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sábado, abril 04, 2026

Dois anos de governo AD e viva a mediocridade dos governantes
-- Como sempre, o meu marido não lhes dá descanso... --

 

Ontem, o Luís veio informar-nos que, após dois anos de governo AD, o País está melhor. 

Provavelmente só ele e os seus aficcionados é que deram por isso. Aposto que o pessoal, quando vai ao supermercado, quando enche o depósito, quando tenta arranjar uma casa ou quando não obtém resposta no SNS, pensa exatamente o contrário: o País está pior. 

  • Este governo conseguiu a proeza de diminuir em 2025 o PIB per capita dos portugueses de 82,4 por cento para 81 por cento do valor médio da UE e conseguiu também que a posição de Portugal no ranking do poder de compra passasse do vigésimo primeiro lugar para vigésimo segundo. Diria que a isto se chama andar para trás. 
  • O SNS piorou como nunca antes tinha acontecido, chegando-se ao cúmulo de ocorrerem partos em sítios inimagináveis, incluindo em plena rua. 
  • Os alunos sem aulas continuam mais do que muitos, sem que o ministro saiba dizer, ao certo, quantos são. 
  • Os preços da habitação dispararam. Portugal foi o País em que os aumentos na habitação foram maiores. O exemplo acabado do insucesso das políticas do governo para a habitação e a confirmação de que foram atingidos resultados opostos aos pretendidos é que 28 por cento dos contratos celebrados pelos jovens originam um taxa de esforço entre 40 e 50 por cento. 
  • O combate aos incêndios foi um desacerto total. A resposta às calamidades recentes revelou a total inoperância e ineficiência do governo. Mesmo as medidas de apoio que foram anunciadas não chegam aos destinatários apesar de todas as promessas do governo. 
  • As polícias voltaram a marcar protestos.
  • E os professores também voltaram a ouvir-se. 
  • A justiça continua inoperante, intrusiva, demorada e com agenda própria. 
  • O crescimento do País foi menor que o crescimento dos anos anteriores e, embora se mantenham os resultados positivos face ao orçamento, eles são menores do que no governo anterior. 
  • Para cúmulo dos cúmulos o governo não toma as medidas necessárias para responder à crise atual, que tende a agravar -se,  mas que o governo parece ignorar. Compare-se as tíbias medidas que o Luís anunciou -- tíbias, remissas, frouxas e de perna muito curta -- com as que Pedro Sánchez anunciou em Espanha. Face à inoperância deste Governo é de temer o pior.

Contra factos não há argumentos. Mas lá virão os aficionados do Luís dizer que o governo pode ter falhado nas situações mais críticas mas teve um desempenho positivo nas áreas da segurança e da imigração. Pois, pois .... 

Na imigração, a AD andou a seguir a agenda do Chega para resolver um problema sem grande dimensão mas muito amplificado pelo Chega. 

Na realidade, foi graças aos imigrantes que a economia cresceu e que vários sectores de actividade não pararam. Não esquecer os 3,2 mil milhões de euros positivos que resultam da contribuição dos imigrantes para segurança social. 

Hoje o problema é a falta de mão de obra imigrante para dar andamento a muitas obras. É o resultado da politica do governo. 

A seguir, para desviarem as atenções dos falhanços, vieram com a lei da nacionalidade. De facto, temos um problema gravíssimo com os dois mil e setecentos pedidos de nacionalidade por pessoas vindas do Industão (e, obviamente, estou a ser irónico). Já basta o que basta, tratem do que é importante. 

Quanto à segurança, o último RASI é elucidativo. Foram verificados 85.000 imigrantes e só 1 por cento estava irregular. Em contrapartida, os crimes relacionados com redes ilegais de imigrantes aumentaram 250 por cento. O governo foi avisado que era o resultado esperado da política que queria seguir mas não deu ouvidos a quem tinha razão. Os crimes relacionados com a droga e com a violência doméstica, isto sim um verdadeiro flagelo que é preciso combater, também aumentaram. Portanto, não se pode dizer que os resultados na área da segurança sejam os melhores. 

Enfim, é muito difícil encontrar algo de verdadeiramente positivo na actuação do governo e só alguém vindo de um planeta muito distante poderá dizer que o País está melhor. Atendendo a que estamos na época pascal (feliz Páscoa para todos) apetece-me escrever que presunção e água benta cada um toma a que quer. No caso vertente, o Luís toma carradas e carradas de presunção.

segunda-feira, abril 21, 2025

No rescaldo do feliz período pascal, uma brincadeira de reencarnação canina e vice-versa

 

Para que todos acomodassem os seus compromissos familiares, o dia de encontro cá em casa foi na sexta-feira da paixão pois o domingo de páscoa estava alocado aos outros lados da família. 

O dia foi muito bom. Não estávamos juntos desde antes da ida para os States e a troca de experiências e de impressões foi bastante interessante. E, de novo, a mais recorrente constatação: todos mais altos. O que esta gente está a crescer é surpreendente. E até a meteorologia se aliviou e, de tarde, até conseguimos estar ao sol. E calhou que a ementa foi toda na base das carnes e, por sinal, sem direito a pagamento ao padre da respectiva multa. 

Acontece que, por voltas e contravoltas das combinações, parte do pessoal afinal também veio cá almoçar e passar a tarde. Como não estava nos nossos planos, fomos comprar sushi e fiz salada e uma tortilha. Ou seja, na sexta comeu-se carne e, na páscoa, peixe. Sem ser de propósito trocámos as voltas à tradição. E, uma vez mais, a meteorologia adoçou-se e trouxe o sol e deu para passearmos e para apanharmos sol. 

E, no fim, mais uma boa surpresa: ao fim do dia, chegaram os demais e agora tenho os quartos todos ocupados. 

Claro está que o nosso ex-cãobeludo, agora cãotosquiado, que, desde que se viu reduzido a metade tem andado infeliz de todo, murcho, encolhido, uma dor de ver, e, até sem apetite, agora, com toda esta movimentação, tem andado numa euforia, super alegre, cheio de apetite, brincalhão e irrequieto. 

No outro dia li que, no capítulo das parvoíces, a nova trend é mostrar ao chatgpt uma fotografia do seu cão e pedir-lhe que imagine como seria o cão se fosse humano. Como me parece a ideia tão parva, tão parva, não resisti a experimentar. Como é sabido, tenho este meu lado bem parvo. Fazer o quê?

Achei curioso: um homem jovem com ar enérgico, brincalhão, com o cabelo desalinhado. Parece-me que, de facto, faz sentido. Sim, sim. Olho para ele e poderia ser a reincarnação do meu cãomaluco.

Mas depois pensei: e eu, se tivesse nascido um cão, como seria? Ou, se os átomos que de mim se libertam um dia se reorganizam e dão origem a um cão, como seria?

Não sei se, nas vossas interacções com o Chat, têm constatado que 'o tipo' é cheio de charme. Mas é. Ou melhor, tem aprendido a ser. Pois, depois de eu lhe ter mostrado uma fotografia minha (mas não disse que era eu), diz-me o seguinte: Posso criar uma imagem imaginando como seria uma versão canina inspirada na estética e nos traços gerais dessa mulher. Para isso, posso usar alguns elementos como: expressão serena e inteligente, olhos expressivos, pelagem que lembra o tom de pele e cabelo. Vou captar a vibe quente, elegante e clássica mas viva, talvez sonhadora ou curiosa.

Fiquei a pensar: este 'tipo' já tem a escola toda. Sabe-a toda. 

Mas o que saiu agradou-me. Sempre gostei de setters. Aliás, na fase em que eu dizia que não queria ter nenhum cão, pensava que, a ter, talvez um setter. Lembro-me de quando era pequena e ia à escola onde a minha mãe dava aulas. À tarde eu ia para um terraço onde estava o 'Senhor Director' que tinha um setter que brincava e atrás do qual eu corria, a brincar. Afinal vim a ter um boxer e agora um Serra de Aires (e não me arrependo porque adorei a minha doce boxer e agora adoro o meu fofo e truculento serra de aires).

