transcrito, com a devida vénia, de Le Monde de hoje
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Esta crise não vai resolver-se com a continuação do roubo e os discursos hipócritas de quem governa para os ladrões...
in El País de hoje
A crise marca passo ou agrava-se.
Os assoldados do neocapitalismo selvagem, que se dizem governantes, vão buscar às classes mais pobres o dinheiro para resolver o problema.
Quem paga é quem já foi roubado.
O défice do Estado -que abriu as cordas à bolsa para revitalizar a banca- quer-se equilibrado com o dinheiro dos que já não têm onde ir buscar comida, remédios & etc.
Muito etc.
O que anda a fazer o homem neste mundo, se este mundo não é para todos os homens?
Não é do Homem?
O homem exige emprego, exige medicamentos para tratar as doenças, exige escolas que o ensinem a ser... Homem...
exige casas onde viver...
O homem exige receber, a tempo e horas,
isto é: quando somar o tempo de trabalho suficiente e depois do qual possa ainda viver e gosar alguns anos de vida plena e decente,
exige que lhe paguem os juros dos milhares de euros que, ao longo dos anos de trabalho, descontou para a segurança social,
exige uma reforma justa,
exige a reforma que lhe devem...
O homem exige coisas a mais...
Mate-se o homem! Acabe-se com o homem!
E já o estão a matar...
Mas nem todos os homens dobram a espinha (ver foto acima).
António Barreto, o Dâmaso Salcede da sociologia nacional
Depois dele, o Dilúvio
por Manuel António Pina
No aniversário do golpe e contra-golpe conhecidos, no PREC, por "maioria silenciosa", a Lusa difundiu novas e emocionantes declarações do "doutorado em Sociologia pela Universidade de Genebra" António Barreto, que integra, pela Direita (pela Esquerda ataca Boaventura Sousa Santos), a minoria barulhenta de tudólogos que jornais e TVs ouvem a propósito de tudo e de nada, principalmente de nada.
A preferência dos media pela tudologia de tipo oracular praticada por Barreto e congéneres explica-se pela sua inesgotável capacidade para produzir manchetes capazes de "épater les bourgeois".
Para Barreto,"épatem-se, burgueses!", o cidadão português [você, leitor; e eu; e Barreto; e o sem-abrigo que dorme à entrada da Urgência do Hospital de Santo António] "tem todos os direitos e mais alguns. Tem direito à saúde e educação de graça, à habitação", direitos que "não são compatíveis" com o actual estado das finanças públicas. Suspendam-se, pois, a bem da Nação e do défice.
Barreto já se meteu na Arca com o seu seguro de saúde em dia, o seu doutoramento em Sociologia, a sua casa de praia. Venha o Dilúvio!
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 29/09/10
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O neocapitalismo em leilâo?
O encontro com Menano
Chegara há poucos meses a Lisboa.
Vinha da Guarda, onde passei grande parte da minha infância e adolescência, e abri ao mundo. Acerca desses anos extraordinários, em que as sementes se lançaram, tenho escrito um pouco por toda a parte, especial e insuficientemente, nas Memórias, José Régio e Outros Escritores, e recordo a entrada na pequena academia da Guarda, a estróina, os amores, as serenatas, que sempre se ligavam a algum deles. Ouvira falar do Menano, cantara -eu cujos dotes musicais não iriam nunca além da campainha de porta...- passarinho da ribeira e Maria, se fores ao baile, na rua vizinha à Igreja de São Vicente, à espera do acender da luz no antigo e desaparecido Lar da Acção Católica, onde dormia uma rapariguinha raiana... acompanhado à guitarra e à viola não me lembra por quem e rodeado de outros, o Bidarra, o Manisco, o José Pires Sanches...
Ora no dia 22 de Outubro de 1956, meus irmãos Eurico e António, mais velhos do que eu, o benjamim, e o Domingos Manuel de Brito Mariano, nosso irmão escolhido, mais da alma que de sangue, o que é e tem sido muito mais importante, levaram-me à Tapada da Ajuda ouvir o Menano. E, citando Biografias (poderás ler no google, em António Menano), aqui deixo:
"O espectáculo estava marcado para a meia-noite, começou às duas horas da manhã e só viria a terminar de madrugada sem que ninguém tivesse arredado pé. Do Diário de Notícias de 23-10-1956 [por isso, deduzo que a serenata aconteceu a 22 de Outubro] respigamos o seguinte: "Até madrugada alta, com um céu em que a Lua e as estrelas paradas pareciam acercar-se da Terra, no sortilégio das canções de Menano ressurgiu Coimbra de há quatro décadas." Conclui dizendo: "Sem luz eléctrica nem microfones a voz de Menano, casada coma das violas e das guitarras, brindou Lisboa com uma noite inesquecivel, única. Espectáculo imprevisto e verdadeiramente sensacional..."
De quando em quando, volto a ouvir Menano e a saudade que me dói partilho-a entre a Guarda e os amigos da minha juventude, meus irmão perdidos, e, a consolar-me, lá almoço com o Mariano, para falarmos de outras coisas, tendo bem vivo o fogo da lembrança dessa noite, realmente ‘inesquecível, única’, maravilhosa.
http://www.youtube.com/watch?v=FgpSGSXDj6c
Ora no dia 22 de Outubro de 1956, meus irmãos Eurico e António, mais velhos do que eu, o benjamim, e o Domingos Manuel de Brito Mariano, nosso irmão escolhido, mais da alma que de sangue, o que é e tem sido muito mais importante, levaram-me à Tapada da Ajuda ouvir o Menano. E, citando Biografias (poderás ler no google, em António Menano), aqui deixo:
"O espectáculo estava marcado para a meia-noite, começou às duas horas da manhã e só viria a terminar de madrugada sem que ninguém tivesse arredado pé. Do Diário de Notícias de 23-10-1956 [por isso, deduzo que a serenata aconteceu a 22 de Outubro] respigamos o seguinte: "Até madrugada alta, com um céu em que a Lua e as estrelas paradas pareciam acercar-se da Terra, no sortilégio das canções de Menano ressurgiu Coimbra de há quatro décadas." Conclui dizendo: "Sem luz eléctrica nem microfones a voz de Menano, casada coma das violas e das guitarras, brindou Lisboa com uma noite inesquecivel, única. Espectáculo imprevisto e verdadeiramente sensacional..."
