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segunda-feira, junho 02, 2025

Grande entrevista na CNN. José Sócrates, um grande entrevistado. André Carvalho Ramos, um grande entrevistador.

 

Tive um dia preenchido e feliz, com a casa cheia e alta animação, e isto ao mesmo tempo que um joelho me doía, não sei se fruto de passadeira demasiado acelerada no ginásio, se fruto de muita lavagem esforçada de carpete, se fruto de outra coisa qualquer. Por isso, quando o pessoal se foi, sentei-me no sofá com a perna esticada e pus-me a ver as fotografias que entretanto recebi e a ver mensagens de amigos. E depois pus-me a ler. 

Até que calhou ver o comentário do Caro Leitor Ccastanho sobre a entrevista do Sócrates. Não tinha visto, nem sabia que tinha dado. Mas, entretanto, estava a dar uma coisa que o meu marido queria ver pelo que já passava da uma da manhã quando comecei a ver.

Com isto, eu que ia falar do meu dia em família e mostrar umas fotografias e etc., fiquei a pensar que deveria era falar daquilo a que tinha acabado de assistir. Só que é tarde e estou com sono... 

Mas, ainda assim, não consigo deixar de dizer que:

  • Sócrates continua a ser o mesmo animal político de sempre
  • Sócrates continua a mostrar que tem um estofo e uma estaleca e uma visão e determinação que são ímpares entre os políticos portugueses vivos
  • Sócrates continua a demonstrar que tem um ímpeto reformista com opções modernas e acertadas como a nenhum outro primeiro-ministro vi e voltei a ver
  • Sócrates continua a mostrar uma capacidade e a coragem de falar de frente, de pegar os bois pelos cornos, e a fazê-lo com honestidade intelectual e sem usar eufemismos ou indirectas
  • É pena que a porcaria do processo Marquês não se resolva de vez para que ele possa voltar a andar pela vida política, sem peias 
  • É pena que a história não se faça mais em tempo real para que a verdade sobre os benefícios para o País da sua governação possa ser conhecida e discutida com objectividade
  • Finalmente, é pena que o tema da sua vida pessoal (o apartamento de Paris, os empréstimos do amigo, as escutas, etc.) nunca tivesse sido devidamente esclarecida por ele próprio para que a suspeição que o envolveu e continua a envolver como uma nuvem negra deixasse de ser tema
[Sócrates disse muitas coisas relevantes sobre muitos temas e que aqui mereceriam destaque, mas tenho que me levantar cedo e já é tardíssimo. Contudo, quero aqui, pelo menos, louvar a forma como se referiu a Marcelo Rebelo de Sousa: um personagem inconsequente. Não poderia estar mais de acordo com tudo o que ele disse, na forma intriguista e ínvia como conduziu a sua actuação enquanto Presidente da República. O retrato que Sócrates fez do Presidente Marcelo é perfeito.]

Em síntese: gostava que o convidassem mais vezes para entrevistas como esta. 

E gostei muito, muito mesmo, da excelente entrevista que André Carvalho Ramos conduziu. Um trabalho incrível, uma atitude perfeita -- foi contido, educado, incisivo, inteligente. Entrevistar uma pessoa como Sócrates não é fácil pois é um interlocutor ágil, truculento, desafiador. Mas André Carvalho Ramos esteve completamente à altura. Está, uma vez mais, de parabéns. 

Um belo momento de televisão.

sábado, janeiro 11, 2025

O outro quer comprar a Gronelândia, anexar o Canadá e o mais que lhe der na bolha.
E o que isto tem de bom é que é um maná para quem tem sentido de humor.
Conan O'Brien foi até à Gronelândia ver se ia já fazendo negócio e o Anderson Cooper ri a bom rir.
Se o pato cor-de-laranja resolver comprar os Açores (certamente por tuta e meia), vai ser um fartote para o Herman, para o Ricardo Araújo Pereira e para essa malta toda.

 

Tenho muita dificuldade em processar o que está a passar-se. 

Por exemplo, nunca consegui entender bem o que levou Putin a marimbar-se para o Direito internacional e a avançar sobre a Ucrânia, sempre me pareceu coisa de doidos, de gente delirante, de psicopatas encartados, algo de que qualquer país teria meios para se se defender. Mas não. Também nunca percebi como é possível que os próprios russos não consigam demarcar-se do crime em curso ou forçar a queda de Putin. 

E ainda estava eu a digerir esta maluquice quando acontece o impensável: os americanos elegem o criminoso e tolo e parvo e narcisista e imprevisível Trump. 

E quando ainda estamos a digerir esta vitória e a impensável atribuição de um poder desmedido a outro maluco que já tinha poder mais do que suficiente, Elon Musk, eis que Trump, ainda antes de ser eleito desata a fazer afirmações indigeríveis, malucas para além da conta.

O mundo divide-se entre levá-lo a sério ou parodiá-lo. Mas a verdade é que, com estes delírios, de certa forma Trump legitima a actuação de Putin.

Tantos séculos de civilização, tantos avanços científicos, tantas teorias filosóficas e tantos estudos psicológicos, e, afinal, damos por nós de boca aberta sem perceber bem o que falhou, em que momento se iniciou esta deriva em que as pessoas parece que preferem ser governadas por mentirosos, por cínicos, por gente ameaçadora, gente doida. 

Mas, enfim, os tempos não vão fáceis a vários outros níveis e tomara que nos aguentemos até que o mundo volte a avançar com um mínimo de racionalidade.

E que o humor nunca nos falte, que a capacidade de nos rirmos jamais se extinga.

Conan's Greenland weather report cracks up Anderson Cooper

Conan O'Brien talks with CNN's Anderson Cooper about his visit to Greenland after President Donald Trump said he wanted to buy it, and showed video of him presenting the local weather forecast in the native Greenlandic language.

domingo, dezembro 22, 2024

Temos que esperar pelo menos uma hora para abusar dela -- disse o marido aos abusadores

 

Hesitei em escrever sobre isto. Nem é o ser chocante. É mesmo a impressão que me faz, uma impressão física. O que sinto é difícil de descrever. Parece que o meu corpo se retrai, se anula. 

É que nem é só o tarado do marido que drogava a mulher e aliciava outros homens para abusarem da mulher, é também os homens, 49 homens que acharam aceitável abusarem de uma mulher inconsciente e que alegaram que tinham o consentimento do marido. Estes 49 homens mais 1, o marido, acharam normal servir-se do corpo de uma mulher inconsciente, sentiram prazer nisso e, pelos vistos, não pensaram que estivessem a fazer nada de mal já que era o marido a convidá-los a servirem-se. 

Há qualquer coisa de demasiado sórdido, de abaixo de humano, de inqualificável à luz da normalidade. E, pelos vistos, eram homens normais, com vidas normais.

Nem vale a pena pregar a dizer que a sociedade está doente. Se calhar é mesmo assim, se calhar uma parte das pessoas têm em si uns genes de sordidez, de imunda e perversa animalidade e é só é preciso que apareça a oportunidade para que ela se manifeste.

Pelo que aqui se vê, há outros sites do mesmo género. Não haverá um único Pelicot. Se calhar, a coberto de uma normalidade que os protege, há mais pelicots estão entre nós.

