Mostrar mensagens com a etiqueta liberdade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta liberdade. Mostrar todas as mensagens

sábado, abril 25, 2009

o sabor da liberdade

Contou-me ontem um colega de trabalho que foi, em dois momentos diferentes, interrogado pela PIDE. A primeira vez na sequência de uma rusga num concerto de Zeca Afonso, em Coimbra; outra, dois meses depois, para responder a algumas perguntas do mesmo questionário que teriam ficado sem resposta na primeira vez. Na segunda vez, fizeram-no esperar aproximadamente duas horas e meia numa pequena sala, onde não havia nada, nem mesmo uma cadeira. Contou ainda que, em 72, conseguiu, com muita dificuldade, arranjar um passaporte que acabou por lhe ser confiscado pela PIDE quando ele se encontrava no comboio, a escassos quilómetros da fronteira. Deu por feliz o incidente, uma vez que não foi de novo levado para interrogatório. Ouvi-o e pensei como, mesmo tendo nascido antes da Revolução, tenho sido uma afortunada por nunca ter sentido medo, por poder sair livremente do país, por não sentir desconfiança em relação ao vizinho, por poder ouvir Zeca Afonso sem que me apreendam os Cds (a não ser que sejam pirateados), por ter podido participar em RGAs e manifestações de rua, de forma menos apaixonada, é certo, mas com liberdade, por ter a possibilidade de escolher o partido em que quero votar e por poder votar, também por não ter sobre mim a censura de um lápis azul que, noutros tempos, me impediria de publicar estas breves linhas neste espaço. Que o vosso dia saiba a Liberdade!

" (...) a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!"

quinta-feira, abril 24, 2008

Letra para um hino


É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.


É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.
(Manuel Alegre)