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domingo, agosto 10, 2025

A vida dos muito ricos

 

Não sou mas conheço alguns. Nunca aparecem nas revistas. Nunca aparecem na televisão. Raramente vão aos restaurantes da moda. Raramente vão às praias da moda.

Geralmente estão nas suas casas. Um deles tem uma casa de férias, dizem que 'normal', ou seja, nada daquelas villas que ostentam fortuna por todos os poros e janelas, numa aldeia perto da costa vicentina. Dizem que vai, de calções e chinelos, ao minimercado mais perto, geralmente comprar peixe para assar. Digo 'dizem' pois nunca ninguém viu, foi um irmão que uma vez comentou isso e, quando contra-comentaram que ninguém lá deve desconfiar quem ele é, respondeu que claro que não, ninguém sonha. Esse que comentou, outro igualmente rico, também é especialista em churrascos. Gosta de assar peixe e carne não apenas para a família como para os amigos. Se lhe perguntarem se conhece algum daqueles restaurantes super estrelados dirá que isso não é para ele. Quando se vai ao restaurante com ele, não apenas escolhe restaurantes 'normais' como, no fim, se é ele que paga, no fim põe os óculos e está meia hora a olhar para a conta e a conferir se não puseram uma água ou um queijinho a mais.

Um desses muito ricos, quando em ambiente informal, em casa, mesmo que com convidados, no inverno usa geralmente um pullover de lã que é mais comprido de um lado do que outro, de tricot, já todo 'pendão' e com um ou outro buraco, de tipo malha caída. Todos os anos usa o mesmo pullover, gosta dele e acha que está bom, que não faz sentido deitar fora. 

É gente que parece ser despojada. Parece, mas não é. Pelo contrário são até forretas, 'poupadinhos'.

Uma vez vim ao lado de um deles numa viagem de avião. Tinha comprado uns charutos na freeshop. Vínhamos na conversa e, às tantas, quis ver o que eu tinha comprado. Quando viu a caixa de charutos, perguntou quanto tinham custado, e, pela entoação, foi quase como se achasse se eu tinha gastado dinheiro uma inutilidade, ainda por cima dispendiosa. 

As televisões e as redes sociais mostram-nos grandes hotéis, resorts de luxo, e, invariavelmente, estão sempre cheios. Mas não destes muito ricos, pelo menos dos old school. Aliás, do que conheço, penso que sentem um certo desprezo por esse jetset endinheirado que por aí anda gastando balúrdios e exibindo as suas férias, as suas toilettes, os seus luxos. 

Por exemplo conheço um que é rico, diria que bastante rico. Mas não é tão rico como os anteriores. Vai de férias todos os anos, duas semanas, para a Quinta do Lago, milhares como podem imaginar, e conhece todos os Belcantos desta vida, todos os vinhos renomados e envelhecidos, e frequenta torneios de golfe um pouco por todo o mundo e faz questão de ter sempre carros ultra topo de gama. Os primeiros, os muito ricos, de certa forma troçam, ainda que discretamente, com os luxos deste último, quase como se achassem que é coisa de gente deslumbrada. 

É grande a diferença entre o old money e o restante. 

Claro que há ainda as pessoas que conservam todos os hábitos do old money, porque em tempo o tiveram, apesar de já não serem tão ricos assim. Esses ignoram os novos-ricos embora, no íntimo, penso que invejem um pouco o seu sucesso e a sua ascensão, quase como se pensassem que são alpinistas socias que vêm ocupar, usurpar, o seu lugar na sociedade.

Pelos vistos os muito ricos do Brasil não são como os muito ricos em Portugal. Pelo que vejo no vídeo abaixo, não só gostam de ostentar a riqueza como acham que é pouca, que ricos são os outros. É uma questão cultural.

De qualquer forma, embora espelhando uma realidade diferente (pelo que ouço, os muito ricos do Brasil seriam considerados em Portugal novos-ricos), partilho o vídeo em que o Bial fala com um antropólogo que tem investigado a vida dos ricos.

Por que os RICOS OSTENTAM? Michel Alcoforado TE CONTA | Conversa com Bial | GNT

O antropólogo @‌michelalcoforado experienciou o mundo dos muito ricos através da chamada “observação participativa”, para entender como pensam, o que consomem e por que ostentam tanto.

No #ConversaComBial, ele explica como a riqueza no Brasil não diz apenas sobre dinheiro, mas também sobre poder, acesso e pertencimento. 

Desejo-vos um feliz dia de domingo

domingo, maio 19, 2019

Viver num mundo paralelo





Madruguei, salvo seja, para ir à cabeleireira. Quando liguei, só havia hora para a tarde o que cortaria o dia. Ficou mas pedi que, se houvesse alguma desistência, me avisasse. Ligou há dois dias a dizer que a primeira cliente do dia tinha adiado por uma semana. Ao sábado ter que me levantar tão cedo é contranatura e violência gratuita mas, enfim, era a hora que estava livre, fui. Quando lá cheguei ainda o salão estava fechado. Arrependi-me de ser tão bem mandada, bem podia ter dormido um pouco mais. Paciência. Fiquei sentada no parapeito da montra.

Quando ela chegou não refilei. Coitada. O dia todo de pé, sem horários, não deve ser fácil. E é uma simpatia, discreta, contida, boa profissional. 


Quando viu a ficha, disse-me, com ar admirado, que eu já lá não ia há alguns meses. Até para mim foi surpresa, não pensei que tivesse passado tanto tempo. Depois, ao pegar-me no cabelo, disse que já tinha perdido o escadeado, que já estava sem corte, que estava com muito volume e pesado e que não sei quê, não sei que mais. Ou seja, cá para mim estava a tentar que eu confessasse. Mas não me denuncio facilmente. Não confessei que tenho cortado o cabelo em casa. Mas o cabelo cresce-me muito e, volta e meia, tenho vontade de me recondicionar toda, a começar pela cabeça -- e lá vai disto. Portanto, ter corte até tem, tem é dos meus, tesourada aqui, tesourada ali.


Aproveitei foi para o de sempre, para me atirar à literatura ali residente para pôr a fofoquice em dia. Revistas variadas. O problema é que cada vez mais conheço menos daquela gente. Ou são de telenovelas que não vejo ou de programas da manhã ou da tarde que também desconheço. E uns são ex de outras e namoram numa revista e desmentem na seguinte e são amigos para a vida numa outra. E há desaguisados que metem baptizados e não se percebe se a mãe da criança convidou a namorada do ex-marido e se as indirectas da namorada no facebook são directas para ela ou se para a geral ou se é mera filosofia. E depois, para minha surpresa, vejo o Conde rodeado de duas putativas namoradas de um agricultor e, quando aprofundo, leio que uma descobriu sms de uma com o Conde e que ficou sentida e prefere afastar-se. E quando ainda estou a refazer-me, sem perceber nada, vejo uma outra que foi descartada por um agricultor agora a namorar com um dos que casou à primeira vista. Sem perceber, perguntei: 'Mas afinal passam de uns programas para outros e só desistem quando casam mesmo?'. Ela disse-me: 'Numa era destas, como é que as mulheres se sujeitam a isto, a entrarem em programas destes, serem escolhidas?' e eu disse: 'Mas, do que percebo, as que não foram escolhidas num programa, vão tentar a sorte com os ex-maridos à primeira vista do outro programa...'. Ela disse, resoluta: 'Isso não sei, não tenho tempo para ler as revistas. O que sei é que o pior de tudo é o da TVI, em que são as mães que escolhem para os filhos. Só consegui ver um bocado, uma vez. Um disparate que não imagina, até revolta, desliguei logo'. Eu confessei que esse não conhecia, deve dar a horas a que não apanho. Expliquei que, no campo, sem cabo, ao sábado à noite, volta e meia, à falta de melhor alternativa, vejo um bocado daquilo do agricultor e que é coisa de doidos, mulheres aparentemente normais a sujeitarem-se a andar a disputar um namoro com outras. Uma coisa do além. Mas agora vê-las aparentemente a tentarem a sua sorte com outros de outro programa ainda me faz achar que tudo isto é ainda mais rocambolesco e que a televisão e as revistas e tudo isto é um nonsense pegado.