 Ao não querer um julgamento à porta fechada, ao mostrar o seu rosto ao mundo, Gisele Pelicot teve a coragem de trazer a cobardia e a imundície do marido e dos anormais que a violaram para a luz do dia.

‘We have to wait at least one hour to abuse her’: CNN reveals shocking evidence in mass rape case

In a case that’s horrified France and shocked the world, 49 men are accused of raping Gisele Pelicot after her husband, Dominique Pelicot, allegedly drugged her repeatedly and left her unconscious. The abuse took place over nearly 10 years. CNN has gained exclusive access to a police report containing thousands of messages exchanged by Pelicot and the accused in chatrooms, on Skype and over text, revealing how the alleged crimes could have happened. While the website that Pelicot used to allegedly organize the abuse has been shut down, a CNN investigation has uncovered new forums where rape and sexual abuse are still actively discussed


sexta-feira, novembro 22, 2024

Na CNN (e parte na TVI), o primeiro entre as 19 e as 20 e o segundo entre as 21 e as 22.
José Sócrates continua a ser um animal feroz. António José Seguro continua a ser um apertadinho

 

E é o que tenho a dizer. Enquanto o momento Sócrates é um fantástico momento televisivo, o momento Seguro é a seca de sempre.

Só espero que não passe pela cabeça de ninguém convencer o Seguro a ir a votos nas próximas presidenciais. Está certo que, depois do Marcelo, a malta quererá ter alguém minimamente ponderado mas, caraças, com o Seguro seria monotonia a mais. 

quarta-feira, junho 19, 2024

O Ministério Publico continua com o bullying
-- A palavra ao meu marido --

 

Desde há muito que digo -- e já várias vezes aqui o escrevi -- que quem causa mais problemas ao País, que gera uma enorme instabilidade e potencia o crescimento da extrema direita são o PR, o Ministério Público e os órgãos de comunicação social. Felizmente já ouço alguns comentadores a partilharem total ou parcialmente esta tese. 

Nos últimos tempos, mais uma vez, estamos perante uma situação absolutamente nojenta que resulta da disponibilização cirúrgica de informação sobre os processos aos órgãos de comunicação social que, sem qualquer pudor, noticiam o que interesses obscuros pretendem que se noticie nesta altura. 

Naturalmente que me refiro às buscas que foram efetuadas dois dias antes das eleições (azar não conseguiram os objetivos que pretendiam) e às notícias, que nada tendo a ver com António Costa, aparecem sempre anunciadas como se tivessem, envolvendo o seu nome, e isto quando se discutem os lugares da Europa. 

E que não venham alguns pretensos jornalistas e vários comentadores televisivos dizer que são apenas coincidências. Só quem não quer ver, e o pior cego é o que não quer ver, ou não tem dois dedos de testa é que pode acreditar que isto são acasos e coincidências. Não são. Acasos e coincidências são situações que ocorrem ocasionalmente e estas situações são uma prática corrente. 

A reportagem da TVI, que mostra a estante, a secretária, os envelopes ou o dinheiro encontrado na busca ao gabinete de Escária mete nojo e não acrescenta absolutamente nada. No dia a seguir vêm a CNN e o Expresso com mais "coincidências". Isto cheira pior que uma lixeira. Já basta de tanta impunidade. 

Já não é só a agenda política, muito evidente, e os exacerbados ódios de estimação do Ministério Público, nem o desavergonhado conluio com parte significativa da comunicação social: é também o atropelo dos mais elementares direitos dos cidadãos, é o desrespeito pelo mais elementar comportamento cívico, é um atentado ao direito de qualquer cidadão ao respeito e ao seu bom nome, é o abuso reiterado do poder para achincalhar as vítimas na praça pública.

Como é possível que estes tipos continuem, em total impunidade, a fazer o que querem sem terem que prestar contas ou justificar-se? Não são escrutinados? Não são chamados à razão? Não são punidos quando violam a lei?

Já basta! 

O Prof. Marcelo que, provavelmente assolado pelo complexo de culpa e para tentar ver-se livre do António Costa, tanto tem, aparentemente, pugnado para que ele tenha um lugar na Europa, não acha "maquiavélico" o que está a acontecer? 

E mais uma vez não diz nada sobre o que de facto é importante? 

Depois de tantas asneiras, Sr. Presidente, faça alguma coisa de que se possa orgulhar e que os portugueses aplaudam. Acabe com este regabofe. 

sábado, maio 11, 2024

O que se diz nessas alturas...?

 

Gosto muito do Anderson Cooper. Entre outras virtuosas características que, a meu ver, o colocam como um dos grandes jornalistas e repórteres da actualidade, tem a de ser uma pessoa que exerce a empatia com bom senso e sensibilidade.

Nascido numa família milionaríssima, com algumas tragédias na família, ele é fruto de um caldo familiar, cultural e social que poderiam tê-lo feito bem diferente do que é. 

Whoopi Goldberg, nova-iorquina tal como Anderson mas os seus antecedentes são bem diferentes.

Contudo, ao falarem da perda da mãe e do irmão, estão irmanados na saudade e no desgosto que sentem. 

A dor pela perda dos que amamos, de uma forma ou de outra, deve ser sempre muito parecida. Mesmo que a estranhemos, mesmo que não a saibamos interpretar, mesmo que tenhamos dificuldade em descrevê-la, é sempre qualquer coisa que nos marca de uma forma profunda. 

Uma das questões abordadas por eles tem a ver com o que deve dizer-se a alguém que perdeu um ente querido. Tenho a mesma dificuldade, nunca sei o que dizer. Geralmente, não digo nada. 

Contudo, vejo (e ainda recentemente o testemunhei) que há pessoas que se esforçam por dizer coisas muito elaboradas e, em momentos em que agradecemos silêncio e pouco mais, nos empatam a paciência com discursos intermináveis sobre a lei da vida e outras pérolas.

Whoopi lançou um livro em que também fala sobre isso e Anderson entrevistou-a. E emocionou-se.

Watch Whoopi Goldberg's emotional conversation with Anderson Cooper about death

CNN's Anderson Cooper sits down with Whoopi Goldberg to discuss her new book "Bits and Pieces", which discusses coping with the death of her mother and brother


sábado, abril 27, 2024

Contra as marcelices que estão na ordem do dia (e outras anteriores), que avancem as calças que se rasgam nas virilhas

 

Tive um dia complicado, enredada nas manigâncias burocráticas de funcionários que me atrapalham a vida com mentalidades e atitudes burocráticas, sem o mínimo de compreensão. Nem falo em empatia. Falo em compreensão básica. Dizem-me que o que é preciso fazer é aquilo que os outros fora das Finanças dizem que é impossível. Há um senhor que diz que se tem que fazer uma coisa que só na Conservatória se faz. E a Conservadora diz, embora com todo o respeito e em linguagem jurídica, que os das Finanças vão mas é dar banho ao cão pois o que querem é tecnicamente impossível. E é taxativa: já disse o que tinha a dizer, não vai dizer mais nada. Face a isso, lá fui outra vez para as Finanças.

Portanto, uma audiência. Uma audiência que me tirou do sério.

Na sequência disso, mal cheguei a casa fiz uma exposição para uma Notária.

E mais umas quantas coisas.

Portanto, não levem a mal mas hoje já não tenho cabeça para me insurgir contra as marcelices que se sucedem em catadupa nem para o que quer que seja que puxe pelo lado sério do meu pensamento.

