quinta-feira, 8 de julho de 2010

O adeus à vida

...e as árvores?...



Falei da Europa envelhecida...

O que é envelhecer?

Não, não é o passar dos anos, nem é por fora: é por dentro.

É a desistência de nós próprios –do nosso sonho.

Do nosso desejo, da nossa esperança, da nossa vontade de mudar o mundo.

“Os homens vivem mal!’, exclamava Tchekov.

Sim, os homens vivem mal, porque se acomodaram no medo.

É o medo que os leva a precipitarem-se sobre as coisas.

As meras, fúteis, vazias coisas.

Carregarem-se delas, afogarem-se nelas, drogarem-se com elas.

Retrocedem à condição de subfetos: de coisa, também eles, sem nada dentro e tudo jogado na aparência.

Na aparência efémera, que se desfaz e auto-desfaz.

Cauterizam o amor e a aventura.

A aventura de mudar o mundo.

O amor ao outro.

Caminham como sonâmbulos –mortos vivos.

A Europa tende a sê-lo: um deserto, onde, a cada canto, se encolhe, se devora, apodrece, gelado por dentro e mascarado por fora, um homem só.

A Europa é uma ruína.

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