Quando ela, de escova e secador na mão, me perguntou se era como sempre, despenteado, eu disse que sim, claro. E daí até estar despachada foi um ápice pelo que nem tive tempo de digerir esta minha condição de marginal. Quando leio estas revistas -- e gosto de folheá-las para me certificar disso -- concluo sempre o mesmo: há um mundo paralelo àquele em que vivo. Aliás, há muitos. São mundos habitados por pessoas diferentes das que conheço, que pensam e agem de forma oposta à minha. Votam como eu e o seu voto vale tanto como o meu. E, no entanto, eu e esses seres somos perfeitos estrangeiros. Não falamos a mesma língua, não temos os mesmos hábitos, não perfilhamos os mesmos valores. Aparentemente nada nos une.

De lá viemos para cá. No caminho, voltei a mostrar como sou fraca: comprei outra vez o Expresso. Ver a Sophia na capa da Revista fez-me não hesitar. 

Li no carro, li depois de almoço, antes de adormecer, li depois de acordar, li antes de jantar e depois de jantar. Sobre a Sophia e não só. A ver se para a semana nada me tenta porque isto não pode ser.

E já passeei ao vento, já fotografei, já me maravilhei com a beleza de todas as florzinhas, e já fiz uma máquina de roupa que secou ao vento e já limpei o pó e já zaragateei comigo mesma por nunca ter tido coragem de acabar com este acabamento rústico das paredes que faz com que as teias de aranha se infiltrem nas rugosidades e já senti aquela sensação boa de fazer a cama com roupa de lavado, acabada de colher, ainda transportando o vento e a sol.

E fotografei estes frutos cheios de luz e doçura e a seguir comi-os e, portanto, é assim que me sinto agora, doce e cheia de luz. Mas isto sou eu a dizer, claro.


E estou a ver o Sexo e a Cidade 2 e o Mr. Big continua cheio de charme e passa das duas e meia da manhã e eu gosto tanto da noite, de aqui estar neste dolce fare niente, a escrever coisas de nada. E, de madrugada, hei-de despertar ao de leve para abrir a janela e deixar entrar o cantar dos pássaros e a frescura do alvorecer e vou bendizer a vida e vou sentir a felicidade de respirar este ar tão bom e tão cheio de paz aqui neste meu mundo paralelo, e voltarei para a cama para adormecer e dormir até a manhã ir alta porque não há coisa melhor do que dormir até tarde numa manhã de domingo.

(Quer dizer, haver até há. Mas faz de conta que não para o texto poder acabar em beleza)

quarta-feira, novembro 01, 2017

Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho -- a violência doméstica, o alcoolismo.
Kevin Spacey -- a homossexualidade, os excessos de uma noite regada a álcool.
[Dramas privados de quem vive exposto ao público]


Não sou dada a moralismos e, muito menos, gosto de pisar quem está na mó de baixo. Custa-me saber de sofrimentos vividos em carne viva, à vista de todos. Por isso, custa-me saber da intransigência e maldade de quem se apressa a puxar o tapete que resta a quem já escorregou.

Da mesma forma, por oposição, faz-me alguma impressão o deslumbramento cego que, algumas pessoas demonstram nos momentos de sucesso, como se não se apercebessem de que tudo é efémero, de que tudo é relativo e que a exposição excessiva esvazia a alma. Pensam que compram a estima eterna quando, afinal, estão a empenhar a sua liberdade individual junto de um público que, na realidade, em momentos de fraqueza dos seus ídolos, não conhece a tolerância, a piedade, ou, sequer, a empatia.

Bárbara Guimarães foi, em tempos, uma jovem bonita e talentosa, que transmitia uma imagem de alguma ingenuidade embora, desde logo, fosse notória a sua sensualidade. Foi progredindo na carreira de figura mediática e a sua imagem de mulher carnal com um corpo sinuoso foi encurtando a sua carreira profissional.


No auge da fama, institucionalizou a sua beleza glamorosa, casando com um ministro. Mas...  afinal... o casamento não foi bem um casamento porque... afinal... já era casada, e afinal o casamento que não era casamento também não foi bem uma cerimónia privada porque... afinal... tudo foi fotografado para uma revista (coisa que hoje é banal mas que, à data. foi relativa novidade). 

E assim foi avançando a sua vida. Com uma imagem cada vez mais sensual, por vezes já brejeira, foi também muleta para a campanha eleitoral do marido, um filósofo com um temperamento também sinuoso.

As emoções expostas ao público, a necessidade de aparecer sempre bonita e sorridente, o marido ciumento e numa fase mais complexa da sua vida profissional e política, as tensões crescentes mas sempre tudo disfarçado, o casal perfeito e sorridente. As revistas sempre por perto. As poses, os sorrisos, os olhos nos olhos, só amor.

Até que um dia a casa veio abaixo e, de novo, tudo às escâncaras: afinal já não havia amor, apenas violência, álcool. E vieram as difamações espalhadas pelas revistas, as vinganças, os insultos graves. As crianças metidas no meio da crise. Tudo exposto ao público, num perigoso crescendo.

Soubemos agora de mais um triste incidente: Bárbara alcoolizada a sair de um hotel de madrugada, o seu carro a bater em dez carros estacionados e ela, confrontada com os factos, a assumir publicamente os seus problemas e a necessidade de tratamento. 


Depois Manuel Maria Carrilho a pedir a guarda da filha, invocando riscos e a referir um recente acidente que a menina terá sofrido supostamente numa briga mal explicada com a mãe e do qual terá resultado uma sutura com mais de 30 pontos. 


Agora saíu a sentença de um dos processos dele: condenado por violência doméstica, 4 anos de pena suspensa. Diz que vai recorrer. Um ministro, professor, antes com algum prestígio e agora isto. Saíu do julgamento a espezinhar ainda mais a ex-mulher, como se os problemas que atravessa no presente fossem desculpa para as suas agressões no passado. E, claro, tudo isto perante as câmaras de televisão, os flashes das revistas, os sempre presentes e cúmplices microfones. 


E, quase em tempo real, nas revistas, jornais online e televisões, vamos sabendo do que se passa na vida privada destas pessoas -- e é com tristeza que penso na situação dramática que estes dois estão a viver, eles que antes viviam uma vida de glamour e que agora parecem quase uns corpos exangues, consumidos pelo mediatismo.

Foi também esta semana que o actor Anthony Rapp contou que, quando tinha 14 anos,  foi assediado sexualmente por Kevin Spacey, então com 26. 


Confrontado com a notícia Kevin pediu desculpa e , de caminho, ganhou coragem e assumiu que é homossexual. 

E meio mundo caíu-lhe em cima pois o que estava em causa, dizem, era um episódio de pedofilia. Ser homossexual não é desculpa para se atirar a um jovem adolescente. 

E as consequências não se fizeram esperar. Kevin Spacey não mais continuará a dar corpo ao inesquecível Francis de  House of Cards.


