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terça-feira, dezembro 22, 2015

Ensaio sobre a Cegueira revisited. Ou 'o que está Carlos Costa a fazer no Banco de Portugal?' Alguém me diga porque eu ainda não consegui perceber. Isto a propósito do Banif e não só. E o mea culpa do FMI que acha que foi um erro que não se tivesse feito a reestruturação da dívida portuguesa. E, face a tudo isto, qual a reacção do PSD e do CDS? Pois bem: continuam na deles. Não perceberam, não percebem e nunca perceberão nada de nada. Ou, então, percebem bem demais e nós é que somos parvos. Ou eles ou nós somos ceguinhos.



Os bancos, tal como acontece com as demais empresas, são regularmente auditados. Os auditores têm a obrigação de analisar minuciosamente as contas e fazer recomendações. Para além disso, os bancos em Portugal, por via da crise financeira, foram obrigados a efectuar testes de toda a espécie e feitio -- devido à brilhante intervenção da troika, Portugal foi obrigado à vigilância continuada sobre os bancos, obrigando-os a reforçar capitais para corresponderem aos rácios mínimos.

Acresce que existe uma coisa que se chama Banco de Portugal, braço armado do BCE e regulador das entidades bancárias neste rectângulo tuga de tão brandos costumes.

Contudo, apesar de tanta vigilância e de tantas entidades (principescamente pagas e premiadas), mais um melro foi à vida. Desta vez foi o Banif. E, portanto, durante todos os anos em que o Banif alegremente se descapitalizava, decorriam auditorias e vigilâncias e análises por parte do Governo e do Banco de Portugal. E durante todo esse tempo, o Governo e o Banco de Portugal asseguravam que estava tudo bem.


Ora bem, sabemos agora que foi deliberadamente e com conivências várias que esta situação foi encoberta -- para forjar um sucesso que não existiu, para maquilhar uma saída que se apregoou como limpa, quiçá para ajudar nas eleições.

Nada disto seria espectacular (porque que no anterior governo existiam mentirosos compulsivos e que no Banco de Portugal ou andam a dormir ou andavam com o Passos Coelho, a Albuquerque e o Cavaco ao colo, já nós estamos fartos de saber) se não estivesse em jogo o dinheiro dos contribuintes e se isso não tivesse efeito nos fundos disponíveis para a economia real.

Passos Coelho e Maria Albuquerque agora já não estão em funções em que possam continuar a fazer estragos. Resta-lhes, enquanto responsáveis pelo que se passou, prestar contas -- e a sua actuação deve ser cuidadosamente analisada.

Mas com Carlos Costa a situação é mais bicuda: ele ainda está em funções. Continuamos, pois, em risco de que continue distraído, sem perceber o que se passa, a manipular ou a esconder mais alguma informação relevante. Desde que está em funções no BdP a sua actuação tem sido um desastre. E não é um desastre qualquer: é um desastre que já vai em vários mil milhões de euros. Não sei se é competente, se é inteligente, se é sério - pode ser isso tudo e não ter jeito. Ou não ter sorte. Não sei. 
Sei apenas que os resultados do seu desempenho têm sido desastrosos. Uma pessoa que exerça funções de tal responsabilidade não pode sistematicamente mostrar que é uma nulidade. Manter-se em funções uma pessoa assim é um risco para o País.
Não podendo ser demitido pelo Governo, não sei como podemos ver-nos livres de tal encosto mas alguma maneira há-de haver. 

Contudo, se Carlos Costa tivesse um pingo de vergonha ou soubesse o que é dignidade profissional, saía pelo seu próprio pé.


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Sei que, no FMI, parece que não há uma cadeia de comando: enquanto uns publicam estudos num sentido, outros implementam soluções em sentido oposto; enquanto uns reconhecem que austeridade a mais é contraproducente, outros carregam na dose. 
E Christine Lagarde -- ou porque nunca recupera do jet leg ou do excesso de solário -- tão depressa aponta num sentido, como no contrário. 
É outra que me desiludiu e que cedo revelou que, apesar de parecer ter testosterona que a levaria a ombrear a nível testicular com muito tubarão, padece do irremediável mal das cabecinhas de vento.

Agora, uma vez mais, os técnicos do FMI vêm fazer um mea culpa em relação aos programas de ajustamento impostos aos países intervencionados: FMI assume que Portugal devia ter reestruturado a dívida.


Transcrevo uma parte:

O Fundo Monetário Internacional (FMI) assumiu ontem que países como Portugal teriam beneficiado de uma reestruturação da dívida pública, feita de forma significativa, logo no arranque dos seus programas de ajustamento. A conclusão foi assumida por Vivek Arora, director do Departamento de Análise Estratégica e Política do FMI, numa conferência de imprensa sobre um relatório técnico de avaliação aos programas de ajustamento da crise.

“Não temos um ponto de vista específico sobre Portugal, mas temos uma visão geral: se os países têm um rácio de dívida elevado ou se a sustentabilidade da sua dívida não pode ser assumida categoricamente, então a reestruturação da dívida à cabeça é uma solução desejável”, explicou Vivik Arora, quando questionado sobre o caso português.

Poderia perguntar-se aos capachos do anterior governo português e aos seus papagaios avençados que por aí andaram, pelas televisões, rádios e jornais, a pregar que este era o remédio certo (leia-se: sugar a economia, massacrar o povo, vender ao desbarato empresas, casas, terrenos, forçar a emigração, e etc) se, agora que uns tiram o cavalinho da chuva, outros assumem o erro, e as porcarias escondidas debaixo dos tapetes começam a aparecer, ainda acham que fizeram um trabalhinho asseado.

Poderia perguntar-se se achássemos que vale a pena. Mas não vale. Embora o mais elementar sentido de decoro aconselhasse que se mantivessem calados, que emigrassem para bem longe, que abrissem um buraco no chão e lá enfiassem a cabeça até a gente se esquecer deles, não senhor. Por aí andam a espalhar patacoadas, a revelarem que, para além de mentalmente indigentes, são ainda descarados e recidivamente mentirosos.

Ligo a televisão e lá anda um rapazolas qualquer do PSD e aquele oleoso do CDS a mostrarem o pior que a política partidária tem dado ao País: gente inculta, impreparada, incompetente, incapaz de relacionar as causas com os efeitos. Ou, se não é isso, é gente com falta de vergonha, falta de respeito, que quer fazer dos outros parvos. 

Esta gente não percebe que o País já não os leva a sério? Esta gente não fica de bico calado porquê?!?!

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As ilustrações provêm do saudosíssimo blog We have Kaos in the garden.
O fantástico penteado da fotografia que abre o post é obra do cabeleireiro Guido Palau.