Até podia falar da entrevista ao Galamba na CNN. Comoveu-me. Ainda não foi ouvido pelo MP. Ainda não conhece o processo. O que sabe, sabe-o pela Comunicação Social. Entraram-lhe pela casa, para fazer buscas, estando as filhas a dormir. Escutaram-no durante anos. Ninguém merece tamanha pulhice. Os danos de toda a espécie que isto causa na vida de uma pessoa... E, disseram os juízes da Relação, tudo porque se esforçou por fazer o melhor para o País. Qual crime...? Num outro dia, eu falaria sobre isto. Esta entrevista merece ser falada. E não tem a ver com a entrevista, pois ele foi até bastante contido, mas também não deve ser esquecido pois não é só uma coisa incompreensível por parte do MP (ia dizer canalhice mas não quero ir por aí), é também tudo muito obra do Marcelo que não descansou enquanto não lhe fez a cama. O que Marcelo pressionou António Costa para correr com o Galamba é coisa que não deve ser esquecida. Mas tem que ser num outro dia. Hoje estou com a cabeça feita em água.

Por isso, deixem-me mas é distrair-me com esta rapaziada aqui abaixo me põe bem disposta.

Calças que se rasgam nas virilhas | Fugiram de Casa de Seus Pais | RTP

Um problema que já lhe causou forte embaraço junto da polícia e que poderá ser resolvido, apenas, se ele tirar as calças. 


sábado, abril 20, 2024

O animal feroz está em grande forma e recomenda-se

 

A quem não viu, recomendo que vá à box e ponha na CNN, talvez a começar às 22:00. Grande entrevista da Ana Sofia Cardoso que, com aquela sua tradicional bonomia e sempre sorridente mas sem perder a oportunidade de laçar a presa, conseguiu aguentar-se muito bem ao balanço. 

E Sócrates, sangue na guelra como sempre, um punch como poucos, irónico, sem filtros que é um gosto, não se coibiu de dizer, alto e bom som tudo o que tem a dizer.

Nestes tempos de falácias, verdades escondidas com rabo de fora, conversas politicamente correctas para agradar a gregos e troianos, sabe bem ouvir alguém que mantém o raciocínio veloz, o verbo ágil e a truculência nos píncaros.

Pela forma e pelo conteúdo, belo momento de televisão.

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Marcelo & Companhia - ou entra mosca ou sai asneira -
[De novo, a palavra ao meu marido]

 

O PR, que seguramente já estava em profundo sofrimento por não aparecer amiúde nas TVs, falou e brindou-nos com mais uma pérola. 

Relativamente a mais um caso de agressão com tinta perpetrado por um jovem, resolveu pronunciar-se e dizer asneiras como já tinha acontecido em protestos anteriores idênticos. Um PR com sentido de Estado e bom senso teria dito que, numa democracia, por mais justas que sejam as causas, não se podem defender as causas praticando crimes e que os culpados devem ser punidos de acordo com a lei. Mas não. O Prof. Marcelo disse que não valia a pena continuarem a atirar tinta porque já não causa impacto, porque já não é eficaz. E disse mesmo mais, que da primeira vez tinha causado impacto, da segunda também mas depois que a coisa se banalizou e já ninguém liga. Acho que este tipo de declarações do Prof. Marcelo são graves para a democracia e espero que pelo menos alguns comentadores lhe "batam" com força. No seguimento do que, há uns dias, disseram vários médicos num programa na RTP2 sobre o sono, o facto do Prof. Marcelo pouco dormir estará a afetar-lhe as capacidades cognitivas. Temo o pior nos próximos capítulos.

Outro assunto: vi ontem uma parte das intervenções do José Gomes Ferreira e do Gaspar Macedo (julgo que é este o nome do puto que participou num painel com a Joana Amaral Dias e o Pedro Costa na CNN). Ambos (o JGF e GM) revelaram bem o que é, neste momento, a direita em Portugal: cheia de  ódio, revanchista, desrespeitadora de quem tem opiniões diferentes e desejosa de vingança. Quem pensa votar na AD devia ter também em conta esta forma de a direita e seus arautos televisivos se comportarem. Felizmente, os poucos comentadores de esquerda que ainda são convidados pelas televisões têm um comportamento diferente  e cordato. 

Tanto o José Gomes Ferreira (que é tudo menos jornalista) e o puto interviram sempre de forma colérica, não dando hipótese aos outros intervenientes de falarem e vociferando quanto a tudo e contra todos desde que não fossem exatamente da mesma opinião que eles. O Ferreira até conseguiu dizer que  a maior subida de impostos em Portugal foi a subida do IVA feita pelo PS de 21 para 23%. É uma afirmação tão estúpida que deixou os outros intervenientes de boca aberta  e a "pivot", coitadinha, preferiu passar para um discurso da campanha eleitoral. Quanto ao puto que destila ódio a tudo que não seja direita pura e dura e que não dá "uma para a caixa", qual terá sido o critério seguido pela CNN para o contratar? Será o número de seguidores nas redes socias? Se for o número de seguidores mais vale contratarem "malta" do Big Brother para comentarem a campanha eleitoral  que, mesmo eles, são capazes de dizer coisas mais acertadas do que o Gasparzinho e não indisporem tanto os espetadores. Sugiro também que a SIC substitua o Ferreira por alguém do "Era uma vez na quinta" que terá certamente maior adesão à realidade e não dirá tantas pantominices.

Também o Pedro Bello Moraes, quando participa nos painéis, deveria, pelo menos, fingir que está ali como moderador isento, e não como fanático a favor da AD. É que, sistematicamente, toma as dores da coligação sempre que alguém critica, mesmo que ao de leve, o Montenegro ou afins. Cansa. Incomoda. 

terça-feira, fevereiro 27, 2024

Os 'meus' factos do dia: a importância que os excitados de direita (Maria João Avillez incluída) deram à aparição do Láparo no Algarve e a advertência feita pelo Luís Paixão Martins, na CNN, de que a tracking poll da dita CNN não representa a população votante pelo que os resultados apresentados podem não ser fidedgninos

 

Acordaram-me com um telefonema e já não voltei a adormecer. Com a necessidade de dormir de que sempre padeço, isto é grave. 

Acresce que finalmente vieram cá arranjar um depósito que estava a verter água. Vieram cedo e, claro, foi uma festa a nível canino. O cãobeludo ouve vozes, sente presenças estranhas, e, portanto, ladra, anda pela casa num virote, a avisar-nos do perigo e intrigado por o mandarmos calar em vez de irmos para os abrigos. Não houve sossego.

E se não acontecesse sempre aquilo de que o que pode correr mal, claro que corre sempre mal, teria sido bom. Mas correu mesmo mal e os homens estiveram cá até às nove e tal da noite pois, no fim de subirem e descerem ao telhado, de irem e virem ao sótão, de andarem dentro e fora, a coisa não funcionava. E o cão doido da vida. O meu marido já num desespero com vontade de os ver pelas costas. E eu na mesma. Mas, claro, não podíamos ficar sem água quente.