E eu, que sou admiradora do seu trabalho, fico também com pena. Ao saber do sucedido, não me ocorreu sentir-me com direito a censurá-lo ou a dar-lhe lições de moral. A percepção da gravidade de certos actos é diferente agora do que era há cerca de 30 anos e o que hoje é um crime grave, era, até não há muito tempo, tolerado. Tolerado à boca pequena. Melhor: silenciado. Ainda me lembro de ouvir a um empresário que um certo ministro gostava de meninos. Dizia-se assim, em privado. E sorria-se. Gostos inconfessáveis de que os outros sorriam com alguma comiseração ou complacência. Ninguém denunciava às austeridades.

Seja como for, não me custa admitir que um jovem que, há 30 anos, vivesse a sua sexualidade com alguma ambivalência e escondesse as suas tendências, vivendo num ambiente de representação, filmagens, festas, num momento de embriaguez, e, portanto, com a libido não reprimida, tivesse tido uma atitude destemperada. Eu que tanto (tanto, tanto!) me choco com a pedofilia, não consigo crucificar alguém que, há 30 anos, naquelas circunstâncias e num momento de irreflexão, tenha perdido a tramontana. Não aplaudo, não fico confortável -- mas não crucifico.

Mais. Em situações assim, em que a opinião pública perde o sentido de compreensão e compaixão para com quem se encontra exposto e, talvez, desamparado, sinto que há na natureza humana uma crueldade que me assusta. Mais do que ter vontade de destruir quem esteve mal, eu, pelo contrário, sinto vontade de tentar perceber o que se teria passado.

Tal como me repugna ver as capas das revistas a expor a situação triste pela qual Bárbara Guimarães está a passar também me custa saber que Kevin Spacey passou de um momento para o outro de bestial a  besta, sem que ninguém se levante para estar ao seu lado neste momento de assumpção do erro, de pedido de desculpas -- e de assumpção pública da sua homossexualidade, coisa que deveria ser normal e isenta de riscos mas que, sabemo-lo bem, pode comportar toda uma avalancha de reacções, muitas das quais desagradáveis, que podem fragilizar quem passou uma vida inteira a querer preservar a sua intimidade.


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Bárbara: a exposição sem defesas



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Kevin Spacey: um excelente actor.

Aqui com as suas conhecidas imitações


E a graça com que canta: no The Tonight Show Starring Jimmy Fallon


Ragtime Gals - Talk Dirty



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Um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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sábado, fevereiro 21, 2015

O governo do Syriza (como o 'democrata' Passos Coelho chama ao Governo Grego) lá conseguiu chegar a acordo com o directório europeu (onde se incluem os fundamentalistas portugueses) e, portanto, já podemos partir para as frioleiras: o Dirty Harry anda a arrastar a asa à feminista Emma Watson? Boa. Vou nessa.


Tive hoje um dia do beleleu. Saíu-me um estúpido ao caminho e, por mais que tenha tentado passar-lhe ao lado (já que, por caridade, estou a evitar passar-lhe por cima), a verdade é que me maçou. Claro está que uma pessoa ao fim de muitos anos de trabalho já está habituada a todo o tipo de cavalgaduras mas uma coisa é estar habituada e outra é ficar feliz da vida quando saltam ao nosso encalço. E, para além disso, foi um dia de reuniões, entre as quais uma demorada para acertar contratos coisa que, às tantas, degenera sempre num enleio em que tanto é o ensarilhanço de cláusulas que só dá vontade é atirar os papéis para o lixo e começar de novo.

Enfim, ossos do ofício.

Mas o resultado é que chego a esta hora e não tenho grande paciência para bater no ceguinho (ie, no láparo que não vê um palmo à frente do nariz) nem na patega atitude de superioridade moral dos portugueses em relação aos gregos que, a ser verdade o que a comunicação social diz, foram dos que mais se opuseram ao acordo. 

Fico contente que tenha prevalecido o bom senso de parte a parte entre os gregos e o eurogrupo já que, a não ter havido, seria o início do despencar da construção instável que é esta eurozona. Agora uma coisa eu não percebo. Qual é a lógica de os ministros das finanças serem reis e senhores nestas negociações quando as coisas importantes deveriam ser primeiro aprovadas a nível político e apenas depois descer para o patamar financeiro? Presumo que isso seja um aspecto que, mais tarde ou mais cedo, será corrigido porque, como está, atrasa (e, por vezes, envenena) as decisões importantes, fazendo-as tantas vezes passar primeiro pelo crivo da lógica contabilística que pode ser míope e contraproducente.

Mas, portanto, dizia eu, que o dia foi do catano e que, a esta hora, a paciência não é fantástica para a desperdiçar com mais maçadorias. Percorri a net à procura de boas notícias e é o diabo: as boas notícias são raras. Face a isso, só me apetece falar de vestidos para os Oscares e frioleiras do género. Para não dar cabo da minha imagem de brilhante intelectual, estou a evitar debruçar-me sobre tão empolgante assunto mas há um outro a que não resisto mesmo.

O Príncipe Harry - de quem as más línguas dizem que está cada vez mais parecido com James Hewitt, um dos confessos amantes de Diana - parece estar interessado em conhecer melhor Emma Watson. 





A actriz que tem dado nas vistas não apenas pelas suas interpretações mas também pelas suas marcadas posições feministas aparece agora como um possível namoro do polémico Dirty Harry que tantos embaraços tem causado à família real mas de quem os ingleses tanto gostam.

E eu, que não sou de lá, face ao deserto de boas notícias, só posso dizer que acho que fariam um bonito casal e que a coisa teria tudo para se tornar mediática e interessante.

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Já agora, as fotos que, desde sempre, têm circulado nos media britânicos. Harry entre James Hewitt e o eterno candidato a rei, Charles:



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Temas interessantes, portanto.

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segunda-feira, setembro 22, 2014

Tarde nos maravilhosos Jardins da Gulbenkian - e a fama, o facebook e os dinossauros


Se há lugar à superfície da terra que parece feito pelos deuses, o Jardim da Gulbenkian é sem dúvida um deles. É um lugar de harmonia e de paz.






Pode parecer estúpido eu dizer isto sabendo que a mão que o desenhou é bem humana mas, ainda assim, digo-o pois não sei se não foi a mão de um qualquer Deus que guiou a mão de Gonçalo Ribeiro Telles, o arquitecto paisagista que teve uma inspiração do além ao conceber esta sua obra fantástica.

Já contei tantas vezes: eu andava a estudar e ia passear e namorar para estes Jardins. E saía das aulas e ia para lá e, enquanto fazia horas para qualquer coisa, entrava no museu ou no lugar das exposições e perdia-me por lá. Espantei-me com Miró, não compreendia, não sabia dizer se gostava ou não, ficava perplexa, um sapato, uma cadeira e dali saía uma escultura, e quadros que eram pingos e desenhos infantis. E voltava lá para ver outra vez, presa àquela luminosa alegria, sem me compreender. E outras vezes a ver Rodin, presa, presa à pequena figura Celle qui fut la belle heaulmière. Tantas e tão boas descobertas.

E íamos lanchar na esplanada e íamos encontrar esconderijos e eu conhecia cada pequeno recanto. Preferia a beira do lago, a água sempre foi o meu elemento.

Mudei de namorado mas não de jardim.

Depois nasceram os meninos. Lugar privilegiado para as crianças. Os patos, certamente já filhos e netos dos patos de então, o lago, os recantos, os relvados para poderem correr à vontade, o almoço no self, um clássico, as bolas de esparregado, os peixinhos da horta, os ovos recheados, tudo tão previsível, permanente, tudo tão bom. E sempre as exposições, o imprevisto de tantas obras, as retrospectivas, o ambiente bom dos lugares habitados pela arte, o anfiteatro ao ar livre, os chilreios, os risos das crianças, a quietude dos que leêm.