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Tenho um outro post, mais pessoal, praticamente pronto mas tenho que ajeitar as imagens e agora já não consigo, tenho muito sono que estes dias não me andam nada fáceis. Vou tentar finalizá-lo logo de manhãzinha ou à hora de almoço.
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De qualquer forma, vou já desejando que tenham, meus Caros Leitores, uma terça-feira muito feliz.

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sexta-feira, junho 26, 2015

Quando será que aquelas abéculas do Eurogrupo, do FMI, da Comissão Europeia e do raio que os parta -- que andam a moer a paciência a toda a gente, em especial, aos pobres gregos que mereciam melhor sina -- atinam? Cambada de gente de vistas curtas, de abutres e de isildas. Só espero que, quando o assunto estiver finalmente resolvido, soltem um rocket circular gigante que se veja de todos os países... [Sobre o assunto Jara e Cavani e sobre os meus votos para as próximas legislativas portuguesas, por pudor, não falo aqui no título, só mesmo no fundilho do texto]


Quando se faz planeamento e controlo de gestão, olham-se para os números de forma abrangente e compreensiva, tentando perceber as tendências, como é que as variáveis externas impactam nas internas, a origem dos problemas, a razão de ser dos desvios face ao expectável, etc, etc. Geralmente olham-se com mais atenção os grandes números, que são os que influem decisivamente na condução das organizações, e não se perde tanto tempo com miudezas já que o esforço de as olhar em detalhe não paga o tempo que com elas se gastaria.

Em contrapartida, os contabilistas devem garantir que as contas estão certas ao cêntimo, que não há verbas transviadas, mal classificadas, etc. Apenas com uma contabilidade certa, correctamente balanceada, as pessoas do planeamento e do controlo de gestão podem focar-se com acuidade nas 'gordas', descansadas por saberem que, se quiserem ir aos peanuts, as verbas lá estarão devidamente arrumadas e conferidas.

Ora bem, vendo o disparate que desde há uns cinco anos se passa na gestão da crise financeira europeia, concluo que a Europa está entregue a gente com espírito de contabilista. Não estou a menosprezar os contabilistas, note-se. Mas os contabilistas devem fazer contabilidade, não gerir a União Europeia.

O assunto deve ser analisado por gente com visão, com uma visão holística, estratégica, humanista, gente que perceba o que correu mal na aplicação do ideal europeu e saiba corrigir a rota da condução desta União, gente que saiba o que é a Política.




Não é possível que se esteja a arrastar tamanha crise, uma crise que envergonha quem tenha dois dedos de testa, por causa de trocos. É que o que está em causa na crise financeira grega são amendoins. Houve lá excessos? Claro. Onde é que não houve? Houve lá, como houve em todo o lado, em especial em países com economias vulneráveis e que, ao longo de anos, serviram para alimentar os negócios alemães (no material de guerra, então, foi uma festa! de tudo os alemães venderam). A correcção dos desequilíbrios deve ser feita de forma inteligente, respeitando a dignidade dos povos, pugnando pelo desenvolvimento e pelo equilíbrio.

O que está a ser feito, a querer impor castigos à viva força, só me faz lembrar aquela senhora e o movimento por si capitaneado, uma tal Isilda Pegado que, em conjunto com os PaFs, querem que as mulheres que abortam não apenas paguem taxa moderadora como vejam antes a ecografia e a assinem. Gentinha mesquinha, má, má, que gosta que os outros ajoelhem vergados sob o peso da culpa. Uma vergonha.


Ora aquilo a que assistimos é que parece que na condução dos destinos da Europa se juntaram os contabilistas, as isildas, os láparos desta vida, os chernes e seus derivados, e, ainda, os agentes escusos que se ocupam dos jogos de poder e falhanço (porque, não nos esqueçamos, há sempre alguém que muito ganha quando alguém muito perde) - e o sarilho é infindável, uma teia cada vez mais ensarilhada, uma cambada de estarolas mentecaptos que não sabe sair do labirinto onde se enfiaram. E, claro, os abutres estão à espreita.




Mas, enfim, pode ser que um dia destes, algum desses palhaços ganhe tenência ou que comecem a aparecer Políticos (com maiúscula), inteligentes, honestos, corajosos, e que este regabofe acabe. 

Nesse dia, só espero que haja festa rija, bailes na rua, alegria, esperança, balões pelo ar.

Ora, nem de propósito recebi, de um Leitor a quem muito agradeço, um vídeo extraordinário. Melhor que o fogo de artifício da Madeira, que os balões de S. João, melhor do que tudo o que já se viu. É na Tailândia e é do além. E é o que deveria haver quando a Europa voltar a ser um espaço de liberdade, democracia, desenvolvimento e respeito pelas pessoas.


Giant Circular Rocket

(Para dias de festa rija)


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As imagens acima usadas para enfeitar o texto, que revelam o sentido de humor de quem as produziu, são da autoria do grego Manos Kaperonis (@manoskaperonis)


Há quem diga que, para compreender os outros, nada como nos calçarmos com os sapatos desses outros (sou uma desmiolada com os ditados, e isto que escrevi não me está a soar nada bem; deve ser outra coisa mas, enfim, agora não me ocorre nada melhor).
Ora, aqui a ideia é mudar de cabelo (ou de cabeça, mantendo o cabelo) a ver se compreendem os assuntos com a cabeça dos outros: a sonsa da Merkel a perceber o entalado do Tsipras e o cabelo da sabuja da Lagarde (Lacoisa)** com a cara do pedaço do Varoufakis**. 
Enfim, mesmo que não produza efeito prático, tem graça. Ao menos isso, que os gregos e os europeus em geral não percam o gosto pela alegria de viver.


[** As palavras Lacoisa e o pedaço do outro (pedaço do outro salvo seja, claro) não é de minha lavra: ver por favor, comentário abaixo da sempre inspirada Leitora Rosa Pinto]

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Recebi também, por mail, um outro vídeo que aqui divulgo, desejando que o povo grego que se vê como que enclausurado numa jaula com um leão, e quase parecendo que de lá não vai conseguir sair com muita saúde, tenha a presença de espírito e a coragem que Charlot teve.

(E quem diz o povo grego diz toda a gente que se vê aflita, metida num sarilho dos grandes, aparentemente sem razão para ter esperança: há sempre razões para acreditar). Por exemplo, eu tenho esperança. Apesar das sondagens, acredito que o povo português, nas eleições, vai fazer aos PaFs o mesmo que Jara fez ao Cavani* -- e, portanto, haja esperança, minha gente).



