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quinta-feira, abril 09, 2026

Receita anti-Trump

 

Não consigo ter disponibilidade anímica para aceitar que o mundo inteiro fique em suspenso das decisões de um demente que deveria estar internado, e que não faça nada. Milhares de pessoas assassinadas, uma destruição tresloucada e absurda, o mundo atirado para uma instabilidade descontrolada, os combustíveis em preços loucos o que vai puxar todos os preços para cima, a ver se ainda não nos vemos enterrados numa recessão, a vida a andar para trás, os terroristas a parecerem sensatos e os supostos civilizados a mostrarem-se uns terroristas do pior que há -- e aparentemente parece que ninguém consegue fazer nada de útil para nos salvar desta gaiolas de malucos.

Se calhar daqui a nada ainda mostro um ou outro vídeo em que se fala sobre o assunto, mas, para já, não tenho saco. Chega a uma altura em que só me apetece dar um murro na mesa: já chega. Já chega de tanto estúpido. Já chega de tanta depravação. Caraças, já chega. 

No Instagram mostro os meus passeiozinhos pelo campo, falo de coisinhas nenhumas, e só me apetece alhear-me dos ventos insalubres que nos assolam. Ando pelo meio do verde, à chuva e ao vento, outras vezes ao sol, a varrer em fato de banho, e estou na maior. Aqui nem me apanha, penso eu, como se fosse um refúgio à prova de todo o mal do mundo.

Agora, por exemplo, entretenho-me de gosto a ver o encontro de duas mulheres incomuns. Meryl Streep já interpretou Anna Wintour e, quando se encontram, não apenas revelam uma cumplicidade quase enternecedora, uma afinidade de percepções, como mostram que se admiram. E é bom a gente deter-se em momentos assim. Eu, pelo menos, assim acho. Ou melhor, preciso de coisas assim.

Caraças, haja alguma serenidade, algum gosto em conversar, em partilhar experiências.

Meryl Streep encontra-se com Anna Wintour na Vogue

A dupla tem uma conversa franca e abrangente, repleta de humor e perspicácia. Muitos assuntos são revelados, desde os Papéis do Pentágono e a investigação de Mueller, o assédio sexual e o empoderamento feminino, até ao que Meryl e as filhas conversam à mesa de jantar.


quarta-feira, abril 08, 2026

Conhecemo-nos...?

 


Um encontro casual no elevador entre Anna Wintour e Miranda Priestly

(Afinal, iam fazer a capa da Vogue)


domingo, março 29, 2026

Diz-me o que tens dentro da tua mala e dir-te-ei quem és
[NB: Mala em versão popular, carteira em versão beta ou tia]

 

Há pequenas coisas, insignificantes. E, no entanto, ficam. Por exemplo, lembro-me de estar no meu gabinete, ocupada, provavelmente a atender um telefonema, e estando lá dois colegas, amigos, ao precisar de alguma coisa, pedir a um deles que me desse uma coisa que estava dentro da minha carteira (carteira, no sentido de malinha de mão). Para meu espanto, recusou-se. Eu intrigada. Porque não? 'Tenho sempre medo do que se pode encontrar dentro de uma mala de uma senhora.'. O outro disse o mesmo. Fiquei com imensa vontade de rir mas compreendi.

O meu marido, se precisa de alguma coisa que esteja dentro da minha pequena malita (e vou dizer assim para não se confundir com a carteira de moedas ou documentos), também se recusa a procurar. Por mais que eu insista, recusa-se. Não sei se também tem medo.

Durante muito tempo, provavelmente durante a maior parte da minha vida profissional, usava carteiras grandes. Isto é, malas grandes. Ou de mão ou de usar ao ombro. Na altura não havia Parfois ou afins. Ou, se havia, eu não as frequentava. Usava malas de pele. Tinha a preocupação que fossem de boa qualidade, que tivessem compartimentos, que fossem grandes. Cabia lá tudo.

Contudo, frequentemente interrogava-me se não seria era peso a mais. A minha mãe pegava nelas e ficava espantada, dizia que era um disparate, que forçosamente me faria mal às costas. Mas não me parecia possível reduzir a sua capacidade com tanto que lá tinha que colocar dentro.

Uma vez, tinha ido à loja das lãs comprar material para os meus tapetes de Arraiolos. A lã era vendida a peso. A senhora, para acomodar as meadas, pegou na minha mala, que eu tinha colocado no balcão, ao lado da balança, e, no acto, soltou uma exclamação. 'Ai, credo! Que é que tem aqui...?!'. E, divertida, pediu: 'Posso pesar? Já agora, só para ver...'. Já não me lembro, não sei se seriam uns quatro quilos, tenho ideia disso mas não garanto que não fosse até mais. A senhora riu-se: 'Ah pois, logo vi... E consegue andar todos os dias a carregar esse peso...?'. Sim, conseguia, não me fazia diferença.

Mas, daquela vez, fiquei mesmo a pensar naquilo. 

E acabei por me declarar vencida.

A partir do momento em que me rendi à necessidade de ser mais criteriosa e a ter que fazer, de vez em quando uma limpeza, repesquei uma que tinha, de pele, redondinha, pequenina, em tom pérola, com uma rosinha também em pele. Na altura, tinha-a comprado para a levar a um evento qualquer, uma pequena bolsinha. 

Pelo meio já usei várias outras, coloridas, brincalhonas, vistosas. Mas regresso sempre a esta. Parece-me o modelo, a dimensão e a cor ideal.

Ainda a uso. Mas tenho que me despedir dela, está a ficar velhinha, já está a ficar quase acinzentada, o fecho, de vez em quando, já se abre, o fechinho já não está grande coisa. Mas gosto imenso dela. Contudo, continua a andar bem pesada. O que contém é para lá do que se pode imaginar. No outro dia, esvaziei-a para reduzir o peso e fiquei, como sempre fico, espantada com o que lá encontrei. Por exemplo, uma molinha dourada do cabelo que julgava que tinha perdido. Por exemplo, um batom de que gostava imenso e que também tinha dado por perdido. E ganchinhos e elásticos para o cabelo. E uma amostrinha de perfume para um just in case. E um balm para os lábios. E um pequeno creme para as mãos. E uma pequena lanterna de manivela. Tudo escondido,  lá para o fundo, debaixo de outras pequenas carteiritas, umas para documentos, outras para moedas. E lápis e canetas e chaves, algumas nem sei bem de onde. Uma miríade de coisas. E estou a falar de uma malinha que terá de diâmetro pouco mais que um palmo aberto. Não me perguntem como lá cabe tudo. Mas cabe. Um fenómeno. 

Não sei como há quem tenha poucas coisas, tudo organizado. Metem a mão e encontram à primeira. Admiro pessoas assim. Invejo-as. São tudo o que eu gostava de ser. Eu nem pouco mais ou menos. Se quero uma coisa, enfio a mão, dou uma volta às cegas e, se não encontro, desisto. Ou estou em casa e posso esvaziar tudo em cima da cama ou do sofá para uma inventariação a preceito ou dou por causa perdida. E o dramático é que nunca consegui arranjar uma solução para este problema. Não sei o que é que isto diz sobe mim ou sobre as pessoas que são o meu oposto mas, de certeza, diz qualquer coisa. E temo que não seja bom para mim.