O tempo passa e o Jardim continua lindo, os recantos são os mesmos, o self o mesmo, o bolo de gelatina com fruta dentro, o cup de frutas, as farófias, lugar maravilhoso para almoçar ou lanchar no meio da natureza, e a livraria, e o ambiente, tudo, tudo.

Os meninos cresceram e já se multiplicaram e os novos meninos continuam a adorar o local, os jardins são bosques, têm grutas secretas, tocas escondidas, os lagos escondem monstros como o de Ness e as pedras redondas são ovos de dinossauro.

E o cheiro é o mesmo, a terra fértil e húmida junto aos lagos e ribeiros, os patos, os recantos que são abrigos, o sol que nos aquece a pele, a natureza que parece virgem. 

E sempre a vontade de voltar, sempre a sensação de uma tarde bem passada. No meio da cidade.


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Nos Jardins da Gulbenkian encontram-se pessoas de todas as idades, condições sociais, estados civis. Até pela heterogeneidade é um local acolhedor. É frequente encontrar-se por lá, anónimas, pessoas com vida pública. Ninguém as incomoda. É-lhes reconhecido o direito à privacidade.

Mas hoje uma chamou a nossa atenção: uma muito conhecida apresentadora de televisão e de presença mediática muito intensa, uma das mulheres tidas por mais bonitas no nosso país, passeava-se por lá com uma amiga. Fotografavam-se uma à outra, riam, faziam selfies e até pediram a pessoas que passavam que as fotografassem entre os bambus. A seguir passaram à fase de olharem e escreverem no telemóvel, as duas, provavelmente a verem e a postarem as fotografias. Dava ideia que não desfrutavam o lugar, que se limitavam a fotografar-se e a exibirem as fotografias, provavelmente com o único intuito de dizerem que ali tinham estado. Fez-me lembrar o que li há dias, que dantes as pessoas iam aos museus para verem as obras expostas, enquanto agora vão para se fazerem fotografar lá, para poderem dizer que lá estiveram. O prazer de estar parece estar a ser substituído pela necessidade de se dizer que lá se esteve. A minha filha disse, Aposto que está a pôr no facebook. Espreitou no telemóvel e confirmou: já lá estava, a fotografia dela com a amiga no meio dos bambus com uma frase daquelas fast-filosofia.

Devo confessar que ficámos todos um bocado surpreendidos: uma das pessoas mais fotografadas no país e ainda com esta narcísica necessidade de se fotografar e de se mostrar a toda a hora, ainda por cima em momentos que se pensaria serem dedicados ao recato. 

Se coloco aqui a fotografia que lhes fiz é apenas porque toda a situação se prestou a isso e porque uma fotografia em que aparecem as duas está no seu facebook, que é público. E, para meu total espanto, vejo que já teve para cima de 4.000 likes e muitos comentários (lindas... sorrisos contagiantes... beijinhos... smiles, e coisas do género). Ou seja, enquanto blogues excelentemente escritos recebem escassas visitas diárias, uma fotografia que eu diria totalmente desinteressante recebeu mais de 4.000 visitas no espaço de 4 ou 5 horas.

A natureza humana é, frequentemente, muito incompreensível para mim.

Por vezes, quando fico admirada com os livros que estão no top de vendas ou com as opções de voto das pessoas, esqueço-me que, cada vez mais, faço parte de uma minoria. Sou eu que sou uma marginal, marginal face a comportamentos que se vão tornando virais na nossa sociedade e que, talvez porque sou osso duro de roer, ainda não me contagiaram. Mas espécies assim como aquela a que pertenço, que não se adaptam ao meio ambiente, não costumam ter grande futuro. Veja-se o que aconteceu aos dinossauros. 



sábado, julho 05, 2014

O novo BES: Vítor Bento, o homem de Cavaco, e Moreira Rato, o homem de Passos e do Goldman Sachs - e, pergunto eu, porque não o Porta Moedas, o berloque do FMI, o Cherne Barroso que está quase a ficar livre e que tem muita manha europeia naquele cabelinho oleoso, ou até o José Gomes Ferreira que tão simpático tem sido para a camarilha? Se isto é para ser um Conselho de Administração de Silvas, então que entre tudo o que é cão e gato.


No post abaixo já vos agradeci e já vos confessei que tenho sempre receio de vos andar a iludir. Não sou erudita, especial, etc e tal: sou marca branca, mesmo. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.


Música, por favor






Há uma casta nacional, é sabido. Penso que sabem quem são. Famílias ungidas pela tradição. Os homens geralmente têm Maria como segundo nome e frequentemente têm letras dobradas no apelido, ou y ou ambas, ou são Espírito Santo ou por aí.


Conto-vos.

Raros são os que tiveram formação académica a sério. Uns cursos à pressão para poderem ser chamados por doutor ou nem isso. Um ou outro lá tirou um curso normal mas, formação académica à parte, por fazerem parte de famílias ungidas, não foram habituados a conviver fora do restrito círculo das famílias ungidas e é sabido como é do convívio e da aprendizagem das diferenças que uma pessoa progride.

Em pequeninos foram criados pela criadagem (passe a quase redundância). Nestas famílias, as crianças não são autorizadas a perturbar o convívio dos adultos. Ou estão no colégio ou estão com os empregados. No entanto, se alguma formação mais humanista tiveram, foi a que puderam colher, em pequenos, no convívio com a criadagem.

Depois, como referi, estas famílias convivem em circuito fechado, umas com os outras. Ou seja, não conhecem o que quase toda a gente conhece. Festas de rua, manifestações culturais, mesmo museus, exposições, etc, não conhecem - excepto se as suas empresas os patrocinarem e, aí, irão lá prestigiar o evento com a sua presença mas, é claro, não vêem nada de jeito do que está exposto. Lamento dizer mas são, de forma geral, incultos como os mais simples carroceiros (profissão caída em desuso, mas enfim).

Usam um vocabulário muito próprio e carimbam os outros, os da plebe, a partir do uso de palavras proibidas. Alguém que tem berço diz encarnado, não diz vermelho (até porque vermelhos são os comunistas, essa raça infecta), diz carteira, não diz mala. E diz sófá, não diz sofá. 

Mas os ungidos dizem isto apenas porque têm um conhecimento muito restrito do vocabulário. Por terem um conhecimento assaz curto do que quer que seja, repetem acriticamente o que ouvem uns aos outros. Pelas mesmas razões, no meio de um jargão limitado e ridículo podem, volta e meia, ouvir-se suculentos pontapés na gramática. Nessas alturas, os da plebe fingem que não dão por nada, não vão os senhores ficar ofendidos.

Os senhores ungidos, com berço, de boas famílias, gostam dos colaboradores e, de certa forma e à sua maneira, gostam mesmo. Foram habituados a gostar dos pobrezinhos, em pequeninos as mães já os levavam a visitar os pobrezinhos. Aliás, contribuem para obras de caridade (não eles, claro, mas as suas empresas) e os seus filhos, depois de uma aprendizagem activa nos preceitos da Igreja Católica, são incentivados a fazerem voluntariado junto dos mais desfavorecidos. Sentem-se enternecidos perante os pobrezinhos, conviver com eles fá-los sentir ainda mais superiores e generosos.

Nas suas empresas, contratam - com mãos largas - boas assessorias jurídicas, fiscalistas de mão cheia. Estão sempre bem escudados: para cada acto: recolhem pareceres, toda a optimização fiscal (leia-se: fuga ao fisco) é sujeita a vários pareceres. É com voz grossa, porte superior e tranquilidade, que praticam toda a espécie de actos que nos trabalhadores por conta de outrem e outros plebeus seria tido como crime fiscal ou sujeito à maior censura social mas que neles é visto como um direito adquirido. Ter dinheiro lá fora, tirar das empresas tudo o que for necessário e das mais diversas formas ou fugir ao fisco é apenas uma forma de estar. Uma forma de estar legitimada por pareceres dos mais conceituados especialistas das áreas e, portanto, também aceite nas auditorias (aceite ou ignorada porque invisível).