Charlie Chaplin na jaula do leão




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* Dizia eu que, apesar da aparente falta de assertividade de António Costa, que está a custar a arrancar, (e apesar do ar desbotado e infeliz dos cartazes do PS...), ainda estou convencida que, entre o PS, o PCP, o BE e o Livre, os portugueses vão fazer aos PaFs o que o Jara fez ao Cavani.
Aos que não acompanham estes gestos de salão, explico. E que me desculpem as pessoas finas que frequentam o Um Jeito Manso. Eu também sou fina, ora essa, mas, meus Caros, às vezes tem mesmo que ser.

Com vossa licença, mostro e transcrevo


A jogar em casa, o Chile eliminou os uruguaios, detentores do título, num jogo carregado de polémica e com duas expulsões na seleção do Uruguai. Uma delas, a de Cavani, foi crucial no desfecho da partida e está a correr mundo devido ao gesto do defesa chileno Jara, que provocou o avançado uruguaio ao introduzir um dedo no rabo do avançado.


Nem mais.
(Temos pena.)

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Resumindo e baralhando: Está mais do que na hora de nos vermos livres de pró-chernes, ácaros, pinókias, vice-portas, cães com pulgas, schäubles, lagardes rastejantes, hollandes pastelões, vírus, láparos e bicheza ruim de toda a espécie.


Neste caso, do láparo, (como nos restantes): lixo com ele. 
E a seguir, toca de lavar as mãos com um bactericida dos valentes.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. 
Aliás, todas as sexta-feiras são de uma beleza estonteante. Belas e boas, boas, boas.

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domingo, junho 21, 2015

Christine Lagarde, em carta, jura fidelidade a Sarkozy. "Tout un programme" ! Fanfarrona com os que estão na mó de baixo..... próxima da horizontal com os, pelo menos momentaneamente, poderosos.*


De Leitor de quem recebo sempre artigos, livros, músicas, vídeos e tudo sempre interessante e de meu agrado, recebi mail com material extraordinário.

Entretanto, vi que o Público já se fez eco de um das aberrações que constava desse material e, portanto, por uma questão de facilidade -- já que admito que muitos dos meus Leitores não percebam bem o francês -- transcrevo daqui uma parte:

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, suspeita de cumplicidade no desvio de fundos públicos no chamado "escândalo Tapie", terá escrito uma carta ao antigo Presidente Nicolas Sarkozy em que lhe jura fidelidade.


Largarde foi ouvida em tribunal no passado dia 23 de Maio. Dois meses antes, a polícia tinha encontrado em sua casa uma carta manuscrita dirigida ao antigo Presidente francês. A missiva foi nesta segunda-feira revelada pelo jornal Le Monde, que alega ter tido acesso ao processo judicial que condenou o Estado francês a indemnizar em 2008 o empresário francês Bernard Tapie com 403 milhões de euros. Tapie é amigo de Sarkozy e apelou ao voto no ex-Presidente.

“Querido Nicolas, de forma breve e respeitosamente, estou ao teu lado para te servir e servir os teus projectos para França”, começa por dizer a carta, que não se sabe se chegou a ser entregue a Sarkozy.

Ainda segundo o Le Monde, Christine Lagarde diz ter dado o melhor de si, acrescentando que se alguma vez falhou pede que Sarkozy lhe conceda perdão.

“Utiliza-me como te convier e como convier ao teu projecto. (…) Se me utilizares, necessito de ti como guia e do teu apoio: sem a tua condução poderia ser ineficaz, sem o teu apoio seria pouco credível. Com imensa admiração, Christine L”, pode ler-se na carta divulgada pelo jornal francês.


(...)

E agora, transcrevo na íntegra a asquerosa carta manuscrita que foi encontrada e enviada ao Le Monde que a divulgou:

"Cher Nicolas, très brièvement et respectueusement", écrit la patronne du FMI. 
"1) Je suis à tes côtés pour te servir et servir tes projets pour la France. 
2) J'ai fait de mon mieux et j'ai pu échouer périodiquement. Je t'en demande pardon. 
3) Je n'ai pas d'ambitions politiques personnelles et je n'ai pas le désir de devenir une ambitieuse servile comme nombre de ceux qui t'entourent dont la loyauté est parfois récente et parfois peu durable. 
4) Utilise-moi pendant le temps qui te convient et convient à ton action et à ton casting. 
5) Si tu m'utilises, j'ai besoin de toi comme guide et comme soutien : sans guide, je risque d'être inefficace, sans soutien je risque d'être peu crédible. Avec mon immense admiration. Christine L. "

Um asco. Lê-se e não se acredita nesta miséria. Como pode uma pessoa rastejar desta forma? Que desilusão que esta parva me tem saído, caraças.

E é nas mãos de gente destas que está o poder de decidir grande parte dos destinos do Mundo...? Assustador, muito assustador.

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* Permiti-me usar no título da mensagem (parte em itálico), sem pedir prévia autorização, o texto que o Leitor escreveu no mail. Por isso e por tudo daqui lhe envio o meu agradecimento.

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E, agora, convido-vos a descerem até ao post seguinte no qual poderão conhecer a história de Beatriz, a mulher que se sentia como se estivesse a ver dentro de um conto (talvez de Borges)

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domingo, fevereiro 22, 2015

A médica urologista. A história sexual dos homens (não desfazendo, claro). Paulo Portas dorme com rolos na cabeça ou quê? A Lagarde e o Varoufakis são mesmo gémeos separados à nascença? E finalmente a solução para o meu problema.



- Senhora Doutora, promete que não se vai rir? - perguntou o paciente.

- Claro que não! respondeu a médica, toda exaltada. Sou uma profissional da saúde. Sigo um código de ética. Em mais de 20 anos de profissão, nunca ri de nenhum paciente.

- Tudo bem, então - disse o paciente.

E deixou cair as calças, revelando o menor órgão sexual masculino que ela tinha visto na vida. Considerados o comprimento e o diâmetro, não era maior do que uma bateria AAA de 1,5w (pilha palito).

Incapaz de se controlar, a médica começou a dar gargalhadas, quase não conseguindo controlar o ataque de riso. Passados uns poucos minutos, recuperou a compostura.

-Desculpe - disse ela. Não sei o que aconteceu comigo. Dou-lhe a minha palavra de honra de médica e de senhora que isso nunca mais acontecerá... Agora diga-me, qual é o problema?

- Não vê...? Está inchado...


.......

(Os papagaios, os lobos, as cigarras, os condores e os pombos não me levem a mal, por favor). 

Assim é a sexualidade masculina


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O penteado artístico de Paulo Portas. 