Se calhar, é por isso que acho tanta graça a ver os vídeos em que pessoas conhecidas revelam o que têm dentro das suas malas. Sinto-me menos caótica. Ou melhor, penso que não sou a única a não conseguir evitar o caos numa situação aparentemente tão fácil de ultrapassar. Quando vejo o meu marido com uma única carteira (neste caso refiro-me a carteira mesmo carteira, para documentos e notas), e, ainda por cima, super arrumada, que fecha sem problemas, e a não sentir falta de mais nada, interrogo-me como é possível. Mas, pelos vistos, é.

Dentro da mala Hermès Birkin de Dua Lipa | Dentro da Bolsa | Vogue

A cantora e atriz Dua Lipa abre, em exclusivo, a sua Birkin alegremente decorada para a Vogue. Entre molho picante, o seu diário, um patinho pequenino, uma câmara digital, furikake e muito mais, cada item conta uma história. A vencedora do Grammy ainda fala sobre “Two-Dollar Steve”, explica por que ama fones com fio e partilha as aventuras da sua divertida viagem honky-tonk a Austin, Texas.


Desejo-vos um feliz dia de domingo

quarta-feira, novembro 22, 2023

Lei de Murphy -- casos práticos

 

Outro dia que não foi fácil, sobretudo pelas razões que, infelizmente, estão a ser uma constante. Parece que vai de mal a pior e há cada vez mais coisas que tenho dificuldade em perceber. Dizem os meus filhos e diz o meu marido: é o normal. Que eu relativize. Que a tendência não será para melhorar pelo que tenho que aprender a aceitar a situação. 

Para ajudar à festa, porque nestas coisas os contratempos nunca são acontecimentos isolados, um dos equipamentos críticos cá em casa está com problemas. Não seria dramático pois há um outro que é suposto funcionar na ausência do primeiro. Pois, como parece que sempre acontece nestas situações, também não funcionou.

Chamado um técnico para ver um e outro, concluiu que o primeiro tem que ser substituído mas não vai ser rápido nem fácil nem económico e que o problema do segundo não era dele mesmo mas de outra coisa a montante.

Portanto, cá esteve hoje, outra vez, para reparar essa insuspeita coisa que estaria a causar problemas ao segundo e a ver se este funciona e aguenta os cavalos enquanto o primeiro não é substituído. 

Trouxe peças novas, montou, fez testes e para aqui andou de um lado para o outro. Parece competente. Não quero deitar foguetes antes de tempo mas penso que, para já, o segundo já funciona. Menos mal. Sem nada é que não poderíamos estar.

Tendo sido recomendado por um conhecido, fiquei a saber que tem trabalhado para muita gente que eu conheço, tendo contado episódios engraçados e que encaixam na perfeição no que conheço deles. 

E porque há aquilo de a Lei de Murphy ser para levar mesmo a sério, o meu calcanhar também continua a doer-me bastante, o que me tem impedido de fazer diversas coisas... e tantas que tenho para fazer.

Portanto, com tudo isto, umas a seguir e em cima das outras, continuo a sentir-me um bocado esvaziada. As preocupações puxam-me para baixo, as avarias maçam-me, as muitas solicitações deveriam tirar-me de casa e a dificuldade em andar atrapalha tudo. Claro que, ainda assim, faço o que posso mas chego ao fim do dia sem ânimo para dissertar sobre os acontecimentos do dia ou para me divertir. Não levem a mal que não responda aos vossos comentários. Leio-os atentamente, ouço as músicas... mas parece que não tenho energia para falar convosco. Desculpem-me.😞

Só espero estar melhor amanhã e, sobretudo, que não aconteça de tudo um pouco, pois vou ter que sair para tratar de uma série de assuntos. Raios partam o estupor do Murphy.

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Prefiro, pois, partilhar um vídeo com uma casa que achei com o seu quê de interessante, com objectos meio excêntricos. Gosto de ver casas, não apenas aquelas em que eu não me importaria de viver mas também as que têm coisas insólitas, únicas.

Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue


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domingo, outubro 22, 2023

Olha, o Paddy Cosgrave demitiu-se de CEO da Web Summit... Que pena...
Sendo assim, vou virar-me para a decoração... Fazer o quê...?

 

A má notícia é que os esquilos foram-se mesmo embora. Não sei o que posso fazer para voltarem. Custa-me muito isso. Sinto-me uma megera, uma desnaturada, uma mal agradecida. Indesculpável.

Bolas para isso, que chatice. Até a mim aquela semana doeu. Só homens a desbastarem árvores e arbustos e a cortar mato. Barulho e mais barulho. Uma violência. Os ramos a caírem por terra. Imagino o susto que eles, coitadinhos, apanharam.

O musgo, entretanto, desponta pela terra, dando ao capo um belo tom de patine. E isso é muito bonito.

A chuva torna tudo verdinho. Como o terreno é do caraças, pouca terra e muita pedra, depois de chover, passado um bocado, já não se dá por ela. Só em alguns bocados, cá em cima, mais junto em casa, certamente onde o piso faz uma pequena barriga mas ao contrário, barriga encolhida, é que se formam pequenas poças. Isso ou nas reentrâncias das pedras. Claro que o urso peludo, quando as vê, bebe daí que é um mimo. Para ele água em pocinha de água é piteuzinho do bom.

Entretanto, agora estive divertidíssima a ver o Task Master. Que coisa mais engraçada. Programa mais bom.

Aliás, o TM foi quase tão engraçado quanto aquilo do Cosgrave ter dado uma de coiso e tal e depois vir pedir desculpa e dizer que sim mas também. Quando as feras da coisa vieram dizer que não vinham à web summit, oh que pena, veio ele e demitiu-se de ceo. Uma cena quase tão marada como aquela da Alexandra Tomba Todos q que, ao pintar a manta lá na Tap, a seguir fez cair uma data deles. No fim, vai-se a ver e nada.

A esta hora deve estar o fofo do Moedas, moço tão esperto quanto diligente, a mover mundos e fundos para ver se alicia os big ones ou uns unicórnios quase tão bons como os bigs a virem dar um ar da sua graça. E o nosso ubíquo Marcelo, que tinha no Cosgrave uma contracena ideal, também deve estar a pensar como vai fazer o seu número espectacular sem aquele lá. 

Mas pronto, fazer o quê?

Portanto, não tendo eu mais do que falar, como não sou dada a bolos viro-me para a decoração. Não sei porquê mas dá-me ideia que quase todos os homens que aqui me aparecem a mostrar objectos bonitos da sua casa são casados com outros homens. Nada de mais mas é curioso. Se calhar é porque o gosto refinado está mais com os gays do que com os outros. Já cá me queria parecer isso.

Inside Designer Erdem's London Townhouse Filled with Antique Objects 

| Vogue

In the latest of Vogue’s “Objects of Affection” series, London-based fashion designer Erdem Moralıoğlu's home proves to be just as romantic as the gowns he creates. The home was previously owned by artist Duffy Ayers, and Erdem keeps her memory alive with a still life she once possessed that now sits above the fireplace of what was her studio space. Erdem also talks about his fascination with busts and how Cecil Beaton inspired an entire fashion collection. 


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Esperança. Paz.

Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. 

quarta-feira, setembro 13, 2023

Lee e Kate

 

Quando se pensa na falta de abertura que o mundo reservava às mulheres há cem anos pensamos, e bem, que que tomara que isso tivesse acabado. E, no entanto, por racionalmente estranho que possa parecer, ainda não acabou. Não apenas há países retrógrados como, mesmo nas sociedades mais avançadas, ainda há resquícios dessa mentalidade.