Com tanto entra e sai deles e tanto ladrar do pobre animal, esqueci-me de baixar o lume do fogão e só dei por ele quando me cheirou a queimado. Arroz queimado. O caldo veio por fora, queimando-se em volta do bico. Penso que foi só a camada inferior do arroz a ficar sacrificada pois, mau grado o intenso pivete a esturro, já o jantámos e estava bom. Como fiz para duas vezes, amanhã, quando formos mais fundo, é que devem ser elas. Mas, optimista que tendo a ser, ainda quero acreditar que, com sorte, o cheiro terá sido sobretudo do caldo queimado, que veio por fora, e não do arrozinho em si. 

De tarde, depois de almoço, estava com sono mas, com as movimentações e o barulho, não deu sequer para fechar os olhos. Mas bem precisava.

Depois dos homens terem saído ainda fomos fazer a caminhada nocturna com o cão de guarda. Um frio que só sentido, um vento antárctico, irrespirável de tão gélido.

Depois é que jantámos. Agora estou cheia de sono. E do cão nem falo: está aqui no chão, estafado, estendido, a dormir a sono solto. Quando é para dormir, costuma sair da sala e vai para os seus aposentos. Hoje não conseguiu, ficou a meio do chão, indiferente a quem entra ou sai da sala.

Não vi televisão senão agora. E pasmo com o relevo que os comentadores estão a dar à aparição do Láparo. Foi ao Algarve, nem sei se a Boliqueime, mostrar o seu sorriso sem lábios, foi lembrar-nos o seu ar malévolo. Um susto. Como se aquela criatura de má memória fosse mobilizadora para alguém. Por exemplo, apanhei um bocado da Maria João Avillez, numa excitação quase desvairada, pegada, imagine-se, com o Bugalho (que, honra lhe seja feita, lhe respondeu à altura), uma coisa que mostra bem a índole inflamada e facciosa das hostes laranjas.

Ouvi, depois, o Paixão Martins dizer que o Passos Coelho talvez mobilize aquela direita que anda indecisa entre o Montenegro e o Ventura. Talvez. Se, com isso, o Láparo conseguir fixar eleitorado laranja em vez de os deixar fugir para o Chega, menos mal.

Gostei foi de ouvir o Paixão Martins passar um atestado de incompetência à CNN por ter uma tracking poll deficiente, que, muito provavelmente, está a distorcer as análises feitas às tendências de voto. Imagino que, a esta hora, os da CNN andem a ver como remediar a situação. A menos que a intenção seja mesmo a de manipular a opinião pública. Já não digo nada.

Tirando isso, pouco ou nada mais tenho a dizer. 

Ainda tenho muita triagem a fazer nos livros que estão na cave, ainda a monte, (e preocupa-me, claro que sim, este acréscimo considerável de volumes pois se antes já tinha a perfeita consciência que nem que viva até aos 200 ou 300 anos conseguirei lê-los a todos, agora ainda mais difícil será -- até porque os livros antes tinham uma letra muito miudinha e uma pessoa a partir para aí dos 150 já deve ter uma certa dificuldade em conseguir entender-se com páginas compactas de letrinhas minúsculas; a menos que, daqui por uns anos, já haja maneira de fazer ligação directa entre as páginas dos livros e o cérebro, sem ter que esforçar a vista).

Para além dos livros mais antigos também terem um papel que agora já me parece um pouco desapropriado, alguns também já estão com a folhagem um pouco desconchavada. Mexo-lhes com mil cuidados mas a pensar que deveria dar-me ao luxo de gastar com eles o tempo necessário para recoser as folhas ou para colar as lombadas. Só que continuo a não conseguir dar vazão a tudo o que tenho em mente. Ou são coisas a mais ou tempo a menos ou, o que talvez seja provável, estou a ficar muito menos produtiva do que era antes.

Uma amiga contou-me que o marido, desde que teve covid, não voltou a ser o mesmo, que se cansa muito, que mal dá um par de passos a mais que o habitual fica logo com os bofes de fora. E ela é médica. Ou seja, pelos vistos ainda não descobriu maneira de o voltar a colocar nos eixos. Também tenho ouvido dizer que a gripe deste ano deixa algumas pessoas podres de sono. Ora eu, a seguir a ter covid, faz agora um ano, fiquei alguns meses pedrada de sono. E a gripe que tive há pouco tempo também me deixou com muito menos energia. Se calhar é isso tudo junto que ainda tenho agarrado a mim. Isso mais os anos que tenho em cima. Caraças.

E depois há este meu biorritmozinho do caneco. Podia escrever aqui durante o dia. Mas não senhor. Continuo a achar que o dia é para trabalhar ou fazer tarefas de outro tipo. Escrever aqui é hobby ou vício nocturno. Faça chuva ou faça sol só começo nisto às tantas. Portanto, só por isso, já era caso para ter sono. Agora imagine-se que, para além disso, há ainda o efeito cumulativo do sono e da quebra de energia pós covid e pós gripe. E já nem falo dos meses de stress agudo que vivi com a situação da minha mãe, o último dos quais totalmente arrasador. Conclusão: durante o dia, por vezes penso que quero falar disto ou daquilo. Depois chego aqui à noite e já estou com a bateria nos mínimos. Parvoíce, isto.

Bem.

E esta terça-feira vou ter uma agenda bem preenchida pelo que mais vale não ir muito tarde para a caminha.

Tinha aqui um vídeo bom mas fica para outro dia.

terça-feira, novembro 28, 2023

Luís Paixão Martins -- o grande comentador da Televisão Portuguesa.
Alô, alô CNN :
Para quando a uma hora menos tardia? Para quando um espaço mais prolongado?

 


Não sei se a CNN repete, ao longo do dia seguinte, o espaço de comentário com Luís Paixão Martins mas, se ainda o não faz, deveria fazê-lo. Eu vejo-o à segunda-feira, depois das 23:30 h. Apenas cerca de 20 minutos.

Receio bem que não haja ainda muita gente a saber que é do melhor que há em televisão. Seria boa ideia que a CNN o convidasse mais do que um dia por semana, para mais tempo e a uma hora a que mais gente esteja a ver televisão. Seria uma aposta ganha, segura. Luís Paixão Martins tem uma característica preciosa em televisão: é cativante. Por isso, gera fidelização. Quem o vê uma vez, não deixa de querer vê-lo (e ouvi-lo, bem entendido).

Inteligente, arguto, factual, sintético, frontal, sem meias palavras, inatacável. Para analisar a política nacional é de longe o melhor comentador. Cada palavra que diz vale a pena. Não apenas é certeiro como envolve o que diz em camadas. O que ele diz tem subtexto e hipertexto associados. Ganha-se em ouvir mais do que uma vez pois se é muito explícito no que diz, há, aqui e ali, semeadas, algumas subtis insinuações ou quase imperceptíveis lamirés.

Acresce que acompanha o que diz de um olhar cortante, de um sorriso ora irónico, ora sarcástico. Um gosto vê-lo. 

Em frente dele, sorridente, rendida, Ana Sofia Cardoso. Vê-se que não perde pitada, que está a aprender, que está a divertir-se. Compreendo-a. Assim devem estar todos os espectadores.

Desta vez, de uma primeira visualização, retenho o que ele disse: que quem escreve os discursos do Montenegro deve trabalhar em time sharing a escrever os discursos do André Ventura. E está bem visto. De facto, o estilo panfletário, ofensivo, populista, baderneiro de Montenegro ao falar de Pedro Nuno Santos não lembram a ninguém. Não perceberá que os portugueses querem um Primeiro-Ministro decente, que revele saber o que é o sentido de Estado e não um bocas, um fulano armado em engraçadinho?

