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terça-feira, julho 07, 2015

Acho que o que se está a passar na Europa em relação à Grécia é uma aberração sem perdão. Que grande cambada de burrocratas, de vice-irrevogáveis brincalhões. Com vossa licença, desisto. Vou relembrar os 10 Mandamentos.




Os banqueiros centrais do euro decidiram em Frankfurt não aumentar a linha de emergência a que podem recorrer os bancos gregos e “ajustar” a redução de valor dos colaterais que apresentam junto do Banco Central da Grécia. Há uma ameaça real de colapso bancário. [Jorge Nascimento Rodrigues, aqui]

Alexis Tsipras telefonou a Mario Draghi ao início da noite desta segunda-feira. ao início da noite. Noutro telefonema, Lagarde comunicou a Tsipras que o FMI não liberta mais fundos para a Grécia, enquanto o Governo de Atenas não pagar as dívidas em atraso [Manuela Goucha Soares, aqui]

Deixar sair é deixar cair. É deixar a Grécia tombar para vala incomum da catástrofe humanitária. É deixar os bancos colapsarem e pagar parte do prejuízo – não veremos um chavo. Mas o “não” do referendo não criou esse risco, confrontou a Europa com ele. Os gregos já estavam feridos pela seta, no referendo escolheram o risco de empurrá-la pela barriga adentro para que saia pelas costas. Mas quem quis matar politicamente Alexis Tsipras revigorou-o. Queriam um sonâmbulo, saiu-lhes um funâmbulo, um político meio doido que faz o inesperado e, podendo estatelar-se, salta. Basta que o BCE deixe de apoiar e a ruína chega em poucas horas. [Pedro Santos Guerreiro, aqui]

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Desisto. Que venha, então, Moisés com os 10 Mandamentos


Há seis mil anos, quando um cabeludão descia um morro carregando pedra, ele era considerado maneiro. Hoje em dia, isso é crime. Mas uma coisa nunca mudou: onde houver um "Silas Malafaia", as "Marilias Gabrielas" vão atrás.



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E que me desculpem o humor numa hora destas mas acho que isto já só lá vai com uma sonora gargalhada na cara dos estúpidos que não estão à altura das funções que desempenham. Que algumas atarantadas, algumas coisinhas e coisinhos, alguns camilos, alguns beatos à mistura com umas quantas virgens achem que estas coisas são como gerir a mesada das crianças, eu ainda desculpo, tenho um coração grande, que hei-de fazer? Mas que gente paga a peso de ouro para estar à frente das grandes instituições da Europa tenha o mesmo tipo de raciocínio é que a mim até já me dá vontade de rir.

Rir. Rir na cara deles. Rir na cara desses brincalhões.. 
É que ou é por mal, por estupidez ou, então, por um estranho de sentido de humor que só lhes dá para fazerem e dizerem disparates. Na volta, querem mesmo é que a gente se lhes ria na cara, na volta não passam disso mesmo, de uns brincalhões. De uma espécie de vice-irrevogáveis brincalhões que não respeitam a pobreza dos outros nem querem saber da miséria e do medo que as suas palavras e decisões provocam na vida de tanta gente.
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E, acabado de receber por mail de Leitor a quem agradeço, eis o Tsipras e o espanto da Merkel (que pensava que ele era um coelhinho manso ou uma marilú).


Não sei quem é o autor da piada para aqui deixar o respectivo crédito.
Mas concordo com a observação.

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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Ver o futuro nas cartas do Tarot --- [Esqueço o 'Paulo Macedo e quando a gestão de pacotilha tem como efeito colateral a morte'. Esqueço o 'BCE e quando o poder do dinheiro não respeita a cidadania' e, para me distrair, deito as cartas e, surpreendentemente, vejo a realidade ali descrita e o futuro antevisto de uma forma que me deixa perturbada]


No post abaixo falei de festas, convívios dançantes, malícias inocentes, Janis Joplin, Miss Dior e outros.

Mas isso é a seguir. Aqui, a conversa é completamente outra. 









Devo confessar que tinha escrito um outro post cujo título era 'Quantas mais mortes tem que haver por falta de cuidados para que Paulo Macedo se demita? Quantos mais mortes têm que pesar na consciência de Passos Coelho para que ele se demita?' mas depois apaguei. 


Há assuntos que me doem ao ponto de só me apetecer falar à bruta (mas mesmo muito à bruta). Contudo, a verdade é que acho que aquelas criaturas já só me merecem desprezo. Nem sequer raiva. Só desprezo.

Tenho um seguro de saúde que me permite recorrer à medicina privada e por isso não falo por mim. Quando me insurjo, falo por quem não tem seguro privado, não tem poupanças, não tem um bom ordenado, falo por quem morre por não ter dinheiro para pagar o tratamento, por quem está horas num corredor, ao frio, por vezes até à morte. Não falo sequer pelos meus pais que têm igualmente um seguro de saúde. Nem pelos meus filhos que felizmente também o têm. Falo por aqueles cujos pais ou filhos têm que se sujeitar ao tratamento desumano a que criaturas disfuncionais como Paulo Macedo, Maria Luís Albuquerque, Paulo Portas, Passos Coelho os obrigam e a que Cavaco Silva fecha os olhos.



Depois li que o BCE está a tirar o tapete à Grécia. 


BCE deixa de aceitar dívida grega como garantia para financiar a banca do país

in Ironikamente

Há qualquer coisa de perverso nesta Europa. A UE e todos os seus organismos são uma criação das pessoas da Europa. O Banco Central Europeu é uma instituição que existe para defender a moeda e a saúde financeira dos países em que vivem pessoas. E, no entanto, as criaturas não se ensaiam nada para devorar os seus criadores, para aniquilar as pessoas para as quais deveriam trabalhar. Pode ser que isto seja uma medida de pressão, pode ser uma coisa que não seja para levar a sério e, sobretudo, pode não ter grande impacto directo, e não tem, mas tem efeito psicológico e é, de qualquer forma, uma pedrada na esperança e ofende o esforço hercúleo que os corajosos homens do Syriza estão a tentar levar a cabo para salvar o futuro da Grécia. Acredito que Varoufakis vai saber reagir em força e que Alexis vai saber suavizar o dislate mas, por coisas destas, se vê que esta Europa está a precisar de um abanão a valer.

Esta gente não se enxerga. As populações já não suportam esta forma mesquinha de tratar os povos. Têm sido estes estúpidos burocratas com as suas estúpidas reacções e aberrantes resoluções que têm trazido a instabilidade aos sacrossantos mercados e a fome e o retrocesso para os países abrindo a porta a movimentos xenófobos, racistas, perigosamente extremistas.

Não fosse o Um Jeito Manso um blogue de família e a ver se não rematava este assunto com uns palavrões a preceito. É que já só tenho vontade de os mandar para o raio que os parta mas com o valente vocabulário do Norte, caraças.




