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quinta-feira, março 12, 2026

Pink Floyd em Pompeia
* SOUND + VISION Magazine [14 março]

O lendário concerto dos Pink Floyd em Pompeia, filmado em 1971 e lançado em 1972, é um acontecimento ímpar na história do rock — a partir das suas imagens e sons, revisitamos o historial de uma banda mítica.

>>> FNAC Chiado, 14 março (17h00).

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Wish You Were Here — o teledisco

Na história das imagens e dos sons dos Pink Floyd, o filme Pink Floyd: Live at Pompeii (1972) ocupa um lugar central. Filmados por uma equipa dirigida por Adrian Maben, aí descobrimos o quarteto que estava a trabalhar em The Dark Side of the Moon (1973) — Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason — numa extraordinária performance realizada num anfiteatro romano das ruínas de Pompeia... sem espectadores.
Restaurado em 4K, o filme/concerto vai ser reeditado em Blu-ray, com lançamento marcado para 27 de fevereiro. Em paralelo, a banda pôs a circular um outro restauro: o teledisco (se é que na altura a palavra se aplicava...) de Wish You Were Here, tema-título do álbum que surgiria em 1975 — impecável.
 

domingo, agosto 17, 2025

Ronnie Rondell Jr. (1937 - 2025)

Ronnie Rondell Jr. faleceu no dia 12 de agosto, em Osage Beach, Missouri — contava 88 anos.
A sua filmografia é uma imensa antologia de títulos marcantes como A Águia Voa ao Sol (John Ford, 1957), A Primeira Vitória (Otto Preminger, 1965), Balbúrdia no Oeste (Mel Brooks, 1974), Viver e Morrer em Los Angeles (William Friedkin, 1975) ou Eles Vivem (John Carpenter, 1978). Em muitos dos respectivos genéricos sem que o seu nome seja sequer citado. Porquê? Porque a história dos stuntmen nem sempre teve o reconhecimento que merece: ele foi, de facto, um dos duplos mais famosos, e também mais solicitados, ao longo de várias décadas da produção americana — Batman e Robin (Joel Schumacher, 1997), A Esfera (Barry Levinson, 1998) e The Matrix Reloaded (Lana & Lilly Wachowski, 2003) são alguns dos derradeiros filmes em que trabalhou, por vezes como coordenador da equipa de duplos.
Ironicamente, a sua performance mais famosa ficou registada numa imagem fixa. Ou seja: a fotografia da capa de Wish You Were Here (1975), nono álbum de estúdio dos Pink Floyd, da autoria dos estúdios Hipgnosis (o fotógrafo foi um dos respectivos fundadores, Aubrey Powell). Obtida nos estúdios Burbank, da Warner Bros., aí encontramos Rondell Jr. com a cabeça e o corpo a arder, cumprimentando Danny Rogers, também um duplo profissional.

>>> Obituário na Billboard.
>>> Wish You Were Here (do álbum homónimo dos Pink Floyd).

terça-feira, agosto 04, 2020

Roger Waters
— uma memória de "The Final Cut"

Memória recuperada em tempos de pandemia: do mais maldito álbum dos Pink Floyd — The Final Cut, o último com Roger Waters —, eis Two Suns in the Sunset. A gravação é do próprio Waters, em tempos de reclusão, austero e didáctico, muito bem acompanhado por Dave Kilminster (guitarra), Joey Waronker (bateria), Lucius-Jess Wolfe e Holly Laessig (vozes), Gus Seyffert (baixo), Jonathan Wilson (guitarra), Jon Carin (piano e teclas), Bo Koster (Hammond) e Ian Ritchie (saxofone).

In my rear view mirror the sun is going down
Sinking behind bridges in the road
And I think of all the good things
That we have left undone
And I suffer premonitions
Confirm suspicions
Of the holocaust to come.

The wire that holds the cork
That keeps the anger in
Gives way
And suddenly it's day again.
The sun is in the east
Even though the day is done.
Two suns in the sunset
Could be the human race is run.

Like the moment when the brakes lock
And you slide towards the big truck
"Oh no!"
"Daddy, Daddy!"
You stretch the frozen moments with your fear.
And you'll never hear their voices
And you'll never see their faces
You have no recourse to the law anymore.

And as the windshield melts
My tears evaporate
Leaving only charcoal to defend.
Finally I understand the feelings of the few.
Ashes and diamonds
Foe and friend
We were all equal in the end.

quinta-feira, maio 21, 2020

Roger Waters: "Mother" a preto e branco

Afinal, as tensões entre Roger Waters e David Gilmour não estão sanadas — é uma história longa, contrastada, nem sempre edificante, que desembocou agora num video de Waters, lembrando que Gilmour não é "dono" dos Pink Floyd e que ele, embora tendo saído da banda em 1985, não pode ser rasurado da sua história [notícia: Rolling Stone].
Conflitos à parte, Waters deu-nos agora uma das mais belas peças musicais deste nosso confinamento: uma versão de Mother — do álbum The Wall (1979) —, além do mais parecendo projectar os impasses emocionais da canção no nosso assombrado presente. A preto e branco.