De quando em quando, volto a ouvir Menano e a saudade que me dói partilho-a entre a Guarda e os amigos da minha juventude, meus irmão perdidos, e, a consolar-me, lá almoço com o Mariano, para falarmos de outras coisas, tendo bem vivo o fogo da lembrança dessa noite, realmente ‘inesquecível, única’, maravilhosa.
http://www.youtube.com/watch?v=FgpSGSXDj6c
http://www.youtube.com/watch?v=hY1LlheMpi0
domingo, 26 de setembro de 2010
O pecado mortal
“Estudei Arte porque pensei que devia escolher com o coração e não com o bolso. Às vezes penso que pode ter sido uma das piores decisões da minha vida.”
Ana González é a jovem espanhola que escreveu essa frase terrível.
Está no artigo do El País transcrito acima.
Afligiu-me. Arrepiou-me. Doeu-me. Porque é quase compreensível e quase aceitável.
Acabou o tempo da honestidade. A começar pela honestidade para connosco. E da coerência. E do altruísmo.
Nos últimos 30 anos, impôs-se a sociedade do dinheiro.
Não o neoliberalismo: a neo-escravatura.
Expulsou-se o ideal. Amordaçou-se a moral. Proibiram-se os sentimentos.
Cabe a cada um deixar-se escravizar e aceitar que o transformem em peça de máquina de fazer moedas –cujas se destinam ao dono da máquina, ao senhor do escravo.
A iniciativa pessoal, a verdade, a sinceridade não são deste mundo.
A fotografia que escolhi pertence a “La Bohème”, de Puccini: a história trágica de dois poetas pobres e de amores sem cobertura bancária.
Certamente, ainda acontecem dessas coisas –mas já pertencem ao sonho.
Seria loucura -um pecado mortal?- arriscar-se alguém a passar por elas, alguém que quisesse um destino e recusasse ser objecto de compra e venda... porque
“A vocação não tem lugar na nova sociedade.”
Assim falam aqueles que decidiram arrancar a alma à vida.
O estado de espírito dos jovens ou a geração atirada às ortigas
É um documenot publicado em Espanha, no El País.
Sim, é.
Mas eu gostava muito que um jornal/revista portuguseses levassem a cabo um inquérito destes.
Desconfio que os nossos jovens falariam uma linguagem -justíssimamente- semelhante. E reclamariam da mesma injustiça -ou mais certo: do mesmo crime.
Abram o link:
Dinossauros Excelentíssimos
Um professor, proibido de usar piercing, processou a escola onde trabalha. O que há nisso de inaceitável, incrível, ridículo, não o deveremos imputar, exclusivamente, ao ME ou aos directores do Centro Educativo onde aconteceu. A doença enraíza mais fundo e o incidente não é incrível –ilustra o atraso do país e a sobrevivência dos dinossauros, ainda por cá a poluir. No dia 23 de Abril de 1974, as professoras do secundário não podiam usar calças; hoje, anatematiza-se o piercing. E volta-me Ribeiro Sanches a queixar-se -há 200 e tal anos!- de um reino que não conseguia iluminar-se: o nosso. Tem o governo patinado em quanto diz respeito ao ensino? Sem dúvida e muito. Mas aqueles que anseiam por substituir-se-lhe reclamam a redução da intervenção do Estado, que afectaria, catastroficamente, a segurança social, a partilha justa e a educação –e a Cultura, avantesma temido e odiado pelos neo-liberais. A Suécia -governada pelo centro-direita, que perdeu a maioria- acordou, agora, com 20 deputados de um partido xenófobo a entrar no parlamento; na Itália, a extrema direita participa do governo, na Dinamarca e na Holanda condiciona o poder. Assistimos ao regresso do nazismo e do fascismo? Sim e não. É o crescer da xenofobia, a cavalo na ignorância e no medo, o alastrar do ódio ao imigrante, ao árabe ao cigano, ao negro, -atitude semeada e cultivada por nacionalistas oportunistas. O momento ajuda: as pessoas, que o liberalismo selvagem desculturou, esperneiam na crise, no desemprego, na pobreza. Obscurecimento da Cultura e morte da Ética –eis o caminho para a restauração de mais uma noite sufocante.
Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 26/09/10
sábado, 25 de setembro de 2010
O sonho comanda a vida e é o caminho para a vida viva
Perfil de Ed Miliband
El último soñador del partido
por W. Oppenheimer
El pequeño de los hermanos Miliband, Ed, ha pasaado la mayor parte de su vida a la sombra de su hermano mayor, David: nació cuatro años después que él, fue a la misma escuela en el norte de Londres, siguió sus pasos en el mismo collage en Oxford, entró en el parlamento también cuatro años después y en el Gobierno prácticamente cuando tenían la misma edad. Siempre lo mismo, pero cuatro años después.
¿Siempre lo mismo? No exactamente. Mientras David forjó su carrera política a la sombra de Tony Blair, Ed lo hizo a la sombra de Gordon Brown. Mientras David fue siempre visto como un académico y un intelectual -aunque de los dos hermanos fue el que peores notas sacaba de niño- pero de carácter frío y más apoyos entre la inteligentsia del laborismo, Ed destacaba por su carácter cálido, su capacidad para intermediar entre amigos que discutían y su facilidad para conseguir apoyos en el seno de los sindicatos.
Edgard Samuel Miliband, nació en la Nochebuena de 1969 en Londres, en el seno de una familia judía de origen polaco. Su padre era el ya fallecido teórico marxista Ralph Miliband, que nació en Bruselas y huyó de Bélgica con destino a Inglaterra tras la invasión nazi. Su madre, Marion Kozak, era alumna de Ralph en la London School of Económicos cuando se conocieron. Se casaron en 1961.