Seja como for, crédito ao ChatGPT, esta aqui abaixo seria eu, um dia que encarne como cadela. E o pormenor de uma pena verde? Não é uma delícia? Na minha fotografia não tenho nada no cabelo. O que é que ele viu em mim para pôr a cadela com uma pena no meio do pêlo? Achei o máximo. E pôr-me num ambiente de natureza banhada por uma luz dourada? Uma maravilha.


Portanto, se um dia, num parque banhado por uma luz dourada, virem uma cadela assim, já sabem que sou eu. Não sei se é assim que me imaginavam mas eu olho para esta menina aqui em cima e, sim, revejo-me. Sou eu.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Be happy

domingo, abril 20, 2025

Também tendo a achar o mesmo que a jornalista que andou um ano inteiro a namorar tipos de extrema direita: são, antes de mais, uns seres inseguros, perturbados

 

Quando ouço alguns dos youtubers da moda ou quando ouço a conversa de fulanos de extrema direita geralmente penso o mesmo: deviam tratar-se. São incoerentes, inconsistentes, muitas vezes agressivos, mal educados, assumem posições extremadas, frequentemente de raiva ou ódio, demonstram zero empatia. Em contrapartida, viram-se do avesso, se necessário for, para agradarem, para que gostem deles. Claro que fico sempre incomodada e perplexa por alguém lhes dar ouvidos. E penso que, com sessões de terapia, individuais ou em grupo, talvez pudessem ser ajudados a tornarem-se bons seres humanos.

Esta coisa da manosfera de que só comecei a ouvir falar na sequência da série Adolescência (em que ainda não ganhei coragem para ir além do 1º episódio) -- grupos de homens intoxicados por teorias da conspiração, com sentimentos de rejeição recalcados, misóginos por má ou inexistente informação ou por traumas mal resolvidos -- parece que está a alastrar. E, ao ritmo viral que as redes sociais propiciam, está a 'apanhar' gente de todas as idades, em especial os que ainda têm a sua personalidade em fase de formação como os adolescentes.

Mesmo, no caso da nossa política nacional, se virmos bem, o Ventura é um caguinchas, diz uma coisa e o contrário, faz de tudo e o seu contrário, para que gostem dele, e, quando é apertado, parece que até faz beicinho. É daqueles que, numa situação de aflitos, ficaria a tremer que nem varas verdes e, quiçá, até não conseguisse controlar os esfíncteres. Um pobre coitado que, muito provavelmente, se seguisse um aturado programa de psicoterapia, talvez melhorasse. Assim, por aí anda, a dizer baboseiras, a incitar à divisão tribalista e imatura dos bons contra os maus, a ser seguido por outros tão perturbados quanto ele ou débeis das ideias. Veja-se também o Trump: narcisista, irracional, imaturo, infantilóide, inseguro, sempre a proclamar-se como o maior mas sempre com medo que gostem mais de outros mais fortes (Putin, por exemplo) do que dele. Lança atoardas ou grandes medidas e, quando vê que deu barracada, recua. E quando confrontado com as alarveiradas que diz, mostra-se surpreendido e diz que não disse. Claro que com esta aleatoriedade pegada e sendo uma mente desarranjada. Não se tratou pelo que, ao longo da vida, só tem feito o número dois (como agora se diz). Gente perturbada.

A investigação que uma jornalista levou a cabo confirma isto. 

Talvez se compreendermos bem como funciona a mente e a psique desta gente, talvez, talvez, talvez se consiga que continuem a ganhar influência e a fazer tantos estragos.

This woman dated only far-right men for a year: ‘They were so insecure’

The “manosphere” is made up of macho podcasters and influencers, a space where UFC fighters are among those that reign supreme, like Jake Shields. CNN’s Donie O’Sullivan sits down with Shields and also speaks with independent journalist Vera Papisova as part of "MisinfoNation: Extreme America," airing Sunday April 13 at 8pm ET/PT on "The Whole Story with Anderson Cooper." #CNN #News


Desejo-vos um belo dia de domingo

Renasçamos todos os dias.
Renasça a esperança.

segunda-feira, abril 01, 2024

Acontece. Às vezes é mais bolos

 

Dia de Páscoa, dia de aniversário, dia de bons comes, bons ambientes, lindos décors, maravilhoso jardim.

E, ao chegar a casa, uma tarefa digamos que quase hercúlea, não a nível físico mas mental. Mas os prazos foram cumpridos e isso, para mim, é importante.

E depois mais umas quantas coisas. 

E depois, ao fugir das análises políticas e de programas com que já não posso, fui dar a um programa inglês a que nunca tinha ido: concurso de designers a transformarem espaços. Gostei muito. Por isso, deixei passar o tempo. 

E esta segunda-feira vou ter que madrugar.

Por isso, com vossa licença, hoje eu é mais bolos.


Uma semana feliz a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Boa sorte. Animação. Alegria. Paz. 

segunda-feira, abril 10, 2023

Pode ser que alguma coisa ressuscite

 



Parte da família está de férias fora do país pelo que este domingo tivemos brunch em casa de outra das partes, parte essa que, de seguida, também foi para uma escapadinha relaxante fora de Lisboa. 

Nós dois fomos primeiro buscar a minha mãe e, depois do brunch e do convívio, fomos com ela passear à beira Tejo. Calor, tempo de verão, imensa gente. Tempo de férias. Céu azul, rio quase azul, pessoas na relva, pessoas sentadas na muralha, outras de bicicleta, muitas a pé, a conversar, muitas sorrindo enquanto caminhavam, muitas em esplanadas. 

Depois, já aqui em casa, deu-me aquele sono que não admite um não. Só que na casa ao lado, aquela para a qual dão as janelas da sala em que eu estava a adormecer, andava o vizinho a regar o jardim. Não percebi o que lhe deu pois o jardim tem rega automática. Só se está avariada...  A verdade é que andava a regar e, nitidamente, estava com todo o tempo do mundo pois regava com vagar, muito tempo em cada centímetro quadrado. Ora isso e os cães dele desestabilizaram completamente o cãobeludo. Saltava e ladrava como um possuído, jogando-se contra as janelas. E eu perdida de sono, tentando abstrair-me do chinfrim. Não consegui. Não adormeci.

Pouco depois fomos fazer a nossa caminhada do fim da tarde. Entretanto iam chegando fotografias, uns na piscina exterior, depois no jacuzzi, depois na interior, e paisagens, e outros que já tinham aterrado. E a noite caindo cada vez mais tarde, um passeiozinho gostoso. Mas os dois cheios de sono. 

O que sei é que não dormi de tarde, dormi agora. Acordei há pouco. Na RTP  'O amor move montanhas' e a Emily Blunt a cantar Wild Mountain Thyme.

E com isto o Natal já lá vai, pelo Carnaval nem demos por ele, a Páscoa já está. Daqui a nada será o 25 de Abril com uns a desentenderem-se com outros e os comentadores a comentarem as irrelevâncias de uns e outros (e do 25 de Abril em si se calhar pouco se falará) e logo, logo, virá o 1º de Maio com os sindicatos conservadores e ultrapassados da CGTP, mais os inúteis da UGT e provavelmente com o STOP e outros sindicatos populistas à mistura e com os Raimundos e Catarinas e outras fracas figuras a porem-se à boleia de uma gente que já não representa ninguém. 

E quando dermos por ela estaremos nos santos. E eu, no meio disto, só espero é que, para não ser tudo mais do mesmo, pelo meio alguém apeie o Putin e que a Ucrânia volte a ser um país livre de guerra. Tenho esperança. E, na minha esperança, espero que a paz na Ucrânia ressuscite. Acredito nisso. Claro que gostaria que não apenas na Ucrânia mas em todo o mundo. Só que não sou tão optimista ou aluada quanto isso.