E, como se fossem os únicos, não vale a pena pensarmos de imediato em países árabes ou africanos em que a cultura assenta em regimes pouco ou nada democráticos, regimes misóginos, trogloditas. Não é preciso ir tão longe. Claro que por lá é a regra e por cá felizmente já serão ilhas -- mas basta passearmos pelas terras do interior para vermos como é frequente os cafés estarem cheios de homens e como as mulheres ainda têm medo de ser faladas se ousarem sair sozinhas, ir para uma esplanada, andarem a fumar em público ou se concorrerem a trabalhos tipicamente masculinos.

Contudo, foi no século passado, daqui a nada há cem anos, que a bela Lee Miller passou de modelo da Vogue e musa de fotógrafos a fotógrafa de moda e, depois, a corajosa fotógrafa de guerra. A sua vida é extraordinária. 

Afortunadamente, no meio das ortodoxias há sempre quem não se aquiete, quem queira ser o dono do seu destino, do seu corpo -- digam o que disserem.

Lee Miller era linda mas era sobretudo uma inspiração pela sua força, pelo seu querer, pela sua entrega ao prazer do que fazia por gosto.

Capturing Lee Miller (2020) I Official Clip I MetFilm Sales

Vogue model, artist’s muse, fearless war photographer: Lee Miller had many lives. Built on images of Lee and by Lee, CAPTURING LEE MILLER explores a pioneering female artist who broke taboos and defied expectations.

E está prestes a estrear o filme produzido e interpretado por Kate Winslet (a talentosa actriz que recusa o papel de estrela, de diva, de eternamente jovem): Lee

É das melhores actrizes da actualidade e, apesar disso, a sua simplicidade é fantástica.

A entrevista que concede à Vogue e que abaixo partilho mostra bem quem é Kate Winslet.

[Nota: Quem não se entenda com a língua inglesa, poderá colocar na opção da autotradução de inglês -> português. Não será um português escorreito mas sempre poderá ser uma ajuda.]

Kate Winslet Talks Ice Baths, Raising Chickens, and Her New Film | Vogue

Lee Miller’s photographs “are amongst some of the most significant historical images ever taken, and people don’t really know that,” says Kate Winslet of the inspiring subject of her forthcoming film, “Lee.” The October Vogue cover star also discusses ice baths, antique tables, and acting in some of the toughest scenes she's ever filmed.


terça-feira, julho 18, 2023

Cuecas de reserva e cebolas no saco de mão, entre outros apetrechos extraordinários, só para se perceber a pinta de Miriam Margolyes, capa da Vogue Britânica.
Mas quando ela se senta a ler, por exemplo uma troca de cartas entre Henry Miller e Anaïs Nin, a gente faz silêncio para não perder pitada

 

Aos poucos, os conceitos de beleza vão-se abrindo à normalidade. É que o normal, nas pessoas, não é a perfeição. Mulheres extremamente belas, extremamente elegantes, eternamente jovens, é daquelas coisas que, já toda a gente sabe, só se consegue com muita artificialidade e sacrifício à mistura.

A Vogue, que desde sempre, promoveu a elegância, o requinte, a perfeição, a harmonia inequívoca, aos poucos vai abrindo as portas ao mundo. Há algum tempo não passava pela cabeça de ninguém ver um vídeo Vogue com uma mulher de 82 anos, gorda, lésbica, desbocada.

E, no entanto, hoje, ao abrir o youtube, cá estava Miriam Margolyes. 

Não apenas foi capa da Vogue Britânica como agora nos mostra o que tem dentro da sua carteira. Tudo um pouco inusitado mas, talvez por isso, bem divertido. Na sessão fotográfica mostrou-se como não passava pela cabeça de ninguém e, no vídeo da bolsa, saca de lá de tudo um pouco, desde umas cuecas de tipo gola alta, uma cebola crua para dar umas dentadas de vez em quando, e outras bizarrias.

E que não se pense que Miriam é apenas uma gorda excêntrica, sem papas na língua. Pode ser tudo isso mas é também uma maravilhosa diseur. Ou melhor, diseuse. A sua dicção, os seus compassos de silêncio, o ambiente que a voz traz às palavras que lê, tudo a torna especial. 

Lá mais abaixo um vídeo delicioso em que ela e Clarke Peters lêem uma troca de cartas entre Henry Miller e Anaïs Nin. Cartas de amor são cartas de amor, é certo. Mas quando ao amor se junta o desejo e quando ao amor e desejo se junta o descaramento e quando a tudo isso se junta o gosto pelas palavras aí a mistura fica maravilhosamente explosiva. E a malícia que transpira não apenas das palavras mas também das expressões de ambos tornam o vídeo um momento de rara suculência.

Longa vida a Miriam Margolyes e a todos os que têm prazer na vida.





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Um dia bom

Saúde. Boa disposição. Paz. 

terça-feira, maio 23, 2023

Acho que o melhor antídoto contra o veneno do Cavaco, contra o intragável sorrisinho do pupilo Montenegro e contra a mediocridade dos deputados que gostam de se armar em pides na CPI da TAP seria pô-los em sessões com a Rossy de Palma

 

Ver o Cavaco, mal ressuscitado, a sair à cena para se mostrar ainda pior do que quando estava vivo*, ainda mais ressabiado, com a boca muito aberta e muito seca, a mostrar que ainda não conseguiu curar-se do mau feitio, só me faz pensar que aquele ali não tem cura e que está cada vez pior -- e que pouco mais há a dizer sobre isso. Não merece. Não vale a pena. Não aproveita a ninguém. Há pessoas que envelhecem mal. Imagine-se o quão mal quando a base de partida já é má, má, má de si.

Em vez de comentarmos as azias dele, penso que o melhor antídoto seria armarmos-lhe uma armadilha em que ele se visse sozinho com a extraordinária Rossy de Palma. Até lá podíamos deixar também a sua Dona Maria. A Rossy haveria de ir ao rubro com o bafiento e ressabiado casal. O que ela haveria de inventar para os tirar do sério. Se os chornalecas** lá pusessem câmaras e fizessem directos, digo-vos: o país parava. Acho que nos iríamos rebolar a rir.

Também me parece que se deveria enviar a mesma Rossy de Palma à CPI da TAP. Uma vez que cabe lá tudo o que é cão e gato mesmo que nada tenha a ver com a TAP e já se atingiu um tal grau de ridículo, seria mesmo interessante vê-la no lugar onde se têm sentado as vítimas dos deputados e apreciarmos como, perante ela, se comportariam as fracas figuras que têm andado a exibir a sua absoluta e irremediável mediocridade. Aposto que ela os deixaria em fanicos e as audiências iriam bombar. 

 Só para se perceber a pinta da menina e se imaginar nas cenas que acima referi, ei-la aqui a mostrar o que tem na malinha de mão.

Inside Rossy de Palma's Christian Louboutin Bag | In The Bag


(*) Metaforicamente falando, claro

(**) Há pouco vi uma garota armada em jornalista a fazer uma entrevista. Fazia boquinhas, sentenciava que o governo tem feito muitos erros, mostrava que estava a salivar por sangue. Se eu lá estivesse, pedia-lhe que fundamentasse o que estava a dizer e enunciasse os erros a que se referia. Sempre queria ver as baboseiras que dali iriam sair. Uma miudagem, uns papagaios, gentinha que não sabe do que fala, gentinha que mastiga o que outros mastigaram. Não há nenhuma entidade que zele pela qualidade e pela isenção e objectividade dos jornalistas? Que raio de miséria é esta em que a nossa comunicação social está atascada?

segunda-feira, abril 10, 2023

Pode ser que alguma coisa ressuscite

 



Parte da família está de férias fora do país pelo que este domingo tivemos brunch em casa de outra das partes, parte essa que, de seguida, também foi para uma escapadinha relaxante fora de Lisboa. 