El joven Ed estudió en una escuela del norte de Londres en la que la variedad étnica de los alumnos hacía que se hablaran 64 lenguas distintas. Ese primer contacto con la realidad le inculcó, como a su hermano, el virus del igualitarismo, al ver que compañeros con mejor intelecto que él fracasaban en los estudios porque su entorno personal les impedía aprovechar mejor las oportunidades. Se graduó luego en el Corpus Christi Collage de Oxford y completó sus estudios en la London School of Economics. Tras una efímera etapa como periodista de televisión, en 1993 empezó a trabajar como investigador político para la diputada laborista Harriet Harman y al año siguiente se incorporó al equipo del entonces canciller del Exchequer en la sombra, Gordon Brown, junto al que forjaría su carrera política. En 1997, al llegar los laboristas al Gobierno, Ed fue nombrado asesor especial de Brown con la responsabilidad específica de escribir sus discursos.
Su lealtad a Brown nunca estuvo en cuestión pero jamás llegó a impregnarse del sectarismo tribal del entorno del ambicioso ministro del Tesoro, lo que le convirtió en uno de los pocos brownitas capaces de relacionarse con los enemigos blairistas y de ser un iterlocutor bien recibido en Downing Street.
Tras pasar un año sabático en Harvard en 2003-04, Ed Miliband consiguió entrar en el los Comunes al ganar el escaño de Doncaster North (South Yorkshire) en las elecciones de 2005. En mayo de 2006 empezó su carrera en el Gobierno como secretario parlamentario del Cabinet Office, una especie de Ministerio de la Presidencia, y en junio de 2007, con el acceso de Gordon Brown a Downing Street, entró en el Gabinete como secretario de Estado (ministro, en la jerga política británica) del Cabinet Office y canciller del Ducado de Lancaster. En ese momento los Miliband se convirtieron en los primeros que coincidían en el gabinete desde los tiempos de Edgard y Oliver Stanley en 1938. En junio de 2008, Brown ascendió al joven Ed al rango de ministro de Energía y Cambio Climático.
Al igual que David, Ed Miliband bebió debate intelectual desde niño a la sombra de su padre y su madre y al calor de tertulias caseras con personajes míticos de la izquierda británica como Tony Benn o Ken Livingstone, habituales en las tertulias de sobremesa de los Miliband en la casa familiar de Primrose Hill.
Pero mientras David se vio atraído por el pragmatismo reformista del Nuevo Laborismo, en Ed acabaron pesando más las influencias estatalistas de su padre, Ralph. Su victoria de ayer y su proclamación como nuevo líder del Partido Laborista significa que el partido en su conjunto cree que es hora de volver a esos orígenes. A pesar de la opinión de influyentes personajes del entorno laborista como el economista Hill Hutton, que la semana pasada advertía desde las páginas de The Observer: "Ralph y Ed Miliband eran y son buena gente. Pero es David, a pesar de sus lemas a veces opacos, quien ofrece al centro-izquierda británico su mejor oportunidad para poner en práctica sus valores". Entre el pragmatismo de David y el romanticismo de Ed, los laboristas han elegido soñar.
transcrito, com a devida vénia, do El País, 25/09/10
vê também:
O luminoso homem das sete partidas
'O português é o homem mais sociável deste mundo. Fraterniza em casa com quantos estrangeiros lhe apareçam, em África com o gentio, na guerra com o inimigo. Nada mais poético do que a écloga café com leite doi português em seu bungalow, baloçando-se no rocking-chair, todo branco como exige a etiqueta do sertão, cercado dos bronzes animados e gárrulas dos mulatinhos. Onde o português chega, há tertúlia; desenvolve-se a afabilidade; alarga-se o halo humano. Esta virtude ou defeito para os Gobineau, ciosos do sangue puro ariano, explica os eu nenhum exclusivismo contar quem quer que seja e a sua nenhuma antecipação rácica. Ao contrario do inglês que para toda a parte leva com o cachimbo e fato sal e pimenta a sua importante e exclusiva senhoria e os pergaminhos de celta, o português leva-se a si, simples como um elemento, pronto a todas as permeabilidades, e enaipa com quem o requer e quer. Essa expressão “é muito dado” existe apenas na nossa língua.'
Aquilino Ribeiro, in Os Avós dos Nossos Avós, Prefácio, 1942
Aquilino Ribeiro, in Os Avós dos Nossos Avós, Prefácio, 1942
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Um girassol com 50 milhões de anos
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/flor/hace/millones/anos/elpepusoc/20100924elpepusoc_4/Tes
Memória: há 70 anos, os aviões alemães bombardeavam Londres, matando dezenas de milhares de civis, homens, mulheres e crianças
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
A reverência ao mestre
Ao ler o meu post de ontem, ‘Onde o desespero acaba’, alguém terá pensado, ao ver-me interrogar sobre as nuvens: ‘roubou a frase ao Pasolini...’
Não roubei nada a Pasolini.
Citei Pasolini.
Citar é, em pintura -em Arte-, a homenagem ao artista evocado.
Mesmo que a citação não seja exacta ou esteja disfarçada.
E não foi o meu caso: traduzi um título, traduzi uma frase:
Che cosa sono le nuvole?,
...e o que são as nuvens?
título de um dos seis episódios -e que Pier Paolo Pasolini assinou- do filme colectivo, Capriccio all’italiana, 1967.
Aqui deixo o link que esclarece (complete indo ao 2 e 3, que estão ao lado):
Não roubei nada a Pasolini.
Citei Pasolini.
Citar é, em pintura -em Arte-, a homenagem ao artista evocado.
Mesmo que a citação não seja exacta ou esteja disfarçada.
E não foi o meu caso: traduzi um título, traduzi uma frase:
Che cosa sono le nuvole?,
...e o que são as nuvens?
título de um dos seis episódios -e que Pier Paolo Pasolini assinou- do filme colectivo, Capriccio all’italiana, 1967.
Aqui deixo o link que esclarece (complete indo ao 2 e 3, que estão ao lado):
Onde o desespero acaba...
A querida amiga Redonda comentou o post em que me interrogo sobre a beleza.
O que é?
Resposta, talvez não haja.
Acontece.
Mas procuramo-la. É uma necessidade: precisamos da beleza. Todos. Com mais ou menos estudos.
A sensibilidade dispara e não tem classes.
Admirei -e interroguei-me-, diante do superior valor estético de certas obras de artesanato.
Não me tocou o pinturesco delas –entusiasmou-me a perfeição.
Sim, a beleza.
Talvez não se devam chamar de artesanato –e, no entanto, são-no, obras de artesão.