Mas também não quero falar nisto. Cansa-me e cansada já eu estou desta cambada toda. Já o disse aqui várias vezes. Não sou filiada em partido nenhum, nunca fui nem me vejo a seguir acefalamente o que quer que seja pois lealdade a princípios (que prezo) é uma coisa e fidelidade canina é outra e aí, santa paciência, mas não me apanham. A maior parte das vezes, nas legislativas, tenho votado no PS mas já votei de maneira diferente e assim o farei sempre que achar que há melhor alternativa. Seja como for, se agora apoio a luta das gentes do governo grego é porque me parecem mais do que justas e legítimas as suas pretensões e porque acredito que não é sangrando uma população até à penúria mais humilhante que se vai conseguir fazer alguma coisa por aquela gente. Por isso, não é por estarem significativamente à esquerda do partido no qual mais vezes votei que os vejo como uma ameaça. Têm mostrado patriotismo, argúcia, pragmatismo e coragem. E tomara que não verguem. Muitos Duartes Marques, Passos Coelhos e outras fracas figuras encontrarão certamente pelo caminho e o que desejo é que estes bravos gregos que agora por aí andam a tentar convencer os seus parceiros de que merecem ser ajudados não desmereçam quando encontrarem inesperados escolhos no seu caminho.

Mas não vou falar nisto.




Para verem do que me lembrei há bocado quando estava a tentar desviar a cabeça de tanta porcaria e miséria: fui à procura e encontrei o meu Tarot. É muito bonito este que aqui tenho, é o Tarô Da Vinci.

Sei que me repito mas, a quem veio aqui parar sem me conhecer, digo: sou dos números, dos modelos. Não vivo de fantasias nem me posso dar ao luxo de me deixar arrastar por rêveries. E sou agnóstica.

E, no entanto, a minha mente abre-se a toda a espécie de acasos, de inexplicações.

Agora andava esquecida do tarot mas sempre me pareceu tudo muito acertado. Como sou preguiçosa nunca me aperfeiçoei muito. Mas nem é por ser preguiçosa, é mais por achar que, sendo tanta coisa nesta vida um mero acaso e sendo a razoabilidade disto tão improvável, mais vale deixar estas coisas na base do improviso, do deixa lá ver.

Faço, pois, o mais simples.

Penso numa questão que gostava de ver esclarecida, mas penso mesmo concentrada, e depois parto o baralho, faço três montes, tiro a carta de cima de cada monte e disponho-as de uma certa maneira. Depois vou ao livro e interpreto.

Fiz isso a propósito de um certo assunto de índole pessoal (nada a ver com políticas). Concentrei-me mesmo enquanto pensava na dúvida, como se fizesse uma pergunta e a pergunta viesse do mais fundo de mim. Dispus as cartas e depois fui ler o significado delas naquelas posições - e, como sempre acontece, até me arrepiei, as coisas que aquilo me dizia, senhores. Estou a escrever isto e com vontade de parar para ir reler e prestar mais atenção porque, de tão incrível, li quase sobressaltada. 

Não me perguntem se eu acho que há alguma explicação ou se é tudo maluqueira, metafísica, coincidência ou anormalidade da minha parte porque não sei responder. Mas que eu faço isto e obtenho respostas que me deixam estupefacta e arrepiada lá isso é verdade.

E agora vou mesmo parar por aqui pois há ali algumas coisas que me deixaram francamente intrigada, tenho que reler e tentar interpretar com mais calma. Mas, só de pensar, já estou a sentir um certo nervosismo. A sério.

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As imagens talvez não tenham muito a ver com o texto mas apeteceu-me tê-las aqui. São fotografias de vários fotógrafos muito cá de casa (Tim Walker, Mario Testino) e que eu apenas porque estou cheia, cheia, de sono não identifico e mostram criações de um grande da moda precocemente desaparecido. Se eu pudesse não perderia a exposição Alexander McQueen: Savage Beauty exhibition at the Victoria & Albert Museum.

A música é Joan of Arc interpretada por Jennifer Warnes & Leonard Cohen

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Relembro que a Miss Dior que ouve Janis Joplin vem já a seguir

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira 
(e fazem o favor de se agasalharem, sim?)

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sexta-feira, janeiro 23, 2015

Salvé Mario Draghi! Venha daí essa injecção de liquidez que já devia ter vindo há uns anos e que, por não ter vindo, tanta miséria causou a tantas famílias. Resta ainda saber se vai ser bem aproveitada mas isso são outros quinhentos. Entretanto, divertido vai ser ver os vira-casacas, os que só queriam austeridade e que agora já aí andam a deitar foguetes como se sempre tivessem defendido a compra de dívida por parte do BCE. Lobo Xavier já mostrou como vai ser. Aos mais sensíveis recomendo que nem ouçam nem vejam porque é pouco recomendável e muito pouco higiénico.


Quem por aqui me acompanha deste o deflagrar da crise financeira sabe que tenho defendido a solução que Mario Draghi hoje, finalmente!, desbloqueou.

Há cerca de cinco anos que os EUA estão a fazer isto, a colocar o dinheiro em circulação. Só gente muito burra (ou forças contrárias anulando-se entre si, ou moscas mortas, ou vendidos) poderia acreditar que o problema português era só português e resultava de esbanjamento, e que a solução para o problema era secar a economia.

Passos Coelho, tal como os que o apoiaram, não sabe - porque, do que tenho percebido, não tem cabeça para mais - que a coisa pior que se pode fazer a um país é secar a liquidez.

Reduzindo o rendimento disponível das pessoas (ou por corte de ordenados, ou por brutal aumento de impostos ou por fomentar desemprego ou emigração), o edifício económico desmorona ainda mais rapidamente.

As absurdas medidas de austeridade acéfala ainda poderiam ter algum efeito benéfico se aplicadas a um país fortemente industrializado e/ou fortemente exportador que aguentasse uma redução abrupta da procura interna. Acontece que, fruto de políticas nefastas - muitas delas do tempo de Cavaco primeiro-ministro - a indústria, as pescas e a agricultura foram reduzidas à sua ínfima expressão e, portanto, embora alguns governos, entre os quais o de Sócrates, tenham tentado (e em alguns casos mais ou menos conseguido) relançar a industrialização, o que acontece é que o tecido económico é muito frágil e, portanto, nunca poderia resistir a uma drenagem como aquela a que se assistiu de há quase quatro anos para cá.

Claro que não foi só Passos Coelho, Paulo Portas, e os que apoiam a actual coligação no poder: não, esta foi a linha Merkel, que alguns cães de fila seguiram.


No entanto, se há país que, em parte, contribuíu para o estado fragilizado das finanças dos países que mais sofreram, esse país é justamente a Alemanha (tal como os outros países que assentam a sua estratégia na exportação pura e dura). A esses países nada convém mais do que países frágeis que importam tudo o que eles para lá querem enviar. Os países frágeis importam os produtos e endividam-se juntos dos seus bancos (vide o caso do Deutsch Bank), e portanto pagam, quer os produtos quer os juros - e os alemães e os seus amigos esfregam as mãos de contentes porque estão sempre a facturar.