Nós dois fomos primeiro buscar a minha mãe e, depois do brunch e do convívio, fomos com ela passear à beira Tejo. Calor, tempo de verão, imensa gente. Tempo de férias. Céu azul, rio quase azul, pessoas na relva, pessoas sentadas na muralha, outras de bicicleta, muitas a pé, a conversar, muitas sorrindo enquanto caminhavam, muitas em esplanadas. 

Depois, já aqui em casa, deu-me aquele sono que não admite um não. Só que na casa ao lado, aquela para a qual dão as janelas da sala em que eu estava a adormecer, andava o vizinho a regar o jardim. Não percebi o que lhe deu pois o jardim tem rega automática. Só se está avariada...  A verdade é que andava a regar e, nitidamente, estava com todo o tempo do mundo pois regava com vagar, muito tempo em cada centímetro quadrado. Ora isso e os cães dele desestabilizaram completamente o cãobeludo. Saltava e ladrava como um possuído, jogando-se contra as janelas. E eu perdida de sono, tentando abstrair-me do chinfrim. Não consegui. Não adormeci.

Pouco depois fomos fazer a nossa caminhada do fim da tarde. Entretanto iam chegando fotografias, uns na piscina exterior, depois no jacuzzi, depois na interior, e paisagens, e outros que já tinham aterrado. E a noite caindo cada vez mais tarde, um passeiozinho gostoso. Mas os dois cheios de sono. 

O que sei é que não dormi de tarde, dormi agora. Acordei há pouco. Na RTP  'O amor move montanhas' e a Emily Blunt a cantar Wild Mountain Thyme.

E com isto o Natal já lá vai, pelo Carnaval nem demos por ele, a Páscoa já está. Daqui a nada será o 25 de Abril com uns a desentenderem-se com outros e os comentadores a comentarem as irrelevâncias de uns e outros (e do 25 de Abril em si se calhar pouco se falará) e logo, logo, virá o 1º de Maio com os sindicatos conservadores e ultrapassados da CGTP, mais os inúteis da UGT e provavelmente com o STOP e outros sindicatos populistas à mistura e com os Raimundos e Catarinas e outras fracas figuras a porem-se à boleia de uma gente que já não representa ninguém. 

E quando dermos por ela estaremos nos santos. E eu, no meio disto, só espero é que, para não ser tudo mais do mesmo, pelo meio alguém apeie o Putin e que a Ucrânia volte a ser um país livre de guerra. Tenho esperança. E, na minha esperança, espero que a paz na Ucrânia ressuscite. Acredito nisso. Claro que gostaria que não apenas na Ucrânia mas em todo o mundo. Só que não sou tão optimista ou aluada quanto isso.

Tirando isso, só se for para dizer que os dois vídeos que abaixo partilho agradam-me muito. Não tenho amêndoas ou ovos da páscoa mas tenho vídeos para vos oferecer. Espero que vos saibam bem.

O poético apartamento de Suzi de Givenchy em Paris | Uma jovem, um estilo | Vogue Paris

Nascida em Hong Kong, Suzi de Givenchy morou nos Estados Unidos antes de se estabelecer em Paris. Companheira do sobrinho do famoso costureiro Hubert de Givenchy e mãe de 3 filhos, ela convida-nos para o seu apartamento, um espaço heterogéneo onde convivem objetos de design, vintage e memórias de uma vida itinerante. Uma alma criativa, apaixonada por desenhar e escrever, mas também por moda. Uma moda com elegância atemporal, que ela afirma usar em primeiro lugar para agradar a si mesma. É também com vontade de transgredir os códigos que ela conduz a carreira de modelo aos 50 anos e tal, desfilando em especial para a Off-White. Vogue Paris foi ao seu encontro para a rubrica Une fille, un style.


Visitando os encantadores jardins italianos de Paolo Pejrone | Visitors’ Book

The World of Interiors apresenta o Livro de Visitas com Paolo Pejrone. Um mestre no seu ofício como paisagista, Paolo Pejrone recebe-nos nos seus jardins isolados aninhados nas colinas do Piemonte, na Itália.

À medida que percorremos o paraíso botânico de Paolo, desenvolvemos uma compreensão profunda do seu retiro bucólico: “Com o passar do tempo, ano após ano, tornou-se uma espécie de berçário no qual experimento muitas plantas”. 

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Esperança. Paz.

quinta-feira, março 16, 2023

Uma pena...

 

Meia decisão já está. Vou começar a fazer hidroginástica pelo menos duas vezes por semana. Para os meus joelhos que tão sacrificados têm sido, não apenas por andar com tanta criança ao colo como por carregar tanta pedra, é aconselhável fazer exercícios que não lhes ponham carga em cima.

Ao escrever isto, lembrei-me do que andei com os meus filhos ao colo quando eram bebés. Não conduzia na altura e ia levá-los à minha sogra. No caso da minha filha, até ao irmão nascer. Pelo meio fiquei grávida e carreguei-a a ela, aí apenas ao colo quando dizia que estava cansada, e mais  a minha enorme barriga. Depois ela foi para o infantário, e ia levá-la e depois seguia com ele para a minha sogra. Qualquer deles era bem pesado. Tinha que apanhar dois ou três transportes até lá chegar e a mesma coisa no regresso. 

O meu marido tinha um trabalho que o obrigava a uma disponibilidade profissional grande, nomeadamente a deslocar-se. Passava frequentemente dias fora. Eu, como amamentava, tinha duas horas a menos de trabalho por dia, ou seja, só tinha que fazer seis horas. 

E aquilo não me custava muito. Cansava-me, é certo, e às vezes quase me parecia que não conseguia dar passo (pois levava-os a eles, levava mudas de roupa, levava a minha bolsa e, às vezes, uma pasta com documentos que levava para trabalhar em casa), mas depois facilmente recuperava. Com vinte e poucos anos faz-se tudo com uma perna às costas.

E depois foi aquilo lá in heaven. Pedras por todo o lado. Algumas só com uma máquina se moviam. Mas tudo o que fosse pedregulho, e lindos que eram (e são), eram movidos à mão por mim (e pelo meu marido, contrariado) para fazer bordaduras de caminhos ou canteiros. A minha mãe ficava doente só de me ver, dizia que eu iria pagar isso, nos joelhos, nas costas, quando fosse mais velha. Agora está sempre a recordar-mo. Mas agora já não posso voltar com o tempo para trás. Portanto, adiante.

Outra vez, ouvi dizer que, para o chão de madeira ficar bonito, nada como vaselina líquida. Resolvi então aplicá-lo. E estava nisto ouvi tocar à campainha, um toque insistente. Levantei-me e ia à pressa abrir a porta, esquecida que o chão estava cheio de óleo. Voei. Literalmente voei. E foi de tal maneira que, não sei como, aterrei de joelhos. Sabem aquela palavra que até arrepia, excruciante...? Pois, exactamente. Tive uma dor excruciante. Durante um bocado fiquei no chão, incapaz de me mexer. Doeram-me os joelhos durante não sei quanto tempo. Ainda agora, ao recordar esse episódio, me lembro da dor que senti.

Não me ocorreu ir ao médico. Com duas crianças pequenas, um trabalho que não me dava tréguas e o meu marido numa multinacional que o absorvia sobremaneira, a minha preocupação era não falhar com as minhas obrigações. Tudo o resto era desvalorizado.