Obras de cada um, feitas uma a uma, com a marca do artista. Isso acabou e, com a sua morte, morreu muito do homem.
Âncoras, carroças, ancinhos, mochos, tarros, cadeiras, pratos...
Coisas de gente humilde ou remediada. Do quotidiano. Do usual.
Coisas úteis.
E, se não fossem tão belas, tão harmoniosas, teriam a mesma utilidade, seriam igualmente capazes de servir para o que servem?
A beleza e a criação –porque os gestos do homem, desde levantar uma casa a cozinhar umas febras, criam... Andam juntas.
Sorriem? Pensem nisso.
A beleza salvou-me do desespero e de julgar a vida absurda. Nascemos para morrer? E depois?
Não nascemos para ver a beleza? E, no instante em que ela se nos revela e a sentimos vibrar cá dentro, não ultrapassamos a precariedade da vida?
Não chegamos a algum sítio de paz e delicioso êxtase?
A beleza passa por nós, inclusive –e vai-se. Lembram-se daquela rapariguinha da saia azul rodada e da blusa branca? Lembram-se dos cabelos doirados dela e dos olhos verdes, da polpa luminosa das pernas, da harmonia dos seios das mãos em fuso... do vermelho da boca? Da sua voz, quando dizia as palavras mais banais e soava como cantar de pássaros?
Foi há tanto tempo! Mas levo-a no coração e a imagem dela expulsa o desespero.
Já ali vem outra, como ela mas única, outra vez irrepetível, outra vez maravilhosa...
Já ali está o mar... a serra... a árvore...
Resposta, talvez não haja.
Acontece.
Mas procuramo-la. É uma necessidade: precisamos da beleza. Todos. Com mais ou menos estudos.
A sensibilidade dispara e não tem classes.
Admirei -e interroguei-me-, diante do superior valor estético de certas obras de artesanato.
Não me tocou o pinturesco delas –entusiasmou-me a perfeição.
Sim, a beleza.
Talvez não se devam chamar de artesanato –e, no entanto, são-no, obras de artesão.
Obras de cada um, feitas uma a uma, com a marca do artista. Isso acabou e, com a sua morte, morreu muito do homem.
Âncoras, carroças, ancinhos, mochos, tarros, cadeiras, pratos...
Coisas de gente humilde ou remediada. Do quotidiano. Do usual.
Coisas úteis.
E, se não fossem tão belas, tão harmoniosas, teriam a mesma utilidade, seriam igualmente capazes de servir para o que servem?
A beleza e a criação –porque os gestos do homem, desde levantar uma casa a cozinhar umas febras, criam... Andam juntas.
Sorriem? Pensem nisso.
A beleza salvou-me do desespero e de julgar a vida absurda. Nascemos para morrer? E depois?
Não nascemos para ver a beleza? E, no instante em que ela se nos revela e a sentimos vibrar cá dentro, não ultrapassamos a precariedade da vida?
Não chegamos a algum sítio de paz e delicioso êxtase?
A beleza passa por nós, inclusive –e vai-se. Lembram-se daquela rapariguinha da saia azul rodada e da blusa branca? Lembram-se dos cabelos doirados dela e dos olhos verdes, da polpa luminosa das pernas, da harmonia dos seios das mãos em fuso... do vermelho da boca? Da sua voz, quando dizia as palavras mais banais e soava como cantar de pássaros?
Foi há tanto tempo! Mas levo-a no coração e a imagem dela expulsa o desespero.
Já ali vem outra, como ela mas única, outra vez irrepetível, outra vez maravilhosa...
Já ali está o mar... a serra... a árvore...
Milagres.
As nuvens, as nuvens...
E o que são as nuvens?
As nuvens, as nuvens...
E o que são as nuvens?
Ainda a beleza
O que é a beleza?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
O que não devia acontecer
Faces do racismo
por Manuel António Pina
por Manuel António Pina
O racismo é um monstro de inúmeras faces. A própria afirmação "Eu não sou racista" contém muitas vezes em si a estirpe paternalista do imundo vírus. Jorge de Sena contava, a propósito, o que, chegado ao Brasil, ouviu de uma senhora da alta sociedade brasileira: "Aqui no Brasil não há racismo. E sabe porquê? Porque, aqui, o preto sabe pôr-se no seu lugar". Mas o racismo não raro contamina as próprias vítimas, tornando-as também em algozes. O mais inquietante exemplo é talvez aquilo que Steiner chama o "ódio de si", ou "autoproscrição", do judeu, que explicaria o desconcertante anti-semitismo ou rejeição do próprio judaísmo que, desde Paulo de Tarso, é notório em numerosos intelectuais judeus (mais perto de nós, alguns houve que chegaram a aprovar Hitler). Que sentir senão repugnância com uma resposta que o presidente da Câmara de Torres Vedras, cigano, deu ao "Expresso" a propósito da expulsão de França de ciganos romenos e búlgaros: "Os ciganos portugueses vêem com apreensão a chegada dos 'novos ciganos'. Sentem que os seus comportamentos desviantes ou bizarros podem pôr em causa a integração"?
Transcrito, com adevida vénia, do Jornal de Notícias de 23/0)/10
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Mais irresponsabilidade, mais Madail...
"Paulo Bento: «É mais um problema resolvido» – Madail"
título da A Bola
Madail lava as mãos, assobia para o lado e continua... de quem é o problema que ele diz que resolveu?
Da selecção não é com certeza...
Ah!, compreendo: ao fazer mais essa (descarada? desbocada?) afrirmação, ele pensava no tacho!
É isso! Não perdeu o lugar! Está safo!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Mais uma grande asneira madaélica!
O SCP desfez-se dele, sabiamente; Madail, incorrigível e irresponsável administrador dos dinheiros alheios, foi buscá-lo, para tapar o buraco aberto pela asneira de ter contratado o incompetente Queirós...
Mas não terá sido o espertalhíssimo "agente" Jorge Mendes quem decidiu?...
Continua o enterro do futebol português!
domingo, 19 de setembro de 2010
O Estado não é social? É a teta do capital?
...esta mulher está a roubar o Estado?...