Com o cabelinho tão armado, uma poupa no alto do cocuruto, dá ideia que vai à mesma cabeleireira que a Drª Manuela Eanes.
Ou, então, dorme mesmo com rolos na cabeça.


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Encontraram-se ao fim destes anos e foi aquela ternura...! 

Varoufakis e Christine Lagarde, gémeos univetilinos.




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Estou neste registo porque é fim de semana e não me quero aborrecer. 

A caniche Pinókia
Que figuras
 esta por aí anda a fazer...

Por isso, não vou comentar a actuação vergonhosa da chefe de Passos Coelho, a ministra Maria Luís Albuquerque, que, nesta luta de Schäuble contra os gregos, obrigando-os a vergarem-se a seus pés, se pôs ao lado desse homenzinho mesquinho e vingativo, incentivando-o a não ceder perante a Grécia. 


Envergonha-me. Ah, mas envergonha-me tanto. Mulherzinha mais imprópria para consumo, esta. Julgará ela que os portugueses lhe perdoam tudo? Está muito enganada. 

Mas repito: não vou falar de tão indignas figuras porque hoje não estou com cabeça para me amofinar.

Tal como ontem, estou um bocado cansada, com a agravante de que me dói a cabeça. De manhã fui fazer a minha caminhada e estava muito vento. Não sei porquê, parece que a ventania me fez doer a cabeça. Depois foi o supermercado, cheio, cheio. Eu com pressa e aquilo a não desenvolver. Almoço mais do que a correr. Depois, com a minha filha e os meninos a caminho de casa da minha mãe para a ir buscar, para irmos ver o meu pai. Depois a angústia de o ver tão incomodado, tão desconfortável. Está a recuperar mas dói-lhe o corpo, quer ir para casa, quer ir para a cama. Acha que não vale a pena sofrer. Não é fácil vê-lo assim tão diminuído, tão dependente, tão desalentado. A minha mãe também lhe custa, tem vontade de o levar para casa. Mas sabemos que estamos a fazer o melhor para ele: faz fisioterapia, tem acompanhamento médico, está bem instalado. Mesmo que só ali esteja um ou dois meses, acreditamos que recuperará alguma mobilidade. Enfim. A seguir, lanche em casa da minha mãe. Depois cá para casa, e junta-se-nos o resto da família. Fazer o jantar. Jantar. Arrumar a cozinha. Pimentinhas com as pilhas todas numa chinfrineira que só vista, brincadeira da grossa, felizes da vida, ruidosos. Por isso, a esta hora, a cabeça ainda me dói mais; tenho que ir ver se durmo para ver se me passa.

Mas, para não darem a visita por mal empregue, deixem que vos conte. Como já aqui o confessei várias vezes, gosto de dançar. E adoro ver dançar o tango. Contudo, nunca tive par para tal aventura. E, se tivesse, se calhar talvez também me faltasse a habilidade para dar à perna com o garbo requerido. Eu tendo a achar que isso seria irrelevante porque homem que dance o tango como deve ser saberá conduzir uma mulher mesmo que ela não dê uma para a caixa. Mas nunca nenhum se chegou à frente. Só dou com pés de chumbo.

Ora bem, vi um vídeo que mostra como poderei ultrapassar a situação de não ter par. Ora vejam também, por favor, como Inga Savitskaya dança um tango à maneira com um parceiro invisível.




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A história da médica urologista, o cartaz com a história sexual dos homens, a fotografia do Paulo Portas de mise e a dos gémeos separados à nascença foram-me enviadas por Leitores a quem muito agradeço.

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E tenham, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo!

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sexta-feira, fevereiro 13, 2015

As 50 sombras de Varoufakis ou o escaldante encontro entre ele e Christine Lagarde. O efeito FMI parece ter-se transferido de Strauss-Kahn para a Lagarde. Depois da carga erótica que as fotografias revelam, não sei onde é que a coisa vai acabar mas só pode acabar bem.



Varoufakis e Christine, a ternura entre o FMI e a Grécia, a atracção dos opostos

e o admirável mundo das fifty shades of money







Bronzeada, feroz no seu cabedal, poderosa e in black, sorriso deleitado a prenunciar aquilo a que estava disposta, Christine Lagarde nem disfarçou.

Provavelmente com cinto em metal, talvez uma corrente com dupla utilização, com certeza com lingerie em tigresse et noir, com certeza com bota de cano alto e salto agulha, a ninguém passou despercebida a química revestida a alta voltagem que ali se gerou.


Ando arredada de notícias pelo que não sei se é conhecido o teor da conversa mas não me chocaria que logo ali tivessem combinado uma sessão em privado.

Se a coisa foi de tipo tranche strip, por cada tranche de amortização da dívida desfasada salta uma peça de roupa, isso não sei.

Se a coisa meteu promesssa de venda nos olhos também en noir, também em cabedal, algemas, chibatinha, e outros apetrechos, isso também não faço ideia.

Agora que o climinha esteve armado, ah, lá isso esteve. Não sei se pintou, se rolou, mas se ainda não, será uma questão de tempo. Varoufakis todo engatatão, ela toda prontinha para o flirt ou, quando a coisa aquecer, dominatrix ela, dentinho arrebitado ele, só de vê-los todo o mundo percebeu que a coisa tem tudo para prometer ser em grande estilo. 

Ela é um pouco mais velha e deve ter toda a escola FMI. Com certeza que Strauss-Khan deve ter feito shadowing com a sucessora, passando-lhe todos os dossiers, todas as boas práticas.

Tudo coisas capazes de intimidar qualquer calcinha mas nada que assuste um campeão como o Varoufakis, que tem ar de ter competência para lidar com a alta e a baixa finança.

Pelo ar dele, todo olho no olho, todo ele cumplicidade, as sombras a misturarem-se, os sorrisos já mergulhados um no outro, não dá é para perceber como não houve logo ali uma cena de beijo na boca.

Na volta, a seguir à sessão de fotografias, foram para uma salinha para acertarem uns pormenores relativos ao serviço da dívida e não perderam tempo, anda cá, Yanis, que és meu, e tu também, Chris, anda cá que és minha.





Mas uma coisa há: agora que os vejo juntos, acho-os parecidos, o mesmo nariz, a mesma boca, o mesmo sorriso. Se ele pusesse uma cabeleira igual à dela e se ela rapasse o cabelo para ficar com aquela cabeça malandreca até poderiam inverter os papéis. Ele de fio dental e bota alta, blusão de cabedal e chibatinha na mão, ela carregadinha de testosterona a avançar para ele, algemas na mão, sorriso castigador na ponta dos dentes. Aí ainda as coisas poderiam ser mais calientes, prometendo uma verdadeira desbunda retro-erotic.