Portanto, fomos vítimas da ganância de todos os que gostam de ganhar muito à custa dos mais carentes. 

A vinda da troika serviu apenas para que se pagasse aos bancos alemães e a todos quantos temeram não reaver a dívida. Que, para isso, os portugueses, gregos e outros pobres, tenham ficado ainda mais pobres, que o desemprego aumentasse, que os apoios aos desempregados e pobres tenham diminuido, que os direitos dos trabalhadores tenham ficado quase reduzidos a nada, que o Serviço Nacional de Saúde esteja na miséria que está, que o Ensino Público caminhe para o descrédito, etc, ... isso foram efeitos secundários para os quais Passos Coelho, Paulo Portas e a sargenta Merkel se estão bem nas tintas.

Por isso, só posso ficar contente com a compra de dívida que o BCE anunciou. Comprando dívida, injecta dinheiro.

Mas atenção, ainda não sei bem como é que isto vai funcionar.

O BCE vai comprar dívida aos bancos. E, portanto, quem vai ficar com as contas mais arejadas é, numa primeira análise, o sistema bancário.


Se bem estou a ver, o benefício vai ser indirecto: os bancos vão ter dinheiro livre para emprestar. Estando os juros baixos, as empresas vão poder beneficiar de crédito para se relançarem. Por outro lado, o Estado, tendo menos juros para pagar por via da compra também de dívida pública, poderá reduzir impostos pois a despesa relativa ao serviço da dívida deve ser reduzido.

Isto, sem ter podido ainda ler o que quer que seja sobre o assunto, é o que me parece.

Ora, para que tudo isto reverta favoravelmente para o comum dos cidadãos é necessário que o Governo retome uma política de apoio à economia, quer lançando investimentos reprodutivos, quer apoiando o relançamento da indústria.

[E não é apenas Portugal que deve sofrer um rápido mudar de agulha na sua condução: é também a UE como um todo. Ou a Europa quer afirmar-se como uma potência forte, desenvolvida, coesa, ou nada disto surtirá efeito, será dinheiro que os fundos abutres e outras almas iluminadas não tardarão a farejar, descobrindo a forma de o surripiarem airosa e rapidamente.]

Em Portugal, obviamente que um governo decente (não este desgraçado que ainda está em funções) fará mais do que o que acima referi: relançará em força o apoio ao ensino e à investigação, reconstruirá os serviços públicos vitais ao funcionamento de qualquer país desenvolvido tais como a saúde, a justiça, os apoios sociais. 

Estou a ser minimalista pois não estou em campanha nem quero aqui fazer um programa de governo às três pancadas, mas há uma coisa que eu sei: este miserável governo, constituído por gente que maltratou e humilhou o povo português, não poderá continuar em funções já que durante quase quatro anos defendeu com unhas e dentes as sinistras medidas que quase destruíram o país.

Contudo, há coisas que já se perderam e isso não se resolverá com tudo aquilo de que tenho estado a falar: refiro-me à venda das empresas mais estratégicas a outros Estados ou a empresas estrangeiras de mérito duvidoso. Grande parte do valor criado em Portugal se perdeu ou virá a perder por via da venda da EDP, da REN, da ANA, de bancos, seguradoras, correios, cimenteiras, algumas águas e sei lá que mais.

No meio desta hecatombe, o governo assistiu ainda passivamente à desregulação, queda e desmantelamento de grandes grupos nacionais como o GES/BES e PT.

Tudo isto é uma irreversível perda para o País que lamento tanto, tanto. E, por tanto lamentar quero, com todas as minhas forças, que se abram rapidamente caminhos de esperança.

Não sei quantos anos vão ser precisos e qual a dimensão do apoio de que Portugal vai necessitar para se levantar e poder recuperar alguma da sua soberania e dignidade, e para os portugueses voltarem a acreditar no seu futuro. Mas acredito que a medida de Draghi abre caminho para que um governo decente possa vir a trabalhar nesse sentido e para que a Europa volte a poder ter esperança de ser um lugar de progresso, inclusão e liberdade.

Entretanto, enquanto escrevo estou a ouvir a Quadratura do Círculo e estou espantada, chocada, siderada, com a súbita viragem de casaca de António Lobo Xavier que aplaude a medida do BCE, critica a austeridade, lamenta os anos perdidos em que se andou a destruir valor. Há gente sem vergonha na cara. Já há bocado, ao vir para casa, tinha ouvido um qualquer do PSD a regozijar-se com esta medida com a cara de pau da gente sem vergonha, gente que parece que pensa que os portugueses são mentecaptos e amnésicos, como se toda a gente não soubesse que fizeram de tudo para secar a economia sob o argumento beato de que os portugueses tinham que empobrecer para expiar os pecados anteriores. E li que Pires de Lima é outro que já para aí anda a saracotear-se como se há muito tempo defendesse isto. Que cara de pau, senhores! Gente assim faz mal a um país, caraças!


Mas os portugueses não são parvos e saberão mostrar que estão fartos de ser molestados para nada. Para nada! Anos perdidos para nada. 

Se Passos Coelho e Paulo Portas fossem homens de verdade, se tivessem um pingo de sentido de Estado, demitiam-se já. Já. Já! com ponto de exclamação e tudo. E pudesse eu encher o texto de pontos de exclamação sem, com isso, dificultar a vossa leitura, palavra que o fazia (já que não posso correr com esta laparada e companhia a pontapé)

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sexta-feira, setembro 05, 2014

François Hollande e as suas belas três mulheres - daqui lanço outra vez o mesmo apelo: alguém me explica qual o segredo do homem? E não me refiro apenas agora à Valérie Rottweiler que, roída de ciúmes, não descansa enquanto não fizer sangue. Não, refiro-me mesmo a elas todas.








Ora bem. Queria falar ontem, não falei, falo hoje. Valérie, 49 anos, mais conhecida por a Rottweiler, fez aquilo que se temia: começou a vingar-se. 

Não sou muito de dar conselhos mas se há um que sempre dou é que há que ter cuidado de uma mulher que seja possessiva e ciumenta. Mulheres assim são um perigo.


Conheço de perto vários casos em que mulheres normais viraram temíveis feras quando se viram trocadas por outra. Temíveis!

Admito que um homem experiente ou com algum savoir faire saiba lidar com a tormenta que pode vir dos lados da mulher enganada mas, mesmo assim, acho melhor não arriscar. Uma mulher que seja focada, que seja de criar dependências emocionais em relação a um homem, torna-se destemidamente perigosa quando se vê abandonada e trocada por outra. Só não fará a vida do homem e da nova mulher num calvário se, pelo meio, se for abaixo.

Valerie Trierweiler é um desses casos. 

Vivia o maravilhoso e irresistível Hollande (agora com 60 anos), ainda com a mãe dos seus quatros filhos, Ségolène Royale (agora também com 60 anos), quando Valérie, jornalista, fazia um trabalho sobre Ségolène. No decurso do seu trabalho conheceu a fera e não resistiu: tamanho era o encanto que ele emanava que a bela Valérie lhe caiu nas malhas. 