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A fotografia pertence ao artigo da Visão: ENTREVISTA A LUÍS PAIXÃO MARTINS: MEMÓRIAS DE UM SPIN DOCTOR

terça-feira, novembro 21, 2023

Luís Paixão Martins (LPM) e a famosa 'fonte de Belém'

 

No Questionário de Proust e nas suas múltiplas versões costuma pedir-se que se identifique uma pessoa, da actualidade, que se admire.

Se eu estivesse a responder, para restringir o leque cingir-me-ia às que toda a gente pode facilmente observar para poder comprovar as minhas razões.

E, portanto, aqui estou a afirmar que se há alguém que gosto sempre de ouvir pela inteligência aguda, pela frontalidade e coragem que demonstra, pela concisão e clareza das suas afirmações é ele, o Luís Paixão Martins. Para além disso, mesmo fisicamente é impressionante, não apenas pela compleição como pela magnífica cabeça e pelo penetrante olhar.

A sua intervenção desta 2ª feira à noite na CNN, não sei exactamente a hora, mas de certeza entre as 23:30 e as 24:00, é extraordinária, em especial quando fala da 'fonte de Belém', simétrica de Marcelo Rebelo de Sousa, que fala nos dias em que Marcelo não fala, que veicula as palavras de Marcelo, e que encarna em diversas personagens, geralmente personagens sem rosto quando se trata de imprensa escrita. Mas, diz LPM (aqui são as iniciais do seu nome, não a sua empresa), agora que era preciso usar a televisão, a 'fonte de Belém' encarnou no Lobo Xavier.

Os tais heterónimos...

Mas não se ficou pela hilariante rábula em torno da 'fonte de Belém', o LPM. Quem não viu e tenha como, é pôr a 'coisa' a andar para trás. Não darão o tempo por perdito.

Acrescento a nota de que o meu marido leu o livro 'Porque mentem as sondagens' e gostou bastante. Aqui fica também a dica.

Nos tempos que correm em que grande parte das pessoas parece encarneirada, falando a uma só voz, a voz da maledicência, sem sentido crítico, sem a mínima preocupação em respeitar os mais elementares princípios da Lógica (já para não falar nos sãos princípios que devem enformar a democracia e a liberdade) não há muitas vozes assim. Ele alia a argúcia à ironia e a inteligência de dizer o que pensa (usando uma forma em que é inatacável) ao sentido de humor.

Fez bem a CNN em ir buscá-lo. Entre tantas caras que já falam por falar pois estão a vender comentários há anos e anos e já gastaram o reportório, ou as que falam para cumprir uma agenda encoberta ou os que falam sem terem nada que dizer, eis que há uma voz que apetece ouvir.

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Para quem não o conheça:

Que país é este 
- entrevista a Luís Paixão Martins conduzida por Miguel Nabinho


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quarta-feira, outubro 26, 2022

Quão suja é a bomba prestes a explodir dentro da cabeça de Putin?

 

Quando Putin começa a acusar as suas vítimas de andarem a fazer porcaria já toda a gente sabe algumas coisas:

1 - O que ele diz é mentira

2 - Está a manipular a opinião pública

3 - Está a criar condições para que, se for ele a fazê-lo, possa depois desculpar-se, dizendo que agiu em legítima defesa


Não sendo eu versada em temas de guerra, estudei contudo o suficiente de Teoria dos Jogos para poder tecer algumas considerações. Contudo, neste caso nem tal é necessário: o senso comum, neste caso, é mais do que suficiente para tal.

Assim:

a) Quando se começa a conseguir estabelecer padrões comportamentais num jogador, ou seja, quando este se torna previsível, esse jogador perde força, ie, perde vantagem competitiva  

b) Quando um jogador usa uma estratégia comunicacional assente numa lógica de defesa (que, ainda por cima, é falsa e facilmente desmentida) coloca-se num corredor cada vez mais estreito

c) Quando um jogador vê sucessivamente goradas as suas expectativas e sofre derrota após derrota perde o ímpeto vencedor e a inspiração que vem da perspectiva de ganhar e, vulneravelmente, passa a apenas concentrar-se em não perder

d) Quando um jogador começa a revelar que as suas decisões assentam em emoções (raiva, vontade de vingança, desespero) abre caminho para que quem age racionalmente possa mais facilmente criar condições para o derrotar.

Putin começa a ser, portanto, um adversário que, estando já numa trajectória irreversível, mais tarde ou mais cedo vai cometer o erro fatal que vai conduzir ao seu fim. 
 

Neste momento, ele sabe que esta aventura terá inevitavelmente um fim triste para ele e para a Rússia. Pelo meio quase terá destruído a Ucrânia e será responsabilizado pela morte de milhares de pessoas, quer ucranianas quer russas, terá mudado a vida e causado muito sofrimento a muitas famílias, ucranianas e russas. Ele sabe que passará à história como um criminoso ao lado dos grandes criminosos da história. Ele sabe que a Rússia jamais lhe perdoará o que ele está a fazer.

Um líder assim, predestinado ao fracasso, é um líder fraco, um líder odiado, um líder que atrai deslealdades, um líder que, quando cai, não tem perto de si uma mão que tente salvá-lo.

Não se poderá acusar ninguém mais pelo desfecho: será ele mesmo a implodir. A bomba suja de que tanto fala é a amálgama de desvarios e emoções negativas que tomaram conta da sua cabeça.

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Sei que não tem legendas, e é uma pena, mas recomendo o interessante vídeo abaixo no qual Abbas Gallyamov, que durante cerca de 10 anos escreveu os discursos de Putin e o conhece bem por dentro e por fora, se pronuncia sobre o que se tem publicamente observado no comportamento de Putin e o que daí se poderá inferir.

'He's becoming more and more emotional': Putin's former speechwriter decodes behavior

Former Putin speechwriter Abbas Gallyamov tells CNN's Erin Burnett what stands out to him about Russian President Vladimir Putin's current demeanor. 

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Os graffitis anti-Putin são alguns dos muitos que podem ser vistos em várias cidades e amplamente divulgados 

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Um dia bom

Saúde. Esperança. Paz.

domingo, setembro 18, 2022

Este imenso e insólito caleidoscópio*

 


A vida é uma coisa múltipla. Nela misturam-se passado, presente e expectivas para o futuro, misturam-se grandes crises mundiais com ínfimos problemas pessoais, misturam-se questões profissionais com questões pessoais, grandes alegrias e imensas tristezas, interesses e desinteresses, ficção e realidade, o bem e o mal, a aventura e o tédio, a intimidade e a indiferença, a morte e o nascimento, o amor e o ódio. E tudo o mais.

Enquanto Londres transborda com gente vinda de todos os lados para a ilusão de participar na despedida à Rainha e todos os Royals se desdobram numa cuidada e bem encenada coreografia e todas as forças de autoridade se multiplicam na execução de um exigente plano de segurança e enquanto a economia britânica se regozija com o inesperado afluxo de turistas e de consumo, dentro do caixão em torno do qual familiares e multidões circulam em passo lento o corpo de Sua Majestade segue o seu inexorável caminho rumo à inexistência. 