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E, agora que já me alinhei com a comunidade invocando as 50 sombras de Grey, já posso dizer o que acho disto tudo: obviamente a Grécia vai sair-se bem. Aliás: já está a sair-se bem.

Se há láparos e seguidores que gostam de andar de gatas ou de perna aberta, é lá com eles. Agora uma coisa é certa: já pouca gente há que não despreze esta gente que se deixou pisar por bardajonas e que não faz outra coisa senão pedir mais.

Angela Merkel, uma coisa já fora de prazo,
prontinha para ir chatear outros, levando consigo a laparada que já ninguém aguenta

Alexis Tsipras e as mulheres.


E se a matrafona está capaz de arrumar as botas,
em contrapartida, veja-se o sucesso da rapaziada grega,
 gente com tudo em cima, sorridentes, atraentes,
 sexys à brava, porra.








E viva a Grécia e viva o Varoufakis e viva o Alexis
e viva quem está vivo e viva quem quer viver com esperança no futuro
e viva o humor. E viva a sedução e viva o amor.

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Não tenho os livros das sombras, não os li, não vou ler, não vou ver o filme. Do que folheei na livraria e do que vi na apresentação do filme, parece-me coisa infantilóide, fantasia de adultos literariamente pouco evoluídos e sexualmente muito acorrentados (a preconceitos, claro).



Parece que o público feminino predomina, embora o público masculino aparentemente não lhe fique indiferente. Talvez seja uma espécie de libertação, acredito que algumas mulheres, lendo cenas pretensamente mais ousadas, se sintam arrojadas, libertárias. Nada contra, cada um é como cada qual.

Mas o actor que escolheram para fazer de Mr. Grey parece apanhado em verde, incapaz de qualquer coisa que se aproveite, uma variante de ronaldinho. Haverá anastácias desta vida que caiam de quatro perante um copinho de leite, um pãozinho se sal destes? Duvido.


As Cinquenta sombras de Grey - Trailer

com Jamie Dornan e Dakota Johnson





Um dia destes dispo-me de preconceitos e invento eu aqui um conto à maneira, coisa para adultos mesmo. A ver se não empolgo mais as hostes do que a E.L. James! Tenho é que impedir os meus filhos de lerem o blogue nesse dia e depois, no dia seguinte, retiro logo o conto de circulação. Como personagens, para a coisa ter ainda mais pimenta, usarei autores de blogues que costumo ler. Me aguardem...

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E é isto. O cansaço está a dar-me com força. Tenho tido uns dias mesmo muito esgotantes (e emocionalmente um bocado stressantes) e, por isso, hoje não consigo partir para um segundo post nem consigo desenvolver mais, tenho mesmo que ir descansar.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira 
e vamos esperar que, daqui para a frente, de cada vez que Passos Coelho ou Cavaco digam nova inconveniência lhes caia um dentinho. 
Em directo.
 (Rapidamente vão ficar completamente desdentados, ainda mais impróprios para consumo do que já são)

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domingo, dezembro 15, 2013

José Sócrates na RTP desmascara mais uma de Passos Coelho, a de que não conhecia os números do défice quando se abancou no governo. Por gentileza, Sócrates não lhe chamou mentiroso mas, tão só, hipócrita.


Já tudo o que é comentador (excepto José Gomes Ferreira e talvez Camelo Lourinço) tinha desmentido Passos Coelho: que quase tudo o que diz são inverdades, imprecisões, baralhações, manipulações. 

Mas foi importante ouvir José Sócrates, talvez a maior vítima do carácter de Passos Coelho, mostrar as provas da falta de verdade de Passos Coelho.



De facto, na entrevista de Passos Coelho a Judite de Sousa e Paulo Baldaia, Passos Coelho referiu que teve que pôr em prática medidas mais duras do que tinha falado durante a campanha eleitoral porque não sabia que as contas públicas eram tão más.

Mas hoje Sócrates mostrou os números divulgados em Abril, ou seja, bem antes de Passos Coelho formar Governo, nos quais a verdade dos números já era bem evidente - ou seja, desmascarou mais uma hipocrisia de Passos Coelho.


Passos Coelho é assim mesmo: parece que não consegue viver com a verdade. É daquelas pessoas de quem nos devemos afastar. São perigosas. Faltam à verdade, olhando os outros nos olhos, como se estivesse a falar verdade. 

Foram já sobejamente conhecidas:
  • as campanhas negras levadas a cabo por um grupo de bloguers organizados em torno de Passos Coelho e de Miguel Relvas que arquitectaram toda a espécie de manobras nos meios de comunicação social e nas redes sociais para difamar e denegrir Sócrates (depois de terem feito o mesmo a Manuela Ferreira Leite, afastando-a da liderança do PSD), 
  • depois a mentira sobre a qual construíu o cenário de derrube do Governo de Sócrates, 
  • e isto já para não falar nas mentiras com que aliciou os eleitores,
  • e todas as outras com que sistematicamente encharca a opinião pública (como a última, desmentida explicitamente pelo chefe da delegação da troika, de que a troika queria baixar os ordenados)


Gostei também de ouvir falar Sócrates dizer que estranho, estranho é Passos Coelho não fazer o mesmo que Christine Lagarde: reconhecer o erro que é esta política de austeridade - tanto mais que a aplicou em dobro relativamente à recomendada pela troika.


E gostei ainda de o ouvir referir a entrevista de Mariano Gago ao Expresso na qual este denunciava a política perigosa que o Governo de Passos Coelho vem levando a cabo, destruindo as bases do desenvolvimento científico do País.


*

Pergunto-me: ainda haverá alguém que tenha votado em Passos Coelho que ainda acredite e tenha boa opinião da criatura?

Bem, talvez haja duas: o José Gomes Ferreira e o dito Camelo Lourinço. Mas à parte esses, haverá mais alguém? Temo bem que nem a D. Laura.


segunda-feira, abril 08, 2013

Qual é o papel de Durão Barroso na União Europeia? Qual o papel de Mario Draghi no BCE? Qual o papel de Christine Lagarde no FMI? - Zero, zero, zero? Não são eles os chefes das instituições representadas na troika? Então por que raio de carga de água é que se anulam para que seja Wolfgang Schäuble a falar em nome de todos eles? Alguém me diz? Ou isto é tudo conversa fiada de Passos Coelho ampliada pelos papagaios de serviço dos media portugueses?



Wolfgang Schäuble, o patrono de Passos Coelho?


A que propósito anda a imprensa portuguesa cheia da cara deste sujeito acompanhada de notícias que aparecem como ameaças veladas?