Mother should I build the wall?
Mother should I run for President?
Mother should I trust the government?
Mother will they put me in the firing mine?


domingo, fevereiro 03, 2019

As guitarras de David Gilmour

Esta é uma D-35 Martin de 1969, guitarra fabricada pela C.F Martin & Company (Nazareth, Pensilvânia) — estima-se que o seu valor poderá oscilar entre 10 e 20 mil dólares. Vai estar à venda, a 20 de Junho, num leilão da Christie's, em Nova Iorque.
É apenas um dos items da impressionante colecção de guitarras de David Gilmour (e não dos mais valiosos). Aos 72 anos, Gilmour, personalidade emblemática dos Pink Floyd, decidiu vender mais de 120 guitarras dessa colecção — a receita será integralmente entregue a instituições humanitárias.
Aqui fica o tema Wish You Were Here, do álbum homónimo de 1975, nascido, justamente, na D-35. Em baixo, um breve video assinado por Gavin Elder, com Gilmour a partilhar memórias do seu convívio com tão fascinantes objectos.



quinta-feira, março 01, 2018

A Lua dos Pink Floyd

"Há álbuns de sucesso, e depois há Dark Side of the Moon": a afirmação serve de abertura a um artigo de Dan Epstein, hoje publicado no site da Rolling Stone — o oitavo registo discocráfico dos Pink Floyd (um ano depois de Obscured by Clouds) foi lançado há exactamente 45 anos, a 1 de Março de 1973.
Para além dos dados pouco, ou mesmo nada, conhecidos em torno da produção desta aventura lunar (incluindo o facto de Eclipse, nome da última faixa, ter sido um título considerado), somos levados a (re)descobrir a extrema actualidade temática e política do álbum, projectando os Pink Floyd muito para além do domínio "experimental", criando um som sinfónico que, seja como for, não é estranho a experimentações genuinamente revolucionárias. Para quem estiver 45 anos atrasado no conhecimento desta obra-prima, não é grave, vale a pena procurar — eis o exemplo emblemático de Money.

sexta-feira, setembro 29, 2017

David Gilmour em Pompeia

Foi em 2016 que David Gilmour deu um concerto no anfiteatro de Pompeia, num acontecimento de peculiares ressonâncias simbólicas: Gilmour aí tinha estado, em 1972, como elemento dos Pink Floyd, para filmar Live at Pompeii, espectáculo tirando partido das especificidades sonoras do lugar, mas sem público. O regresso a Pompeia, igualmente intitulado Live at Pompeii, surge agora em CD, DVD e Blu-ray, celebrando a monumentalidade do evento, com milhares de pessoas a assistir — a NPR deu a conhecer o tema Run Like Hell (do álbum The Wall, 1979).


>>> Recordando o registo de 1972, eis Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason interpretando A Saucerful of Secrets, do álbum homónimo de 1968.

sábado, janeiro 21, 2017

"Animals", 40 anos

A célebre capa com a Battersea Power Station, central eléctrica de Londres (desactivada em 1983), e um... porco voador: Animals, 10º álbum de estúdio dos Pink Floyd, editado entre Wish You Were Here (1975) e The Wall (1979), é uma celebração musical que envolve porcos, cães e ovelhas — na prática, uma parábola existencial, muito humana, em que, por exemplo, nas duas partes do tema Pigs on the Wing [audio], se canta assim:

If you didn't care what happened to me,
And I didn't care for you,
We would zig zag our way through the boredom and pain
Occasionally glancing up through the rain.
Wondering which of the buggars to blame
And watching for pigs on the wing.

You know that I care what happens to you,
And I know that you care for me.
So I don't feel alone,
Or the weight of the stone,
Now that I've found somewhere safe
To bury my bone.
And any fool knows a dog needs a home,
A shelter from pigs on the wing.

Enfim, uma obra de admirável austeridade, quase sempre secundarizada quando se revisitam as memórias dos Pink Floyd e que, mais do que nunca, até pelo seu simbolismo político, importa voltar a escutar — Animals foi editado no dia 21 de Janeiro de 1977, faz hoje 40 anos.

quinta-feira, novembro 17, 2016

Retalhos da vida dos Pink Floyd (parte 1)


Está em curso aquilo que parece ser a edição definitiva das obras dos Pink Floyd. Os álbuns estão a regressar às lojas em suporte de vinil em novas edições que traduzem não apenas um cuidado no corte e prensagem, mas no próprio tratamento prévio do som, remasterizado a partir das fitas analógicas originais.

Lançados segundo uma ordem cronológica, estes lançamentos já nos fizeram avançar até 1973, o ano de Dark Side of The Moon. É contudo para contar, ao mais pequeno detalhe, tudo o que aconteceu antes, que acabou de ser editada uma caixa (de volume e conteúdo impressionantes) que nos conta a história complementar ao que os álbuns nos deram a conhecer. The Early Years 1965-1972 junta uma CD, DVD, Blu-Ray, cinco singles em vinil e inúmeras reproduções de posters, flyers, bilhetes de concertos, recortes de imprensa, convidando-nos a uma viagem no tempo que define um novo paradigma pelo qual certamente poderemos esperar outras integrais de outros artistas em tempos futuros.

Ao mesmo tempo, e até porque esta caixa está longe de ser acepipe de preço reduzido, foi editada uma antologia que, com o mesmo título, conta parte desta mesma história num alinhamento compactado a dois CD. Para um olhar mais “completo” sobre este percurso entre as origens do grupo e a edição de Obscured by Clouds, o disco com a música criada para o filme La Valée, de Barbet Schroeder, que precede Dark Side of The Moon, aqui fica um olhar pela caixa, segundo os sete volumes nos quais os temas, vídeos e imagens são arrumados.


A etapa inicial da vida dos Pink Floyd, que corresponde ao período em que Syd Barrett é o seu vocalista e principal força criativa, é recordada num conjunto de gravações que recuam até inícios de 1965, quando dão a ouvir os resultados de uma primeira sessão em estúdio. Está ali, além do vocalista e dos restantes membros da formação “clássica” Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright, o guitarrista Rado Klose, que com eles já tocava mas em breve sairia de cena. O alinhamento, com quatro temas de Syd, um de Waters e uma versão de um original de Slim Harpo – que teve primeira edição num EP de tiragem limitada em finais de 1965 – permite-nos um olhar sobre os caminhos originalmente trilhados pelo grupo, ainda sob evidente expressão de uma admiração pelos blues... 