Tirando isso, só se for para dizer que os dois vídeos que abaixo partilho agradam-me muito. Não tenho amêndoas ou ovos da páscoa mas tenho vídeos para vos oferecer. Espero que vos saibam bem.

O poético apartamento de Suzi de Givenchy em Paris | Uma jovem, um estilo | Vogue Paris

Nascida em Hong Kong, Suzi de Givenchy morou nos Estados Unidos antes de se estabelecer em Paris. Companheira do sobrinho do famoso costureiro Hubert de Givenchy e mãe de 3 filhos, ela convida-nos para o seu apartamento, um espaço heterogéneo onde convivem objetos de design, vintage e memórias de uma vida itinerante. Uma alma criativa, apaixonada por desenhar e escrever, mas também por moda. Uma moda com elegância atemporal, que ela afirma usar em primeiro lugar para agradar a si mesma. É também com vontade de transgredir os códigos que ela conduz a carreira de modelo aos 50 anos e tal, desfilando em especial para a Off-White. Vogue Paris foi ao seu encontro para a rubrica Une fille, un style.


Visitando os encantadores jardins italianos de Paolo Pejrone | Visitors’ Book

The World of Interiors apresenta o Livro de Visitas com Paolo Pejrone. Um mestre no seu ofício como paisagista, Paolo Pejrone recebe-nos nos seus jardins isolados aninhados nas colinas do Piemonte, na Itália.

À medida que percorremos o paraíso botânico de Paolo, desenvolvemos uma compreensão profunda do seu retiro bucólico: “Com o passar do tempo, ano após ano, tornou-se uma espécie de berçário no qual experimento muitas plantas”. 

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Esperança. Paz.

domingo, abril 09, 2023

A pura fruição do corpo

 

Hoje estou outra vez um bocado cansada mas, desta vez, acho que tenho justificação. Varri a casa toda por dentro, lavei uma colcha, lavei um tapete, estendi-os ao sol, varri cá fora, reguei, apanhei ervas. Há bocado, quando me levantei, estava toda dorida. Notoriamente falta de hábito. Face a toda as circunstâncias, há já algum tempo que não metia mãos à obra para uma faxina a preceito. O meu marido bem me avisou que amanhã, dia de páscoa, não me conseguiria mexer. Mas o tempo estava bom, a casa precisada e eu com vontade de trabalhos físicos que me pusessem o corpo a mexer.

Também fiz uma caminhada enquanto exercitava os braços (e a mente).

E falo na mente porque, enquanto andava ia a pensar que o corpo é mesmo um animal amestrado que, quando deixa de ser exercitado, se esquece das habilidades que antes fazia com uma perna às costas. 

No outro dia, cá em casa, quis mostrar à minha neta as dificuldades que tenho quando, na hidroginástica, tenho que fazer uns movimentos com as pernas e outros, não equivalentes, com os braços. Quis mostrar-lhe a concentração que é precisa. Mas, ao querer mostrar-lhe, parece que o meu corpo não queria elevar-se no ar. Saltar à tesoura para os lados ou com uma perna para a frente e outra para trás, só por si, é coisa que faço nas calmas dentro de água. Elevo-me bastante bem, obrigada. Mas fora de água...?

E o que eu saltava, senhores. Gostava de saltar em comprimento e em altura, gostava de trepar, de correr. Em miúda, quer as minhas avós, em casa de quem eu ficava por vezes, moravam num sítio muito mais elevado em relação à escola, quer a minha casa era numa zona alta, bem mais do que o liceu. E o que eu adorava, mas adorava mesmo, largar a correr, correr tão velozmente como se voasse. Ganhava embalagem nas descidas e quase parecia que não conseguia parar.

Agora quis saltar, elevar-me no ar enquanto abria e a fechava as pernas, e tive que me concentrar e convencer-me que era capaz. Caraças.

Tenho que me mexer, exercitar, voltar a ter domínio sobre o meu corpo. 

Esta pasmaceira e espapaçamento em que tenho estado desde que tive covid faz com que até varrer, limpar a casa ou arrancar ervas me custe como se tivesse estado a cavar batatas de sol a sol. Não pode ser.

Por isso, ver estes fantásticos vídeos aqui abaixo soube-me como uma bênção. E não é apenas pela dança alegre, é também pela voz capaz de cantar. Há tanto tempo que não canto que, se quiser cantar, acho que não me sai nada. Caraças. A gente enferruja se não praticar. Não pode ser.

Não sei se será a coisa mais apropriada para aqui ter na Páscoa mas fruir o corpo é uma coisa boa para todos os dias, Natal, Páscoa, 25 de Abril ou 1º de Maio.

Veja o que acontece quando um dançarinos de Boogie Woogie e um de West Coast Swing improvisam
Sondre Olsen-Bye e Ardena Gojani dançam pela primeira vez


O contratenor e dançarino de break Jakub Józef Orliński | Retrato do multi-talentoso cantor de ópera

Ele parece um anjo e pode cantar também como um. O contratenor Jakub Józef Orliński encanta o público com sua voz aguda e simultaneamente sonora. Mas Orliński não se destaca apenas no palco da ópera. Para contrabalançar o seu trabalho operático, faz breakdance a um nível que também vale a pena ver. No caso de Orliński, a alta cultura encontra o estilo de rua. Acrescente-se a isso sua aparência extraordinária e charme incrível, e não é de admirar que o jovem polaco pareça não ter problemas para atrair até mesmo um público jovem para a ópera. Antes de uma apresentação no Théâtre des Champs-Élysées em Paris no outono de 2022, Orliński falou sobre os vários aspectos de sua vida. O resultado é o retrato de um jovem cantor excepcionalmente talentoso que olha para o futuro com curiosidade.

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Um belo dia de domingo
Saúde. Tudo a mexer. Paz.

segunda-feira, abril 05, 2021

Domingo de Páscoa.
Um post com culinária e sorrisos dentro

 


Quando acordei percebi logo que estava melhor. Portanto, foi só o tempo de me arranjar e de comer a minha fruta, kefir com cereais e beber um café -- longo, índice 8 e, obviamente, sem açúcar -- para dizer ao meu marido que tínhamos muito que fazer. Como é costume, estava a pé há séculos, já tinha feito o seu passeio matinal e estava a ler um livro gigante de história. Pôs-se logo en garde. Teme estes meus rompantes. Mas, antes de ir atirar-me ao que me ocorreu ao pôr o pé no chão, tive que ir atirar-me ao anho pascal.

Tinha ficado de véspera a descongelar. Antes de o ter congelado, tinha-o limpo de gorduras. Então, fiz assim (a atentem que, ao contrário do que era em tempos de grandes comezainas e lambanças, desta feita o repasto era apenas para dois):

Num tacho coloquei uma mini (cerveja, bem entendido), duas cebolas grandes aos bocados, duas folhas de louro, um generoso fio de azeite, os bocados lavados do anho e, por cima, uma boa quantidade de salsa, coentros e um pouco de sal. Ficou com o lume no máximo até ferver. Depois baixei. Tapadinho, lume mínimo, a carne mergulhada no caldo.

Comuniquei, então, que queria ir limpar aquela espécie de estufa que está no meio da horta. É uma coisa precária que precisa de ser arranjada e que, por ter chão de terra, estava cheia de erva até uma altura desmesurada. A natureza a desafiar a mão humana, quando deixada à sua sorte, rapidamente toma a dianteira. Pensei que quero limpá-la e usá-la.

O meu marido, alertou-me: 'Vais, outra vez, dar cabo do ombro'. E ofereceu-se para ser ele a fazer o que houvesse a fazer. Mas não, apetecia-me mesmo deitar mãos à obra. Disse-lhe que esforçaria o outro braço. Então ficou ele, com o sacho, a dar cabo de uma verdadeira moita de erva alta que circundava a dita estufa. E eu, lá dentro, a arrancar à mão, com a mão esquerda (para poupar o ombro direito). Puxei e puxei e puxei. Arranquei erva verde, erva seca, descobri vasos e pedras rústicas debaixo das ervas.