Mete medo a quem, este sujeito? Manda nas finanças da terra dele e ponto. A que propósito é que anda toda a gente de gatas ao pé dele?

Em Portugal mandam os portugueses e se Passos Coelho e Paulo Portas ainda não o perceberam, problema deles.

Que Durão Barroso, esse cherne que anda para aí nas funduras solte uns glu-glus sem qualquer relevância, não me admira nada. Que Mario Draghi tente manter alguma moderação ainda percebo. Que Christine Lagarde, a braços com a justiça e no meio de mil outros problemas não tenha cabeça nem tempo para acorrer a tudo, até percebo.

Mas, ó caraças!, a que propósito é que a comunicação social portuguesa para aí anda a fazer de conta que o Schäuble é o lobo mau? Cambada de cobardolas!

Ó pá, é que se ele é o lobo mau, então o Passos Coelho que se ponha a pau, que ele é que tem cara de avozinha e é sabido como os lobos maus gostam de papar avozinhas, especialmente quando se disfarçam de coelhinhas.



Passos, uma coelhinha com muito medo do lobo mau, Wolfgang Schäuble de seu nome


domingo, outubro 14, 2012

Cavaco Silva invoca Lagarde e Blanchard (do estado-maior do FMI) para tirar o tapete a Passos Coelho... no Facebook. Desautoriza, ridiculariza, enfraquece o Governo para ver se a coisa se resolve sem ele ter que se maçar. Pode ser que tenha sorte mas esta forma de actuar é bizarra, não acham? E, em adenda, falo da questão da dívida que é uma questão fictícia, do foro da falsa moral.




Como tem sido sobejamente noticiado, Cavaco Silva escreveu no Facebook mais um dos seus desabafos ou ínvios recados. Passo a transcrever (os destaques são meus):

Durante a reunião anual do FMI, em Tokyo, a Srª Lagarde, Directora-Geral da instituição, e o seu economista chefe, Sr. Blanchard, a propósito dos processos de consolidação orçamental na zona Euro enunciaram uma orientação que ontem fez notícia na imprensa internacional e que, vindo de quem vem, esperemos que chegue aos ouvidos dos políticos europeus dos chamados países credores e de outras organizações internacionais. Trata-se de um ensinamento elementar da política de estabilização, que eu próprio várias vezes tenho referido, e que, em linguagem simples, se pode traduzir do seguinte modo: nas presentes circunstâncias, não é correto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objetivo de défice público fixado em termos nominais.

Devem ser definidas políticas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo e deixar funcionar os estabilizadores automáticos. Se o crescimento da economia se revelar menor do que o esperado, o défice nominal será maior do que o objetivo inicialmente fixado, porque a receita dos impostos é inferior ao previsto e as despesas de apoio ao desemprego superiores

Assim, Blanchard conclui que"nem por isso se deve impor a adoção de medidas orçamentais adicionais, o que tornaria a situação ainda pior"


Não percebo esta forma de actuar por parte do Presidente da República. Escrever no Facebook depois de ter deixado passar a oportunidade do discurso do 5 de Outubro parece-me uma escolha abstrusa. 

Quer Cavaco Silva, na dele, levantar o País contra as opções do Governo. Não é a primeira vez que o faz. Foi assim, tirando o tapete ao Governo Sócrates, que a queda deste se precipitou. Agora está a usar a mesma estratégia. Dá ideia que não quer mexer uma palha para resolver a ridícula situação de termos o País, num momento tão crítico, entregue a um bando de incompetentes encartados. Dá ideia que pretende que o Governo seja submerso por uma onda de indignação e de descrédito em vez de ser ele, no âmbito das suas responsabilidades, a tomar as decisões que se impõem.. 

Neste caso concordo com o que ele diz no Facebook e concordo que este Governo merece um repúdio absoluto e irreversível. 

Ainda estávamos em 2011 e já eu chamava a atenção para os alertas de Blanchard. Estranhamente, nessa altura, esses avisos parece que caíram em saco roto. Mas, enfim, mais vale tarde que nunca.

Agora acho é estranha esta forma de Cavaco Silva actuar (ou melhor, para ser sincera, não acho nada estranho pois Cavaco Silva sempre foi assim).

Mas não seria mais lógico demitir o governo, de imediato nomear um outro que seja aceite parlamentarmente e pôr-se a caminho das instâncias internacionais ao mais alto nível, para abrir caminho para uma rápida revisão do memorando da troika em vez de andar por aí a 'mandar bocas'?

Eu acho que sim.

Uma palavra para as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na sua prelecção dominical na TVI com a Judite de Sousa. Canhestramente inventou para ali umas situações em que um governo de iniciativa presidencial se veria atrapalhado para se impor. Nonsense. Gente capaz, com apoio parlamentar, e com o suporte de Cavaco Silva resolve esses e outros problemas.

O que é importante, crítico, crucial, é que tenhamos urgentemente à frente do País um grupo de gente competente e experiente, gente culta, gente que siga princípios democráticos, humanistas, gente que saiba pensar e fazer contas, gente com bom senso - não é preciso muito mais. Talvez apenas paciência, devoção, disponibilidade.

De resto, acho que toda a gente, quase sem excepções, apoiaria e agradeceria uma opção desse tipo.

Em primeiro lugar o PSD que, de aqui para a frente, a manter-se este governo em funções, irá de derrota em derrota eleitoral, correndo o risco de um rápido esvaziamento. Vejam-se os resultados de hoje nos Açores.

Em segundo lugar o CDS que, de aqui para a frente, a manter-se este governo em funções, irá de derrota em derrota eleitoral, correndo o risco de um rápido esvaziamento. Vejam-se os resultados de hoje nos Açores.

Em terceiro lugar o PS que, nesta altura, não tem o partido todo solidamente em torno de António José Seguro. O Seguro é muito melhor que Passos Coelho mas falta-lhe punch e um líder sem punch é uma chatice.

Em quarto e em quinto lugar o PCP e o BE que sentem que, com mais tempo, poderão formar uma coligação que vá a jogo nas próximas legislativas. 

E, sobretudo, é bom para o povo português que não merece estar na indigna situação em que se encontra de ver vilipiendiados todos os seus direitos, sem um mínimo de respeito ou simples consideração.

*

Uma palavra sobre a questão da dívida, e sobre o que se diz por aí:  temos que pagar a dívida, e a culpa da dívida é do Sócrates, e se não houvesse tanta dívida não estávamos nesta situação de aumentar os impostos.

Tudo errado.