França acordou incrédula quando soube que François, o totó Hollande, andava a enganar a bela Ségolène com uma flamboyante femme

Perante a espada ao peito de Valérie e perante a opinião pública, François não teve como não assumir o romance. Ségolène passou à historia (com grande dignidade, diga-se) e a nova Primeira Dama francesa, a que viria a ocupar o Eliseu, foi a sexy Valérie.

Controladora, possessiva, apaixonada pela beldade Hollande, Valérie parecia viver em permanente estado de alerta. As mulheres ciumentas são assim, nunca baixam a guarda e, portanto, nunca estão em paz. A opinião pública nunca foi muito à bola com ela. Mas progressivamente a opinião pública já estava era também enjoada de François Hollande. Um banana, um zé ninguém nas mãos de Merkel, uma desilusão para a esquerda, um pequeno e inútil badameco.

Eis então que a França volta a acordar estremunhada, quase em estado de estupor catatónico: Hollande andava de novo a aprontar. Desta vez com uma artista de cinema, Julie Gayet, agora com 42 anos, gira todos os dias, bem mais nova e, qual adolescente disparatado, aparecem fotografias com ele de capacete, a andar de lambreta, e que o segurança ia levar croissants quentinhos aos pombinhos que, pela manhã, ainda estavam no quentinho do seu ninho de amor.

Tal como toda a França, Valérie soube nesse dia, pelas notícias, que o seu Romeu andava a mijar fora do penico. Com os nervos, tenta enfrascar-se em drunfos, o namoradinho impede-a, ela cai de madura, um piripaque, é internada. E, quando sai do hospício, sai também do palácio presidencial. Disse depois que parecia que um comboio lhe tinha passado em cima. Hollande, a fera, tinha voltado a atacar.

Despeitada e amargurada, Valérie foi curar-se para outro lado.

Curar-se...?

Qual quê? Mulheres possuídas pelo ciúme e pela raiva não fazem por curar-se: tentam por todos os meios, isso sim, fazer a vida negra a quem as faz sofrer.

Trezentas e tal páginas de vingança aí estão, Merci por ce moment: que ele a assediava a torto e a direito, entre uma conversa com Obama e outra com Putin enviava-lhe sms de forma desvairada, queria tê-la de volta, só falava em reconquista, enviava-lhe flores. Chegaram a ser 29 sms por dia, um perfeito assédio. 


Andaria, então, com a sua nova namoradinha e a enviar sms apaixonados à ex. E, em suma, que é um parvo, que é uma criatura que não sabe o que quer. Duplamente parvo: não apenas a ser parvo como a ser parvo por escrito, deixando provas. E que, segundo ela conta, trata os pobres por desdentados. E que mais não sei o quê.

Esta quinta feira as imagens mostravam na cimeira um Hollande acabrunhado, enfiado, pequenino, ao telefone. Imagino, nem devia saber onde se meter. Se fosse outro, ainda alguém poderia achá-lo o galã da UE, agora, com ele, só o podemos achar o totó da UE.

De uma só cajadada, Valérie, a Rottweiler, deixa-o mal perante a Julie, que agora não mais poderá confiar no seu belo Apolo, perante os pares dele que, de cada vez que o virem ao telefone, vão pensar que não é nada a ver com assuntos de Estado, que deve ser assunto é de braguilha, e deixa-o mal perante todos os franceses que ficam a saber, preto no branco, que têm à frente do seu País uma anedota.

E tudo isto poderia ser romanesco, ter um toque de trovadoresco, haver nisto qualquer coisa de glamouroso. 

Mas eu olho para isto e só vejo uma série cómica. Um fenómeno, um coiseco perante quem mulheres fascinantes tombam apaixonadas.


E olho para três mulheres belas, de personalidades fortes, e interrogo-me: caraças, mas o que é que o Hollande tem?

É que o pior é que quem convive com ele diz que o tipo não tem préstimo, que não resolve nada, quer agradar mas que nem se percebe o que diz ou pensa porque se especializou em dizer coisas que não o comprometem.

O ministro da Economia que recentemente se demitiu e ia provocando uma crise, Arnaud Montebourg, disse dele as piores coisas. Nada que causasse espanto.

Ora, mesmo que, por absurdo, o segredo da coisa estivesse num inesperado tesouro guardado por trás da braguilha, mulheres inteligentes costumam apreciar homens inteligentes, com carisma, ideias fortes, capacidade de decisão, não apanhados em verde como o Hollande..

Não é estranho? Se fisicamente é o que se vê, se em termos de carácter é o palerma que toda a gente descreve, então, caraças, o que é que estas três mulheres vêem nele? 

A Ségolène continua a defendê-lo, a Valérie por aí anda possuída e a Julie parece que continua apaixonada e namoradinha.


Alguém me explica este fenómeno?


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Hollande, le ridicule



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A música lá em cima é J'ai deux amours numa interpretação de Madeleine Peyroux porque, enfim, assim como assim, admito que, apesar da robustez, Hollande não costume ter mais do que dois amores de cada vez. mas já não digo nada.


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Por vezes sou traída por mim própria: tinha fotografias de casais e de barcos e de uma marinheira de se lhe tirar o chapéu, já para não falar da vida de Sebastião Salgado que anda pendente há dias, mas chegámos tarde do centro, os restaurantes cheios, cheios, com fila para entrar, não dá para acreditar, e depois pus-me a ver a Quadratura do Círculo e atrasei-me, comecei isto muito tarde e, depois, escolher fotografias e vídeos e mais não sei quê para isto que acabaram de ver e agora dou por mim e já passa bem da uma e meia. Ora como a alvorada aqui no quarto é cedo e, logo depois do pequeno almoço, há caminhada a fazer (esta quinta-feira foram 6 km de manhã e depois mais 3 à tarde), não posso apresentar-me na formatura a dormir em pé. Por isso, com vossa licença, hoje fico-me por aqui mesmo.


Claro que fico com pena de também não comentar as boas notícias que nos chegam dos lado do Super-Mario Draghi. Parece ser o único homem que não tem medo de Merkel. No meio de uma Europa conduzida por um cherne sem neurónios nem coluna vertebral, no meio da maior burocratização, no meio de gente com interesses contrários e sem liderança, ele lá vai tentando fazer qualquer coisa. As medidas anunciadas são boas, visam o estímulo económico e tomara que os anormais todos que por aí andam a destruir a Europa e, em particular, alguns países, não venham arranjar maneira de tentar neutralizar o que ele está a tentar fazer. Mas, enfim, isso levar-me-ia para outras profundidades e eu, por estes dias, estou mais dada à superficialidade.