Os montes de erva que ambos arrancámos foram impressionantes. Depois transportámo-los para o monte de sobrantes que vai compostando. Não conseguimos foi dar conta da manta de urtigas que se formou ao fundo. O meu marido diz que só com roçadora. 

Andámos também a varrer as folhas secas da nespereira. Está carregadinha de nêsperas mas estão tão altas que não sei como vamos conseguir lá chegar. 

Pelo meio, de vez em quando ia a casa vigiar o cozinhado. Cheiroso. 

Com a colher fui virando a carne para que ficasse bem envolvida no caldo.

Depois, como a carne já estava a mostrar querer desprender do osso, sinal de que estava a ficar macia, desliguei. Ficou a maturar enquanto fomos fazer a nossa caminhada. Talvez por ser caminhada pascal, foi mais longa do que habitualmente. 

Quando regressámos, descasquei duas cenouras grandes, um belo molho de feijões verdes, umas batatas normais e uma batata doce grande (das cor-de-laranja). Depois de tudo descascado e lavado, tirei a carne para um prato, juntei um pouco de água (o caldo estava já um pouco reduzido). Coloquei a cenoura às rodelas no fundo, o feijão verde aos bocados largos, as batatas aos cubos e, por cima, a carne. Deixei que fervesse e, depois, coloquei de novo do mínimo.

Quando pensei que deveria estar quase, coloquei o forno no máximo. Quando admiti que o forno estivesse quente, coloquei o conteúdo do tacho num tabuleiro grande de forno. Ficou tudo bem espalhado e assim ingressou no calor. Nessa altura, aliviei e passei para cerca de 180º.

Antes de servir, ao ver que estava tudo a ficar com aspecto quase crepitoso e douradinho de dar gosto, coloquei por cima umas fatias grossas de pão rústico para ficar quentinho.

Quando o tabuleiro foi para a mesa, tirei as fatias de mão para um pratinho à parte pois estavam ali mesmo apenas para aquecerem e ficarem com o cheirinho do cozinhado. Servi.

Devo dizer: a clientela foi escassa mas devo dizer que aprovou. O pãozinho marchou todo, molhadinho no molho grossinho e saboroso do estufadinho do anho pascal. Sobrou ainda o suficiente para outra refeição, o que me agrada pois isto de estar a cozinhar todos os dias há um ano também cansa.

Depois fomos apanhar sol para o jardim.

A meio da tarde recebemos uma mensagem, se estávamos em casa, queriam vir deixar-nos folar. Claro que sim. Passado um bocado, chegou a trupe primaveril e animada. A menina com um vestidinho de cavas, cada vez mais bonita. Os meninos brincalhões, sorridentes, crescidos, bonitos.

Trouxeram o excelente folar feito pela excelente doceira, mãe dos meninos, um folar recheado com doce de abóbora, requeijão e nozes. Bom, bom, bom. Trouxeram ainda folar, também muito bom, creio que recheado com maçã, feito pela sua mãe, outra doceira de mão cheia. E trouxeram um bocado de cabrito do almoço, provavelmente feito pelo chef que, tal como a mãe, é mais dado a salgados que a doces. Prová-lo-emos amanhã.

Trouxeram também ovinhos de chocolate com os quais fizeram caça ao tesouro no jardim. Os meninos correram, brincaram, jogaram às escondidas, os pais estenderam-se e descansaram ao sol na relva. 

Andei sempre de máscara e eles também, excepto o mais pequenino, não resisti a abraçá-los. Meninos queridos.

Quando o sol de pôs, esfriou e foram para casa, eu com pena de não poder despedir-me, abraçando-os e dando montes de beijinhos como na era pre-covid. 

O meu jantar foi simples: uma maçã, um pouco de cheddar maturado e, adivinhem, uma fatia de cada folar. Por mais que queira fugir às tentações, nada a fazer, elas vêm ter comigo.

Resumindo: tive um dia de Páscoa bem melhor do que esperaria. E o dia esteve ensolarado, um sol amável, cheio de pássaros cantando, as rosas, as glicínias, o jasmim perfumando o ar, os sorrisos adoçando-me o coração. O mês de Abril é sempre um mês generoso.

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Há pouco, ao começar a escrever, lembrei-me de que, em tempos, por estas alturas, nos púnhamos a caminho. Uma vez fomos visitar Alhambra e a Mesquita-Catedral de Córdoba. Mas, quase tanto como visitar estes locais maravilhosos, eu gostava de andar pelas ruas das cidades, pelas ruelas floridas. E agora que escrevo penso também em Marbelha, as ruas e os restaurantezinhos bons, o El Balcon de la Virgen, por exemplo. Tem é que ser fora da época da confusão. Na primavera, por exemplo, é bom. Voltámos lá depois mas curiosamente é da primeira vez que mais me lembro. Foi um passeio tão bonito. Gostava de lá voltar, gostava de ver os pátios floridos. 

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As fotografias são de Katerina Plotnikova e são estas e não outras apenas porque as acho muito bonitas

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Uma boa semana.

domingo, abril 04, 2021

Uma Páscoa suculenta

 


Não me importaria de ter vários dias assim. Uma tranquilidade envolta em canto de passarinhos, olhando as flores, varrendo, cozinhando, lendo. 

Não dormi bem na noite anterior. Como já percebi que acontece quando ando com muito trabalho, muita pressão de decisão difíceis a toda a hora, reuniões de sol a sol, o meu corpo dá de si mostrando que estou a puxá-lo ao limite. Pelo menos, assim interpreto. Do nada, apareceu-me uma tendinite num ombro. Que me lembre não fiz esforço nem dei mau jeito. E, no entanto, o ombro está dorido, o movimento bastante limitado. Então, de noite, sem poder deitar-me de lado ou doendo-me ao mínimo movimento, a coisa não esteve fácil.

Durante o dia, sempre que estive parada, coloquei um daqueles sacos de gel congelado. O gelo ajuda bastante. Espero que, assim como apareceu, assim desapareça. 

Apesar de estar assim, consegui ter um dia quase normal. Mantenho o braço junto ao corpo, contendo os movimentos, e a coisa vai dando. Pior movimentos que envolvam alguma torção ou levantar o braço. Abotoar o soutien atrás é para esquecer. 

Mas um efeito colateral foi que, por ter dormido pouco de noite, passei o dia a querer adormecer de cada vez que me sentei sossegada. Agora à noite, aqui no sofá, não tem conta as vezes em que caí no sono.

Mas foi um dia bom. Estive muito tempo no jardim e na horta. Gosto tanto. Aqui, sossegada, não há ruído, poluição. Aqui tudo é paz e natureza.

A anterior proprietária da casa vendo o meu gosto por árvores, flores e arbustos aconselha sempre que eu me inscreva nos cursos de jardinagem de agronomia, ali na Tapada da Ajuda. Digo-lhe sempre que ainda não dá, não consigo ter tempo. Mas reconheço que a minha ignorância é muita. Penso sempre que a minha intuição me leva onde for preciso mas, claro, sei bem que era bom, era, que isso fosse sempre verdade. Mas não é.

Hoje, o comentário do Amofinado levou-me até aos ensinamentos da Carol Costa. Diz ele que eu, se estivesse a ensinar jardinagem, deveria ser assim. Acho que tem razão. Ela ensina tudo com cuidado, vai ao pormenor, quer mesmo ensinar. Gosto dessa maneira de ensinar. E é divertida. E fala com carinho das plantas. Já vi vários vídeos dela. Como sempre acontece quando aprendo matérias muito novas para mim fico com muita vontade de experimentar. 