Agora já não interessa. O que interessa é conseguir viver o melhor possível com a condicionante que tenho. Na maior parte do tempo, aliás, nem me lembro que a tenho. Mas se faço algum esforço, aí já sei que pode sair uma inflamação do caneco.

Portanto, hidroginástica com ela.

Mas não chega. 

Sobretudo, como o meu marido se recusa a fazer hidroginástica (não o diz mas sei bem que ele acha que hidroginástica é coisa para velhas), queremos fazer qualquer coisa a dois. A dois, não. Ao mesmo tempo. 

Portanto, já pensámos onde havemos de ir e amanhã ou depois vamos lá falar com um PT para nos traçar um plano de exercícios, sobretudo de flexibilidade e musculação. E estou a escrever musculação e não sei se é a designação correcta. Mas, pela parte que me toca, se puder perder gorduras localizadas, melhor. O meu marido diz que, neste capítulo, talvez uma dieta fosse mais eficaz. Se calhar também vou pensar nisso a ver se perco estes quilos menopáusicos que aqui se alojaram e não saem nem por mais uma.

Mas isto para vos dizer que, se numa próxima cerimónia dos Oscares, quando se chegar ao de melhor argumento, virem subir ao palco uma turbinada portuguesa apenas como uma pena sobre os seios já sabem quem é. E mais não digo.

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Mas, calma, esta aqui acima não é quem possam estar para aí a pensar. Ná. 

Pela parte que me toca, o que posso dizer é que ainda tenho muito trabalhinho pela frente até chegar ao ponto em que Hunter Schafer se apresentou nos Oscares.

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segunda-feira, fevereiro 13, 2023

Há uma virtude sem a qual todas as outras são inúteis: essa virtude é o encanto.

 



Tenho dormido bastante. Depois de dias algo incómodos e noites mal dormidas com o joelho inflamado e dorido (só com cortisona é que foi ao sítio), eis que, no rescaldo, o corpo se tem desforrado. Durmo de noite e, a seguir ao almoço, é só encostar-me que logo adormeço.

De manhã fomos passear com a minha mãe. Deu-me uma joelheira elástica que era do meu pai. Coloquei-a e senti-me mais confortável. Parece que andava a sentir os ossos e as cartilagens como se estivessem à solta, agora que o inchaço passou e o quisto de Baker se esvaziou. 

Tínhamos pensado ir comprar comida chinesa para o almoço mas, afinal, o restaurante estava fechado. Já era tarde. Fui ao supermercado ver como resolvia a emergência e, como contra factos não há argumentos, trouxe frango assado. Devíamos estar com fome pois soube-nos lindamente.

A seguir, foi um sono tão profundo que até sonhei. Sonhei que o meu marido tinha lá chegado e, na brincadeira comigo, como se eu fosse uma menina de quatro anos, tinha pegado em mim ao colo e me tinha sentado na parte de cima de uma estante. E eu a protestar, que não gostava de estar nas alturas, e ele a troçar. Depois tinha ido buscar lenha para a lareira e tinha-me deixado ali. Eu a protestar, que me tirasse dali, e ele sem aparecer. Eu olhava para baixo para avaliar se tinha alguma hipótese de sair por mim. Não: muito alto para saltar e sem possibilidade de descer pela estante como se fosse uma escada pois esta poderia virar-se. Então, tinha resolvido que mais valia deixar-me ficar, aproveitar para dormir. 

Quando já passava das cinco, acordei e olhei à volta, convencida que ainda estava sentada lá em cima.

Levantei-me do cadeirão. O cão levantou-se também, tinha estado a dormir no chão, ao meu lado.

Se há prazer de que tenho desfrutado é vir para aqui à tarde. Afasto o cortinado para entrar a luz, pelo sim pelo não ligo o candeeiro de pé, cubro-me com uma mantinha leve e aveludada, ponho-me a ler... e deixo-me ir. Maravilha.

Quando me vê a dirigir-me para as escadas o ursinho cabeludo aparece logo, parece que pressente. Subo, ele também. Eu sento-me e ele também. Eu adormeço e, creio, ele também. 

Valiosos momentos de tranquilidade.

Hoje estava a ler a Biblioteca Pessoal de Jorge Luis Borges. Outro prazer. 

Ao fim da tarde fomos dar um passeio por aqui. O céu estrelado, a noite fria mas agradável. Só nós na rua. As casas com as luzes acesas, algumas com o interior à vista. Sempre gostei de passear à noite vendo o que, de fora, parece sempre aconchego e intimidade. Em algumas casas, a escadaria entre os pisos é acompanhada por um enorme painel de vidro que dá para a rua. Vê-se tudo, em especial à noite, quando têm a luz acesa. Pergunto-me sempre: não lhes acontece andarem meio despidos? Não se importam se alguém, na rua, os vir?

Há uma casa nova em que a cozinha dá para a rua, com uma janela de vidro de parede a parede. Quando estão a cozinhar ou a lavar a louça estão à janela, virados para quem passa. Fico sempre na dúvida sobre o que devo fazer: fazer-lhes adeus para os cumprimentar ou fazer de conta que não vejo. 

Na casa grande cujas traseiras dão para um caminho a partir do qual não há mais casas e em que tudo era envidraçado, sem estores ou cortinas, incluindo o grande quarto de dormir, há agora, justamente aí, um estore de lâminas verticais de madeira. Sinceramente, quando o vi até me senti aliviada pois temia o dia em que visse o que não queria ver.

Tirando isso: quase não temos visto televisão. E isso é muito bom.

Ligo o computador à noite e vou espreitar os vídeos. Gosto em particular de ver casas. Esta que aqui partilho é fantástica. Não que eu gostasse de morar numa casa assim. Mas gostaria de visitar o seu dono, andar a espreitar isto e aquilo, apreciar a elegância das escolhas. 
Claro que, como sempre, custa-me perceber como se limpa o pó a uma casa assim. E penso também noutra coisa: uma casa assim é uma casa para ser eterna. Ora, como ninguém é imortal, o que acontece a uma casa como esta, tão pessoal, tão especial, tão indissociável do seu dono, quando este se desprender da existência? 
Mas, enfim, ideias peregrinas à parte, é um gosto ver casas bem desenhadas e bem decoradas

Refúgio francês cheio de tesouros do designer John Galliano (com 7 objetos exclusivos) | Vogue


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Lá em cima, a música é de Handel: "Eternal Source of Light Divine", com Thomas Dunford, Jupiter, Lea Desandre, Iestyn Davies

O título do post são palavras de Stevenson citadas por Borges.

As pinturas são da autoria de Fujishima Takeji

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Paz.

sexta-feira, janeiro 20, 2023

Casas opostas

 

Lamento mas não me apetece falar no forrobodó que por aí vai de suspeitos e arguidos, uns deputados, ex-autarcas, outros ministros ex-autarcas, outros secretários ou ex, e uns e outros todos alegadamente a favorecerem amigos, genros, mulheres, correlegionários ou, melhor ainda, a ele próprios. E mais uma que fez lobby (e, por lá, quem nunca...?) e agora, desenterrada, uma outra ronalda, outra excêntrica, ex-tapiana claro, que levou uma indemnização de mais de um milhão. E mais uns que sim e outros que talvez e, cavalgando a onda, vociferante, demagogo, desavergonhado, o Chega. E, claro, omnipresente e sempre com a veia comentadeira em versão saltitante, o Presidente Marcelo.

Ainda se a justiça fosse lesta e apurasse, em tempo útil, a verdade e a legitimidade dos factos. Agora assim é apenas lama atirada de uns para cima de outros. A sociedade transformada num lodaçal.