Helder Rosalino, o grande Banqueiro Central


(conforme notícia do Expresso)


Ah é verdade, e queria ainda dizer que agora é que vou, finalmente, ficar mais descansada em relação ao Banco de Portugal. Sabido que é que o Charles da Costa Butterfly não dá uma para a caixa, conforme o seu amigo Aníbal fez questão de reforçar publicamente, e sabido que o Pedro Passos Láparo anda a fazer de conta que a embrulhada da Nova Butterfly é coisa só do pai, o dito Charles, era notória a necessidade de reforçar competências, especialmente alguém muito experiente e com tarimba à altura de Teodora Cardoso que está de saída. Ora bem: problema resolvido. O meu grande amigo três cabelos, o Helder Rosalino, vai agora ser a Rosa Linda que lá faltava. Agora a Butterfly já tem onde pousar. Daqui, pois, me manifesto toda cheiinha de júbilo: viva o Rosalino, banqueiro central, viva!


Mas hoje já não dá. Logo organizo uma partyzinha à altura dele um dia destes.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores uma bela sexta-feira. 
E, por favor, que ninguém me recorde que já é sexta-feira. Não quero...


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quinta-feira, agosto 28, 2014

Uma proposta do UM JEITO MANSO para polícias e jornalistas: em vez de meets pífios e sem graça como este que protagonizaram no Colombo, porque não organizam antes Flash Mobs animados para a malta curtir?


No post abaixo já vos dei conta de como os homens são uma raça frágil, limitada e muito dependente da contraparte feminina. 

Brincadeirinha, claro. E o facto de ter escolhido um gato de primeiríssima água para animar as hostes femininas e as masculinas que militam no sindicato pink, mostra bem que perdoo grande parte das falhas que apresentam.
Lembro-me agora que, na lista das falhas, há pelo menos mais uma em falta: nunca encontram no supermercado o que se lhes pede e, em vez de irem à procura de um funcionário para se informarem, decretam logo que não há e não trazem nada ou trazem uma coisa que não tem nada a ver com o que se lhes pediu. Podia referir coisas ainda mais curiosas como terem que fazer uma certa ginástica mental para saberem a idade dos filhos mas, enfim, para quê falar de pormenores...?

Mas isso é no post a seguir a este. Aqui, agora, a conversa é outra.


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Eu não sei se isto é só comigo ou se há mesmo uma escassez danada de assuntos com interesse. Gosto de falar do ar do tempo mas o ar parece que se rarefez.

[Bolas, como me sinto anormal ao dizer isto... Já aqui o confessei tantas vezes: sei que há mil coisas graves, diabólicas, terríveis a acontecer. Ébola, refugiados, guerras. Sei, então não sei? Mas não consigo falar disso aqui, juro que não consigo. São assuntos sérios demais para os misturar com graçolas.]
Podia falar do  Wolfgang Schäuble a deitar um baldinho de água fria nos que já estão a deitar foguetes com o fim da austeridade que se adivinha na vontade de Draghi. Diz o lobo mau: "Draghi foi mal interpretado". Não foi isso que acharam os franceses que, titubeantes como tem vindo a ser seu apanágio nestes tempos de homens frouxos (refiro-me à política porque, na cama, aparentemente não se pode dizer isso e aqui estou a pensar, em particular, no chefe deles, o quebra-corações Hollande Piu-Piu), lá disseram que apoiam a tese de Draghi nem, em especial, os italianos que, cheios de sangue na guelra, saltaram a terreiro: "Estou em perfeita sintonia com Mario Draghi", afirmou o ministro das Finanças italiano. "A Europa está numa encruzilhada: ou se mantém na deflação e no baixo crescimento, ou então dá um golpe de rins e aposta em reformas estruturais e numa cconsolidação orçamental que sejam ‘amigas do crescimento’", disse Pier Carlo Padoan.
Mas vou falar disto para quê? O Draghi faz o que quer e lhe apetece. Felizmente até parece que, apesar de ser homem da Sachs e um forte elo de ligação da Trilateral, tem algum bom senso. Mas, se o não tiver, pode virar os países de pernas para o ar que ninguém lhe irá à perna. Quem regula o BCE...? Ninguém. Se a coisa der para o torto, olhem, azarinho.
É como nisto dos franceses: como é possível um país como a França estar nas mãos de um coitado, que não inspira nem motiva, nem tem garra nem personalidade? Não sei o que deu nos socialistas. Parece que brocharam, como dizem os brasileiros. Um dó de alma.


Tenho uma certa expectativa em relação ao rottamatore Renzi que, de resto, não é um socialista convencional, mas deixa lá ver como é que ele se aguenta. Ainda não percebi bem se aquilo é só garganta ou se os tem no sítio.
 Por isso, vou estar a falar nestes assuntos para quê? 
Já agora: a propósito de organizações e países entregues a Chernes, Hollandes, Rajoy, Láparos, Seguros... - homens que, para alem das questões comportamentais conhecidas, por questões até fisionómicas fazem de tudo para os proteger deixando o resto para segundo plano - deixem que partilhe convosco este anúncio da marca Jockey.






Bem, mas dizia eu que no meio do que não tem aqui cabimento ou do que não me interessa ou das tretas que encharcam a comunicação social, são as parvoíces que continuam a despertar o meu interesse.

Eu só espero é que, quando as férias acabarem, eu recupere o meu tino habitual porque, se continuo nesta onda, chego lá e só me dá para me interessar pela qualidade do papel das mãos ou, sei lá, para tecer comentários a propósito da celulite da Sónia Badalhoca.






Por exemplo, de tudo o que li que aconteceu nesta quarta-feira, o que me despertou a atenção foi o que não aconteceu. 

Estavam as televisões todas mobilizadas para o grande meet do Colombo, os jornalistas a postos, e mais os polícias, tudo ali em red alert e, afinal de contas, quem lá apareceu foram apenas os próprios jornalistas e polícias. Achei delicioso. Imagino a cara de totós deles, a olharem uns para os outros, sem motivo para traulitada nem dramas para noticiar - .... e os putos em casa a rirem-se. 

E imagino a paródia que deve ter sido para os clientes do Colombo a verem os cerca de 30 jornalistas todos a postos, e mais uma data de polícias e isto já para não falar nos seguranças, que, face à ausência de baderna, não tiveram outro remédio senão bater em retirada, a pegarem nas câmaras e microfones, nos escudos e viseiras, rabinho entre as pernas, a ver se ninguém dava por eles.

Face a isto, o que me ocorre é que, para a próxima, sejam mais criativos. Para não parecerem uns coitados que caíram na esparrela de um bando de putos, encenem um flash mob (não sei se há tradução para isto por isso uso o anglicanismo), disfarcem, cantem e dancem, encenem uma coreografia, façam de conta que estão lá para isso e não para intervirem num meet que não vai acontecer. 


Agora a sério: acho graça a isto dos flash mobs. No outro dia houve um muito bonito em Coimbra.


Flash Mob em Coimbra | Coimbra é uma lição...




[Coimbra foi surpreendida por "Coimbra é uma lição...", uma flash mob protagonizada pelo Coro dos Antigos Orfeonistas, com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra].


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Um que acho muito empolgante é este aqui abaixo.