Ana Paula Correia assina, hoje, um interessante artigo, no Jornal de Notícias, que intitula: 'O que define o Estado Social?’ –e ela própria o caracteriza, pertinentemente, nesta frase: ‘É o alicerce nº 1 da cultura europeia’.
Acompanham o texto, frases que, pelo que revelam ou escondem, vale a pena espreitar.
Destaco e sublinho a lucidez de Manuela Silva cuja personalidade superior admiro e respeito muito:
‘Há uma ameaça sobre o Estado social por interesses do capital privado. O caso mais flagrante é no sector da saúde.’
E transcrevo o disparate desbocado de Juan Mozzicafredo, sociólogo:
‘Não podemos continuar com um modelo de dar dinheiro a toda a toda gente, sem que haja uma retribuição por parte de quem recebe apoio.’
Poupo aos amigos as baboseiras de Bagão Félix, espécie de patinho feio que andou a remexer desgraçadamente em coisas sociais, nalguns governos neoliberalíssimos.
Ao Mozzicafredo respondo:
quem tem de retribuir ao Estado -que somos todos nós!-, e para bem da segurança social e da sociedade,
pagando os impostos correspondentes ao que acumula/rouba diariamente,
quem tem de pagar e retribuir/devolver parte dos lucros/roubos
é quem enriquece à custa do zé povinho,
zé povinho que muito gostaria de pagar os impostos justos,
se arranjasse trabalho,
mas trabalhasse até idade em que ainda pudesse aproveitar o resto de vida,
isto é: se conseguisse trabalhar sem estar condenado a morrer no trabalho, estafado, sugado, esgotado...
Roubado.
Acompanham o texto, frases que, pelo que revelam ou escondem, vale a pena espreitar.
Destaco e sublinho a lucidez de Manuela Silva cuja personalidade superior admiro e respeito muito:
‘Há uma ameaça sobre o Estado social por interesses do capital privado. O caso mais flagrante é no sector da saúde.’
E transcrevo o disparate desbocado de Juan Mozzicafredo, sociólogo:
‘Não podemos continuar com um modelo de dar dinheiro a toda a toda gente, sem que haja uma retribuição por parte de quem recebe apoio.’
Poupo aos amigos as baboseiras de Bagão Félix, espécie de patinho feio que andou a remexer desgraçadamente em coisas sociais, nalguns governos neoliberalíssimos.
Ao Mozzicafredo respondo:
quem tem de retribuir ao Estado -que somos todos nós!-, e para bem da segurança social e da sociedade,
pagando os impostos correspondentes ao que acumula/rouba diariamente,
quem tem de pagar e retribuir/devolver parte dos lucros/roubos
é quem enriquece à custa do zé povinho,
zé povinho que muito gostaria de pagar os impostos justos,
se arranjasse trabalho,
mas trabalhasse até idade em que ainda pudesse aproveitar o resto de vida,
isto é: se conseguisse trabalhar sem estar condenado a morrer no trabalho, estafado, sugado, esgotado...
Roubado.
Porque na lenglenga das reformas da segurança social, que desacredita o Estado Social -alicerec nº1 da cultura europeia- rabeia, mal escondida, a vontade de alargar o tempo de trabalho até ao dia de São Nunca Mais, a extinção das folgas, a laicização dos domingos & etc...
sábado, 18 de setembro de 2010
O dever da alegria
José Régio escreve sobre seu pai, chegado à fase terminal de grave doença (“Páginas do Diário Íntimo”, INCM): “A um amigo confessou que quereria, ao menos, viver mais seis meses válido... para se despedir da vida!” A frase, quase infantil, dolorida, comovente, revela o homem que ele era: um apaixonado pelos dias. Régio sublinhou, noutras passagens, que o pai pedia, humilde, mas teimosa e esperançosamente, um bocadinho mais do encanto de estar vivo. Fora feliz. Conhecera a alegria evocada por Jean Giono no deslumbrante romance “Que ma joie demeure” ou por Bernanos em tantas páginas. De André Gide, deixo a seguinte frase, à meditação: “provavelmente não te surpreendes de estar vivo, não admiras como devias este milagre de viver”. Cito autores de França contra a maré deseducadora que baniu as humanidades do ensino e a lembrar a cultura onde os portugueses muito beberam e aprenderam, ao longo de séculos. E em nós penso. Chamou-nos Unamuno um povo de suicidas e outros dizem-nos “os tristes”. Não se desculpem com a crise! Sem dúvida, ela arrasa a alma. Mas, na Nápoles pobre, vi entusiasmo, riso, música e dádiva. Em África, o tal terceiro mundo, vi amor a tudo, nos olhos africanos, que ali mostram o coração aberto. O nosso monco caído não se resgatará? Aquilino acha-o beco sem saída. Não aceito. Há uma saída para tudo e a coçar as feridas deixadas por 800 anos de má administração e maus tratos, a raparmos a chaga dos complexos de inferioridade, transformando-nos em desconfiados, não vamos a lado nenhum. Que fazer? Abrir as janelas e dar um chuto nos velhos do Restelo, que nos moem e castram. Respeitar o dever da alegria!
Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias de 19/09/10
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Mais uma vergonha ou a bofetada de Durão Barroso
"O Parlamento rejeita voto de condenação à expulsão de ciganos em França"
in Público de 17/09/10
Rejeitar a Assembleia da República o voto proposto pelo BE -a condenação do governo francês por ordenar a expulsão dos ciganos-
prova -mais uma vez- que os deputados se aboletaram fora do mundo real
que não lhes interessa o que vai lá fora (e cá dentro...), refasteladinhos nos vencimentos e no quentinho do yes chief
que não compartilham a tolerância dos portugueses
que se estão nas tintas para atiçar ou não o racismo
e para a imagem do nosso pobre país, à rasca e sem ver saída para o buraco para onde o atiraram.
Ridículo -e grave- seria que alguns, à esquerda, o tivessem feito, por duas seguintes razões:
ódio-medo ao BE, que lhes faz sombra
e medo, também, de desagradar aos futuros parceiros-bengala do debate do Orçamento de Estado.