Não são apenas os membros desta elite que acham que os portuguesinhos, os da pequena e média burguesia, viveram acima das suas possibilidades e que, por isso, causaram a crise e que, assim sendo, deverão ser muito justamente punidos: são os próprios remediados que, com sentimentos de culpa por terem comprado dois edredons quando bastaria um ou que foram de férias a Punta Cana a prestações, se apressam a ajoelhar, aceitando bem os castigos que os senhores recomendam.

Há uma unanimidade: pensam os senhores da nota e dizem os remediados que os trabalhadores e os pobres são uns esganados, gente mal agradecida, gente que tenta sempre ganhar mais uns tustos, que não aprendeu ainda a contentar-se com o que tem. No entanto, toda a gente fecha os olhos à fuga ao fisco no valor de milhões, ao desvio de dinheiros ou a toda a espécie de actos de má gestão ou mau comportamento cívico, quando ele é praticado pelos senhores das grandes famílias.

O que se passa é que estes senhores não apenas consideram que têm direito a tudo porque sim, porque as empresas, as propriedades e tudo isso é suposto estar na família - estar na família e alimentar principescamente a vasta família -como acha que está acima da lei, seja lá ela qual for.

Estas famílias são numerosas, muitos irmãos, muitos primos, cunhados, sobrinhos, e todos têm grandes herdades com picadeiros, vinha, grandes mansões, grandes barcos - mas, uma vez mais lamento desiludir-vos: não têm nada disso. Tudo isso é detido por empresas das sociedades. Uma vez mais, por razões fiscais e de segurança patrimonial, tudo isso é das empresas. A própria criadagem está afecta a empresas, para que os respectivos custos caiam nas empresas em vez de sairem dos bolsos dos patrões.

As Kikas desta vida falam do alto da mula ruça mas, de facto, excluindo o dinheiro que terá, eventualmente, sido posto a bom recato em contas no exterior, são mais pobrezinhos de que os outros de quem se sentem superiores.

Não lhes passava pela cabeça que todo o luxo que achavam que lhes era devido - sem terem que trabalhar ou tendo actividades pouco mais do que decorativas - provinha de empresas que, de facto, de facto, estavam e estão mais afundadas que o Tolan.

Nem saberiam disso (pois minudências dessas é coisa de gente simples, falar de dinheiro... que horror), mas, se o soubessem, também não se importavam porque havia sempre alguns colaboradores de confiança que se ocupariam de tirar dinheiro de outras empresas para o porem onde fosse preciso .


A esses colaboradores de confiança que se sentem ungidos pela confiança dos patrões e que, por isso, podem aflorar algumas das vivências de luxo deles, e sabem segredos, e fazem o que for preciso para satisfazer os seus amos, chamam os senhores os Silvas*. Não estou a ironizar: estou a falar verdade. Para se referirem aos que lhes são próximos mas nos quais não corre o mesmo sangue, chamam-lhes 'os Silvas'.

Todas estas famílias têm, a gravitar à sua volta, os seus Silvas.

Os homens de confiança ou de mão, como se queira chamar, os que ganham grandes ordenados e grandes prémios, os que acabam por ter carta branca para muita coisa, os que acabam por ter grandes casas, andar em grandes carros, passar grandes férias, ter milionaríssimas contas bancárias e que, por tudo isso, se sentem os maiores, são, de facto, à boca pequena, com sorrisinhos superiores, tratados pelos senhores por 'os silvas'.

O Conselho de Administração do BES, agora que a família foi corrida, parece que vai ser um conselho de Silvas. 


Os colaboradores que foram aliciados a subscrever as obrigações de aumento de capital com melhores condições (porque, estando as empresas falidas, era preciso injectar lá mais dinheiro e nada como ir buscá-lo aos que estão mais à mão: os colaboradores) estão muito mais pobres com a desvalorização bolsista a que se tem vindo a assistir, e várias agências deverão vir a ser fechadas, algum sangue irá ser feito. Mas isso é pormenor. Neste momento as Kikas deverão andar doidas sem perceber o que poderá vir a ser delas - mas que se danem os trabalhadores, coitados, temos pena, mas agora não há cabeça para pensar neles.

Não sei a que amos vão agora os Silvas servir. Provavelmente aos Goldman Sachs e outros que estão de olho faminto à espera que a carniça esteja a preço de osso. Mas tanto faz. Os Silvas servem a qualquer dono. E Silvas dispostos a aceitar um lugar de Silva é também o que não falta.

E que me perdoem os Silvas de verdade que eu não tenho nada contra eles.




* - Há outros ramos que, em vez de Silvas, chamam a estas pessoas 'os Sousas'. É de boas famílias, leal, muito sério, de plena confiança, sempre disponível, e sabe estar... mas é um Sousa - é algo que se pode ouvir dizer com a máxima naturalidade.

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As fotografias que usei para ilustrar este post foram obtidas na net e usei-as apenas porque mostram pessoas de quem muito se tem falado ultimamente. Mas usei estas como poderia ter usadas outras ou nenhumas.

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Sobre a minha pessoa - que receio que possa induzir-vos em erro, levando-vos a pensar que sou lebre quando não passo de uma simples gata - desçam por favor até ao post já abaixo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.


domingo, maio 25, 2014

Os Globos de Ouro 2014 vistos por José Pedro Vasconcelos para o 5 para a Meia-Noite: 'São sempre os mesmos!'. Lili Caneças e o beijo na boca, Lady Betty, o auto-broche e José Castelo Branco, Balsemão que mais parece a múmia de Carnaxide, Júlia Pinheiro cheia de saudades e mais uma data de cromos de quem não sei o nome.


No post abaixo mostro-vos uma forma possível de responder a piropos na rua. Uma mulher vai a passar e ouve um beijinho repenicado? E a seguir mais outro...? Ok. No fim deste, desça, por favor, até ao post seguinte. Martina Hill mostra como é.

Aqui, agora, a conversa é outra.


As eternas manas catatuas
José Castelo Branco, essa grande bicha,
 toda ela folhos,
e a Senhor Dona Lady, Betty Grafstein de seu nome,
com o big auto-broche ao peito


Não vi os Globos de Ouro. De vez em quando o zapping passou por lá, mas não deu para lá ficar: não apenas não conheço praticamente ninguém das pessoas de quem se lá fala como há ali um arremedo de Oscares que me parece uma coisa excessivamente de trazer por casa, uma imitação demasiado literal.

O que é que trazes vestido? E as jóias são de quem?, eram as perguntas recorrentes dos entrevistadores de serviço. 

Agora que falo nisto, reparo que os bocados que intermitentemente vi, aconteceram durante a entrada para o espectáculo em si (o espectáculo não vi de todo). Mas na entrada, tal como nos programas da televisão generalista que passam o tempo todo a anunciar um número de telefone para o qual as pessoas devem telefonar se querem habilitar-se a ganhar uns milhares de euros - parecendo que os bimbas que por ali desfilam a cantarolar e a bambolear-se são mero adorno para encher os espaços entre os apelos aos telefonemas - também aqui dá ideia que tudo aquilo dos Globos de Ouro é pretexto para as pessoas irem fazer propaganda a costureiros ou joalheiros.