 Flash Mob no TEDxRiodelaPlata 2013
Brindisi de la Traviata de Verdi





[Direcção Musical: Sergio Feferovich; Soprano: Laura Sangiorgio; Tenor: Emmanuel Faraldo; Coro "Clave de Sí"; Coro "Provisorio"]


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E há um outro que é de uma animação que dá gosto. Uma pessoa até fica com pena de não ter estado lá para também cantar e dançar. Quando as pessoas estão juntas a cantar e dançar cria-se uma energia fantástica, contagiante.


O Do Re Mi na estação de comboios de Antuérpia 





Este foi para um anúncio da VTM

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Aqui fica pois a sugestão e possíveis fontes de inspiração para próximos meets participados por polícias e jornalistas. Fico à espera. Surpreendam-me.


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Permitam-me: para verem um Gandy que redime toda uma raça, desçam por favor até ao post já a seguir. Infelizmente e segundo me dizem as minhas amigas que andam a ver se arranjam algum que se aproveite nem é verdade que esteja a Raining Men nem os poucos que chovem por aí são do calibre deste belo Gandy. Mas, enfim, não se deve desesperar pois há horas de sorte. Ainda há bocado recebi um mail a dizer que fui contemplada com um prémio do Euromilhões. Foram só 13 euros mas fiquei contente: é a sorte a aproximar-se.


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A ver se amanhã estou mais concentrada para escrever coisas mais jeitosas. Comecei a ler um livro de que talvez vos fale. Logo vejo.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira!


domingo, junho 22, 2014

'As más contas da “mercearia da senhora Thatcher”', um artigo muito interessante de Mariana Mortágua publicado no Expresso


No post abaixo já desvendei o mistério do intrigante iate que está há uma semana no Tejo, mesmo em frente da Baixa Lisboeta. Só me falta agora ir a nado até lá, escalar a amurada, infiltrar-me e, de lá, enviar uma reportagem fotográfica para que possam testemunhar o que é qualidade de vida.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Se lá em baixo entramos no mundo dos muito ricos, aqui, agora, encontramos parte da explicação para que haja tantas desigualdades.


Mariana entre cravos

Um Leitor a quem muito agradeço enviou-me o artigo da Mariana Mortágua, uma jovem economista que interrompeu o doutoramento em Londres para se vir meter em trabalhos. É deputada pelo BE e, do que lhe tenho ouvido, é inteligente, frontal, ainda não poluída e uma excelente oradora. Se não se cansar da politiquice malsã portuguesa, entregue a carapaus de corrida e a perus embalsamados, transformar-se-á, a curto prazo, em alguém de quem se vai ouvir falar e que valerá apenas ouvir com atenção.


O artigo está muito bem feito: claro, estruturado, objectivo.

Transcrevo-o na íntegra pois há temas sobre os quais deveremos estar informados para que, no futuro, não voltemos a deixar-nos enganar com excessiva facilidade. 

De facto, com que facilidade grande parte da população portuguesa aceitou o embuste de que estava a gastar mais do que devia, que havia demasiados investimentos públicos, que tudo isso deveria ser travado... 
Qual o resultado de tudo isso? Eu respondo: recessão, desemprego, empobrecimento, retrocesso social e civilizacional.  
Parte do dinheiro foi deslocada dos bolsos de quem trabalha e dos fundos da segurança social para alimentar e mal os desempregados e, a maioria, para pagar juros agiotas a especuladores financeiros.

Nada do esforço e sacrifício serviu para o bem do País e dos Portugueses. Nada. Sem investimento público, sem liquidez circulante, a vida económica do País entrou em letargia.

Não sei se ainda haverá algum burro que acredite na bondade das teorias que criaturas como a Albuquerque, o Moedas, o Passos, o defunto Borges e outros que tais impuseram a Portugal. Duvido.

Mas, sem mais palavras, eis o artigo:


Se Margaret Thatcher tinha um fetiche, era o sadomonetarismo. O termo foi mesmo cunhado no início dos anos 80, para descrever a obsessão orçamental e monetária da Dama de Ferro, que tornou o Reino Unido um centro financeiro em troca de mais 2 milhões de desempregados. 

Para justificar o fetiche, Thatcher fez o melhor uso do seu conservadorismo popular. Com ele criou uma imagem à imagem do seu pai, respeitado merceeiro, e com ela muitas outras. Criou imagens sobre a economia do país a partir de exemplos da economia doméstica. Acontece que um país não funciona nem um bocadinho como a mercearia do Sr. Alfred Roberts. Um exemplo?

Para o Sr. Alfred seria muito útil se o seu fornecedor entrasse num processo de deflação, uma quebra generalizada nos preços que pratica. Poderia assim baixar os seus próprios preços, vendendo mais barato (e até com mais lucro) aos clientes da mercearia Thatcher. 

Mas se isto funciona para o sr. Alfred, por que não haveria de funcionar para o resto da economia? Do ponto de vista doméstico, supermercados, restaurantes, todos têm incentivos para baixar os preços. Do ponto de vista doméstico, também faz sentido esperar. Empresas adiam investimentos, famílias adiam consumos maiores, bancos adiam empréstimos, tudo espera por melhores negócios. Todos adiam aquilo que faz crescer a economia e, com isso, adiam os impostos que pagam, criando problemas nas contas públicas. 

Para quem está endividado a situação complica-se ainda mais. Com a queda dos preços na economia, a casa que servia como garantia ao empréstimo perde valor, e a dívida aumenta em proporção. O mesmo acontece com todas as dívidas do setor empresarial que tinham ativos como garantia. Quanto mais endividada a economia, pior.

Só há três formas de compensar o aumento do peso da dívida: vender ativos, o que reforça ainda mais a queda dos preços; pedir novos empréstimos, o que aumenta a dívida; aumentar a poupança, o que reduz ainda mais o investimento e o consumo. 

Todas estas alternativas criam aquilo a que Keynes chamou uma preferência pela liquidez. Bancos e grandes empresas preferem guardar dinheiro a gastá-lo. A correspondente falta de liquidez na economia leva os restantes negócios e famílias à falência, provocando uma tendência recessiva. 

Este processo, iniciado - em teoria - a partir da economia de mercearia de Thatcher, foi descrito e cunhado por Irving Fisher num artigo chamado The Debt Deflation Theory of Great Depressions (1933, Econométrica).

É por tudo isto que a deflação é tão ou mais perigosa que a inflação e, olhando para os dados mais recentes, tanto da zona euro como de Portugal, temos razões de preocupação. 

Por toda a Europa a austeridade, o desemprego e a obsessão exportadora criaram pressões deflacionistas, que se sentem mais nos países periféricos, onde tudo o resto também é mais forte. Nos últimos anos, o único dinheiro que entrou na economia foi enterrado nos bancos em apuros, que o guardaram ou usaram para reciclar maus balanços. 

Há quem diga que a deflação é importada, porque o euro está forte. Nada mais errado. Foram as políticas europeias que fizeram o euro forte, as mesmas que causam a deflação.