José Manuel Durão Barroso, condenando a decisão do governo de Nicolas Sarkozy e, implicitamente, condenando a extrema-direita, o Front National, cuja política de imigração Sarkozy parece querer usurpar,
Durão Barroso deu uma grandíssima, oportuníssima e bem vinda bofetada nos que, dizendo-se socialistas (ou católicos democratas, ou sociais democratas) disfarçam mal o ultramontismo e o neoliberalismo
e, agora, a alterofobia.
p.s. por causa das moscas, fica aqui expresso que não sou militante no BE, que voto socialista –mas que, em criança, decidi enterrar papões e prefiro o diálogo ao virar de costas.
Chocou-me a atitude do BE -aliás, secundada pelo sempre timorato e ambíguo PS...- quando, na morte de António Manuel Couto Viana, se propôs, na AR, um voto de homenagem ao grande poeta.
Mas não seria por isso que deixaria de tomar em conta as propostas do BE –como sempre peso as do CDS, PSD e PCP.
O 25 de Abril não se fez para trazer a liberdade?
prova -mais uma vez- que os deputados se aboletaram fora do mundo real
que não lhes interessa o que vai lá fora (e cá dentro...), refasteladinhos nos vencimentos e no quentinho do yes chief
que não compartilham a tolerância dos portugueses
que se estão nas tintas para atiçar ou não o racismo
e para a imagem do nosso pobre país, à rasca e sem ver saída para o buraco para onde o atiraram.
Ridículo -e grave- seria que alguns, à esquerda, o tivessem feito, por duas seguintes razões:
ódio-medo ao BE, que lhes faz sombra
e medo, também, de desagradar aos futuros parceiros-bengala do debate do Orçamento de Estado.
José Manuel Durão Barroso, condenando a decisão do governo de Nicolas Sarkozy e, implicitamente, condenando a extrema-direita, o Front National, cuja política de imigração Sarkozy parece querer usurpar,
Durão Barroso deu uma grandíssima, oportuníssima e bem vinda bofetada nos que, dizendo-se socialistas (ou católicos democratas, ou sociais democratas) disfarçam mal o ultramontismo e o neoliberalismo
e, agora, a alterofobia.
p.s. por causa das moscas, fica aqui expresso que não sou militante no BE, que voto socialista –mas que, em criança, decidi enterrar papões e prefiro o diálogo ao virar de costas.
Chocou-me a atitude do BE -aliás, secundada pelo sempre timorato e ambíguo PS...- quando, na morte de António Manuel Couto Viana, se propôs, na AR, um voto de homenagem ao grande poeta.
Mas não seria por isso que deixaria de tomar em conta as propostas do BE –como sempre peso as do CDS, PSD e PCP.
O 25 de Abril não se fez para trazer a liberdade?
No país da anedota
in A Bola
Madail faz piruetas, faz triste figura e não larga o osso...
...Mourinho encaixa publicidade
...e o Zé Povinho vê a selecção a desfazer-se e o campeonato do mundo por um canudo...
Ó martírio! Ó desgraça! Quando virá um Sebastião endireitar esta Federação????
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A vergonha não mora aqui
D. Sebastião ventríloquo
por Manuel António Pina
Ilustrando o pântano de interesses em que, durante o seu mandato na Federação, se tornou o dirigismo futebolístico nacional, Gilberto Madail meteu a corda ao pescoço e os pés a caminho e foi a Madrid acocorar-se ante D. Sebastião, tentando, a bem da Nação, convencê-lo de que "é a hora!" e a manhã de nevoeiro chegou (ou, rigorosamente, chegará no próximo 8 de Outubro, data em que a "selecção de todos nós" e do empresário Jorge Mendes joga com a Dinamarca). A ideia é a de que o Desejado passe o "dar o nome" como treinador da selecção, orientando-a por correspondência ("à distância", explica o "Mais Futebol"), encarregando-se a Federação de arranjar uma barriga de aluguer local que dê a cara por ele nos treinos e no banco. A coisa funcionaria assim: o salvador da Pátria ventríloquo falaria em Madrid, nas pausas dos treinos do Real e, em Lisboa, o boneco mexeria os lábios e faria ouvir a sua voz e a sua vontade. Não faltam por aí bonecos, no futebol e no resto. Custa a crer é que Paulo Bento ou Manuel José, os nomes mais vezes referidos como estando nos planos da Federação, aceitem um tal papel.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias, 17/09/10
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
As frases de Cavaco ou dr. Assis vira filósofo...
"Só vale a pena fazer uma alteração num qualquer artigo da Constituição quando estivermos absolutamente certos de que o novo é melhor do que aquele que já lá estava"
in Jornal de Notícias de hoje
Enquanto o país se interroga sobre as vantagens e desvantagens de rever a Constituição, o homem de Boliqueime separa as águas, solene e seguro como Salomão, e sentencia, explica, esclarece, diz o nunca sabido: o que não é bom não presta.
Eis a lucidez olímpica que faz muita falta cá na terra!
Eis a lucidez olímpica que faz muita falta cá na terra!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Manuel Pina: a coragem de chamar as coisas pelo nome
Democracia? Não, obrigado
por Manuel António Pina
Protegidos pela liberdade de expressão que a lei britânica lhes garante (e pela Polícia), militantes islâmicos queimaram bandeiras americanas diante da embaixada dos EUA em Londres gritando contra a democracia, a liberdade e... a liberdade de expressão, a pretexto da ameaça do pastor de nome "montypythoniano" de uma pequena seita evangélica da Florida de queimar exemplares do Corão a 11 de Setembro.
Esta gente tem um mérito: não esconde ao que vem nem os métodos de que está disposta a servir-se para lá chegar. "A democracia, a liberdade e os direitos humanos não têm lugar" no Islão, afirmou (já cá se sabia, mas foi simpático que no-lo tenha lembrado) na quinta-feira em Qom, Irão, o imã Mesbah Yazdi, um dos líderes espirituais da ditadura de Ahmadinejad.
Menos respeitável, porque não se trata de fanáticos de uma qualquer religião (a não ser a dos próprios interesses políticos), é o silêncio paternalista e "multicultural" sobre tudo isto dos "imãs" do BE e do PC, sempre tão faladores acerca de "liberdade", "democracia" e "direitos humanos" quando entram em cena outras causas ou outros intérpretes.