Andámos a ver, no jardim, se há algum lugar pouco intrusivo onde se possa colocar uma pequena greenhouse. Digo assim, com sotaque british pois os vídeos que andei a ver são britânicos, gardens, romantic gardens. Pensei num sítio, fiz marcações, pareceu-me perfeito. Chegou o meu marido, achou mal. Aborreci-me, achei que estava a contrariar-me gratuitamente. Mas pouco depois já estava a dar-lhe razão e, então, andámos os dois a ensaiar, a espetar paus no chão, eu a ver de longe, ele a dar sugestões, eu a dar-lhe razão. O trabalho em equipa é sempre mais proveitoso.

Agora estou a ver o Dr. House. No outro dia vi e voltei a ficar viciada. Sempre achei graça a bad boys. São os que valem a pena. Os outros tendem a ser uma maçada. Mas já é tarde. Tenho que ir. A minha mãe bem me diz que eu aproveite estes três dias para descansar, para dormir. Se vivesse num outro tempo, se fossem outras as minhas circunstâncias, haveria de ter uma vida boémia, tendencialmente desregrada. Assim, limito-me a ter horários impróprios para dormir. No outro dia estava a dizer à minha mãe que ela passar umas duas semanas numas termas era capaz de ser uma boa coisa. Volta e meia parece que fica com um bocado de bronquite. Ela concordou que era capaz de ser boa ideia. Depois disse que, se calhar, também para mim, para relaxar músculos e afins. Fiquei a pensar nisso. Capaz de ser boa ideia, sim. Vou pensar nisso. Mas quando é que as termas voltarão a estar abertas? Uma seca isto da porcaria da covid.

Bem.

Já é domingo de Páscoa. Não me lembro como foi a Páscoa do ano passado. Mas também não me lembro como foi a Páscoa nos outros anos. Tanto faz.

Quero é que venha o bom tempo para podermos estar na rua. O que me chateia é a perspectiva de, mesmo ao ar livre, termos que andar de máscara. E a perspectiva de não poder agarrar-me aos meus meninos. Que saudades de lhes dar abraços a sério sempre que me apeteça, sem medo de ser contagiada, sem que o meu marido me recorde que devo ser mais cuidadosa. Domingo de Páscoa, na prática, é apenas mais um domingo. Estamos em Abril, o mês da esperança. E eu gostava que pudesse ser o mês da liberdade. Infelizmente ainda não descobriram o tratamento milagroso para nos libertarmos desse corona de uma figa. E essa é que é essa.


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Pensavam que a Páscoa suculenta tinha a ver com gastronomia, não...? Lamento, não tem. Se o anho me correr bem, à noite logo conto como fiz. Agora, antes de o fazer, não faço ideia de como vai ser. 

Por isso, a suculência tem a ver com a jardinagem de suculentas, essa coisa que, como li, anda a deixar a mulherada ao rubro. Pudera: florzinhas tão bonitas e gordinhas inspiram o lado maternal que há em nós. Hoje vou partilhar um dos muitos vídeos que há a explicar como se podem fazer coisas que vão para além de deixá-las em vasos a serem fofas como são.

Arranjos de Páscoa com suculentas

Se passar em um supermercado, esqueça a prateleira de ovinhos de páscoa e corra direto pra gôndola de suculentas. Nossa jardineira Carol Costa ensina neste vídeo como fazer arranjos de páscoa lindos usando mini cestinhas e suculentas. Sim, aquelas plantinhas gordinhas que você encontra em hipermercados, pet shops, home centers e, claro, gardens centers.

Pra que seu arranjo tenha bastante estilo e seja gracioso, não precisa de uma quantidade enorme de plantas. Nossa louca das plantas sugere três espécies de suculentas, a que tiver à mão, mas elas precisam ser diferentes entre si, tanto na altura, quanto nas cores e no formato. 

Como materiais pro arranjo, cestinhas de vime servirão de recipiente pra plantar as suculentas e ainda dão aquela cara de utensílio onde o coelhinho da Páscoa carrega os ovinhos. Mas, a proposta é usar o que tem à mão: serve caminhõezinhos de brinquedo, taças, xícaras ou alguma tigelinha interessante. Pra proteger a cestinha e segurar o substrato, Carol a reveste com um pedaço de saco plástico.


E um belo dia de domingo a todos

domingo, abril 12, 2020

O quanto lhes devemos





Nunca como antes ficou tão evidente o quanto todos precisamos de todos e o quão importantes -- e vitais -- são algumas das profissões de que tanto nos esquecemos ou que tão arrogantemente menosprezamos.

Se uma grande parte de nós pode estar confinada, protegida de contágios, trabalhando em casa, uma outra parte tem que continuar a sair todos os dias para manter os serviços essenciais a funcionar e para garantir que a cadeia de abastecimento não se interrompa, vencendo o medo, correndo riscos, muitas vezes separando-se da família. 

Claro que, desde logo, obviamente, os profissionais de saúde -- embora desses talvez não se possa falar tanto em baixos ordenados (pelo menos, de forma generalizada) mas em que, tema de cifrões à parte, o que há a enaltecer agora é a dedicação, a entrega, a superação que os leva a enfrentar o risco de peito feito -- mas, também, os técnicos que mantêm os equipamentos operacionais e os auxiliares, os bombeiros, os funcionários dos lares e residências de terceira idade.

E, uma vez mais, refiro também os que trabalham nas empresas de águas, nas empresas de electricidade, nos operadores de comunicações, os camionistas, os que se ocupam da recolha de lixo, os empregados dos supermercados, os agentes de segurança, os farmacêuticos, os motoristas de transportes públicos, os carteiros, os operários fabris cujas fábricas ainda laboram, os entregadores de tudo, os donos e empregados de pequenas mercearias, e tantos, tantos outros. 

A todos esses nunca agradeceremos o suficiente. E seria bom que a nossa memória, que é fútil e fugidia, nunca os esquecesse. Devemos-lhes tanto. 

Uma parte significativa das pessoas infectadas pelo corona serão, certamente, pessoas com essas profissões. Só ligados à Saúde, se bem registei, serão mais de mil e quinhentos os que já foram infectados.

Para nós que, quando vamos ao supermercado, chegamos a casa e nos lavamos e relavamos e que temos mil cuidados com as coisas que trouxémos (e fazemos bem), imagine-se os riscos que as pessoas que circulam, que lidam sabe-se lá com quem, com  o quê, correm. E, no entanto, todos os dias têm que fazer frente à inquietação e ir à luta.

Não sou moralista e detesto a caça aos culpados de cada vez que acontece alguma coisa. Mas esta situação da covid que, à primeira vista, parecia uma treta sem relevância, um corona como tantos outros, uma cagada em três actos, veio a revelar-se a gota de água que fez transbordar o desconchavo que é este mundo. Os países paralisados, as ruas desertas, as lojas fechadas, as escolas vazias, silenciosas, grande parte das fábricas paradas, alguns países a deixarem morrer ao abandono os seus mais velhos ou os mais pobres, mortos a serem deixados à espera de vaga na morgue, enrolados em plástico ou enfiados em caixões de cartão ou enterrados em valas comuns -- tudo coisas impensáveis nestes tempos que julgávamos de abundância, nestes tempos que julgávamos civilizados.
[E isto também já para não falar numa coisa de que um dia iremos perceber o alcance mas que, para já, não é tema para aqui chamado: em toda a linha da satisfação das necessidades vitais, equipamentos e tecnologia chinesa. Em tempo de guerra não se limpam armas e, estando em causa a vida humana, a nacionalidade das armas e munições é secundária. Mas é tema a que, quando estivermos saudáveis e fortes, a viver uma vida normal, certamente haveremos de voltar.] 
Para concluir, que hoje não me sinto de muita conversa: um dia que tenhamos que voltar à normalidade, à 'nova normalidade', certos de que ainda corremos riscos -- conscientes de que são sempre muitos os riscos que corremos porque essa é a nossa natureza, frágil, efémera, vulnerável  -- tendo que vencer o medo, é bom que nos lembremos de quem nunca pôde estar resguardado, de quem, todos os dias, venceu o medo para que nós, os fantásticos e os melhores do mundo, pudéssemos estar resguardados.