Há quem diga que a deflação na periferia faz parte do processo para reganhar competitividade no euro. Nada mais falso. A não ser que queiramos atrair capitais para novas bolhas financeiras, o fator preço não deveria ser determinante para as exportações. De qualquer das formas, a única forma saudável do o fazer seria ter a Alemanha com um forte processo de inflação, e não a periferia em deflação. 

O BCE pode e deve contrariar esta tendência. Draghi optou por continuar a inundar os bancos com liquidez e esperar que estes a passem às empresas (este assunto dava um outro artigo). O risco é que o dinheiro nunca lá chegue e sirva antes para novas bolhas especulativas. Ou que, chegando lá, sirva para trocar dívida velha por nova, uma vez que a falta de procura não permite às empresas vender mais. 

A alternativa? Que esse dinheiro seja utilizado para um plano de investimentos a partir do Banco Europeu de Investimento; que esse dinheiro sirva para comprar dívida directamente aos Estados, financiando políticas públicas expansionistas e de criação de emprego e salários. Mas isso era se a Europa não estivesse a ser governada como se fosse a mercearia do pai da senhora Thatcher.


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Nem mais. 

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E agora, por favor, não deixem de mergulhar no Air. É já a seguir.

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quinta-feira, outubro 31, 2013

Compreender a dívida pública - os truques com que nos trocam as voltas; o que está por detrás de tudo aquilo por que estamos a passar.


Depois de nos dois posts seguintes ter falado do Guião de Paulo Portas, agora aqui peço uns minutos da vossa atenção, por favor.

Convém perceber-se minimamente o que está por detrás da hecatombe que assola os países a quem a austeridade cega está a matar. 

Estes dois pequenos filmes explicam de forma bastante compreensível o que se passa. 








domingo, outubro 06, 2013

Para onde está a ir o dinheiro dos impostos e da austeridade imposta aos portugueses? - Agradecendo ao blogue Aventar a tradução e divulgação, aqui me faço eco deste vídeo que deveria divulgado e debatido em todos os órgãos de comunicação social. "Quando a Europa salva os bancos, quem paga?", é a pergunta inversa da primeira e que contém a sua resposta.


Transcrevo do blogue Aventar e da informação disponibilizada no Youtube:

Excelente documentário do canal Arte de Junho de 2013, com Harald Schumann, jornalista de investigação num diário berlinense, sobre os beneficiários dos resgates bancários na Europa - não, não foram os países nem sequer os cidadãos que com os seus impostos pagam estes regates. Trata-se de um documentário extremamente sóbrio e objectivo. Inclui entrevistas a vários ministros das finanças europeus, a ex-administradores de bancos (os actuais não dão entrevistas), a activistas, etc. Mostra quem realmente beneficiou dos resgates e mostra também as profundas consequências destes resgates.


Toda esta informação não é novidade. Interroguemo-nos sobre os motivos de, sendo conhecida e estando bem documentada, não fazer todos os dias as primeiras páginas dos jornais. Desde o inicio da crise que é evidente o que se está a passar, pelo menos para quem acompanha estes assuntos. Em 2010 falávamos disto mesmo aqui no Aventar. 

Os próprios conselheiros da Sra. Merkel admitem em público que os resgates dos bancos dos países em dificuldades servem para salvar os próprios bancos alemães.


*

Nota: Li no Expresso desta semana uma notícia que confirma o que este documentário revela. Grande parte da dívida pública portuguesa já é apenas detida por entidades portuguesas (incluindo, claro, privados). Ou seja, os credores estrangeiros já nada têm a recear da dívida portuguesa. 


É insustentável? Azarinho dos portugueses que se ela não for paga ficarão eles próprios a arder.

Cortes na dívida (haircut), perguntará a Merkel ou quem quer que assista à nossa desgraça de fora?  Azarinho deles não nosso que já de lá tirámos o dinheiro todo.

Certificados de aforro, certificados de poupança e coisa do género...? Azarinho. 

Fundo de pensões? Azarinho.

E por aí vai.

Uma selva nojenta é o que tudo isto é. Somos carne para canhão nesta guerra infecta na qual uns joguetes, uns homens de mão sem pátria sacrificam os seus concidadãos sem dó nem piedade.


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"Quando a Europa salva os bancos, quem paga?"


quinta-feira, setembro 19, 2013

Olivier Blanchard do FMI continua a alertar para o erro que é continuar a apostar na austeridade. Não é de hoje esta posição de Blanchard. Desde o final de 2011 que, aqui no Um Jeito Manso, me tenho feito eco das suas posições, sempre expostas com bastante frontalidade e coerência. Mas caíu tudo em saco roto. Até que agora que, como estamos em vésperas de eleições, dá jeito mudar de conversa e é vê-los: os pequenos Marco Antónios desta vida a virarem o discurso do avesso, armados em virgens ofendidas, a pedirem contas ao FMI. Patético. Com uma miséria de gente destas a tomar conta do País, não há-de o rating estar em risco de cair uma vez mais!


 


Olivier Blanchard é economista, francês, nasceu em 1948 e tem um aspecto que me faz lembrar o Clint Eastwood. Professor reputado, agora de licença, é também Director do Departamento de Investigação do FMI.


As suas exposições são sempre claras e não foge a formular questões incómodas.

Espanta-me o destaque que só agora está a ser dado às suas posições. Há algum tempo que ele vem alertando para o que agora defendeu: o ajustamento através de uma travagem brusca, ou seja, através de um corte acentuado do rendimento disponível, desgraça a economia deixando-a incapaz de gerar fluxos que permitam estancar o crescimento da dívida. Alerta, pois, para que o ajustamento não seja feito desta forma. Aconselha ele que haja prudência e moderação na aplicação dos curativos.




Bastará aceder à página em que estão os seus textos para o comprovar. Não foi apenas agora que ele acordou como, ouvindo a comunicação social, somos levados a crer.

Já em 2011, aqui, no Um Jeito Manso me mostrei animada com um artigo seu. Achava eu, na altura, que quando uma pessoa como Blanchard publicava de forma tão clara a sua opinião, o Governo português e a Comissão Europeia, já para não falar nos departamentos operacionais do FMI, iriam seguir as suas orientações. Enganei-me. 

O que se passa, no terreno, com os operacionais do FMI que parecem seguir uma agenda diferente da de Blanchard e até da de Christine Lagarde, é para mim um mistério. Muitas vezes me interrogo se será mesmo assim ou se há por aí muita manipulação da informação.  


Já o que se passa na Comissão Europeia não me admira. Aquilo é uma babilónia entregue a gente de quinta escolha. Quando alguém não presta nas políticas nacionais, chutam-no para Bruxelas. Aconteceu com o cherne Barroso e com quase todos os outros. Não havendo lideranças carismáticas, os funcionários burocratas fazem a União Europeia arrastar-se sem um rumo estratégico. Uma desgraça. 