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje
Outro olhar sobre o olhar de Chabrol
Through the French looking glass with Claude Chabrol
Chabrol went behind the beautiful landscapes and homes of the bourgeoisie to lay bare the travails and turpitudes of the French
by Agnès Poirier
Exit Antonioni, exit Rohmer and now exit Chabrol. With Louis Malle and François Truffaut's untimely deaths in 1995 and 1984, there are now only three left: Jacques Rivette, Alain Resnais and Jean-Luc Godard. Who am I talking about? The New Wave's young Turks turned masters; in other words, some of cinema's most important authors.
Claude Chabrol's death took everyone by surprise. Fit as a fiddle, he was as active at 80 as he was 50 years ago, making a film almost every year. In 2007, the Turin film festival programmed a retrospective of his films, there were so many of them, they had to stage their homage over two years. I religiously went to Turin, as in pilgrimage, and got hooked on Chabrol. There, I also met him and asked about his early memories as a boy during the war and then as a young cinephile in Paris for a radio programme I was producing.
There is nothing better than a thorough and intelligent retrospective to assess an artist's work. And heaven, what admirable films Chabrol gave us. From Les cousins in 1959, Les biches in 1968, La femme infidèle in 1969, Noces rouges in 1973, Violette Nozière in 1978 to Bellamy in 2009, Chabrol never ceased to be a truculent observer of the French bourgeoisie – truculent in both the French and English meanings of the term (colourful in French, aggressive in English).
With portraits of jealous husbands, idle wives, vengeful fathers, corrupt politicians, impotents and frigids, womanisers and nymphomaniacs, shy provincials in Paris and bourgeois killers, Chabrol's films are as much a study of a country and its people as an aestheticism with a certain penchant for glorifying actresses (Stéphane Audran, Sandrine Bonnaire and Isabelle Huppert among them).
"Chabrol was France" say many commentators today. It is true that his oeuvre, like Balzac's comédie humaine, is as much a mirror of France as a perspective on the other side of the mirror, the hidden truth under the social varnish. His cinema went behind the beautiful landscapes, behind the quiet comfortable homes of the bourgeoisie, and laid bare the travails and turpitudes of the French. Chabrol could be very nasty and very funny: this is when he was at his best. Chabrol was ferocious but never judgmental or preaching. He didn't have any advice to give us, no message to pass. He may have been a pessimist but one with a furious appetite for life.
In life, his ogre laugh came as a punctuation in the conversation to underline painful memories or the absurdity of it all. Like him, a keen gourmet who often chose the locations of his films according to the number of Michelin-starred restaurants in the area, his France was always sensual, but a sensuality which almost always was the characters' downfall.
by Agnès Poirier
Exit Antonioni, exit Rohmer and now exit Chabrol. With Louis Malle and François Truffaut's untimely deaths in 1995 and 1984, there are now only three left: Jacques Rivette, Alain Resnais and Jean-Luc Godard. Who am I talking about? The New Wave's young Turks turned masters; in other words, some of cinema's most important authors.
Claude Chabrol's death took everyone by surprise. Fit as a fiddle, he was as active at 80 as he was 50 years ago, making a film almost every year. In 2007, the Turin film festival programmed a retrospective of his films, there were so many of them, they had to stage their homage over two years. I religiously went to Turin, as in pilgrimage, and got hooked on Chabrol. There, I also met him and asked about his early memories as a boy during the war and then as a young cinephile in Paris for a radio programme I was producing.
There is nothing better than a thorough and intelligent retrospective to assess an artist's work. And heaven, what admirable films Chabrol gave us. From Les cousins in 1959, Les biches in 1968, La femme infidèle in 1969, Noces rouges in 1973, Violette Nozière in 1978 to Bellamy in 2009, Chabrol never ceased to be a truculent observer of the French bourgeoisie – truculent in both the French and English meanings of the term (colourful in French, aggressive in English).
With portraits of jealous husbands, idle wives, vengeful fathers, corrupt politicians, impotents and frigids, womanisers and nymphomaniacs, shy provincials in Paris and bourgeois killers, Chabrol's films are as much a study of a country and its people as an aestheticism with a certain penchant for glorifying actresses (Stéphane Audran, Sandrine Bonnaire and Isabelle Huppert among them).
"Chabrol was France" say many commentators today. It is true that his oeuvre, like Balzac's comédie humaine, is as much a mirror of France as a perspective on the other side of the mirror, the hidden truth under the social varnish. His cinema went behind the beautiful landscapes, behind the quiet comfortable homes of the bourgeoisie, and laid bare the travails and turpitudes of the French. Chabrol could be very nasty and very funny: this is when he was at his best. Chabrol was ferocious but never judgmental or preaching. He didn't have any advice to give us, no message to pass. He may have been a pessimist but one with a furious appetite for life.
In life, his ogre laugh came as a punctuation in the conversation to underline painful memories or the absurdity of it all. Like him, a keen gourmet who often chose the locations of his films according to the number of Michelin-starred restaurants in the area, his France was always sensual, but a sensuality which almost always was the characters' downfall.
transcrito, com a devida vénia, The Guardian, 13/09/10
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Chabrol visto pela sua actriz preferida
Isabelle Huppert, actriz preferida de Chabrol e amiga dedicada, recordou-o, hoje, na TV francesa, com nostalgia, ternura e respeito:
‘Era um humanista. Era um homem bom.’
E talvez o fosse...
E talvez não perdoasse aos homens a depravação que a estupidez não absolvia, a maldade que sobrepujava a imbecilidade –e era um crime.
Ou a inteligência depravada, sempre a macular a beleza da vida, a que ele, grande garfo e grande copo, amante das coisas boas, tão entusiasticamente se entregava, o revoltasse e tivesse decidido desnudá-la.
Há quem sublinhe a sua ironia,
há quem aponte o seu humor...
Em suma, um homem não cabe em nenhuma definição.
‘Era um humanista. Era um homem bom.’
E talvez o fosse...
E talvez não perdoasse aos homens a depravação que a estupidez não absolvia, a maldade que sobrepujava a imbecilidade –e era um crime.
Ou a inteligência depravada, sempre a macular a beleza da vida, a que ele, grande garfo e grande copo, amante das coisas boas, tão entusiasticamente se entregava, o revoltasse e tivesse decidido desnudá-la.
Há quem sublinhe a sua ironia,
há quem aponte o seu humor...