Se calhar sou a única pessoa à superfície da terra
que não sabe quem é esta vaporosa senhora
Mas isto que abaixo vos mostro em vídeo é outra visão desse desfilar de vaidades na passadeira vermelha dos Globos de Ouro, ali às Portas de Santo Antão. O foco não são os vestidos, os sapatos. O foco é a graça da coisa.

Numa reportagem para o 5 Para a meia Noite, José Pedro Vasconcelos, esse ganda maluco, esse mestre do improviso que tem carradas de piada, entrevista o jet set que por ali vai desfilando, e populares, e distribui piropos e alfinetadas e até dá um beijo na boca a Lili Caneças. Um beijo que o deixa cheio de tremores. 

Oceana Basílio
como se estivesse a fazer
prova de marcha com uma
indumentária pouco apropriada


Há momentos deliciosos e o final não podia ser melhor: uma série de carros da polícia para levar de cana alguns dos convidados.





[A propósito de jet sets que influenciam e derrubam governos, que se armam em moralistas e defendem a necessidade de flexibilizar ainda mais a legislação laboral ou de reduzir os custos do trabalho e que, às tantas, fogem ao fisco, fazem contabilidade criativa, alojam as sedes em paraísos fiscais, dão golpes de mestre, e que causam a ruína de bancos e de países, estou com vontade de falar dessa grande barraquinha que está aí armada: as dívidas de milhares de milhões não declaradas nas contas do Grupo Espírito Santo, grupo esse onde pontua esse grande exemplo nacional que dá pelo nome de Ricardo Salgado. Mas não vai ser hoje porque estou cheia de sono]





E agora convido-vos a ver os vídeos

Globos de Ouro 2014: os vestidos, os costureiros, os sapateiros, os seios, os anéis, em suma, o déjà-vu 

(tudo José Pedro Vasconcelos transforma em piada).







***   ***


Não estranhem eu não ter reportagens de rua mostrando como as ruas estavam invadidas por espanhóis. Explico. De manhã, ao fazermos a nossa caminhada matinal, constatámos a invasão. Espanhóis sobretudo, claro, mas também muitos alemães (os que tinham planeado vir para o Bayern). Mas não ia preparada para fotografar.

À tarde estivemos com os meus pais, os pimentinhas a darem uma volta na casa e no jardim dos bisavós. Reparem no rabinho cinzento da minha menina. Disse que queria levar uma roupa especial e escolheu as calças às quais a outra avó tinha cosido um rabinho de feltro cinzento para ir fazer de ratinho numa festa na escola. 

Os primos acharam a coisa mais natural do mundo vê-la com rabo de ratinho e ela fica toda vaidosa por repararem nela. É uma coquette.

Por onde passam, mexem em tudo. A minha mãe já lá tem copos de plascistinas (como ela diz) para ver se se entretêm com isso e não mexem noutras coisas. Mas, sabe-se lá como, aparecem sempre com outras coisas na mão. Por exemplo, a lupa da escrivaninha saíu à cena e partiram logo o aro que rodeia a lente. 

O bebé está um rapazinho brincalhão, falador e espertalhão, mas, tal como a mana, é meigo que só visto. Aliás, é ainda mais. Dá xi-corações que são um consolo. Pedimos: vem cá fazer um miminho ou dá-me um abracinho e ele vem logo, bracinhos abertos, encostando a carinha à nossa. Uma ternura imensa.

O mais crescido já lê com uma facilidade que deixa a bisavó enlevada, logo ela que foi professora primária (e diz, faria se alguém o ensinasse...). fala com um vocabulário riquíssimo, com uma infindável capacidade de argumentação. Vai ser advogado, diz a bisavó. Tem dois tios que o são e um primo em segundo grau a caminho de o ser - às tantas é genético. Mas sabe-se lá. É tão pequeno ainda.

O ex-bebé é um querido e um desembaraçado. E é tão alto que já nem faz muito sentido tratá-lo por ex-bebé. Comilão, bem disposto, uma força da natureza. E gosta de se exibir, especialmente se há público feminino para assistir aos seus feitos.


Depois tivemos que vir de lá antes deles quererem, que estavam de gosto, porque o avô queria estar a postos em frente à televisão meia hora antes do jogo começar e deu ordem de partida à família toda muito antes do que seria razoável. Mas, com medo que houvesse trânsito ou por precaução, ala que se faz tarde. E depois já não saímos. Por isso, futebol e festejos de rua, só vi pela televisão.

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Relembro: para ver cuma possível reacção a um beijinho atirado na rua, desçam por favor até à Martina no post abaixo.

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Por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo e, por favor, vão votar.
Não se abstenham. Não votem em branco. Votem. Por favor.


terça-feira, agosto 27, 2013

Miguel Pais do Amaral, português, conde, rico, e Alicia Koplowitz, espanhola, marquesa, rica, estão de namoro. Um romance luso-ibérico verdadeiramente milionário: dois caçadores muy ilusionados, duas fortunas que se atraem. [E, não resistindo, coisa mesmo de mulher, falo da cara trabalhada de Alicia: muito botox, muito preenchimento e, não tarda, está parecida com a Senhora Dona Lady Betty Grafstein; queria antes referir aquela marquesa espanhola de cento e oitenta anos que dança sevilhanas e que casou com um mais novo que não tem pedalada para tanto salero, mas agora não me estou a lembrar do nome dela]


Este já é o meu terceiro post de hoje - o que é bem capaz de ser uma maçada para vocês. Já fui alertada mais do que uma vez para o facto de que aqui na blogosfera o que é bom são os textos curtos, meia dúzia de linhas, coisa que se possa apreender num relance. Mas não é esse o meu estilo e, por mais que me esforce, nunca lá chegarei. Aliás, deve ser por saber isso que nem me esforço. 

Mas, portanto, dizia eu, este já é o terceiro. Abaixo deste, há um texto com a minha opinião sobre António Borges, o economista que se enganou vezes demais apesar de conservar a fama de expert e, abaixo desse, há um outro sobre as sangrentas tareias literárias entre editores e críticos literários (que, felizmente, pelo menos até aqui, não têm envolvido na refrega os pacientes leitores). 

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra. Não gosto de acabar a minha empreitada diária com temas pesados e, por isso, agora é tempo de jet set e conversa fiada.

*

Durante alguns anos usei o cabelo curto, mas mesmo muito curto. Ao contrário do que acontece agora, em que corto o cabelo a mim própria, nessa altura ia ao cabeleireiro. Tendo eu bastante cabelo, cortar a mim própria um cabelo muito curto era manobra arriscada. Uma coisa é ter cabelo comprido, e tal a quantidade que qualquer tesourada mal dada passa despercebida, outra é usar cabelo curto e poder ficar com um penacho em evidência ou uma rapada a meio da nuca.

Nessa altura, eu ia a uma rapariga a quem reconhecia talento e competência. Cortar-me a mim o cabelo era para ela uma festa. Ao contrário da maioria das clientes que aparecem lá com ideias pré-definidas e conservadoras, eu pedia para cortar como lhe parecesse melhor. As minhas especificações limitavam-se a dizer muito, o mais possível, não tanto como da última vez, não me deixe o couro cabeludo à vista, coisas nesta base. Ou seja, dava-lhe liberdade quase total.

Às vezes ela pedia, posso pôr gel nas pontinhas para ficar em pé no alto da cabeça? - Pode, ponha, respondia-lhe eu. Tudo o que ela quisesse, podia fazer. Nessa altura mudava também a cor do cabelo. Percorri várias tonalidades entre o louro muito claro ou o ruivo escaldante - era conforme a disposição dela e minha. Ela deleitava-se: eu era matéria prima para a sua criatividade.