Temos que pagar a dívida, claro, mas de uma forma que possa ser paga. Acontece em quase todas as organizações do mundo: quando se quer realizar um investimento cujo resultado só está operacional uns anos depois, é normal recorrer a dívida para fazer face às despesas, dívida essa que apenas começa a ser paga uns tempos depois, quando houver proveitos para isso. E há também as dívidas para cobrir não investimentos mas défices de tesouraria operacional (os clientes pagam depois de ter recebido o produto mas as empresas têm que pagar muito antes as matérias primas que compram e os ordenados aos trabalhadores). Ou seja, por uns motivos ou por outros é normal haver um desfasamento entre o cash in e o cash out, diferencial esse que frequentemente é suportado por dívida. 

Toda a dívida tem custos, encargos financeiros. Pode, numa fase de menor desafogo, pagar-se só juros e só depois amortizar a dívida. Ou podem os juros capitalizar e pagar depois, junto com as amortizações. Isso é gerir a dívida e gerir a dívida é uma das muitas actividades correntes de qualquer organização.

O que é impensável é ter numa organização alguém que faça questão de pagar a dívida num curto prazo, canalizando as verbas para isso, não pagando a fornecedores ou aos empregados. Isso mataria as organizações em três tempos - e é isso, exactamente isso, que está a acontecer em Portugal.

O que há que fazer é o contrário do que está a ser feito: é renegociar o pagamento da dívida, aliviando o curto prazo para não estrangular a economia, quer amortizano-a em mais tempo, quer projectando o pagamento de juros para melhores alturas, etc. 

E deve ainda rever-se a questão dos juros.

Ainda a semana passada, Christine Lagarde referiu outra realidade incontornável: os países fortes pagam juros a cerca de 1% enquanto Portugal paga cerca de 4.5%. Ora este diferencial é brutal, especialmente para uma economia que não gera excedentes para amortizar a dita dívida. Um país pode pagar dívida a juros que não sejam superiores à soma da inflação com o crescimento. Ora some-se o valor da nossa inflação com o do crescimento (que é negativo e, logo, subtrai) e veja-se o que poderíamos pagar... Como o que nos é exigido são verbas a que não podemos fazer face, toda essa verba vai acumulando à dívida que não pára de engrossar como uma imensa bola de neve. 

Depois de renegociar a dívida,o que há a fazer é injectar dinheiro na economia (o dinheiro que devia ir para a amortização da dívida, fundos disponíveis, investimento estrangeiro, redução da carga fiscal, etc).

Com a economia a funcionar, haverá menor desemprego e, logo, menos verbas alocadas aos subsídios de desemprego e haverá maior receita fiscal (porque a economia deixará de estar paralisada como agora).

Estou a ser simplista porque aqui não poderia ser de outra forma mas estas são as linhas gerais. Parece fácil - e é! 

sexta-feira, outubro 12, 2012

Sobre o OE 2013 e não só. Passos Coelho é uma couve tronchuda? Pode uma couve dar tangerinas? pergunta-se Pacheco Pereira sobre a possibilidade de Passos Coelho atinar e vir a ser capaz de ser Primeiro Ministro. Tudo isto é pior que mau diz Lobo Xavier que arrasa Passos Coelho. Entretanto, Durão Barroso tira o tapete ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas e afirma que esta austeridade tresloucada é obra dos Governos e não de Bruxelas. E FMI alerta para que a austeridade é excessiva e deve ser abrandada. Tudo isto no dia em que se sabe que Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar vão roubar, como vulgares delinquentes, grande parte do rendimento dos portugueses. Isto também no dia em que Bagão Félix diz que, com este terramoto fiscal, devastador, esta 'punção fiscal' (expressão de António Costa), este Governo não se aguenta até ao fim da legislatura. E, para compensar, a Peregrinação e o Credo de José Tolentino Mendonça na Estação Central e Dançar com Luz pelos Quixotic Fusion


O Governo Passos Coelho, Paulo Portas, Miguel Relvas, Vítor Gaspar e mais uns quantos, depois de 20 horas de reunião, chegou a acordo sobre o Orçamento de Estado para 2013 e o resultado é o absurdo que se esperava. Absurdo, ridículo, e perigoso, muito, muito perigoso.

Claro que não  irá avante pois é um aborto. 

Mas, se por acaso os deputados se portassem como uns bananas ignorantes e amorais, se Cavaco Silva não percebesse que ser Presidente da República não é 'mandar bocas' por aí ou escrever aos amigos no facebook, então, então teríamos uma hecatombe de consequências imprevisíveis, devastadoras.

As medidas que constam do aborto OE 2013 levam ao empobrecimento generalizado e, sobretudo, ao esmagamento da classe média. Já aqui o referi várias vezes: a classe média e média alta são o motor da economia. São os seus excedentes que alimentam o comércio, a distribuição, a restauração, o turismo interno e, também, que geram a poupança que é indispensável para alimentar a liquidez bancária.

Esmagar a classe média e média alta não é aplicar justiça fiscal como os estúpidos e os demagogos ignorantes dizem: fazê-lo é levar à falência súbita toda, toda, a rede económica que vive, directa ou indirectamente, dos rendimentos da classe média e média alta. Fazê-lo é destruir rapidamente o País, fazê-lo é levar à súbita miséria a população portuguesa.

Com este Governo a estupidez anda em roda livre. É como um monstro à solta, uns monstro medonho, esfaimado, sem escrúpulos, sem moral. O monstro pode, por vezes, parecer gente normal, boa gente. Mas, por favor, não se deixem enganar, tenham cuidado com ele. É muito perigoso. O poder de destruição é brutal.




Algumas notícias ao acaso:






























&


Mas há que ter esperança e lutar. Lutar. Protestar. Não somos baratas que se esmaguem com o pé. Não somos descartáveis. Não somos objectos. 

E a nossa razão é reconhecida por quem tem dois dedos de cabeça.

De novo, algumas notícias ao acaso para provar que há indícios de que podemos ter esperança, de que talvez Portugal volte a ser, em breve, um local acolhedor para as nossas crianças.


























***

Liga o braço longe a uma estrela
Prende distâncias que teus pés ignoram
as árvores cruzam desse modo os seus ramos
enquanto as multidões falam
de milagres
que não viveram

*

Creio no sol, mesmo quando não o vejo
Creio no amor, mesmo quando não o abraço
Creio em Deus, mesmo quando Deus se cala.



['Peregrinação' e 'Credo' de José Tolentino Mendonça in 'Estação Central']

..

Dançar com luzes para afastar os demónios


Quixotic Fusion

**

E tenham, meus Caros Leitores, um bom dia.

sexta-feira, junho 01, 2012

Tempos de incómodo, inquietação, fratricídio. Tempo para uma pausa de reflexão. E momentos de beleza e mistério.