Sinais de mudança chegam nos dois primeiros singles de 1967, Arnold Layne e See Emily Play, editados antes do álbum Piper At The Gates of Dawn, por eles passando já marcas de uma transformação nas formas, instrumentação e cores da música que faria dos Pink Floyd uma das forças mais marcantes do psicadelismo made in UK. O CD1 deste volume – que apresenta por título 1965-1967 Cambridge Station (numa alusão geográfica ao lugar onde as ideias começaram a brotar) inclui os lados B desses singles, assim como junta Apples and Oranges, bizarra (mas deliciosa) tentativa de criação de um novo single capaz de servir de sucessor ao sucesso de See Emily Play (o que não aconteceu). Há ainda aqui misturas novas para temas como Matilda Mother (excelente!) ou Jugband Blues (a única canção de Syd a figurar depois no álbum de 1968), surgindo depois inéditos como In The Beechwoods, Scream Thy Last Scream (que faz uma curiosa rima com o contemporâneo The Laughing Gnome de David Bowie) ou Vegetable Man (outra hipótese ponderada para o terceiro single), que nos ajudam a completar o retrato desse 1967, ao qual o CD 2 junta a gravação de uma atuação ao vivo em Estocolmo, num alinhamento de oito temas entre os quais emerge já Set The Controls For The Heart of The Sun. Este CD2 acrescenta ainda nove takes alternativos de John Latham, outra experiência de caráter exploratório em consonância com a demanda estética que o grupo tomava em busca de um caminho para um segundo álbum, em setembro de 1967.

 O DVD e Blu-ray que completam este “volume” inclui filmes promocionais para Arnold Layne, The Scarecrow e Jugband Blues, uma atuação no Top of The Pops ao som de See Emily Play e uma outra, no programa de Dick Cavett, nos EUA, com  Apples and Oranges. Vale a pena notar, nesta atuação, o olhar já distante de Syd Barrett, como contraponto podendo servir uma entrevista para a BBC na qual tocam Astronomy Domine e, tanto ele como Roger Waters, resistem estoicamente aos comentários do apresentador do programa, claramente incomodado pela “barulheira” da atuação. Há duas reportagens que nos levam aos ambientes do clube UFO em inícios de 1967, assim como excertos de atuações ao vivo captadas para a televisão ao longo do ano, numa delas, para a BBC, sendo apresentado Intersrellar Overdrive. As imagens mais antigas, captadas em 1966, surgem, compostas, ao som de Chapter 24, revelando-nos memórias de uma banda nos seus tempos de juventude.

 Entre as reproduções de memorabillia que aqui encontramos há um bilhete de um concerto no Queen Elisabeth Hall a 12 de maio de 1967, assim como o respetivo cartaz, no qual se sublinha (como na letra de See Emily Play), a ideia de “Games For May”... Há um anuncio de jornal para uma atuação no UFO em dezembro de 1966, flyers para diversas outras atuações e um recorte de imprensa no qual Chris Jagger (sim, o irmão de Mick), faz um elogio dos Pink Floyd, prevendo uma carreira de sucesso. Ao referir as suas prestações ao vivo diz: “em palco os Pink Floyd perdem-se completamente na sua música e o seu objetivo é o de absorver as mentes dos que estão a vê-los, o que não é fácil com as atmosferas cool que encontramos por Londres”. O booklet, com um texto de Mark Blake, ajuda a contextualizar depois todas estas músicas e imagens.

terça-feira, julho 05, 2016

Pink Floyd a 33 rpm:
'More' (1969)


O passo a seguir a A Saucerful of Secrets, e que na verdade correspondeu ao primeiro álbum dos Pink Floyd integralmente criado sem a participação de Syd Barrett, não foi um álbum de estúdio “convencional”. Antigo colaborador de Jean-Luc Godard, o realizador Barbet Schroeder tinha acabado de rodar, em Ibiza, e como sua primeira obra, um filme que acompanhava a viagem de descoberta e, depois, desnorte, de um jovem alemão que se afasta do seu espaço de vida habitual para tentar vencer inibições pessoais e acaba naquela ilha do Mediterrâneo, com uma junkie e, como ela, rendido à heroína. Com uma cópia do filme na bagagem, Barbet Schroeder, que tinha ficado arrebatado pelos dois primeiros álbuns dos Pink Floyd, rumou a Londres onde mostrou o filme aos músicos e os desafiou a compor a banda sonora.

Disseram que sim. Mas pela sua frente, e segundo os desejos do realizador, não tinham a criação de uma partitura convencional para servir de moldura ou cenário às imagens mas, antes, um conjunto de peças cuja presença no filme tivesse um sentido mais evidente, mais material. Diegético, portanto. Com Roger Waters como a mais ativa força criativa nesse episódio, cedendo a David Gilmour todo o protagonismo vocal mas destacando, mais do que nunca até então o papel das teclas de Richard Wright, a música de More não só se afirmou como uma das peças mais valiosas do filme como acabaria por gerar um álbum que não só traduziu o momento de busca de novos horizontes que o grupo vivia, agora que estava definitivamente arrumada uma primeira etapa da sua carreira.