E enquanto uns se prostram em silêncio e outros festejam e outros choram e uns ameaçam e outros acusam e uns matam e outros cuidam de mortos e feridos... as nossas praias enchem-se de gente que aproveita o belo sol de um longo verão e as esplanadas vibram com gente que confraterniza e se diverte ou, simplesmente, desfruta a paz.

É assim mesmo. É normal e bom que assim seja. 

A vida alimenta-se dos impulsos entre polos de sinal contrário e se, por um lado, o The Guardian  mostra transactas fotografias da Rainha com outras celebridades como, por exemplo, Sua Majestade a não conseguir impedir-se de deixar cair o seu curioso olhar sobre os atrevidos seios de Jayne Mansfield, por outro mostra o terror levado a extremos de que a malavita russa é capaz como mais uma grande vala na qual centenas de corpos jazem demonstrando o horror a que foram sujeitos. 


E se a Monarquia é daquelas instituições que nada acrescenta e que pelo menos tem o mérito de ter um lado cinéfilo, ficcional, em que existem sempre imagens reais e afins nas quais há com o que entreter o pagode e estimular o consumo através da imprensa da moda, da decoração, da jardinagem, dos mexericos, dos amores e desamores já o mesmo não se pode dizer de regimes ditatoriais em que se cerceia a liberdade, em que se ignoram os direitos humanos, em que se desprezam todos os valores e princípios essenciais que devem reger o comportamento de sociedades que respeitem as pessoas.


Por isso, se podemos sorrir com alguma bonomia ou, mesmo, simpatia para as gaffes do novo Rei ou para a forma carinhosa como a sua Consorte de longa data o acompanha ou com admiração para os banhos de carinho que as multidões demonstram a tudo o que lhes cheire a realeza... estou em crer que ninguém com um mínimo de bons sentimentos consegue olhar para os corpos que estão a ser desenterrados em Izium sem sentir compaixão para os que sofrem as agressões e revolta contra quem as pratica. Nem se consegue imaginar o que estas pessoas sofreram antes de serem enterradas. Ao contrário daqueles de quem se diz que 'morreram tranquilamente' estes não tiveram certamente essa sorte. A sua vida foi-lhes ceifada prematuramente e, do que tem estado a descobrir-se, depois de terem sido torturados. Quantos não terão sido enterrados depois de humilhados, violentados, ou de assistirem à morte de outros ou, mesmo, enterrados ainda com vida?


E o que eu penso é que, por muito bom que esteja a ser o nosso dia, por muito quentinho ou dourado que esteja o sol, por muita alegria que sintamos com os nossos ou com o que quer que seja, devemos sempre guardar um bocadinho da nossa atenção para o que de mau se passa à nossa volta.

Claro que coisas más acontecem por todo o lado e, La Palice confirmá-lo-ia, não há coisas más que sejam boas. Mas, a par dos desastres naturais resultantes das alterações climáticas, não há na actualidade um drama de maior gravidade do que o a Ucrânia atravessa. A barbaridade do regime de Putin é miserável, inaceitável. Felizmente a contestação interna na Rússia começa a fazer o seu caminho e os seus potenciais aliados, Índia e China, começam a mostrar a Putin o beco sem saída em que se meteu, dizendo-lhe que a guerra tem que acabar.


Espero que o mundo ainda exista quando Putin passar à história como um medíocre agente do KGP que, depois de se alapar no Kremlin e distribuir riqueza pela família e por um punhado de oligarcas, virou um psicopata com aspirações imperialistas, congregando sobre si a repulsa generalizada do mundo civilizado pelos hediondos crimes de guerra que está a levar a cabo (sendo apenas apoiado, ainda que disfarçadamente, pelo PCP e por um punhado de palermas, alguns dos quais com presença na blogosfera portuguesa) e que, com o destamanho da barbárie de que mostrou ser capaz, sujou a Rússia de vergonha. 

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Entretanto:

Ex-CIA director predicts ‘terrible, painful retreat’ for Russia

Retired US Army general and former CIA Director David Petraeus tells CNN’s Jim Sciutto that he thinks Ukraine’s counteroffensive has placed Russia in a “disastrous situation.”

See Russians react to Ukraine's dramatic territory gains

As Kyiv pushes on with its counteroffensive, Russian troops are retreating from the occupied territory in Ukraine in one of the biggest defeats of the invasion. CNN's Matthew Chance reports on how Russians are reacting to the battlefield losses

Officials from 18 Russian districts call for Putin to resign

Deputies from 18 municipal districts in Moscow, St. Petersburg and Kolpino have called for Russian President Vladimir Putin’s resignation, according to a petition with a list of signatures posted on Twitter

Putin makes concession about Ukraine war in meeting with China

President Vladimir Putin addressed China's questions and concerns about the war in Ukraine during a regional summit. This is the first time Putin and Chinese President Xi Jinping have met since Russia's invasion over six months ago.
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* Caleidoscópio como o Arménio Pereira costuma dizer

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Desejo-vos um bom dia 
Saúde. Afecto. Paz (da verdadeira)

quinta-feira, maio 19, 2022

Coronel Mendes Dias versus Major-General Agostinho Costa

 

É um dos poucos que gosto de ouvir. 

Frequentemente deixa-me a pensar. Fala com entusiasmo, fala com clareza. 

Acho-o inteligente e um bom comunicador.

Em contrapartida não tenho um pingo de paciência para o sonso e enviesado  Major-General Agostinho Costa. Se o apanho, desvio-me. Hoje apanhei-o numa zaragata malévola com a Helena Ferro de Gouveia que estava que não podia, capaz de lhe atirar com um copo de água cabeça abaixo. E percebe-se. Aquele Agostinho fala sempre inclinado para um lado, não fala como um comentador ou estudioso isento, derrapa a cada palavra para desculpabilizar ou louvar a actuação russa. Tira qualquer pessoa de bem do sério. 

E, se do Agostinho eu fujo, ao Mendes Dias eu procuro. Parece experiente e perspicaz. E parece conhecer a arte da guerra. E sabe conjugá-la com a história. E, ainda por cima, sabe falar. E sabe chamar a atenção para as subtilezas destas coisas da informação, contra-informação, diplomacias ocultas, etc. 

Portanto, ele fala e eu paro para o ouvir.

E é isto que tinha para dizer. Está dito.

sábado, abril 30, 2022

Olena Gnes, uma das muitas mães-coragem que resistem na Ucrânia

 

Não tenho palavras para expressar a minha admiração pela coragem e pela determinação de todos os que, debaixo de um céu que lhes traz bombas e mísseis, muitas vezes sem água, sem luz, muitas vezes vivendo dias a fio em abrigos, amontoados, sem ar fresco ou qualquer conforto, continuam a dizer que aguentarão até que a Rússia seja expulsa, até que a Ucrânia vença a guerra, até que volte a paz ao seu país.

Durante muito tempo Anderson Cooper conversou remotamente com uma jovem mãe. Agora foi, finalmente, visitá-la. Com os seus três filhos, um dos quais bebé, com o marido a lutar pelo país, Olena faz das tripas coração e continua a sorrir enquanto tenta que os filhos tenham uma vida tão normal quanto possível. Mas diz com determinação: não nos esqueceremos e não perdoaremos.