Em suma, um homem não cabe em nenhuma definição.
Morreu Claude Chabrol um ácido crítico da humanidade
Foi um dos mais interessantes realizadores da chamada nouvelle vague, movimento iniciado nos finais dos anos 50 e afirmado na década de 60.
...com Chabrol, Truffaut, Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Éric Rohmer..., especialmente...
Dizem-no um feroz escalpelizador da burguesia. Julgo que pretendeu ir mais além: quis denunciar as misérias do homem.
Esta, muito sua, frase talvez o defina:
'A inteligência tem limites mas a estupidez não...'
...com Chabrol, Truffaut, Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Éric Rohmer..., especialmente...
Dizem-no um feroz escalpelizador da burguesia. Julgo que pretendeu ir mais além: quis denunciar as misérias do homem.
Esta, muito sua, frase talvez o defina:
'A inteligência tem limites mas a estupidez não...'
O texto é de Gustave Flaubert!
Parabéns, Luís Filipe Nunes! Acertou! O texto sobre os ciganos de Ruão [ver o comentário ao post abaixo Um acampamento de ciganos] foi tirado colhido numa carta de Gustave Flaubert a George Sand, com a data de 12 de Junho de 1867.
Cita-o Jacques Julliard, no le nouvel Observateur de 9/ 15 deste Setembro, lúcido artigo a que recorri para… citar Flaubert.
Há 143 anos, a atitude do comum europeu francês, diante do cigano, não diferia de hoje..., isto é, da atitude que usa, escolheu, aconselha aos concidadãos e pretende transformar em decreto-lei Sarkozy, Presidente da República francesa: abordá-lo com ódio e desprezo discriminatório.
Só Sarkozy? Só certos franceses?
Sabemos que não e o exemplo encontramo-lo na minha adorada Itália, comandado, ali, o racismo por Berlusconi, pelo Bossi da Liga Norte & etc.
Encontramo-lo aqui e ali –aqui, na nossa terra, vai não vai...
...a tal alterofobia, o tal medo do outro..., a tal xenofobia, a estender-se aos judeu e árabes... e aos beduínos, heréticos, filósofos, solitários, poetas, como diz Flaubert –a abarcar todos os ‘diferentes’, em suma.
p.s. parabéns por ler francês: será um dos poucos que sobreviveu à morte das humanidades no ensino secundário; e, se foi esse o caminho, parabéns por ler le nouvel Observateur, um semanário independente e de grande cultura política e cultural; parabéns, ainda, por ser um admirador do estupendo Gustave Flaubert.
E mais: procure adquirir a excelente, apaixonante Correspondance Gustave Flaubert/ Gerorge Sand (Flammarion): é um breviário!
p.s. 2 obrigado e um abraço por espreitar Sobre o Risco...
Cita-o Jacques Julliard, no le nouvel Observateur de 9/ 15 deste Setembro, lúcido artigo a que recorri para… citar Flaubert.
Há 143 anos, a atitude do comum europeu francês, diante do cigano, não diferia de hoje..., isto é, da atitude que usa, escolheu, aconselha aos concidadãos e pretende transformar em decreto-lei Sarkozy, Presidente da República francesa: abordá-lo com ódio e desprezo discriminatório.
Só Sarkozy? Só certos franceses?
Sabemos que não e o exemplo encontramo-lo na minha adorada Itália, comandado, ali, o racismo por Berlusconi, pelo Bossi da Liga Norte & etc.
Encontramo-lo aqui e ali –aqui, na nossa terra, vai não vai...
...a tal alterofobia, o tal medo do outro..., a tal xenofobia, a estender-se aos judeu e árabes... e aos beduínos, heréticos, filósofos, solitários, poetas, como diz Flaubert –a abarcar todos os ‘diferentes’, em suma.
p.s. parabéns por ler francês: será um dos poucos que sobreviveu à morte das humanidades no ensino secundário; e, se foi esse o caminho, parabéns por ler le nouvel Observateur, um semanário independente e de grande cultura política e cultural; parabéns, ainda, por ser um admirador do estupendo Gustave Flaubert.
E mais: procure adquirir a excelente, apaixonante Correspondance Gustave Flaubert/ Gerorge Sand (Flammarion): é um breviário!
p.s. 2 obrigado e um abraço por espreitar Sobre o Risco...
Voltar ao quê?
Está aí Setembro. É o regresso, a que chamam “rentrée”, pois adoram inventar o “fino” e cultivam a estrangeirice. Escrevem “perspectivar”, em vez do correcto “prever” e chamam, ao Benfica, “campeão em título”, driblando o português “actual campeão”. Adiante. Voltamos e não sabemos o que iremos encontrar: tudo na mesma e o cepticismo –ou uma réstia de esperança? Calhou-me a luzinha do excelente artigo de Enzo Bianchi, em “La Stampa”, que diagnostica o morbo e sugere saídas: “o coração do homem trava a barbárie”: a injustiça quotidiana. Com ela dentro, sofremos um Agosto canicular, nada propício a recarregar baterias. A lucidez de Bianchi refrescou-me: é bom ver o ponto no i. Diz: “o interesse particular, a defesa da tribo, o lucro a curto prazo e o sucesso à revelia da justiça parecem ditar a lei, e o apelo ao sentido da responsabilidade é desprezado”. Na sociedade que matou a ética e o ideal e repôs o canibalismo, fala de deveres para com gerações de hoje e ontem. Luís XIV confiava ao dilúvio o roubo do seu reinado; a grande finança do séc. XXI consagra o Cifrão e a Hipocrisia. O nosso deserto aproxima-se, a passos largos, do filme de Monicelli, “L’Armata Brancaleone”, que fala do ano 1000 e de um bando de desventurados, nossos sósias, conduzidos por Vittorio Gassman. Gritamos e o eco não pia. Se é que gritamos. Se é que o mundo gelado do espectáculo oco não nos triturou e formatou e naufragámos em areias movediças. Ainda importam os sentimentos? Arrisco e cito outra vez Bianchi: “É do profundo no coração do homem que devemos recomeçar, porque, sem vida interior e densidade ética, nenhuma planta sobreviverá”.
Publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 12/09/10
sábado, 11 de setembro de 2010
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