Fazer música para imagens não era propriamente novo para os Pink Floyd que, ainda antes de entrarem em estúdio para gravar o seu primeiro single, já atuavam sob projeções. E nesses primeiros tempos de vida algumas gravações suas tinham sido já cedidas para cinema. Mas More era um momento diferente, abrindo a porta não apenas à procura de novos desafios para a música da banda como, através da ideia da narrativa, personagens e imagens do filme, lhes dava um “conceito” sobre o qual a música se deveria ajustar como parte de um todo comum. More é um disco que guarda alguns momentos maiores desta etapa na vida dos Pink Floyd – nomeadamente o belíssimo episódio de placidez acústica de Crying Song – e que coloca em cena novas possibilidades. Do inesperado surto de intensidade elétrica e musculada de The Nile Song ao flirt jazzy que emerge em Up The Kyber há por aqui todo um conjunto de momentos em que sentimos o desejo de experimentar e procurar novas rotas possíveis. Há contudo, e ao longo de todo o alinhamento, um ajuste perfeito da música à sua função (ou seja, servir sequências concretas de um filme, a sua narrativa e personagens) e, acima de tudo, a expressão de uma capacidade em transportar para a música não só todo um quadro de temas e ideias como também um efeito de retrato das cores, do calor, das brisas, da ilha que serve de cenário ao filme (e das assombrações mais assombradas que luminosas e estivais que ali vemos a acontecer perante os nossos olhos).

Editado em junho de 1969, More – para cuja capa não foi usado senão um fotograma do filme – obteve melhores e mais rápidos resultados nas vendas do que o álbum anterior. E ajudou a vencer o clima de incerteza que o sucessivo insucesso dos singles editados nos últimos tempos fazia levantar. Os Pink Floyd, estava visto, eram uma banda de álbuns.

quarta-feira, junho 29, 2016

SOUND + VISION Magazine
— hoje, especial PINK FLOYD

É hoje a sessão do SOUND + VISION Magazine dedicada à saga imensa dos Pink Floyd, a pretexto dos 50 anos da banda e da reedição em vinyl dos seus 15 álbuns de estúdio — FNAC/Chiado, 29 Junho, 18h30.

segunda-feira, junho 27, 2016

Pink Floyd a 33 rpm:
'A Saucerful of Secrets' (1968)


Criado numa sucessão de sessões de gravação entre agosto de 1967 e maio de 1968, o segundo álbum dos Pink Floyd assistiu ao processo de progressivo afastamento e definitiva separação entre o grupo e aquele que fora até aí o seu principal compositor. O caráter errático e imprevisível do seu comportamento fora já assinalado quando tinham trabalhado no álbum de estreia, acentuando-se os problemas quando, depois de terminado o disco, chegara a hora de regressar à estrada. É então que entra em cena um outro elemento cuja presença reforçaria a caracterização deste como um disco de transição. Antigo colega de Syd Barrett nos tempos de escola, David Gilmour começou por ser chamado para, em palco, compensar as falhas e até mesmo as faltas do vocalista (e também guitarrista).

Com uma formação alargada a cinco chegaram a entrar em estúdio, crendo-se que Set The Controls For The Heart of The Sun, um dos temas mais marcantes do alinhamento deste segundo álbum, possa representar um raro momento gravado a contar com a presença dos cinco elementos que o grupo então juntava. Cedo ficou claro que a presença em estúdio de Gilmour era favorável ao bom curso dos trabalhos. E nasceu então a ideia de, tal como acontecera com os Beach Boys algum tempo antes, os Pink Floyd manterem Syd Barrett como o seu compositor, atribuindo-lhe tarefas criativas, chamando-o eventualmente a estúdio, mas deixando a estrada entregue aos outro quatro... Isto apesar dos resultados desapontantes do single Apples and Oranges, editado ainda em 1967, depois do álbum de estreia, mas em nada sendo capaz de repetir os resultados dos anteriores Arnold Layne e See Emily Play.

E os trabalhos foram avançando, surgindo, ainda em finais de 1967, uma versão de Juggerband Blues, canção de Syd Barrett que tinha já alguns meses (e chegara até a ser ponderada como eventual terceiro single), que contou em estúdio com a presença da banda do Exército da Salvação a quem, reza a mitologia (questionável, acrescento) que Barrett terá dito para que tocassem o que bem entendessem. Esse seria contudo o único tema assinado e cantado por Syd Barrett a figurar no alinhamento do segundo álbum do grupo. Porque, quando em 1968 retomam os trabalhos em estúdio, já a separação (cada vez mais inevitável) com o antigo vocalista e compositor havia ocorrido. Se em Piper at the Gates of Dawn o alinhamento revelava um claro protagonista da escrita de Syd Barrett, convocando a participação de outros elementos da banda em apenas três temas, no segundo disco, ao qual chamaram A Saucerful of Secrets, as composições refletem uma representação mais democrática dos músicos, definindo um espaço de colaboração e contribuição alargada que definiria o modo de trabalhar do grupo até à etapa em que Roger Waters chama a si a condução dos destinos criativos e, depois, uma outra em que David Gilmour toma um papel igualmente protagonista nesse departamento.

Tal como no plano humano (entre o afastamento de Syd Barrett e a chegada de David Gilmour) também na definição do rumo estético este é um disco de transição. Let There Be Light (que representou a primeira ocasião em que um single do grupo surgia no alinhamento de um álbum, já que o anterior It Would Be So Nice acabou fora do LP) e Remember A Day (que data dos tempos de A Saucerful of Screts) asseguram, logo a abrir o alinhamento, ligações à paleta pop/rock psicadélica pela qual o grupo continuava a trilhar alguns dos seus passos. Cabe depois à visão desafiante (mas bem arrumada) de temas mais longos e distantes do formato clássico da canção, como Set The Controls For The Heart of The Sun ou o longo tema-título (com uma reta final para coro e órgão que quase antecipa o que fariam em Atom Heart Mother) o lançamento das ideias para caminhos experimentais, todavia diferentes dos que haviam antes definido a trip de Interstellar Overdrive e outros momentos caleidoscópicos do álbum de estreia. See-Saw, que conta com a presença instrumental de Barrett, e foi algo injustamente descrita (internamente) como a canção mais aborrecida de sempre (o que não é verdade) traduz, com maior nitidez ainda, uma noção de ponte entre os ecos do que eram os Pink Floyd de 1967 e ideias que ajudariam a definir a noção do som “progressivo” do seu futuro pouco mais adiante. Por seu lado Corporal Clegg assinala a primeira manifestação de uma demanda temática que Roger Waters desenvolveria depois em vários outros episódios e que eventualmente o conduziria a The Wall e The Final Cut.