Tenho pena que o vídeo, tal como outros que aqui tenho partilhado, não esteja legendado mas, ainda assim, aqui fica.

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Anderson, depois de andar a falar com Olena Gnes há meses, finalmente encontra-se com esta mãe ucraniana que tem vivido em abrigos em Kyiv 


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Desejo-vos um bom sábado
Alegria. Esperança. Paz.

sexta-feira, abril 29, 2022

Por muito que os Segismundos e os Pachecos desta vida desvalorizem o que está a passar-se...

 


Não há para mim qualquer dúvida de que, na Europa, estamos a viver um período dramático, sangrento, impensável e muito perigoso. Bem podem os Segismundos e os Pachecos desta vida invocar todas as guerras desde que o homem começou a equilibrar-se em duas patas para desvalorizar o que está a acontecer que continuo a colocar-me ao lado dos que se sentem revoltados, nauseados e assustados com o que está a passar-se.

A Ucrânia está a ser desfeita e não se vê como vai isto acabar. Desde bombardeamentos sistemáticos, cercos para matar à fome e à sede os sitiados, pessoas a serem deportadas à força para a Rússia, a outros que, na Ucrânia, estão a receber passaporte russo, todas as formas de intimidação, desrespeito e esmagamento estão a ser levados a cabo. A bandeira da Rússia está já a ser hasteada em alguns locais da Ucrânia e, nas escolas ucranianas, a língua ucraniana está a ser substituída pela russa. Acho tudo isto miserável, canalha. Para além de ser um psicopata mitómano, brutal e assassino, Putin é também um canalha, um bandido que nem parece gente.

Alertam-me: e é só Putin?

Não. Não é só Putin que é assim. É ele e todos os que o apoiam.

E, por muito que queira alhear-me da posição comunista portuguesa, não consigo. Condenam que os ucranianos não se tenham rendido aquando da primeiras investidas russas, condenam os ucranianos por terem querido continuar a ser ucranianos, livres. Condenam os americanos por ajudarem os ucranianos a defenderem-se. Invocam mil argumentos para justificarem que não aceitam que a Ucrânia precisa e merece ajuda, respeito, admiração. 

Acho esta posição do PCP uma posição hipócrita, miserável. 

Note-se que acredito que nem todos os comunistas pensem assim. Acredito que, devido a esta posição do partido, muitos comunistas se afastem.

Penso sempre no que fariam as pessoas que seguem a linha ortodoxa e incompreensível do PCP se a Rússia um dia resolver invadir e destruir Portugal. Condenarão os que quiserem defender o país? A pretexto da paz, defenderão a rendição? Se estivermos a ser reduzidos a pó, as nossas casas desfeitas, se as suas próprias mães, mulheres e filhas estiverem a ser violadas por soldados russos, se as suas famílias estiverem a ser dizimadas pelos russos (russos esses que, depois de espalharem o mal, serão condecorados por Putin), essas pessoas, em vez de condenarem Putin, condenarão os que resistem e sofrem e imploram por ajuda? E condenarão os americanos por estarem disponíveis para nos ajudarem?

Essas pessoas condenam os Estados Unidos por terem ajudado a Europa nos tempos de Hitler?

Se calhar, sim. 

Não percebo. 

Nada do que dizem me faz sentido e tudo o que dizem me deixa incomodada. E parece que todos os dias há mais qualquer coisa que me deixa perplexa, revoltada.

A forma provocadora como Putin actua, de puro banditismo, coisa de gente desaustinada como se fosse um bando de marginais, fora-de-lei, alucinados, é de loucos. Penso que será certamente incontornável que o assunto acabará por ser resolvido internamente, pela própria Rússia. O pior é o tempo que isso ainda demora e o que o assassino fará entretanto.

Faz-me mal ler ou ver o que vejo na televisão ou nos vídeos. Não há notícias boas, não se antevê uma luz de esperança. Pelo contrário, parece que as coisas ainda poderão piorar antes de, um dia, começarem a melhorar. Quero acreditar que o animal desvairado não atacará outros países mas, sentindo-se perdedor (como certamente se sente), há-de querer vingar-se ou fazer alguma porcaria da grossa para, internamente, fazer de conta que está por cima.

E ainda estamos sobretudo a falar das perdas imensas directamente resultantes da guerra. Mas advirão, não haja dúvidas, perdas igualmente dolorosas a nível económico e, portanto, sociais.

Uma desgraça muito grande que nos está a atirar para as portas do inferno.

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Ex-Russian bank executive explains what he thinks will stop Putin

Former bank executive Igor Volobuev left Russia to fight for his native Ukraine. He explains what he believes will stop Russian President Vladimir Putin


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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Esperança. Força. Saúde. Paz

sexta-feira, abril 15, 2022

Algumas pessoas pensam que as notícias e as imagens de crianças mortas na Ucrânia são falsas -- mas não são

 


Dirão alguns que a culpa é das crianças. Ou dos pais que quiseram fugir com elas, tentando alcançar um lugar longe dos mísseis. Ou do avô que tentou proteger a criança com o seu próprio corpo e não conseguiu. Ou dos ucranianos em geral que não querem abdicar da sua nacionalidade. Pode ser. Quem, perante as maiores atrocidades, não consegue condenar o agressor, arranjará sempre outros culpados. Não vale a pena. O maior cego é aquele que não quer ver. E depois, como diz Dugin, o 'cérebro de Putin', não existe verdade, o que existe é a interpretação da verdade.

Quando o jornalista dizia, numa das entrevistas que partilhei ontem, que um avião que deixava cair uma bomba em cima de uma casa matando as pessoas, civis, que lá estavam dentro era uma coisa factual, o ideólogo Dugin retorquiu que não, que se pode questionar porque é que o avião deitou a bomba justamente ali ou lançar outras questões e que essas questões são também, segundo os russos, uma verdade. Ou seja, em vez de relatarem o que factualmente aconteceu, lançam dúvidas, espalham a confusão. Em bom português diz-se atirar areia para os olhos. Provavelmente diriam que naquela casa se escondiam armas. É a técnica russa: escamotear a verdade, lançar suspeições, distrair atenções.

No outro dia, li um artigo muito interessante no Guardian: Understanding Vladimir Putin, the man who fooled the world. Ali é relatado um episódio que parece insignificante mas que não é, ilustra bem alguns traços de Putin. 

Putin estava incomodado com os jornalistas que lhe colocavam questões incómodas. Um estava a irritá-lo particularmente. Quando esse jornalista lhe fez uma pergunta, Putin disse que antes de responder, queria questioná-lo sobre o anel que ele estava a usar. Toda a sala olhou, intrigada. Putin continuou perguntando porque é que a pedra era tão grande. A sala já ria e o jornalista dava mostras de estar incomodado. Putin continuou dizendo que o jornalista não se deveria importar que ele o questionasse pois, se estava a usar aquele anel, era porque queria dar nas vistas. Toda a gente na sala se ria. Já ninguém se lembrava da pergunta. Diz o jornalista que escreve este artigo que foi uma verdadeira masterclass de distração e bullying. 

O que tem estado a acontecer com a invasão da Ucrânia e a chacina que barbaramente os russos estão a levar a cabo tem dado lugar a muitas masterclasses do género: os russos negam as evidências, lançam a dúvida, insinuam conspirações, espalham a confusão, põem uns quantos a propagar essas dúvidas -- e a condenação, junto de alguma opinião pública, dilui-se. 