Ora, lamento mas tenho mais coisas que me ralem do que andar a consumir as minhas energias com esta overdose de casos, casecos, hipotéticos casinhos, alegadas casões e mais com as constantes conferências do Ventura, o campeão das bocas. 

Ou hiberno ou mergulho mas aqui a enfardar disto a toda a hora não fico.

Neste momento estou é a ver se ganho balanço para um corte de cabelo radical. O que me faz balançar é que para o pão com manteiga -- corte acima, corte abaixo, escadear de um lado, escadear do outro -- a minha mão amadora ainda vai dando. Agora a uma mudança radical não me abalanço. A coisa, como eu a idealizo, tem ciência, requer mão profissa. E, estando há uns três anos sem pôr pé em salão de cabeleireira, parece que lhe perdi o sentido. Não sei bem.

É tema a ver.

Entretanto, delicio-me a ver casas (virtualmente falando, claro). 

Quando, em pleno confinamento, resolvemos que estava na hora de dar o salto para uma outra casa, vimos várias. Grande parte delas de um mau gosto de causar dor. E nem é só pela arquitectura: é também pela decoração. Na família é tema que nos é caro. Uns vêem sob o prisma técnico, outros pelo prisma estético, outros pelo enquadramento e outros pelo conforto. Eu não sou profissional de coisa nenhuma destas e guio-me é pela intuição, pelo feeling que tem que ser good.

Estas duas aqui abaixo são lindas de dar gosto. Opostas. Mas uma belezura.

Uma linda casa construída em volta de uma pedra | Lar: Vida Interior

Já imaginou uma casa que foi construída em volta de uma pedra? O lar da Dani Costa tem as paredes formadas por pedras, que são a sustentação da casa e de sua vida.       


Dentro da casa do Estilista da  Balmain Olivier Rousteing que tem objectos maravilhosos | Vogue

O designer Olivier Rousteing abre as portas do seu apartamento parisiense. Como ele mesmo admite, Olivier tem uma obsessão por preto e dourado - basta olhar para as suas coleções para a Balmain, a famosa casa de moda parisiense que ele dirige desde 2011. Então, é alguma surpresa que, quando a Vogue pediu ao estilista para nomear as suas coisas favoritas na sua casa em Paris para o último episódio de “Objects of Affection”, a maioria deles tenha obedecido a esse mesmo esquema de cores? 

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Uma bela sexta-feira
Saúde. Bom gosto. Paz.

segunda-feira, novembro 07, 2022

Luzinhas, ternurinhas, caderninhos, coisinhas de casa.
E, a seguir, big little lies

 



Ontem deu-me para beber à noite um chá de uma misturada qualquer que para ali tenho e de cuja marca ou composição agora não me lembro. Tem um sabor bom, exótico. Só que me tirou o sono e, claro, também tive que me levantar duas vezes para ir à casa de banho. É que, ainda por cima, quando bebo chá, como gosto muito, bebo canecas cheias e, portanto, já estão a ver. 

Acho que só adormeci já perto de amanhecer. Portanto, desforrei-me e deixei-me ficar a dormir até mais tarde. Acordei com o urso cabeludo a dar-me beijinhos na mão. Tenho impressão que, quando durmo até mais tarde, pelo sim, pelo não, ele gosta de conferir se estou viva. Mal acordo, fica descansado e pára com as lambidelas. O meu marido já estava levantado certamente há séculos e devia andar nas dele, tendo deixado a porta do quarto aberta. 

O nosso dia foi calmíssimo. Longa e boa caminhada antes de almoço. Almocinho bom, simples.

Depois de almoço, estive a ver o Little big lies. O meu filho tinha-me aconselhado mas eu andava na Netflix, numa de The good doctor. Mas agora voltei à HBO e, de facto, é uma série tramada. Faz-me lembrar um bocado a onda do Twin Peaks. Para os mais novos, o Twin Peaks pouco ou nada deve dizer mas, na altura, deu que falar. Num lugar pacífico, tranquilíssimo, bucólico, onde nada acontecia e onde todos eram amigos, após a descoberta do corpo de Laura Palmer, aos poucos vai-se percebendo que, sob a fina capa das aparências, a inquietação vivia latente, sempre pronta a manifestar-se. A música era parte do ambiente de suspense, as cores e o excelente trabalho de David Lynch faziam o resto.

O Big little lies é um pouco assim. Num lugar de famílias ricas, casas fantásticas à beira mar, onde a escola e as actividades a ela associadas são um importante elo de ligação entre as famílias, aos poucos vamos descobrindo que sob a pele das mulheres elegantes e sorridentes e sob a pele dos respectivos maridos há mais do que o que aparece à superfície. A inquietação é crescente. Não há grandes acontecimentos, apenas pequenas mentiras, uma ou outra omissão, insignificantes encobrimentos. E o enredo vai avançando sobre essa mistura de acasos e opções que, na vida real, também desenha os destinos da gente. 

A banda sonora também é qualquer coisa. A música lá em cima, The wonder of you, faz parte do episódio em que há uma festa temática, eles de Elvis, elas de Audrey Hepburn, e em que o Ed, o marido de Madeline (fantástica Reese Witherspoon), protagoniza um momento em que se sente, quase fisicamente, que a desgraça está para acontecer. 

Há um crime, sabemos desde o início, mas não sabemos bem quem morreu. Mas vamos percebendo que qualquer um pode vir a ter um fim triste e que qualquer um pode ter estado envolvido no homicídio.

E há, a par disso, o extraordinário elenco de actores, nomeadamente de actrizes. Excelentes desempenhos. Citei Reese Witherspoon mas são todos incríveis.

[A grande arte da representação vai-se desviando do grande ecrã para o streaming. A evolução acontece muitas vezes (ou quase sempre) de forma inesperada, disruptiva.]

A seguir chegou parte da tribo. Chegam ruidosamente. Tocam à campainha mas os meninos fazem-se logo ouvir e a ferinha cabeluda salta de alegria e abala a correr para ir fazer-lhes a festa ao portão, saltos no ar, abracinhos, beijinhos. E eu vou atrás e só por decoro não me manifesto com idêntica exuberância.

Ontem tínhamos estado com a outra parte da tribo. Entre jogos de futebol, dois num clube, outro noutro, estudo para testes já para quatro deles, festas de anos, e, para ajudar à festa, as viroses que apanham nas escolas, nem sempre conseguimos fazer o pleno. 

Claro que, em especial os miúdos, preferem quando estão juntos. Mas é sempre bom, sempre.

Hoje, enquanto uns jogavam futebol, a minha menina quis vir ver onde estavam as bolas grandes de Natal. Não me lembrava, pensava que estavam nos baús que estão numa arrecadação que temos num compartimento do sótão. Mas não, devem estar nos baús que estão na garagem. Mas ela não se desmoralizou. Nessa arrecadação há uma zona que, nos tempos dos anteriores proprietários, era usada como a sua biblioteca particular. O senhor levou os livros, claro, mas deixou ficar todas as estantes pois tinham sido montadas à medida. É aí que arrumo todas as carteiras, malas, malinhas e malões, sacos, mochilas, necessaires. Uma maravilha para mim que sempre tinha desejado tê-las bem arrumadas, tudo bem à vista e bem organizado. E uma tentação para ela. Resolveu pôr-se a abrir as mais pequeninas, as que eu usava em casamentos, cocktails, alguns eventos que requeriam coisa mais artilhada. A ideia, disse-me ela, era ver se descobria alguma coisa imprevista. Diz que gosta sempre de ver pois descobre sempre qualquer coisa. Descobriu moedas, papelinhos e descobriu um caderninho muito bonito que, em tempos, pensei usar como diário. Foi nos tempos pré-blog. Subtraí-lho pois não sei o que para lá estará. Por vezes tenho pensamentos impróprios para consumo. Mas prometi-lhe que vou reler e, se for, coisa capaz, a deixo ler. De resto, do que rapidamente folheei, parece que não deve ser mais do que meia dúzia de folhas escritas. Deve ter acontecido o mesmo de sempre: tudo o que entra nas minhas carteiras parece que se perde para todo o sempre. Mudo de malinha e lá ficam as coisas. Se volto a usar ou mudo o que lá está dentro para qualquer outra ou deixo ficar mas parece que o conteúdo se funde entre si. Por isso, fiquei tão surpreendida como ela quando ele lindo caderninho saiu à cena.