Em 1968 o álbum - que mostra a primeira capa da banda criada por Storm Thorgserson - dividiu opiniões e acendeu críticas que notavam o afastamento do principal autor do mais elogiado percurso anterior do grupo. Mas agora, 48 anos depois, o reencontro com A Sacucerful of Secrets recorda não apenas o momento difícil que a vida do grupo viveu entre 1967 e 68, como, na verdade, nos dá um deslumbrante quadro de grandes canções, instrumentais... e visões.

sexta-feira, junho 24, 2016

Pink Floyd a 33 rpm:
'Piper at the Gates of Dawn' (1967)


O primeiro álbum dos Pink Floyd encerra em si o retrato do que foi a etapa de desenvolvimento do conjunto de ideias que fizeram da banda o nome de proa de um fenómeno que emergiu em Londres em meados dos anos 60 e que, juntando experiências musicais, visuais e químicas, fez da cidade um dos principais polos de invenção do psicadelismo (cujas heranças ainda hoje, regularmente, alimentam novas bandas e novos discos). É contudo um disco algo atípico em relação à restante obra dos Pink Floyd já que, salvo extensões próximas entre A Saucerful of Secrets e revisitações em Ummagumma, ali se encerra parte significativa de um período que teve em Syd Barrett e no seu talento (e visão) a sua principal força criativa. Um retrato da etapa em que Barrett foi a voz (criativa e por detrás do microfone) dos Pink Floyd exige ainda uma visita aos três singles lançados também em 1967, alguns deles recuperados na antologia Relics, lançada na alvorada dos anos 70.

A obra dos Pink Floyd nasce entre cenários pop/rock da Londres de inícios dos anos 60, juntando o entusiasmo e o sentido de desafio de estudantes de artes e de arquitetura. As suas ideias evoluem contudo para lá das formas mais habituais herdadas da pop, dos blues e rhythm’n’blues e começam a refletir os resultados de experiências com as potencialidades dos instrumentos e o desafio da improvisação que se aprofundam quando se tornam num dos nomes residentes das noites UFO que Joe Boyd começa a organizar em 1966 e que se tornam num dos epicentros de novas experiências às quais estão diretamente associadas experiências com LSD e outros ácidos alucinogénicos. A escrita, sobretudo nas mãos de Syd Barrett, concilia contudo esses desafios e formas com a estrutura mais clássica da canção, pelos seus sets passando tanto as viagens de formas desafiantes de um Interstellar Overdrive como temas de linhas mais claras como Arnold Layne, que, produzido por Boyd, editam como primeiro single em 1967 a bordo da EMI (depois do “não” de várias outras editoras).

É contudo sob regras da casa (ou seja, com um produtor da editora), que entram em estúdio, para gravar um álbum. Com os técnicos de Abbey Road já cientes de novos hábitos de trabalho e novas formas musicais em cena (sobretudo após o trabalho dos Beatles em Revolver), os Pink Floyd tomam o seu lugar no Estúdio 3, numa mesma altura em que, no Estúdio 2, os fab four trabalhavam em Sgt. Peppers. Há por isso várias histórias de encontros entre ambos, de visitas de uns aos estúdios dos outros, sobretudo tendo sido aceite como encorajadora a ocasião em que McCartney entou na régie, ouviu o que estavam a fazer e deu a sua aprovação. Sem incluir See Emily Play, que entretanto tinham gravado como segundo single (nem juntando Apples and Oranges que criariam mais tarde para um terceiro 45 rotações, embora sem o mesmo sucesso), o álbum a que chamaram The Piper at the Gates of Dawn fixou de forma fiel a alma da etapa psicadélica dos Pink Floyd, com um alinhamento que tanto traduz opções por formas mais nítidas na estrutura das canções como aceita depois as viagens mais livres e desafiantes para lá das suas fronteiras.

Entre o tom tenso e assombrado de Lucifer Sam, as canções com alma de contador de histórias (e uma certa tonalidade quase infantil) que escutamos em Matilda Mother, Bike (que teria dado um belo single) ou The Gnome e as linhas trippy de Flaming, Chapter 24 ou Scarecrow, define-se um corpo de canções que caminham sempre perto de um desejo em escapar para lá das formas mais convencionais. A fuga acontece por vezes bem evidente. Logo com Astronomy Domine a abrir. Ou, depois, com o trio Pow R. Toc H, Take Up Thy Stethoscope and Walk e, acima de tudo, o clássico Interstellar Overdrive que assim fixam neste disco a essência da face mais experimental que, entre 1966 e 1967, levantou outras possibilidades aos caminhos da cultura pop/rock.

A súbita degradação da relação da banda som Syd Barrett, consequência de uma soma progressivamente mais errática de comportamentos (em parte resultado do excessivo consumo de químicos) transformou a etapa de promoção do álbum num verdadeiro calvário, que culminaria eventualmente com uma cisão. Barrett ainda colaboraria no segundo álbum. Mas é neste que fica registada a fase em que a banda o tomava como epicentro das ideias. E convenhamos que os Pink Floyd têm aqui um dos seus melhores discos.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Pink Floyd na 'Blitz' deste mês

O novo disco dos Pink Floyd, juntamente com memórias de um concerto em Portugal e uma história da sua etapa vivida após a saída de Roger Waters (esta última assino eu). Neste número escrevo também sobre o novo disco de Leonard Cohen. E depois há ainda uma reportagem na estrada com a Gisela João, entrevistas com Perfume Genius e B Fachada e histórias de alguns músicos que o cinema já visitou, de Nick Cave e James Brown aos Talking Heads e Jimi Hendrix.