Música, por favor

Banda sonora do filme Platoon (Adagio for Strings, Samuel Barber)

*

1. Fiquei incomodada por saber que - é certo por regulamentação a que é alheia - Christine Lagarde não paga impostos. Haverá razões para que isso tenha sido decidido mas a minha reflexão aqui vem apenas no sentido de que quando as pessoas se encontram afastadas da realidade quotidiana, acabam por não perceber as dificuldades de quem não tem outro remédio senão viver de acordo com as circunstâncias correntes.



Christine Lagarde, ao falar no pagamento de impostos, deu o chamado tiro no pé (mais um pouco e era na cabeça)


Há na Grécia um problema grave de fuga de impostos mas essa fuga se calhar não é fuga, é assim porque é assim e porque, lá como cá, manda quem pode, obedece quem deve. 

Os grandes isentos em termos fiscais são os armadores e a igreja ortodoxa. Ou seja, não é o zé povinho, não são os pais das crianças com dificuldades. 

Christine Lagarde sabe disso e só por uma desatenção que soou a fria arrogância se saíu com a afirmação que chocou o mundo, respondendo a quem lhe perguntava se não pensava nas crianças gregas, que pensava é que os seus pais deveriam pagar impostos. Pagasse ela impostos e estivesse ela a ser apertada pela máquina fiscal até à asfixia, talvez falasse menos displicentemente dos pais das crianças gregas. Agora diz que foi mal interpretada. Talvez. Ou talvez se tivesse explicado mal. Ou talvez esta instável realidade seja tão incerta que qualquer palavra soará sempre desajustada.

*

2. Num plano totalmente diferente a todos os níveis, fiquei também muito incomodada com o assassinato de Ana Cristina Bívar - ex-assessora de Gabriela Canavilhas, actual subdirectora do IGESPAR, coisa que para aqui não vem ao caso, casada com um deputado do PSD, António Prôa, coisa que também não vem ao caso e mãe de 4 filhos - pelo que leio às mãos do próprio irmão.



O ódio, segundo autor não conhecido (pelo menos por mim)


De vez em quando ouve-se que, em algum lugar recôndito do país, em que nada mais vale na vida que a própria terra que se pisa, por questões que se prendem com terrenos, serventias, partilhas, um homem se desentende com outro e desfere uma sacholada de morte. Agora que numa cidade, com pessoas certamente com vistas mais alargadas, pessoas com vivências diversas e alargadas, por partilhas e desentendimentos familiares, um homem atropele e esfaqueie na rua as próprias irmãs, uma delas, Ana Cristina, até à morte, deixa-me perplexa. O testemunho de um homem que assistiu a tudo é de arrepiar: a aparente frieza, a incontida raiva do irmão. Custa acreditar como irmãos que brincaram juntos em pequenos, que partilharam afectos e memórias, podem tornar-se inimigos a este ponto. É uma coisa brutal que vai para além do meu entendimento, uma desumanização que nada explica. 

*

3. Em dia de incómodo, e mudando de novo para um outro plano, digo que hoje também fiquei incomodada - mas não admirada - por novo erro do Ministro das Finanças. A quebra das receitas fiscais estava a ser mal calculada, foi agora revelado pelo trabalho da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental). Resta saber se foi mais uma nabice ou se foi ocultação de incompetência. A receita aplicada é um fiasco e afinal um fiasco superior ao que tinha sido anunciado. 



Vítor Gaspar explica-se, falando como se estivesse a falar com burros
Ao lado, Passos Coelho assobia para o lado


Tudo isto é aflitivo de mau. E tanto mais aflitivo quanto, apesar do descalabro que os números mostram, os responsáveis pela dita 'receita' continuam a não perceber que é imperioso alterar estas desastrosas medidas.

*

4. Hoje estive a ler 'Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos' da autoria de Tony Judt. Há vozes lúcidas com quem sempre se aprende e Tony Judt, infelizmente já desaparecido, era uma delas. É importante reflectirmos sobre o rumo que o mundo tomou, sobre o papel das esquerdas, sobre a falência dos modelos a que estávamos habituados.


Tony Judt quando ainda não era prisioneiro do seu corpo


A ver se amanhã consigo avançar um pouco mais na leitura para tentar aqui dar-vos conta de alguns dos aspectos abordados. 

Para vos dar o mote, transcrevo já hoje as primeiras palavras: Há algo de profundamente errado na maneira como hoje vivemos. Durante trinta anos considerámos ser uma virtude a procura da satisfação material. 

E, mais à frente A qualidade materialista e egoísta da vida contemporânea não é intrínseca à condição humana. Muito do que hoje parece 'natural' remonta aos anos 80: a obsessão pela criação de riqueza, o culto da privatização e do sector privado, as crescentes disparidades entre ricos e pobres. E sobretudo a retórica que vem a par de tudo isto: admiração acrítica dos mercados sem entraves, desdém pelo sector público, a ilusão do crescimento ilimitado. Não podemos continuar a viver assim.

*

5. Para não ser apenas matéria soturna, deixem que vos diga que, apesar das inquietações e inseguranças, nada deve fazer-nos esquecer que ainda há, e sempre haverá, momentos de tranquilidade e beleza. Podem não passar de fragmentos passageiros, de breves instantes, de palavras soltas, de uma sombra que escorre por uma parede, de gestos, de sorrisos. Mas que valem por eternidades, que valem como bálsamos.



O relógio está fixo nas 3:20. Mas o tempo passa devagar nos veleiros brancos que cruzam o rio, na elegância da ponte Vasco da Gama que se baixa para acariciar as águas. O tempo passa devagar para que o apreciemos com vagar.


Água, quando dormes - deusa
horizontal
invadindo lentamente as terras secas
de quem fui antes de me deitar
contigo. Água e boca.



Das belas e arruinadas paredes do Ginjal saem, por vezes, seres aluados. Esta gata negra de olhos verdes andou atrás de mim e deixou-se fotografar em várias posições, arisca e tentadora. Seres mágicos e belos num local mágico e belo.


Ando por aqui a ver o mundo
e só vejo buracos e ruínas. Pudesses tu regar
as folhas secas que me invadem o sexo
com o teu mel   com as tuas lágrimas.


***

Os poemas acima são de Casimiro de Brito e podem ser lidos no livro 'Amar a Vida Inteira'

E, por falar neste belo livro, se estiverem para isso, gostaria de vos ter lá no meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras voam, cheias de um amor que voga no rio, em torno de um outro poema deste livro e ao som de Händel.

***

E tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira. 

Tentem, meus Caros, descobrir a beleza à vossa volta para que ela atenue os incómodos que, de vez em quando, surgem por aí.