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sábado, setembro 14, 2019

Num sítio perto do pensamento

«Inventar poemas. (...) Tens razão. Tinha as palavras todas num sítio perto do pensamento. Quase lá. Mas o circuito é infindável e as palavras são matreiras. Gostam de se esconder e, quando vamos dar com elas, estão nos textos dos outros. [...] 
Inútil ir à procura das palavras. [...] Mesmo que vá dar com as malvadas, com as palavras verdadeiras, com as palavras minhas, nos textos dos outros.»

Julieta Monginho, A Terceira Mãe

sexta-feira, março 02, 2018

Alfarrábio

Para os curiosos, deixo a ligação para um artigo que acabei de ler no Público.

segunda-feira, março 06, 2017

Brincar com as palavras

Noite em brasa
olhos que lembram peixes
branda ilusão

Aroma de café
olhar sobre os livros
Em manhã de domingo

Fresta, telhado
luz sobre os objetos
beleza velha


Vã tentativa de construir um haiku...


sexta-feira, janeiro 20, 2017

As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Do Eugénio de Andrade, que nasceu num dia 19 de Janeiro (1923)



Pintura de Cristina Valadas

sábado, fevereiro 07, 2015

Das palavras


(Image de Soizick Meister)

Trata-me por tu, apesar dos seus quinze anos e ao contrário do que me era permitido fazer com os amigos dos meus pais ou com qualquer adulto quando tinha a idade dele. Não estranho. Conheço-o desde que nasceu, peguei nele ao colo - como atestam as fotos -, tomei conta dele inúmeras vezes, inclusive na madrugada em que a irmã nasceu. 
De vez em quando, pede-me conselhos, sobretudo acerca de fotografia, matéria em que sou uma perfeita amadora. Há dias, abordou-me no chat com outro propósito: exprimir a sua angústia que decorre da dificuldade em usar as palavras, em encontrar os termos certos para se exprimir, quer se trate de assuntos pessoais ou académicos. Do alto dos meus mais de quarenta anos, para não defraudar as suas expectativas e apaziguar a sua angústia, aventurei-me em algumas receitas óbvias: ler e escrever mais, ter paciência e acreditar que, apesar da sua tenra idade, se exprime com mais clareza e propriedade do que uma grande parte dos jovens da sua idade.
Não me atrevi a confessar-lhe que também eu experimento, não raras vezes, essa angústia, que também me sobram sentimentos e impressões  para tão escasso vocabulário, como me exaspera a falta de maleabilidade da sintaxe.

domingo, março 02, 2008

dúzia "cara" em tosca sinfonia

Desta vez, a resposta a um desafio da Hipatia: referir doze palavras caras, ou seja, que me são queridas. Saiu a tosca "sinfonia" que se segue:


Sob a luz do crepúsculo,
sonhei-te orvalho e brisa,
quis-me mar de serenidade.

No sonho, pincelado de indigo e oiro,
ofereceste-me, em silêncio,
magnólias, amor e buganvílias
para plantar no meu jardim.

Fica ao critério de quem passar continuar a "corrente"... Votos de bom domingo! :) Enjoy the music...