quinta-feira, setembro 25, 2014

30 segundos de Pink Floyd

Ao que parece, tudo começou numa revisão/reaudição de The Division Bell (1994). Vinte anos depois, os Pink Floyd anunciam, para Novembro, o seu 15º álbum de estúdio. Chamar-se-á The Endless River e, para já, temos direito a 30 segundos... O mínimo que se pode dizer? Soa a Pink Floyd...

quinta-feira, junho 20, 2013

5 dias 5 discos:
Cantautores em 1970 - Syd Barrett

O afastamento de Syd Barret, iam os Pink Floys a meio das gravações daquele que foi o seu segundo álbum de originais, abriu caminho a uma radical mudança na orientação dos caminhos futuros da música da banda que, entre os concertos em 1966 e os discos editados em 1967. se afirmara como um dos mais determinantes paradigmas do psicadelismo em solo britânico. O comportamento errático e os sinais de progressiva alienação que haviam conduzido ao afastamento do grupo acabaram por ter também repercussões sobre as conturbadas sessões de gravação a solo de Syd Barrett que, iniciadas em abril de 1969, acabariam concluídas cerca de um ano depois com a ajuda de David Gilmour e Roger Waters, que entretanto estavam a trabalhar em Ummagumma. Finalmente editado em 1970, The Madcap Laughs pode ser a expressão de uma alma perturbada e o consequente retrato de um mergulho entre os espaços mais assombrados da existência. Mas é ao mesmo tempo a manifestação de um espírito tão frágil quanto inspirado, de certa forma retomando aqui caminhos que em tempos lançara com o grupo que entretanto seguira outros caminhos. Não repete a dimensão maior do genial Piper At The Gates of Dawn (1967), mas é a segunda obra-prima na discografia de um dos mais interessantes autores de canções do seu tempo.

domingo, agosto 19, 2012

Nos 40 anos de 'Ziggy Stardust' (2)

Continuamos a publicação de um texto que assinala os 40 anos da edição de 'The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders' de David Bowie e que procura verificar que impacte teve o disco no panorama social e artístico do seu tempo. O artigo foi originalmente publicado a 30 de junho de 2012 no suplemento Q. do DN com o título 'Como um 'alien' mudou Bowie e ajudou a transformar a sociedade.

Como explica David Buckley em Strange Fascination, uma biografia sobre David Bowie publicada em 1999, entre 1970 e 71 o músico centrou atenções em outros estímulos e procurou uma nova forma de abordar a música pop. “Rejeitou o comunitarismo da contra-cultura e, injetou uma nova violência de género na poeira de estrelas da geração Woodstock”. E assim “liderou os flancos de uma geração de adolescentes confusos e desligados depois da era do flower power(5). E entre esse período de nova demanda, David Buckley identifica mesmo o ano de 1971 como aquele em que Bowie “se transformou num agent provocateur na pop-art”. O que o animou, diz, “foi o desejo de ser diferente e desafiar e derrubar as convenções musicais dominantes e os códigos morais e sexuais então vigentes. Desenvolveu a ideia de se transformar num poseur pop numa altura em que os músicos rock olhavam para os clássicos em busca de estímulos culturais mais altos ou para a tradição dos blues”. (6)

Temos então de viajar no tempo para, como Bowie, descobrir, somar e assimilar novos estímulos e outras ideias.

'Hunky Dory' (1971)
Entre as suas referências musicais mais estruturantes encontrávamos os primeiros discos dos Pink Floyd (7) e desde cedo mostrara grande interesse pelos Velvet Underground e pelo universo pop de Andy Warhol ao qual o grupo nascera associado. No outono de 1971, de visita a Nova Iorque passou pela Factory para um encontro que, como descreve David Buckley, a um nível pessoal esteve longe de ser um sucesso. “Warhol aparentemente tinha detestado a homenagem que Bowie lhe havia feito em Hunky Dory (8), que lhe havia sido dado na forma de um acetato no meet and greet, e estava mais interessado nos sapatos”. (9) que o músico levava calçados. Apesar desse instante, que hoje mora entre os episódios da mitologia dos dois ícones, Bowie acabaria por desenvolver uma abordagem à pop algo semelhante à de Warhol no cinema e restante criação artística. “Na Factory, Warhol construía fama e transformava pessoas sem talento em estrelas de cinema. E ao fazê-lo desafiava a forma como o estrelato era alcançado, mostrando como se podia fabricar com tamanha facilidade. (…) Bowie achou sedutora a ideia de que o estrelato podia ser fabricado. (10) Uma ideia que em tudo se ajustava a uma outra, defendida pelo seu novo manager, Tony DeFries (11), que acreditava que parecer uma estrela era o primeiro passo para alguém atingir o estrelato.

Buckley diz ainda que, apesar das ligações de Bowie e Warhol com as culturas de vanguarda, “ambos ostentaram o consumismo da arte popular e com o tempo tornaram-se os dois homens de negócios” (12). Todavia lembra que o que Bowie estava a fazer “não era simplesmente ser uma entidade comercial por si mesmo, mas antes mostrar que todo o rock tinha uma base comercial”. (13)

Entre outros dos seus contemporâneos admirava profundamente Iggy Pop e também Van Morrison (de quem chegou a tocar Madame George), Jaques Brel (de quem cantaria em 1973 uma versão de Amsterdam) ou Marc Bolan . E na construção da ideia que acabaria por gerar o nascimento de Ziggy Stardust entram ainda em cena duas outras figuras: O Legendarey Stardust Cowboy (14) e Vince Taylor (15). O primeiro, desde cedo encantado pelos universos da ficção científica, sempre caminhou em terrenos longe das atenções mainstream e foi um dos pioneiros do psychobilly. O segundo foi uma figura com alguma visibilidade na cena rock'n'roll britânica entre finais dos anos 50 e inícios doa 60.