Entretanto, no outro dia comprei no supermercado uma grinalda de luzinhas pequeninas, que funciona a pilhas, e que na embalagem a mostrava dentro de uma taça de vidro. Hoje coloquei-a dentro de um copo grande e coloquei-o na mesa cá de fora. A minha menina deve ter achado que estava a modos que um bocado pobrezinho e foi lá dentro buscar uma espécie de taça baixa em aço brilhante e, então, em cima o dito copo. Ficou melhor, as luzinhas reflectiam-se na taça. Bonito. As luzinhas assim fazem sempre um ambiente acolhedor.

Para o lanche quiseram, e assim foi feito, sandes em pão de rio maior, quentinho, com tomate, queijo de cabra, brie e um fio de azeite. Em duas das sandes, também orégãos. Depois, para quem quis, diospiro às rodelas polvilhadas com canela e regadas com um fio de mel.


E, agora, ao chegar aqui, liguei-me no Youtube e ele, sabendo que sou dada a casas, a ambientes de aconchego e de afecto, apresentou-me o vídeo abaixo, muito bonito, com várias belas peças de artesanato, daquelas que me dão vontade de me atirar à obra.

Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue

Step inside gallerist Alex Tieghi-Walker's avant-garde Los Angeles home in Vogue’s latest “Objects of Affection” video. As Alex walks around his property filled with handmade, one-of-a-kind objects, he regals us with the unique tales that make up the essence of these wonderful pieces. Watch as Alex discuses everything from his eye-popping ceramic cabinet to a handwoven Argentinian mountain hat that will forever reside in his bedroom.


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As imagens mostram partes das belas tapeçarias do criador Bernat Klein, um pintor e designer têxtil sérvio

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Saúde. Aconchego. Paz.

terça-feira, setembro 27, 2022

Guia rápido para parecer natural

 



Sempre fui de me deitar tarde e, portanto, nunca consegui levantar-me folgadamente cedo por forma a ter tempo para grandes empreitadas pré-matinais a nível de make-up. Quando os miúdos eram pequenos e tinham que estar cedo na escola, a alvorada era compatível com dar tempo a arranjarem-se, tomarem um bom pequeno almoço, lavarem dentes, pentearem-se, etc, e no meio, em dois minutos, se tanto, tentava dar a mim própria um arzinho de minha graça. Quando ficaram autónomos ou saíram de casa, os horários poderiam ter sido abrandados não fora eu, nessa altura, ir trabalhar para mais longe, obrigando-me a não apenas atravessar a cidade como a fazer trajectos em autoestradas. Portanto, como não desbastava tempo ao sono, a parte de me arranjar continuou a ser feita em três tempos.

Ultimamente, poderia fazer as coisas como devido mas aí já estava demasiado desinstruída. Continuo na base do meia bola e força -- e  feito.

Contudo, agora, volta e meia, o YouTube presenteia-me com tutoriais com a rotina matinal ou nocturna de tudo o que é mulherada que se conservará nova até ser velha. 

Provavelmente descaí-me uma ou outra vez  a espreitar os vídeos -- sou cusca, quero saber qual o golpe de magia --, e vai daí o algoritmo, que é fino que nem um alho, topou logo que ando com vontade de saber como é. O pior é que, de cada vez que vejo, vou ao tapete. E dizem elas que aquilo é o que fazem quando não têm tempo... Faria se tivessem. Bolas. Além disso, tudo novidade para mim. Sinto-me pré-histórica, ignorante, fora deste mundo.

Para mais, vendo isto, percebo porque é que, quando for idosa-idosa, não vou conseguir fingir que tenho vinte aninhos. Não tem havido esfoliações, séruns vegans, tratamentos combinados -- e não é agora que vou conseguir recuperar le temps perdu. Ou seja: já foste, Ujota-Emezinha.

É que eu faço assim: depois da cara lavada com água fria, aplico-lhe um creme hidratante qualquer e, a nível de tratamento de pele, nada mais. Bem, não é bem um hidratante qualquer. Geralmente é de supermercado mas ultimamente procuro aqueles que se anunciam como sendo anti-envelhecimento ou anti-rugas. 

[Não sei se fazem alguma coisa a esse nível mas, assim como assim, não custa tentar. Bem sei que, na cosmética, não se vendem tratamentos, vendem-se ilusões -- mas capaz de as ilusões fazerem bem à pele, nunca se sabe].

E sempre assim foi comigo. A única vez que resolvi experimentar pôr base, fiquei estranhíssima. Olhei-me ao espelho e parecia uma bonequinha, toda lisinha, toda impermeabilizadinha, sem vestígios de imperfeiçãozinha que fosse. Ainda me lembro de um colega me perguntar: 'Está diferente. O que é que tem?'. Não me lembrei que seria da base, fiquei admirada. Depois entrei para uma reunião e o presidente, um desbocado, olhou para mim e disse para os outros: 'Está mais bonita, ela, hoje, não está?'. E para mim: 'O que é que tem para estar diferente?'. De repente lembrei-me mas não disse. Temi que estivesse a querer parecer artificial. E estava era arrependida de ter posto aquilo sobretudo por estar com medo de sujar a blusa. Nem queria pensar que a blusinha branca ficava com o decote, no pescoço, todo acastanhado. 

Nunca mais.

A nível de cosmética, também é do mais básico que pode haver. Ponho um little bit of blush nas faces a ver se fico com um arzinho de saudável vida no campo. Ultimamente nem uso nada de especial: faço um risco de cada lado com baton e depois esbato, e está o blush posto. Depois, uma sombrazita esbatida na pálpebra superior, um brilhozinho nos lábios... e está feito. Dantes ainda punha um rímelzito nas pestanas de cima. Ultimamente, nem isso. Aliás, nem sei se ainda se diz rímel pois ouço toda a gente a dizer máscara, dito assim: masscárah. Cheira-me que rímel é coisa do passado. 

Mas eis que agora, tentando aprender com estes tutoriais, constato que colocam coisa sobre coisa e tudo fica bem. Sempre temi fazê-lo não fosse aquilo reagir entre si e eu ainda ficar toda pintalgada de brotoeja ou sei lá o quê. Afinal, vejo-as a porem camada disto, camada daquilo, camada de primário, camada de foundation, camada de contour, camada de mais não sei o quê. Há coisas que nem sei o que são. O que sei é que, no fim, estão com a pele perfeita, todas elas lisinhas, luminosas, todas impecáveis.

E, então, feita macaquinha de imitação, hoje, depois de lavar a cara, apliquei um pouco de creme da L'Oreal desses anti-idade e, passado um bocado, depois de aquilo estar absorvido, pus-lhe creme nívea por cima. Espalhei bem, claro. E não apenas não reagiu com o creme anterior como me parece que fiquei com a pele melhor, mais luminosa. 