Por outro lado o BCE padece dos mesmos males. Sem um enquadramento claro, o BCE move-se conservadoramente, sem energia, sem grande autonomia. Se pensarmos em Vítor Constâncio, talvez uma excelente pessoa mas uma nódoa como governador de um banco central (lembremo-nos do que se passou no Banco de Portugal, nas suas barbas, sem que ele mexesse uma palha: diz que não viu, não ouviu. E nem desconfiou). Mario Draghi tem estado a portar-se relativamente bem mas não chega. Toda a sua actuação é tardia e titubeante - mas, se pensarmos bem, no caldo amorfo que é a UE será que ele poderia fazer muito mais?

Por outro lado, por cá, a miséria é idêntica. A classe política instalada no poder, PSD e CDS, deve estar para cumprir uma qualquer encomenda a mando de não se sabe quem e não há quem a detenha. Despacha as maiores empresas públicas, lança ataques soezes aos pilares do Estado Social, arruina a economia, atira com milhares de pessoas para o desemprego e ataca os direitos de quem trabalha ou já trabalhou e, de caminho, aumenta a dívida. E mantêm-se nesta senda haja o que houver, provem-se os erros que se provarem, constatem-se os resultados que se constatarem.

E a corte de papagaios (comentadores, jornalistas, avençados, assessores, consultores, etc) que os rodeia e que, de alguma forma, beneficia desta governação incompetente e mal intencionada, ao longo deste tempo tem, também, ignorado olimpicamente os alertas de Blanchard.




Perto do final de 2012 voltei, de novo, aqui a dar conta de novos avisos de Blanchard que, dessa vez, até foram usados por Cavaco Silva para sugerir (daquela forma meio ínvia e inconsequente que costuma usar) que o ajustamento à bruta seguido por Passos Coelho era reconhecidamente errado.

Nada. Ouvidos de mercador. Prego a fundo na austeridade. Cortar é que é bom, portámo-nos mal, temos que expiar os pecados. Sofrer, empobrecer, emigrar, é que é bom.

Pois bem, foi preciso que passassem dois anos para que a opinião pública acordasse e viesse clamar justiça. Foram preciso dois anos de muita desgraça, de muito sofrimento, de falências, de desemprego, de sopa dos pobres, de dívidas na farmácia, para que as incongruências e a ausência de pensamento da gente desta fraca coligação fossem notórias - hoje até aquele coiso, o Marco António, apareceu a criticar a duplicidade do FMI (leio no Expresso: Marco António Costa acusou hoje o Fundo Monetário Internacional de "hipocrisia institucional", por fazer "proclamações em relatórios" onde reconhece excesso de austeridade). Pudera, aproximam-se as eleições e há que tirar o cavalinho da chuva. E qual o espanto? Não é sobejamente conhecida a falta de decoro destas figurinhas da politicazinha nacional?


O PSD é aquele saco de interesses, patos bravos, arrivistas, jotas armados em justiceiros, ignorantes encartados, burros armados em doutores, em que apenas uns quantos se salvam (sendo rapidamente ostracizados). E portanto, mal a coisa começa a cheirar a fim de festa, os seus principais intervenientes começam a sacudir o pó, a mudar de casaca, a ajeitar o discurso. Vergonha é coisa que não lhes assiste.

Mas como a liderança de Passos Coelho é uma anedota, enquanto uns pedem clemência, outros continuam a pedir sangue. É o caso da pinókia que ainda há pouco vi na televisão a defender que a austeridade deve continuar, que o caminho é para prosseguir.

Parece uma tropa fandanga, desafinada, uma cambada.

Uma desgraça. Que raiva que tudo isto me mete.

quarta-feira, junho 12, 2013

Cavaco Silva e os discursos fora de portas. Ao fim de alguns anos, depois de muitos milhares de desempregados, de muitas falências, com a dívida em valores insustentáveis, com o país desesperançado, eis que Cavaco Silva me consegue surpreender. O que ouvi acho que foi em Estrasburgo. Contra a austeridade, marchar, marchar. Contra a paralisia europeia, marchar, marchar. Tomara que já o tivesse feito há mais tempo e muito mais vezes. Quanto a querer correr com o FMI tenho sentimentos ambíguos.


Como só vejo as notícias na televisão tarde e más horas e aos bochechos não sei onde é que Cavaco Silva estava mas, verdade seja dita, gostei da parte que ouvi. Penso que estava em Estrasburgo mas não garanto.




Não foi má ideia que tivessem mostrados cartazes quando ele começou a falar: não eram contra ele mas contra a austeridade e contra as medidas chapa 4 da troika. Foi bom que os cartazes aparecessem associados a Portugal para que se perceba que há um consenso em torno dos danos de tanta austeridade.

E, na parte que ouvi, Cavaco Silva falou bem, sem rodeios, preto no branco. Talvez, se a sua voz se tivesse levantado há mais tempo e com frequência e se fizesse o mesmo em Portugal, não estivéssemos hoje como estamos.

Quanto à sugestão de que está na hora do FMI sair da troika não sei bem. Em abstracto faz sentido. Supostamente qualquer país que esteja integrado numa união estaria protegido e seria no seio dessa união que os apoios aconteceriam. Chamar um organismo como o FMI, que existe para acudir aos desvalidos perdidos no mundo, em abstracto, não faz sentido.


Contudo a Europa arrasta-se, pastelonamente, sem um líder, sem um rumo. Mesmo a nível do BCE, está lá agora um Draghi que, do mal o menos, ainda tem algum brio e lá vai abrindo a boca para mostrar que tem algum poder. Mas, antes, era um atraso de vida. O Trichet chocava, chocava, mas nunca nasceu nenhum pinto e, sobre o Constâncio, essa criatura informe, que gosta de brincar aos ceguinhos, nem me pronuncio. De resto, se estamos como estamos, em grande parte devemo-lo a uma Europa que deixa soçobrar os seus membros sem mexer uma palha.

(Quando acabar de escrever isto, em princípio vou escrever outro texto em que vou falar especificamente disso.)

Por isso, uma coisa pode fazer sentido em abstracto e não fazer sentido nenhum perante as circunstâncias concretas da vida.

O FMI é um organismo que fala a várias vozes, onde impera o experimentalismo. Mas, apesar de tudo, e apesar de serem os causadores de muitos disparates, sempre há um ou outro que vem, em público, dizer que estavam enganados e apontar novas direcções.

Da Europa é que nada: debaixo do espesso nevoeiro da burocracia parece que não há nada. Por isso, não sei o que diga sobre isto do FMI sair da troika. É daquelas: venha o diabo e escolha.

Mas ainda o Cavaco: vi-o a dar uma conferência de imprensa. Falador, aberto, a responder a tudo.




Não sei o que dá nesta gente: parece que só se desbocam, ou melhor, se descontraem, quando vão lá para fora. Cá em Portugal, se lhe perguntam alguma coisa, mastiga em seco, franze-se todo, remete para o que disse em tempos e pouco mais. Lá fora parecia outro. Faz-me lembrar o Sampaio: parece que fala mais claro, mais acutilante e concreto, quando fala em inglês. Em português enrola-se todo.

Mas, enfim, em relação ao que vi de Cavaco Silva lá pelas europas, chapeau: falou e, tirando aquilo do FMI que me deixa um pouco de pé atrás, falou bem.