David Buckley defende que a maior influência no processo de reinvenção dos horizontes que levaram Bowie a Ziggy Stardust não vem contudo dos músicos que tomou como referência, mas sim a cultura japonesa. No livro refere que o próprio David Bowie afirmou que o designer japonês Kansai Yamamoto (16) foi “100 por cento responsável pelo corte de cabelo e cor de Ziggy”. Em segundo, “a influência japonesa sobre Ziggy veio do seu muito peculiar teatro estilizado. Bowie estava fascinado pelo kabuki japonês e pelo teatro nô e aproveitou a sua essência para os concertos da fase Ziggy/Aladdin Sane, conferindo às atuações o ar de um certo aviltamento secular de uma das formas teatrais mais formais”. (17) No ocidente, como reflete o autor, o Japão era ainda visto como sendo “uma cultura alienígena”, pelo menos “na forma como era representado pelos tabloides”. Para o biógrafo, Ziggy Stardust “dignificou a cultura japonesa e deu-lhe ideias fora do espectro do rock anglo-americano”. Bowie contribuiu assim para “internacionalizar a pop, encetando um prolongado fascínio pelo Leste”. (18)

O kabuki foi, segundo reflete Buckley em Strange Fascination, “perfeito” para a construção da figura de Ziggy Stardust uma vez que, “na sua natureza, é uma forma teatral que cruza a identidade de género”. Nesta forma de representação teatral todos os papéis, sejam masculinos ou femininos, são invariavelmente interpretados por homens. “E a sua natureza andrógina foi entendida por Bowie como sendo de importância fundamental”. (19)

Um outro elemento importante para a definição da ideia central a Ziggy Stardust chegou do cinema. Em concreto com A Laranja Mecânica (20), de Stanley Kubrick. O filme de Kubrick, mesmo proibido na altura, revelar-se-ia um dos episódios mais influentes do cinema de então nos espaços da música popular. Além do peso marcante junto de Bowie e da própria adesão de muitos músicos de então à visão eletrónica de obras de compositores de outros tempos que Wendy Carlos (21) propunha na banda sonora, podemos apontar descendências no nome da editora Korowa (que editaria os Echo & The Bunnymen em inícios dos anos 80) ou nos telediscos de Love Missile F1-11 dos Sigue Sigue Sputnik ou de The Universal, dos Blur, que citam claramente formas, cores e lugares do filme. O próprio Bowie usou a banda sonora do filme para assinalar a sua chegada ao palco durante a Ziggy Stardust Tour, facto que podemos constatar no filme de D.A. Pennebaker Ziggy Stardust: The Motion Picture. Os dados estavam somados. Mas os relatos históricos parecem sugerir que Ziggy Stardust não nasceu fruto de uma estratégia bem montada, mas de uma sucessão de acontecimentos que, perante estes estímulos, o conduziram a uma ideia.

5 – in Strange Fascination, de David Buckley ( Virgin Books, 1999), pág 85 
6 – ibidem, pág 104 
7 - Em 1973 gravaria em Pin Ups uma versão de See Emily Play e recentemente juntou-se a David Gilmour para gravar uma nova versão de Arnold Lane 
8 – Bowie gravou em Hunky Dory o tema Andy Warhol, uma canção acústica dedicada ao artista americano. 
9 - in Strange Fascination, de David Buckley ( Virgin Books, 1999), pág 107 
10 – ibidem  
11 – Tony Defries – Manager de Bowie nos anos 70. 
12 - in Strange Fascination, de David Buckley ( Virgin Books, 1999), pág 107 
13 – ibidem, pág 109 
14 – O “Stardust” do nome de Ziggy terá provindo deste músico americano, nascido em 1947 e com o nome real Norman Carl Odam. David Bowie gravou mais tarde uma versão de I Took A Train on a Gemini Spaceship, do Legendary Stardust Cowboy, no álbum Heathen, de 2001. Por sua vez, o Legendary Spartust Cowboy gravou uma versão de Space Oddity. 
15 – Vince Taylor (1939-1991) Uma das vozes da primeira geração rock'n'roll britânica em finais dos anos 50 e inícios dos anos 60. 
16 - Kansai Yamamoto (n. 1944) Designer japonês com influência determinante na criação da moda contemporânea japonesa. 
17 - in Strange Fascination, de David Buckley ( Virgin Books, 1999), pág 117 
18 – ibidem 
19 – ibidem, pág 118 
20 - A Laranja Mecânica – Filme de 1971 de Stanley Kubrick baseado no romance homónimo de Anthony Burgess. Bowie usou elementos da banda sonora na abertura dos concertos da Ziggy Stardust Tour. 
21 – Wendy Carlos (n. 1939) Figura pioneira da música eletrónica. Assinou a banda sonora de A Laranja Mecânica como Walter Carlos, ou seja, antes da operação de mudança de sexo.

segunda-feira, abril 30, 2012

IndieLisboa 2012 (dia 5)


Quinto dia do IndieLisboa, conta hoje entre os destaques com a passagem de The Loneliest Planet, de Julia Loktev, pelas 21.30 na Culturgest. Protagonizado por Gael Garcia Bernal e Hani Furstenberg, o filme acompanha uma caminhada de montanha de um jovem casal e observa como um pequeno gesto, que não pode ser esquecido, pode mudar uma relação. Entre as muitas curtas a ver nos vários programas hoje passa uma vez mais Cerro Negro, de João Salaviza (no programa Competição Internacional Curtas 7, no pequeno Auditório da Culturgest pelas 16.45). O festival passa ainda Palácios de Pena, de Gabriel Abrantes (no programa Competição Nacional Curtas 4, às 19.00 no Grande Auditório da Culturgest).