Na própria Rússia, sem possibilidade de terem acesso a meios de comunicação independente, é mais fácil. Os testemunhos são incontáveis: pessoas debaixo de fogo cerrado na Ucrânia, com as casas destruídas, falam com familiares que vivem na Rússia e estes não acreditam em nada disso, acham que são fake news. 

Mesmo quando lhes dizem que já foram assassinados milhares de pessoas, incluindo crianças, muitos russos não acreditam. 

Brianna Keilar, conhecida jornalista-âncora política da CNN, enuncia o nome de algumas das muitas crianças ucranianas mortas nesta guerra feroz e, por diversas vezes durante a notícia, não consegue suster as lágrimas. Aliás, tem acontecido com alguma frequência aos jornalistas que, no terreno, testemunham o sofrimento dos ucranianos: quando noticiam o sofrimento, as feridas, as amputações e as mortes das crianças, não conseguem controlar o choro.

Também eu, ao saber destes casos, me emociono. Penso na dor das famílias. Penso na gratuita crueldade de tudo isto. Porquê isto...? Para quê isto...? Não contenho as lágrimas.

Keilar: Some Russians think images of killed children are fake. They are not


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Lá em cima, Sasha Ivanov toca piano. Tinha 18 anos e foi morto com um tiro na cabeça e dez no peito. Ia no lugar do passageiro. O que lhes aconteceu está descrito  aqui: ’Collect my parents or collect my son’s body’: a Kyiv family’s tragic plight. O fim do artigo é este: Sveta said: “There are some families who the war hasn’t touched. But the war touched our family like nothing else. My mother is disabled, my father is disabled, I’m disabled, and I buried my son.” Lê-se e imagina-se a aflição, o medo, o sofrimento desta e de tantas outras famílias. Não são histórias falsas -- o sofrimento é verdadeiro. Há jornalistas de todo o mundo a verificar no terreno e a divulgar o que está a passar-se.

Um dia haverá livros e filmes sobre estes tempos de horror. Muitos dos que os viveram já não estarão cá para o testemunhar.

A fotografia lá em cima mostra Danyk Rak, um menino de 12 anos, (por enquanto) um sobrevivente, que segura o seu gatinho no meio dos escombros da sua casa destruída por bombardeamentos russos. A fotografia é da autoria de Evgeniy Maloletka/AP

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Mensagem dirigida a Vladimir Putin por uma mulher ucraniana que perdeu o filho em Bucha 


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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Saúde. Discernimento. Esperança. Paz.

quarta-feira, março 30, 2022

I am the master of my fate, I am the captain of my soul

 

Ver pessoas com armas apontadas na sua direcção. Pensar que se vai morrer. Sentir que se foi alvejado e pensar que o mais certo é que se vá mesmo morrer. Ver, ao lado, um amigo a ser alvejado. Querer que o amigo não morra. Ser levado para ser tratado e perceber que o amigo está a ser deixado para trás. Lembrar os outros que não deixem para trás o amigo. Estar no hospital sem saber o que aconteceu ao amigo. Depois, saber que o amigo morreu. Não poder acompanhar o amigo na sua última viagem. Pedir para lerem um poema para o amigo que não estará lá para ouvir. Agora falar de tudo isto. Falar dos pesadelos que não o deixam dormir em paz. Tentar travar as lágrimas.

Este poema:


Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate,
I am the captain of my soul.


'I kept saying bring Brent': Inside the moment bullets struck journalist Brent Renaud

CNN's Anderson Cooper visits photojournalist Juan Arredondo in a New York hospital, as the photographer recounts the moment he and award-winning filmmaker Brent Renaud came under fire while covering the war in Ukraine.

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quarta-feira, outubro 21, 2020

Às armas! Às armas!

 

Leio e, à luz do meu pensamento -- que, à luz do meu pensamento sobre o meu pensamento, é avesso à irracionalidade --, acho que aquela malta é doida varrida. Contudo, acredito que, porventura, se lhes perguntarem a eles o que acham do meu comportamento dirão que me acham irracional. O mundo é assim, uns com as patas da frente, outros com as patas de trás, outros com as patas de cima e outros com as de baixo, todos fazem o cocó sobre o qual se andam a deitar. Não me iludo, portanto. Não sou melhor que eles, sou apenas o avesso deles.

Perante a ameaça do merdinhas, ponho máscara, lavo as mãos, afasto-me, essas coisas. Eles compram armas. Eu acho que me defendo melhor se tiver hábitos defensivos de higiene; eles acham que se defendem melhor se reagirem ofensivamente, seguindo a lei da bala.

Eu tenho medo de ser contagiada e de ficar doente ou de contagiar outros. Eles têm medo de ser assaltados, creio que não pelo corona mas por outros, iguais a eles.

A desgraça de uns é a oportunidade para outros e, no fim, a indústria do armamento ganha sempre.

Eu vivo num país em que o presidente se senta nu, peludo, com as mamas penduradas, enquanto leva uma vacina, um presidente que comenta tudo e todos a toda a hora e que é viciado em receber afecto mas que, apesar de tudo, é inteligente, culto, informado e, valham-nos todos os santinhos, até é um tipo decente. 

Eles vivem num big, big country em que o presidente é o palhaço Donald da cara cor-de-laranja e melena de palha, narcisista insuflado, maozinhas de pinypon, boquinha de boneca e, certamente, pilinha de hamster, que se acha o maior e que troça de deficientes, que apela ao voto das mulheres suburbanas a quem chama isso mesmo, suburbanas, que insulta e ofende Fauci, o infecciologista que mais tem penado para minimizar o catastrófico efeito das suas decisões, um presidente que é bronco, boçal e que gere o país na base das bocas.

Assim vamos.

Mas enfim, pouco a fazer. Como dizia o outro: 'é a vida'. Que é como quem diz, c'est la vie (malheureusement pas la vie en rose). 

A quem não esteja bem a perceber que macacoa me atacou para eu estar com este converseio, recomenda a leitura do artigo completo no The GuardianMore than 100,000 Californians have bought a gun in response to Covid-19 crisis, report finds.

Claro que há quem tema que tanta arma venha a traduzir-se em violência, nomeadamente violência doméstica, em aumento de suicídios -- esse tipo de efeitos colaterais que as armas costumam provocar. Mas isso, para aquela gente, não interessa para nada. O que lhes interessa, perante ameaças de incertos, é armarem-se até aos dentes. E, lá está, eles estarão que estão certos e quem sou eu para lhes atirar a primeira pedra...?

Uma canseira, isto. Um mundo a andar às arrecuas, danado para se encafuar num buraco negro.

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Felizmente, o que por lá ainda têm de bom é a liberdade de imprensa. A resposta da CNN a mais uma cavalice do Trump, que lhes chamou bastardos e que troçou deles por continuarem a fazer a cobertura da pandemia, é coisa boa de ver.


CNN's Brianna Keilar responds to President Trump's comments at a rally that people are "tired of the pandemic" and those who continue to cover the crisis are "dumb bastards."



Ou este:

CNN’s Anderson Cooper rolls the tape on leaked audio between President Trump and staffers where the president is heard bashing Dr. Fauci.



Coisas do além.

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E dias felizes para todos