Quando chegava a casa, já ia preparada. Já sabia que, mal cruzasse a porta, a reacção poderia ser traumatizante (se eu fosse de qualidade de me traumatizar): invariavelmente o pessoal dava dois saltos no ar. Ou melhor, a minha filha (conservadora até dizer chega no que ao cabelo diz respeito) dava um grito, estarrecida, o que é isto…!!!????, o meu filho cruzava os braços sobre a barriga, dobrava-se sobre si próprio e desatava-se a rir à gargalhada, voltava a olhar para mim e voltava a desmanchar-se a rir, e o meu marido esboçava um leve sorriso (e eu percebia que ele até que nem desgostava de todo mas que tinha que lhe dar tempo até que se habituasse). Eu via-me ao espelho e achava que umas vezes estava uma autêntica punk, outras estava parecida (no cabelo) com a Jean Seberg.

Vem isto a propósito de que era uma altura em que eu andava ao corrente do que se passava com tudo o que era socialite, não apenas cá pelo burgo mas, sobretudo, por terras de Espanha. A Rosa, que assim se chamava a cabeleireira, tinha sempre lá a ¡Hola! e eu ia acompanhando o que acontecia com a ex do Julio Iglesias, a Isabel Preysler que fazia anúncio a louças de casa de banho e era casada com um banqueiro, ou com a sua filha Chabeli que estava muy ilusionada com um qualquer que vivia nos States, ou com aquela que tinha sido Miss Espanha e era casada com o Thyssen-Bornemisza e que fez um museu (onde, aliás, nunca deixo de ir de cada vez que vou a Madrid) ou com todas aquelas marquesas, apresentadoras de TV, ex-mulheres de toureiros, ou toda essa beautiful people que gira pela sociedade espanhola. 

Lembro-me bem das irmãs Koplowitz, a Esther e a Alicia, uma morena e outra loura, ambas casadas com homens chamados Alberto e que eram primos. 

Esther é a morena; Alicia é a lourinha, bonita, serena.




Ambas puseram os maridos à frente dos negócios da família e eles, depois de anos bem comportados, passaram-lhes a perna, pularam a cerca. Acompanhei esses casinhos. Viram-se aflitas para correrem com eles da vida delas, da vida e dos negócios. Depois lá lhes deram um bolo com uma qualquer cereja em cima (um banco? terá sido? já não me lembro) e a vida continuou.

Deixei crescer o cabelo, ganhei autonomia total a esse nível. Nunca mais soube delas.




Pois bem, qual o meu espanto quando hoje vejo na capa de uma revista, a Flash salvo erro, que o Miguel Pais do Amaral, 4.º Conde de Alferrarede, ex-cunhado de Marcelo Rebelo de Sousa por parte das respectivas mulheres, está de namoro pegado (certamente também muy ilusionado) com a mana loura, a Alicia, 7ª Marquesa da Bellavista. 


Mas o meu espanto não está nisso. Gostam ambos de caça, têm dinheiro a rodos, são livres, maiores e vacinados, nada de mais. O que me espantou mesmo foi a cara dela. Olhei-a e não a reconheci. Pensei: mas haverá outra com o mesmo nome? 




Bisbilhoteira como sou vim aqui à net e vejo que é, de facto, a mesma pessoa. Mas tal como tantas mulheres que querem contrariar a lei da gravidade, encheu-se de silicone e botox e ficou outra. 



As maçãs do rosto vão-se modificando, umas vezes parece estarem mais insufladas e o lábio de cima também, outras vezes parece que esvazia um bocado. Os olhos parecem mais pequenos, meio perdidos entre a testa e as bochechas, e a boca adquiriu aquele ar balofo e desgovernado das bocas às quais fazem muito preenchimento. Ou seja, tal como se costuma dizer, está toda mexida.



Entre a Alicia original e esta agora já não há muitas parecenças.

Talvez o cabelo ainda seja parecido. Gosto do cabelo dela, tem um ar natural.

Mas, de resto, está parecida com todas as apresentadoras de televisão espanholas, italianas ou brasileiras com mais de quarenta e tal anos: um bocado bolachuda (ou melhor, com maçãs do rosto redondas) e boca toda esbeiçada.




Pode ser que ela se ache mais bonita, mais jovem. A mim não me parece. De qualquer forma, para este efeito, a minha opinião não conta para nada. O Príncipe Miguel Pais do Amaral, o corredor de automóveis que tem o toque de Midas, gosta dela assim e para eles isso é o que conta.

E que sejam felizes. Não lhes desejo que tenham muitos meninos porque imagino que já seja tarde para isso mas desejo que as suas fortunas sejam úteis aos seus países. E, já agora, também sugiro à Alicia que não ponha mais botox para não ficar parecida com o José Castelo Branco - a menos que esse seja o objectivo.

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E por aqui me fico. Já sabem: abaixo desta pérola que acabaram de ler há mais dois textos, um muito a sério e outro a meio caminho.

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E, assim sendo, resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, um dia muito feliz!!!


quinta-feira, agosto 15, 2013

António Lobo Antunes, o menino Antoninho, o Senhor António, o 'doutor dos malucos', o escritor que escreve em letra miudinha e que começou a escrever quando um doente lhe disse que o mundo foi feito por trás, o homem de quem as mulheres querem tomar conta - todos juntos vão ultrapassar todos os duros obstáculos, vencer todas as batalhas. Quanto mais não seja para que nós, os seus leitores (uns melhores que outros...), nos continuemos a enternecer com as suas palavras [... e o tema do divórcio entre a Judite de Sousa e o Fernando Seara passa para secundaríssimo plano]





A ver se consigo escrever alguma coisa. Não vai ser fácil. Aliás nem estou com vontade de escrever. Há pouco fervilhava de vontade de vir para aqui armar o fuzué do costume. Estava a ler a Lux e a cada página me ocorriam ideias.

Hoje à hora de almoço fui ao supermercado. Muitas vezes, quando tenho que esperar a minha vez nas caixas, pego numa das revistas que está ali ao lado, no escaparate, e enquanto não chega a minha vez, leio-a de uma ponta a outra. Adapto a rapidez da leitura ao tamanho da fila. Basta ler em transversal para se perceber o filme todo. Uma namorava e já não namora mas continua amiga do ex, outra está bem sozinha, outra está repleta de felicidade com o filho do mais recente casamento, o outro tem uma namorada nova e foi visto numa discoteca. Não passa disto. Acabo de ler, já não me lembro de nada e, de resto, não conheço quase ninguém daquela gente, quase tudo actores e actrizes das telenovelas que não vejo, ou modelos que também nunca vi antes. Mas não me interessa, enquanto espero a vez estou entretida e comprovo que continua a existir uma realidade paralela àquela em que eu vivo.

Hoje, mal entrei no supermercado, vi a Judite de Sousa na capa da Lux a dizer que já tinha pedido o divórcio. 




A Lux com a Judite a anunciar ao mundo que está livre e boa rapariga


Fiquei muito admirada. No outro dia numa estação de serviço tinha-a visto, radiosa, a sair da água de bikini, toda contente com a sua boa forma. Não me passava pela cabeça isto. Achava que ela e o candidato de direita (como o Prof. Marcelo se refere a ele quando, ao domingo, ele e ela falam do Seara sem que nenhum deles diga o nome do homem) eram um casal para todas as estações. Curiosa, fofoqueira, agarrei logo na revista na esperança de perceber o que se passava. Mas, afinal, depois de ter feito as compras, em vez de ir para uma caixa normal fui para uma daquelas caixas automáticas. Por isso, dei por mim com a revista por ler e sem ter como fazê-lo. 

Comprar a Lux é coisa que não me está no ADN, digamos assim, mas abandonar a revista sem perceber o que se passa com a Judite de Sousa não me agradava. 