Embora por melhores palavras, é também isto que diz Emily Maitlis.

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Já depois de ter escrito isto, vi no DN que também o Pedro Marques Lopes fala no tema:
A menos democrática das crises

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Antes de começar o post, vinha para falar do meu dia -- que foi de trabalho de manhã e tranquilo à tarde, ao sol e entre passarinhos -- mas, não sei porquê, comecei a pensar no dia em que vamos sair da hibernação... e derivei para isto. Não nos vai ser fácil, imagino. O mundo que conhecíamos deverá, então, parecer-nos estranho. Deve parecer-nos pouco seguro. Depois, dei por mim a pensar outra vez nas pessoas que continuam a dar o corpo às balas enquanto os outros, como eu, se confinam, tudo fazendo (e bem) para quebrar os elos de propagação do vírus. Não sei como faremos para agradecermos a essas corajosas pessoas e, sobretudo, para que passemos a tratá-las com o respeito que lhes é devido.

Claro que não devia aperaltar o texto com macacadas, pinturas ou esculturas com máscaras,  mas é que acho que não vale a pena pôr um ar ensimesmado para falar de coisas sérias. E, de resto, andarmos com máscaras vai ser o que nos espera nos próximos tempos. E também sinto que deveria ter esperado por um texto mais adequado para aqui partilhar o Moving On pelo Leonard Cohen. Mas, na volta, não bato certo e o que melhor se me ajusta são coisas que pouco têm a ver umas com as outras. Seja como for, peço que também vejam o vídeo do Moving on, tão bonito.

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A quem atribua um sentido religioso ao dia, desejo que esta Páscoa traga a esperança que a ressurreição significa.

A todos, desejo força para lutarmos todos, juntos, por um mundo melhor, por uma vida mais feliz.

domingo, abril 01, 2018

Sergei in blue, um presentinho que o meu querido algoritmo do YouTube tinha para me oferecer pela Páscoa


O meu querido algoritmo da Google* -- que tal como o algoritmo do Facebook também é cheio de inteligência e subtilezas - hoje tinha um belo ovo da páscoa para me presentear: Sergei in blue.


Sei que, para os católicos, a Páscoa é o momento mais significativo do ano religioso. Mas, para mim que não sou de práticas religiosas ou de me encaixar em preceitos que atentam contra a minha racionalidade, a Páscoa nunca teve significado.

Que aqueles que amamos para sempre viverão em nós, na nossa memória, isso é para mim uma verdade que me é cara. Não tem a ver com ressurreição ou com fenómenos paranormais. Tem a ver com a força do amor que supera as leis da vida.

Na minha família também nunca se ligou à Páscoa. Não sei porquê, quando me baptizaram, os pais convidaram a minha avó paterna para minha madrinha e o irmão do meu pai para meu padrinho. Por isso, ainda hoje o trato por padrinho. E à mulher dela trato por madrinha. Mas essa minha avó, pela Páscoa, lembrava-me que era minha madrinha e dava-me dinheiro (chamava-lhe 'as amêndoas') e um ovo de chocolate e um folar. Nunca consegui comer aquele bolo maçaroco com ovos cozidos lá dentro. A minha mãe é que gostava, comia-o como se fosse pão, às fatias, e acho que até punha manteiga. Aqui há agum tempo, provei e até gostei, sabia a erva doce ou lá o que era. Mas naquela altura, pela Páscoa, acontecia essa bizarria da minha avó vir com aquilo de me lembrar que a madrinha era ela e não a mulher do meu tio, e me aparecer com um envelope com notas, com um bolo incomestível e, vá lá, com um ovo de chocolate com amêndoas às cores lá dentro.

Mas, enfim, isto não vem ao caso. O que vem ao caso é que o algoritmo me apareceu hoje a dizer que me recomendava um novo vídeo com o belo e ultra talentoso Sergei -- e eu fiquei feliz como se ele viesse dentro de um guloso ovo de chocolate.flo


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* Isto dos algoritmos e das plataformas de partilha de informação tem que se lhe diga. Se a Google também não fica muito atrás do Facebook no que se refere a ter um poder social astronómico face ao valioso manacial de informação personalizada de cada um de nós -- e isto num mundo desregulado em que tudo, nestes domínios, é possível -- a verdade é que, na avaliação que faço, o Facebook supera a Google no nível de perigosidade pois o modelo de funcionamento, mais imediato, mais propenso à propagação exponencial, torna-o uma arma muito, mas mesmo muito, arriscada.



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segunda-feira, março 28, 2016

Almoço de Páscoa
- as receitas


A minha filha tinha dito que achava que devia ser qualquer coisa boa, mesmo com ar de festa ou de Natal, até falou em bacalhau. Mas bacalhau é mesmo de Natal ou de dia normal, não de Páscoa. Depois falou num galo recheado mas, lá está, coisa que não tem a ver com Páscoa. O meu filho falou em cabrito mas a minha nora não gosta dele tipo de animais e a minha filha também não simpatiza demasiado. Então ele disse que, se não fosse isso, meio leitão assado no forno. Ora onde ia eu arranjar meio leitão e como iria assá-lo sem ter que me levantar de madrugada? Portanto pensei, pois que seja cabrito e, para além disso, faço também um tabuleiro de arroz de carnes para quem não gostar do cabrito. Além disso, os miúdos gostam sempre de arroz de carne com salsichas em cima. Eles dizem que são salsichas mas verão que é outra coisa.

Portanto, vamos lá ver se sou capaz de reproduzir porque não sigo partitura, nem sequer é de ouvido, é mesmo na base do improviso, uma cena tipo jazz culinário, prazer em experimentar, em fazer. Fotografias só tenho da sobremesa e foi porque a minha nora me enviou. O resto saiu do forno directamente para a boca dos comensais sem oportunidade para sessão de fotografias:

Cabrito da Páscoa


Liguei o forno a 250º, com calor em cima e em baixo.

Limpei bem o cabrito, retirando as gorduras. Num tabuleiro grande de ir ao forno, coloquei um fio de azeite, depois duas cebolas cortadas aos bocados. Por cima da cama de cebola coloquei os pedaços de cabrito. Salpiquei com sal, não muito, alguns dentes de alho fatiados, algumas folhas de louro. Reguei com um pouco de vinho tinto. Por cima coloquei mais azeite.

Por essa altura já o forno estava bem quente. Coloquei o tabuleiro sobre o tabuleiro do forno, a duas espaços do fundo. Assim, nem recebe muito calor directo nem de cima nem de baixo. Nessa altura baixei para 210º.

Ficou assim uns 15 minutos. Depois, tirei o tabuleiro para fora e voltei os pedaços ao contrário. Mais 15 minutos.

Ao fim desses 15 minutos, tirei o tabuleiro, voltei de novo os pedaços e cobri ao de leve com mel. Nuns pedaços coloquei alecrim. Noutros não, porque alguns dizem que não gostam.

Nessa altura o forno passou para os 160º. Ficou assim uns 30 a 40 minutos, mais coisa menos coisa. Depois voltei a virar, a cobrir com um pouco de mel e, para garantir que não secava, cobri a carne ainda com rodelas de maçã descascada. 
Entretanto, cozi batatas doces cortadas aos cubos. Depois, quando estavam quase, escorri-as.
De novo para o forno mais uns 30 a 40 minutos, por aí, agora com as batatas nos espaços livres do tabuleiro. Por fim, já tudo bem dourado, ficou no forno a 140º mais um pouco mas a partir de certa altura, antes disso, já tinha um outro tabuleiro na prateleira de cima (o do arroz de carnes), pelo que já não recebia calor directo de cima.