Agora à noite estou capaz de lavar a cara e aplicar um outro creme que para ali tenho para usar à noite e, por cima, mais uma dose de creme nívea. Mas quando digo creme nívea não é nívea para o rosto, é mesmo aquele mais antigo que eu, aquele indiferenciado, daquele que vem naquelas caixas azuis, metálicas, redondas, clássicas. 

E é isto.

Imagino que este tema não interesse a parte significativa dos meus Leitores mas eu hoje estou assim, zeníssima. Junto à hora de almoço fui levar a massagem que recebi de presente, ainda o verão era uma criança. Aproveitei para nadar na piscina interior, para descontrair no jacuzzi, para beber água perfumada por frutos vermelhos e, só depois, me entreguei nas sábias, fortes e suaves mãos da massagista. Havia música de meditação, velas de luz bruxuleante e não apenas vários óleos foram espalhados no meu corpo como, no final, toalhas quentes e molhadas foram aplicadas nas minhas costas. Terminei com um ritual de chá. E apetecia-me era lá ficar a hibernar. Quase aposto que mais um bocado e ainda era capaz de esvaziar a cabeça e ficar a levitar, ou seja, a meditar.

Mas, moça trabalhadeira que sou, claro que a seguir fui trabalhar como se não estivesse com a alma mais do que zen. 

Por isso, como podem imaginar, o tema agora à noite teria que ser assim, levezinho, levezinho, levezinho...

Candice Swanepoel's 10-Minute Guide to "Fake Natural" Makeup and Faux Freckles | Beauty Secrets

Victoria's Secret model Candice Swanepoel reveals how to do sunkissed skin, faux freckles, and the perfect lip tint on camera.


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Já agora: e à noite? Como é que é...? Coisa simples, também...?

Alanis Morissette's 18-Step Nighttime Skincare Routine | Go To Bed With Me | Harper's BAZAAR



Confirma-se: coisa simples...
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A primeira, a segunda e a última fotografias mostram Candice Swanepoel, 33 anos. A terceira e a quarta mostram, respectivamente, Michelle Pfeiffer e Sharon Stone, ambas agora com 64 anos. 

Bamboo Flute | by 陳悅

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Um dia bom
Saúde. Confiança. Paz.

quarta-feira, março 09, 2022

I Testify...
-- Carta aberta de Olena Zelenska, a mulher de Zelenskyy, a todos os meios de comunicação social
[Mas quem é Olena Zelenska?]

Свидетельствую...
-- Открытое письмо Елены Зеленской, жены Зеленского, всем СМИ
[Но кто такая Елена Зеленская?]

 

No Dia da Mulher, Olena, a bela e corajosa mulher de Volodymyr, publicou uma carta, um testemunho. Transcrevo-a em língua inglesa, tal como está publicado do site oficial da presidência da Ucrânia:

Recently, an overwhelming number of media outlets from around the world have reached out with requests for interviews. This letter serves as my answer to these requests and is my testimony from Ukraine.

What happened just over a week ago was impossible to believe. Our country was peaceful; our cities, towns, and villages were full of life.

On February 24th, we all woke up to the announcement of a Russian invasion. Tanks crossed the Ukrainian border, planes entered our airspace, missile launchers surrounded our cities.

Despite assurances from Kremlin-backed propaganda outlets, who call this a "special operation" - it is, in fact, the mass murder of Ukrainian civilians.

Perhaps the most terrifying and devastating of this invasion are the child casualties. Eight-year-old Alice who died on the streets of Okhtyrka while her grandfather tried to protect her. Or Polina from Kyiv, who died in the shelling with her parents. 14-year-old Arseniy was hit in the head by wreckage, and could not be saved because an ambulance could not get to him on time because of intense fires.

When Russia says that it is 'not waging war against civilians,' I call out the names of these murdered children first.

Our women and children now live in bomb shelters and basements. You have most likely all seen these images from Kyiv and Kharkiv metro stations, where people lie on the floors with their children and pets – trapped beneath. These are just consequences of war for some, for Ukrainians it now a horrific reality. In some cities families cannot get out of the bomb shelters for several days in a row because of the indiscriminate and deliberate bombing and shelling of civilian infrastructure.

The first newborn of the war, saw the concrete ceiling of the basement, their first breath was the acrid air of the underground, and they were greeted by a community trapped and terrorized. At this point, there are several dozen children who have never known peace in their lives.

This war is being waged against the civilian population, and not just through shelling.

Some people require intensive care and continuous treatment, which they cannot receive now. How easy is it to inject insulin in the basement? Or to get asthma medication under heavy fire? Not to mention the thousands of cancer patients whose essential access to chemotherapy and radiation treatment have now been indefinitely delayed.

Local communities on social media are full of despair. Many people, including the elderly, severely ill and those with disabilities, have been debilitatingly cut off, ending up far from their families and without any support. War against these innocent people is a double crime.

Our roads are flooded with refugees. Look into the eyes of these tired women and children who carry with them the pain and heartache of leaving loved ones and life as they knew it behind. The men bringing them to the borders shedding tears to break apart their families, but bravely returning to fight for our freedom. After all, despite all this horror, Ukrainians do not give up.

The aggressor, Putin, thought that he would unleash blitzkrieg on Ukraine. But he underestimated our country, our people, and their patriotism. Ukrainians, regardless of political views, native language, beliefs, and nationalities, stand in unparalleled unity.

While Kremlin propagandists bragged that Ukrainians would welcome them with flowers as saviors, they have been shunned with Molotov cocktails.

I thank the citizens of the attacked cities, who have coordinated to help those in need. Those that keep working - in pharmacies, stores, public transportation, and social services – showing that in Ukraine, life wins.

I acknowledge those that have provided humanitarian aid to our citizens and thank you for your continued support. And to our neighbors who have generously opened their borders to provide shelter for our women and children, thank you for keeping them safe, when the aggressor has rendered us unable to do so.

To all the people around the world who are rallying to support Ukraine. We see you! We’re here watching and appreciate your support.

Ukraine wants peace. But Ukraine will defend its borders. Defend its identity. These it will never yield.

In cities where shelling persists, where people find themselves under debris, unable to get out of basements for days, we need safe corridors for humanitarian aid and evacuation of civilians to safety. We need those in power to close our sky!

Close the sky, and we will manage the war on the ground ourselves.

I appeal to you, dear media: keep showing what is happening here and keep showing the truth. In the information war waged by the Russian Federation, every piece of evidence is crucial.

And with this letter, I testify and tell the world: the war in Ukraine is not a war "somewhere out there." This is a war in Europe, close to the EU borders. Ukraine is stopping the force that may aggressively enter your cities tomorrow under the pretext of saving civilians.

Last week to me and my people, this would have seemed like an exaggeration, but it is the reality we’re living in today. And we do not know how long it will last. If we don't stop Putin, who threatens to start a nuclear war, there will be no safe place in the world for any of us.

We will win. Because of our unity. Unity towards love for Ukraine.

Glory to Ukraine!

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Imagens daqui
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Quem é Olena Zelenska, a mulher que posou para a Vogue e que é a Primeira-Dama da Ucrânia?







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Este post foi escrito no dia 8, Dia da Mulher, um dia em que tantas mulheres ucranianas sofrem na carne a brutalidade dos crimes de Putin

Que as mulheres que vivem em paz não esqueçam nunca as mulheres que sofrem os horrores da guerra, qualquer que ela seja