Então pensei, levo a revista, depois no fim de semana levo-a para a minha mãe, ela vai achar graça, depois de a ler deve dá-la à amiga, ex-colega e vizinha, que lá vai a casa com frequência e com quem troca leituras e esta também deve gostar de ler. E, de resto, só custa 1,40 € e, assim como assim, há muito tempo que não cometo nenhuma extravagância. Já com uma justificação que apaziguava a consciência, lá trouxe a revista.

À tarde pensei, mais logo, à noite, antes de ir para os blogues, deito-me no sofá e leio o que se passa com a Judite e com o Seara; a ver é se não adormeço antes, com o sono que estou, pôr-me a ler no sofá é meio caminho andado para estar a dormir passado um minuto. Mas eis que recebo uma mensagem do meu filho a perguntar se podia cá deixar os miúdos para eles irem jantar fora e estar com os amigos. Claro que sim.

Mal cá chegou deu com a revista. Muito admirado, Mãe, está ali uma Lux... Lá lhe expliquei que tinha sido um caso de emergência, que a Judite se ia divorciar. Ficou também muito admirado e a modos que até pareceu perceber a necessidade de eu ter trazido a Lux.

Claro que, com os miúdos cá em casa, nem mais me lembrei da revista. Mas há pouco, estando ambos a dormir, lindos, fofos, aqui ao pé de mim, dois bonequinhos mais lindos, lá peguei na revista.

E lá fui folheando, até chegar à Judite. 



Naomi e Diana

A Liliana continua a ser amiga do Zé Carlos mas gosta mesmo é do filho, e gosta tanto que até costuma dizer que até as suas próteses mamárias ela deve ao filho (sic); a Naomi Watts vai fazer de Princesa Diana; o Sócrates está de férias no Algarve, no Pine Cliffs, e continua a gostar de correr e, depois, não resiste a um mergulho; o Professor Marcelo está perto, na Quinta do Lago, com saudades dos netos, mas, menos mal, juntou-se-lhe a Rita Amaral Cabral, a namorada; e o Eduardo Beauté está com o marido, o modelo Luís Borges, e com o filho, também a banhos, e aguardam ansiosamente a chegada de uma irmãzinha para o Bernardo; e o filho do Durão Barroso casou-se com a namorada e o filho foi ao casamento e lá estava o menino ao colo do avô Cherne e da avó Margarida; e depois caíu-me o queixo porque o Cláudio Ramos rompeu com o Pedro Crispim (mas o Cláudio Ramos afinal é gay assumido...? não fazia ideia) e seguem caminhos e objectivos de vida diferentes; etc, etc.




Será que toda a gente sabia menos eu?
E eu a pensar que o Cláudio Ramos era uma daquelas evidências que só o próprio teimava em esconder.



Até que finalmente lá cheguei ao ponto alto: Judite de Sousa pediu o divórcio de Fernando Seara.




O ano passado, quando pareciam formar um casal para sempre

E então lá vi que já viviam uma situação complicada há uns meses, que o Seara já saíu de casa, que ela está a tentar adaptar-se a esta fase da sua vida e que tem contado com o apoio do filho do primeiro casamento, que ao contrário do ano passado em que tinham conseguido conciliar agendas para poderem passar uns diazitos juntos no Algarve, ela estava sozinha, e que até já escolheu advogada e eu leio que a advogada é a temível Maria José Galhardo, a melhor que há para divórcios e penso que, se ela escolheu a Maria José Galhardo é porque receia que o divórcio não seja coisa pacífica, e que na TVI ninguém tinha desconfiado de nada, tal o profissionalismo dela.


E continuo. A Pimpinha Jardim tem um novo bebé. E as ex-top models continuam com um corpo de se lhes tirar o chapéu e vou continuando. 


Até que, mais para o fim, chego ao funeral de Urbano Tavares Rodrigues, e leio sobre o filho de apenas 7 anos da sua actual mulher, Ana Maria, e vejo os amigos, e conheço-os, não preciso de ver a legenda. Manuel Alegre e a mulher, João Soares, Carlos do Carmo, Vitorino, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, António Vitorino de Almeida, Vasco Graça Moura, Helena Roseta, e aquela meio doida, com uma ar já um bocado estranho, a Clara Pinto Correia, até que vejo um casal que não conheço. Leio a legenda para ver quem são. Cai-me o coração aos pés.


Leio: António Lobo Antunes com Cristina Ferreira de Almeida. 




Não é esta a fotografia a que acima me refiro.
Nesta também estão António Lobo Antunes com a sua quarta mulher,
Cristina Ferreira de Almeida,
o quarto casamento para ambos

Não sei se ainda continuam casados.
Aqui ele estava muito bem ou , pelo menos, assim parecia. 


Angustiada, olho com atenção. É ele mesmo. Aquele rosto inchado, sem um único cabelo, talvez nem sobrancelhas, o aspecto típico de quem anda a levar horríveis doses de quimioterapia. Fico quase sem um pingo de sangue. Outra vez? Uma recaída? Fui confirmar à Visão. Continua a escrever e não tem falado nisto. Volto a ver a fotografia. Mas não, o aspecto não engana. Fiquei e ainda estou numa angústia.


Não consigo ler os seus romances desde há uns anos. Gostei muito dos primeiros e depois, quando a escrita começou a enovelar-se, deixei de conseguir. Mas gosto muito das crónicas, acho que é aí que ele é melhor. Ele odeia que lhe digam isso. Acha as crónicas uma coisa menor, um ganha pão. Mas é o que é. E gosto dos livros com entrevistas suas, tenho e li vários. Acaba por se repetir um bocado mas acho normal, se lhe fazem as mesmas perguntas, não vai inventar coisas diferentes só para parecer criativo. E acho graça ao ar blasé de quando dá entrevistas. E simpatizo com ele. Ele, conhecido através das suas crónicas, é um homem interessante. Tenho todos os seus livros porque acho que talvez um dia eu consiga perceber a sua arte, acho que o que eu gosto dele justifica que tenha ali tantos livros dele por ler. 

Não quero pensar que está outra vez sob ameaça. Lembro-me das suas crónicas escritas no hospital quando foi operado ao cancro, ou as crónicas sobre a imensa dignidade dos seus 'colegas' de quimio, sobre a sua própria fragilidade, sobre a importância das manifestações de estima na sua recuperação, mesmo que essas manifestações fossem uma mão sobre o braço ou o silêncio. Se escrevo agora, aqui, sobre isto é porque é a minha forma de lhe colocar a minha mão silenciosa sobre o seu braço. O afecto que talvez ajude a voltar a ficar bom.


Mas ainda não quero pensar que a ameaça voltou. Tomara que eu me tenha equivocado. Tomara que ele esteja bem. Tomara que, se não está bem, o fique rapidamente. Que ultrapasse outra vez as provações, que vença o bicho mau. Que continue por muitos, muitos e bons anos, a escrever.

Que o menino Antoninho continue dentro dele, curioso, irrequieto, feliz, que o menino Antoninho e o senhor António nos contem as muitas e ternurentas peripécias que se passavam no bairro de Benfica, o que se passam agora com as meninas que atacam ali por perto da leitaria do novo bairro, essas coisas, tantas coisas sempre, tantas coisas que queremos ainda saber.


António Lobo Antunes, um homem bonito, inteligente, polémico e que escreve (crónicas...) muito bem
E um gentlemen. E um lutador.
E um vencedor


Fique bom, António Lobo Antunes


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Juro que não vou esquecer
António Lobo Anunes


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A música lá mais em cima é o Impromptu Op.90 no.3 de Schubert interpretado por Maria João Pires

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom dia feriado!