No fim estava macio, suculento, saboroso. Se alguém pensa que fica doce, afianço que nem um pouco. Toda a gente gostou mesmo as meninas que não costumam ser fãs de cabrito.

Tinha cozido feijão verde que, depois, temperei apenas com azeite; acompanhou o cabrito com a batata doce.

Havia também salada de tomate.

Arroz de carne


Num tacho grande, coloquei cebola picada, alho picado, louro e fiz um ligeiro estrugido. Juntei 3 peitos de frango, 6 bifes de porco, umas fatias de entremeada e deixei fritar ao de leve. Juntei sal e um bocado de água e deixei cozinhar.

Quando a carne estava cozinhada, retirei-a e parti aos bocadinhos. Juntei ao caldo um pouco de sopa juliana (couve e cenoura raladas), e uns cubinhos de bacon e umas rodelinhas de chouriço de carne.

Depois de cozinhar um pouco, juntei a água até perfazer cerca do dobro da quantidade de arroz que ia pôr e deitei a carne cortada lá para dentro. Quando ferveu, juntei o arroz. Quando ainda tinha um pouco de água, retirei e passei para um tabuleiro de forno. Por cima, coloquei bacon às fatias e rodelas de chouriço e de linguiça. Coloquei o tabuleiro sobre a grelha do forno, por cima do tabuleiro do cabrito. Ficou no forno até ficar seco e as carnes de cima levemente tostadas.

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Sobremesa

A minha filha trouxe uns belos morangos e a minha nora, que é uma talentosa doceira, trouxe um bonito folar que fez as delícias de todos. Deixo a receita do folar que ela me enviou:

Folar de Maçã



Ingredientes:
600 g de farinha
255 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar amarelo
100 g de amêndoa granulada
450 g de maçã
3 ovos
1,5 dl de leite
1 saqueta (4,6g) de fermento seco de padeiro (eu usei 25 g de fermento padeiro)
1 colher de sopa de açúcar
1 pitada de sal
Sumo de 1 limão
2 colheres de sopa de mel.

1. Aquecer o leite sem deixar ferver. Retirar do lume e adicionar 175 g de manteiga.

2. Dissolver o fermento na mistura morna de leite e manteiga.

3. Colocar numa taça a farinha, a colher de sopa de açúcar e o sal. (Acrescentei uma colher de chá de canela e raspa de 1 limão)

4. Bater os ovos.

5. Juntar os ovos batidos e a mistura de leite e manteiga à farinha. Amassar até a massa ficar homogénea.

6. Tapar a taça com um pano de deixar a levedar durante duas horas, em local reservado.

7. Depois de lêveda, estender a massa, em forma de rectângulo, numa superfície polvilhada com farinha.

8. Derreter 80 g de manteiga. Pincelar a massa com a manteiga derretida. Polvilhar com 150g de açúcar amarelo, um pouco de canela em pó e a amêndoa (ou nozes).

9. Descascar as maçãs. À medida que se descascam regar com o sumo de limão.

10. Cortar as maçãs em pequenos cubos.

11. Colocar as maçãs cortadas em cima da amêndoa (ou nozes).

12. Enrolar a massa de modo a obter um rolo.

13. Cortar o rolo de massa em 14 fatias grossas.

14. Dispor as rodelas numa forma redonda, de 26 cm, untada com manteiga. Tapar a forma e deixar levedar durante 30 minutos.

15. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 50 minutos.

16. Depois de cozido, desenformar ainda quente. Pincelar a superfície com mel, se necessário aquecer um pouco o mel.
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Claro que sobrou comida mas agora temos uns tabuleiros de alumínio com tampa e, no fim, cada um prepara o seu farnel.

Quando estou a fazer a comida, tenho o meu marido sempre a querer que faça mais quantidade para eles poderem levar uma marmita bem composta.

Dantes, levavam tupperwares que depois me via grega para recuperar. Assim, com estes tabuleiros de alumínio descartáveis, é mais prático.
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A seguir houve caça ao tesouro com ovinhos de chocolate. Durante a tarde, para além de jogarem às escondidas e outras brincadeiras ainda houve cantigas e coreografias a propósito. Uma alegria enorme, todos contentes, todos brincalhões, miúdos e graúdos, risos, gargalhadas, várias vezes de irmos às lágrimas.

Escusado será dizer que, quando eles saíram, estava perdida de sono.
Já agora que não se pense que me levantei de madrugada. Não, nada disso. Comecei a cozinhar um pouco antes das 11 (horas novas) e estava tudo pronto quando chegaram (13:30). 
Mas ainda quis ir fazer uma caminhada. Estava um fim de tarde muito bonito, o dia já grandinho, uma luz suave. Ainda fiz umas fotografias. No regresso já vinha sem pingo de energia. Cheguei a casa, deitei-me no sofá e nem deu tempo de abrir um livro. Apaguei sem apelo nem agravo. Depois acordei pronta para outra e fui fazer sopa.

domingo, março 27, 2016

Páscoa




Quando me despeço dos meus colegas ou se me cruzo com conhecidos na quinta-feira antes da Sexta-Feira Santa (acho que se chama da Paixão, mas não estou certa), toda a gente deseja 'Boa Páscoa' e eu, que não ligo à data, digo o mesmo. Mesmo aqui, nos comentários, se me desejam uma boa Páscoa, eu retribuo. No fundo, estou a desejar que tenham um bom dia e, se lhe atribuem significado religioso, desejo também que se sintam apaziguados consigo próprios e com os outros, sentindo que é um tempo de recomeço.


Eu, muito sinceramente, não ligo. O meu sentido de religiosidade é muito meu, uma espécie de agradecimento ou de sentimento de felicidade por me ser dado testemunhar milagres como a da existência de vida ou da perfeição da natureza. Penso que não vou além disso e também não dirijo o meu agradecimento a nenhuma entidade em concreto. E se no que se refere a crenças em divindades é isto, ainda mais limitada sou no que se refere a rituais. Contudo, em datas assim, Natal ou Páscoa, gosto de ter a família reunida e gosto de preparar um bom almoço. E gosto que haja no ar um ambiente de dia de festa. E isso, para mim, é bom.


Na sexta-feira, estava eu em casa da minha mãe, e ela rodeada por todos os netos e bisnetos, uma algazarra que deixou o meu pai à beira de um ataque de nervos, tocaram à campainha. Era uma vizinha.
Essa vizinha, em tempos, foi dona de um salão de cabeleireira (como se dizia). Depois deixou-se disso, provavelmente trespassou o estabelecimento, e passou a gozar dos rendimentos. Contudo, as saudades fizeram o seu caminho e, desde há algum tempo, em casa adaptou um quarto e a casa de banho e fez uma espécie de mini-salão caseiro para amigas. Por amizade e comodidade, a minha mãe vai lá e quase todas vizinhas também. 
Então, dizia eu, ela foi lá a casa da minha mãe para dar um beijinho mas estava com pressa que já tinha uma amiga à espera, para arranjar o cabelo. E acrescentou que já passava das quatro da tarde, já não fazia mal. Perguntei se dizia isso por causa da digestão e ela atirou a loura cabeça para trás, deu uma gargalhada e esclareceu que não, que para quem acredita, disse ela, só a partir da tarde de sexta feira é que já se se aceita, é isto da quaresma, não sei bem, mas há quem ache que não deve. E ria-se de gosto, penso que por eu ter pensado que tinha a ver com a digestão. Fiquei admirada com aquilo mas a minha mãe também não foi capaz de adiantar muito mais. De não se poder comer carne já eu sabia, agora de não se cortar ou arranjar o cabelo foi novidade para mim.


Ou seja, há costumes que fazem sentido para quem é crente e incompreensíveis para os agnósticos, como eu. Mas respeito.

