Há uns meses atrás o mundo foi surpreendido ao ver a sensual Nigella a ser agredida em público, num restaurante, pelo marido. Na sequência disso ela pediu o divórcio e ele viu a sua reputação arrasada.
Mas eis que agora os jornais estão cheios de uma revelação não menos surpreendente. Nigella nos últimos 10 anos terá sido consumidora de cocaína e de comprimidos em larga escala. O marido, o milionário Charles Saatchi, nunca desconfiou. Supostamente, como contrapartida para se manterem caladas e sobretudo para que o marido nem sonhasse com o que se passava, as duas ex-assistentes dela, as irmãs Grillo, teriam tido permissão da Higella (como agora Saatchi lhe chama numa alusão ao seu suposto estado de pedrada - high) para gastarem o dinheiro que quisessem com o seu cartão de crédito.
As irmãs foram acusadas de desvio de dinheiro da conta de Nigella e, em tribunal, defenderam-se contando a 'verdade'. Claro que Saatchi não se tem esquivado a dissertar sobre os condenáveis hábitos da mulher, hábitos esses que diz que desconhecia. Por causa disto, já se fala na possibilidade de Nigella ser despedida do Channel 4 onde agora tem estado a trabalhar como júri num programa de culinária. E, seja como for, de vítima rapidamente está a passar a culpada perante a opinião pública.
::::
Também Manuel Maria Carrilho não se tem cansado de revelar com todo o pormenor os hábitos descontrolados de Bárbara Guimarães que vão desde tomar diariamente dezenas de comprimidos, a beber vinho até à embriaguez, a encher-se de silicone, a viver obcecada com a idade e com o aspecto físico, e sempre de rastos a seguir a cada apresentação de galas ou coisas do género. A partir das entrevistas que ele tem concedido quase ficamos a pensar que, como mãe, Bárbara Guimarães deixa muito a desejar e, que, como pessoa, é fútil e desorganizada.
A semana passada, uma vez mais na fila do supermercado para pagar, deitei mão a uma revista e fiquei, uma vez mais, petrificada com a maldade de Carrilho ao dizer tudo aquilo, com desumano detalhe. Destrói-a. Seja ou não verdade, uma coisa é certa: quem a vir de novo a trabalhar vai olhar para ela de uma outra maneira.
Bárbara Guimarães regressa aos écrans de televisão este domingo, apresentando o Factor-X.
Imagino como se deve estar a sentir, a pressão, a insegurança. Como já aqui o disse anteriormente não sou especial admiradora dela mas, independentemente disso, lamento o que lhe está a acontecer e só espero que consiga reunir forças para enfrentar com dignidade este e todos os desafios que tenha pela frente.
Sofrer humilhações em privado é coisa insuportável. Sofrê-las em público deve ser mil vezes pior. Por isso, é de admirar a força, a coragem, a capacidade de superação que pessoas como Bárbara Guimarães ou Nigella Lawson demonstram quando, depois de tudo o que vêem escrito sobre si próprias, conseguem manter-se de pé, cabeça erguida, a darem o peito às balas.
:::
E eu fico a pensar se o que está a acontecer com Nigella Lawson e com Bárbara Guimarães não é aquilo que as mulheres que são vítimas de violência doméstica mais temem: que, apresentando queixa contra os maridos, venham a ser objecto de vinganças, de maldades, de destruição? O que é isto senão uma destruição sistemática, implacável em praça pública? É uma coisa aterradora. É que mesmo que uma consuma cocaína, outra beba, ou que tenham pavor de serem postas de parte nas televisões onde trabalham, ou que façam qualquer outra coisa, isso não deveria nunca ser tão humilhantemente exposto na praça pública onde serão, por muitos, crucificadas e desprezadas.
:::
Este sábado Celina, uma mulher de 47 anos com 3 filhos, saíu de casa. Ia levar a filha de 9 anos à patinagem. O ex-marido saíu-lhe ao encalço e, ali mesmo, atingiu-a com um tiro na cabeça. Morreu. A filha de 9 anos terá assistido ao crime. Diz a vizinhança que, quando estavam juntos, era conhecido o historial de violência doméstica. Dizem que, depois da separação, o ouviam dizer que ainda acabava com ela. Acabou mesmo.
Celina foi a 34ª mulher a ser assassinada este ano em Portugal por maridos, companheiros ou ex. Não entram nesta contabilidade as mulheres cujo carácter é destruído na praça pública e que, não sei como, conseguem continuar a parecer que estão vivas.
*
Permito-me informar que, para conhecerem a opinião de outro instigador da violência em Portugal, poderão ler o meu post a seguir onde falo da entrevista do filósofo Rui Nunes concedida ao Expresso deste sábado
*
E, por hoje, por aqui me fico.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um domingo muito bom, vivido em paz.