No novo blogue de cinema do DN escrevi sobre mais dois filmes que vi no Indie Music:


Amma Lo-Fi, de Ingibjörg Birgisdóttir, Kristín Björk Kristjánsdóttir e Orri Jónsson

“A sala está arrumada. Não apenas arrumada, mas bem limpa. Junto a um armário um naperon de renda cobre um sintetizador. E eis que chega a protagonista. Nasceu na Dinamarca, lembra-se do dia em que os alemães entraram na sua cidade, dos anos que viveu no Brasil e de como, mais tarde, procurou nova casa na Islândia, onde vive. Aos 70 anos Sigridur Nielsdóttir descobriu a música. Ou, antes, descobriu que podia fazer canções. Primeiro na cozinha, mudando o aparato para a sala do apartamento na cave, onde vive, pouco depois. Hoje já tem mais de 50 álbuns gravados, é conhecida como a “avó lo-fi” e está transformada numa figura de culto contando entre os seus admiradores com os Múm (banda islandesa cuja música já chegou a estas latitudes)”. Ler aqui o texto completo

Wild Thing, de Jérome de Missolz
“Partilhar memórias pessoais com a visão de quem as protagonizou. Foi este o motor que conduziu Jérôme de Missolz até Wild Thing, uma história pessoal de seis décadas de cultura rock’n’roll. O realizador parte assim em busca “dos últimos dos últimos incorruptíveis”, o filme propondo um percurso cronologicamente arrumado dos acontecimentos desde as primeiras erupções de novas ideias com Little Richard e outros primeiros heróis como Chuck Berry (a quem Iggy Pop chama o Shakespeare do rock’n’roll) para avançar depois pelos anos 60 (onde começa por focar os Animals, Rolling Stones e The Who, abrindo espaço aos Byrds, que descreve como “a reação americana aos Beatles” e depois ao psicadelismo, escutando os Pink Floyd, citando os Doors e ouvindo John Echols, dos Love)” – Ler aqui o texto completo

sexta-feira, novembro 18, 2011

Novas edições:
The Beach Boys, Smile


The Beach Boys
“Smile”

Capitol Records / EMI Music
5 / 5

O disco perdido é sempre o mais apetecido. Mas essa não é a única justificação para explicar o carácter mítico que fez de Smile o mais célebre dos discos perdidos da história da música popular. A história começa em 1966, na sequência do visionário Pet Sounds, álbum que só por si era já suficiente para inscrever os Beach Boys na galeria dos mais ilustres criadores da história da música pop. Mas Brian Wilson quis ir mais longe. E sonhou com aquilo que definiu como uma sinfonia juvenil para Deus. Chamou Van Dyke Parks para escrever as letras e, ao piano, começou a desenvolver ideias e a escrever canções. Os primeiros sinais do que poderia ser o som de um novo álbum ganharam forma em Good Vibrations. Usando as novas soluções ao alcance do estúdio de gravação como ferramenta de trabalho, Brian Wilson concebeu Good Vibrations como um puzzle onde se arrumava uma vastidão de acontecimentos, todo o processo envolvendo muitas e longas de estúdio álbum, os resultados incríveis das vendas do single calando os eventuais cépticos... E que tal fazer, então, todo um álbum nesse comprimento de onda. Brian Wilson arregaçou as mangas e meteu mãos à obra. O trabalho que imaginava era de um outro patamar de complexidade, obrigando a todo um trabalho de experiências e ensaios, caminhando para lá das fronteiras habituais da canção pop. Procurando caminhos, experimentando soluções.
O ambiente interno não ajudou, os primeiros sinais de oposição à ideia de Smile (assim se chamaria o álbum) nascendo entre o grupo. O desconforto desse clima, o sucessivo adiamento de prazos e o choque que foi o sentir que Strawberry Fields Forever, dos Beatles deixara em Brian Wilson a sensação de que os fab four haviam lá chegado primeiro são alguns dos grãos que foram, aos poucos, estragando a engrenagem. A dada altura a ansiedade ultrapassou os limites de tolerância e Smile, que já tinha capas feitas e data de lançamento anunciada, voltou para a gaveta. E ali ficou 44 anos... Não faltaram bootlegs com tentativas de reconstrução do álbum a partir dos elementos que entretanto acabaram usados noutros discos. Houve ainda, na última década, uma versão regravada de Smile, editada a solo pelo próprio Brian Wilson.
E agora, 44 anos depois, das sessões abandonadas em 1967 o grupo reconstrói o álbum. Smile confirma em tudo a visão de Brian Wilson e mora agora (mesmo no formato de álbum reconstruído, com peças ainda eventualmente incompletas) ao lado de Sgt. Peppers dos Beatles, Their Satanic Majesties Request dos Rolling Stones, Forever Changes dos Love, Piper At The Gates Of Dawn ou The Doors, dos Doors (entre outros mais, é verdade) como um dos grandes títulos representativos daquela etapa (o psicadelismo, naturalmente) em que a música ganhou cor e atingiu novos patamares. Smile junta a esses outros discos a assinatura dos Beach Boys nas elaboradas harmonias vocais, na luminosidade solarenga que abraça as canções, na amplitude impressionante de espaços que servem de palco aos acontecimentos que se sucedem. Smile é um monumento de ideias. Um colosso pop. E, 44 anos depois, o que estava perdido acaba encontrado, ao mercado surgindo várias edições (umas com mais gravações extra que outras, retratando a vastidão de ideias procuradas em estúdio) que surgem acompanhadas por textos, um deles assinado pelo próprio Brian Wilson que, assim, arruma de uma vez por todas o era uma vez de uma das histórias mais contadas da música popular.