Por isso, apesar de para mim ser apenas um dia de almoçarada familiar, a todos quantos atribuem um significado especial ao dia de Páscoa, aqui deixo os meus votos de um dia feliz. E se alguns de vocês, meus Caros leitores, estão a desejar um recomeço, um novo rumo, pois que isso aconteça e que o que vier venha por bem -- e que, com a ressurreição e com a primavera, melhores dias estejam para chegar.

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Se o almoço ficar bom, depois logo vos digo como fiz. A esta hora ainda não sei como vou fazer.
Estou inclinada a fazer umas variantes para agradar a gregos e troianos.

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As fotografias foram feitas, este sábado, in heaven. 
O coro Oxford Camerata interpreta Ave Generosa de Hildegard von Bingen
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E, se estiverem para isso, deslizem até ao post seguinte para lerem as palavras de dois leitores, e depois até ao mais abaixo para as novidades destes últimos dias.

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sábado, abril 04, 2015

O Coelho da Páscoa. E, a propósito de coelhos, a avozinha e o coelho. E, já agora, a favor da tolerância e da compreensão, uma outra forma de humor.


Depois da útil invenção vinícola que mostro no post abaixo, e uma vez mais enviado por um Leitor, cá está o que não pode faltar nestas alturas: um coelhinho da Páscoa. Mas, ó senhores, o que o leitor me enviou foi um coelhinho que não é coelhinho, muito menos comestível, é um coelhão intragável, mal educado, antipático, mau, fora de prazo, um láparo da pior espécie. Brrrrr.....



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Já agora, uma nova versão do lobo mau e da avozinha.



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segunda-feira, abril 21, 2014

O meu período pascal - making of


Como já várias vezes aqui o disse, os meus filhos não são baptizados nem andaram na catequese, apesar de terem andado num colégio diocesano. Logicamente, também não se casaram pela igreja nem vão à missa e, portanto, ainda são mais alheios aos rituais católicos do que eu. Por isso, nem eu nem eles ligamos muito a isto de ser Páscoa. Mas, para além de não ligar muito ao lado religioso da data, devo confessar que, além do mais, sou distraída. Há coisas que se me varrem, nada a fazer.

No entanto, por várias vezes, durante estes dias, pensei que, às tantas, toda a gente liga mais do que parece.

Eu conto.

Para a sexta feira anunciei antecipadamente que não queria madrugar e que queria ir dar uma caminhada matinal, pelo que o almoço seria composto por frangos assados comprados numa churrasqueira - e todos me responderam que franguinho assado era mais do que bom. 

Mas, quando eu penso que a coisa tem tudo para correr bem e para eu poder andar sem stresses, geralmente há uma reviravolta inesperada e tudo se complica. Na quinta à noite, o meu filho manda-me um sms: 'acho que devia ser peixe porque na sexta feira santa não se deve comer carne'. Fiquei parada a olhar para aquilo. Imaginei que só podia ser piada.

No entanto, para minha contrariedade, o meu marido disse, 'acho que o puto tem razão, faz antes bacalhau'. Achei uma bizarria sem tamanho. Aqui já eu estava a ver a minha manhã a complicar-se. Na dita sexta feira de manhã liguei à minha filha: 'olha lá, o teu irmão diz que eu não devia fazer carne...' E logo ela: 'acho bem, sabia bem um peixinho. Mas porque é que ele disse isso...?'. Expliquei-lhe, 'Por ser sexta feira santa'. Deu uma gargalhada 'Ah! Só pode estar a gozar...! Mas eu alinho, se calhar aquela pescada grandalhona do Chile.'. Protestei: 'mas está tudo doido?! Agora, num dia feriado, onde é que vou arranjar peixe fresco? E como é que tenho tempo de ter almoço pronto a tempo e horas...? Gaita'.

Claro que me podia marimbar, mas a verdade é que tenho dificuldade em não atender às vontades deles. Resultado: lá fui para o supermercado, uma fila do catano para o peixe amanhado. Pescada gigante havia, mas havia também umas vinte pessoas à minha frente. Vai daí, trouxe-a por amanhar. Trouxe-a, não: trouxe-as. É que pensei que o meu filho ia querer a cabeça e se há coisa que eu adoro nos peixes é a cabeça, andar a escarafunchar, aproveitar os bocadinhos todos, esmiuçar as espinhas, as cartilagens, não deixar nada. Além disso, uma pescada, apesar de grande, podia não era suficiente. Então trouxe duas pescadonas. E batatas, cenouras, brócolos, grão, ovos. Pescada com todos. E eu quase a correr dentro de um supermercado cheio.

Depois em casa é que foram elas. Vi-me aflita para amanhar os bichos. Não cabiam no lava-louça. Eu cheia de pressa, as tropas quase a invadirem o quartel e eu naquilo: escamar, tirar as guelras, meter-lhes as mãos pelas goelas para puxar as tripas. Agora tenho as mãos meio arranhadas. Olhava para elas sem perceber o que tinha acontecido até que me lembrei: foi de as enfiar nas cabeçorras das pescadas, imagine-se.

Mas, enfim, valeu o esforço. À hora devida, o almoço estava servido. Mas, mal entrou em casa, o meu filho protestou: 'cheira a peixe cozido! mas porque é que todas as parvoíces que eu digo são levadas a sério...? Alguma vez eu ligo a isso de sexta feira santa...? Não dava para perceber que era no gozo...?''. Mas, concluiu, 'mas ainda bem, uma pescada fresca é boa ideia' e, claro, lambões, batemo-nos os dois com uma cabeça cada um. 

A outra distração minha tem a ver com ovos da Páscoa. Sabendo que não é suposto que as crianças comam muitas guloseimas, nem me ocorreu que um dia não são dias e que, portanto, deveria ter aberto uma excepção para os célebres ovos da Páscoa. Nem me lembrei. 

Mas a minha filha tem destas coisas: trouxe amêndoas da Páscoa e ovinhos de chocolate. Com ar censor, de cabeça de lado, sentenciou, 'ainda há quem se lembre, não é....?'. Pois. Ainda bem.

Ela sempre gostou de organizar caças ao tesouro e os miúdos adoram.

Portanto escondeu os ovinhos por aqui e por ali e foi deixando pistas. Claro que o mais crescido é que comandava os descobridores, avançando à aventura, tentando decifrar as pistas. Mas, para todos, foi uma festa. 

E, no fim, andava toda a gente a comer ovinhos de chocolate. Até o bebé me apareceu de boa cheia e logo toda a gente com medo que tivesse metido a prata na boca. Mas não: tendo ganho também uns quantos e querendo comê-los, a mãe tirou a prata de um para ele provar. Chamou-lhe um figo. 

Aqui ainda estava com
os seus fortes cacóis. 
Pelo meio, e apesar de nada ter a ver com o período pascal, ainda houve tempo para o habitual hair-cut. Não me refiro ao hair-cut da dívida pelo que o apresentador-amestrado Gomes Ferreira pode ficar tranquilo. Refiro-me, sim, ao cabelo dos dois rapazinhos mais novos. Estavam mesmo a precisar, como se pode comprovar pelas fotografias tiradas antes.

Sentam-se numa cadeira, de toalha pelos ombros, e vou humedecendo o cabelo, penteando e cortando à tesoura. Pareço uma barbeira de província. Como sempre, correu muito bem. Em particular, o ex-bebé adora, nem se mexe, eu podia estar ali uma tarde inteira a mexer-lhe na cabeça, a pentear, a massajar, que ele nem ai, nem ui.

E pronto, as minhas férias estão acabadas (que isto de haver um feriado encostado a um fim de semana para mim é uma festa, verdadeiras férias grandes). 

Este domingo, antes de ir para a visita semanal aos meus pais, ainda fomos, agora já só o casal (embora num estado um bocado depauperado), dar um passeio; e a ver se vos mostro a reportagem fotográfica porque Lisboa é uma maravilha. A questão é que vou acumulando assuntos e o tempo escasseia-me. A ver vamos.