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terça-feira, agosto 04, 2026

Ah, a difícil vida no campo...

 

De manhã, o tempo estava fosco, fresco, e chegou a chuviscar. Da terra molhada subiu aquele perfume bom que faz sempre lembrar-me a longínqua e tão presente emoção do regresso às aulas.

Depois abriu, o tempo aqueceu. 

Há folhas secas por todo o lado. A caruma parece que atrai toda a espécie de folhagem. Estávamos a contar que o rapaz conseguisse cá vir soprar e aspirar o espaço em volta da casa e alguns caminhos. Afinal, mais uma vez, não conseguiu. Por aqui é muito difícil encontrar quem faça estes trabalhos. Por isso, mais uma vez tive que voltar à minha vassoura. É daquelas volumosas, pesadas, com as franjas em aço. As mais leves não têm força para isto. Ao fim da tarde já tinha a feridinha do costume na mão. O meu marido continuou a sua árdua tarefa de transportar os troncos cortados para junto da lenha e as ramagens que estão espalhados por todo o lado para junto dos montes imensos que, quando puder ser, serão queimados.

Pelo meio, frágil pecadora, fui-me enchendo de figos. Estão dulcíssimos, gordos, suculentos, irresistíveis. Não sei quantos quilos a mais já coleccionei. Depois, há um fenômeno que penso que deveria ser seriamente investigado: se eu comer meio quilo de figos, engordo um quilo. Se, no dia seguinte, comer mais meio quilo engordo mais quilo e meio, que se soma ao quilo da véspera. Uma coisa exponencial, muito dif´cil de controlar. 

Acresce que fomos almoçar a uma tasquinha numa aldeia vizinha. Puseram na mesa uma cesta de pão e broa e uma tigelinha de azeitonas bem temperadas. Marchou tudo. É certo que a dividir por dois mas, ainda assim, um estrago adicional. De entrada, não resistimos a ovos com farinheira. Pior um pouco. O prato nem digo o que foi, muito menos falo das deliciosas batatas fritas e da saborosa maionese caseira. No fim, deveria ter-me feito rogada a uma tarte de amêndoa com uma bola de gelada. E fiz-me. Só comi metade. Mas de certeza que aumentei mais dez quilos. 

Portanto, não sei como, mas vou ter que arranjar forças para me embrenhar num jejum. Mas não é daqueles a fingir, tem mesmo que ser a doer. Vai é que ter que ser como o voto de castidade do Santo Agostinho: mas ainda não, mas ainda não...

Já agora, a propósito dos figos diabólicos, vou aqui reincidir num texto maravilhoso do D. H. Lawrence sobre como comer um figo. Os apertadinhos tapem os ouvidos. Avisei.

Cena de Mulheres Apaixonadas

Dias felizes

quinta-feira, março 13, 2025

Fui ao ginásio e dei no duro, fui a uma bela Biblioteca, vi uma exposição de pintura, passeei à beira mar, fotografei garças e barcos, apanhei chuva, apeteceu-me lanchar mas contive-me, cheguei a casa já tarde mas ainda fui fazer sopa.
E agora vou imaginar que sou eu que estou aqui a dançar o tango e, para que não pensem que me esqueci do tema do momento, transcrevo um texto imperdível de Rui Bebiano no seu magnífico 'A Terceira Noite'

 

E, antes disso, ainda acrescento que já peso menos dois quilos e picos, ou seja, já estou na média para a minha idade e altura, mas que a balança inteligente e sobredotada (comunica-me os resultados por telemóvel, faz gráficos e diz-me em que ponto da escala me situo em relação a cada indicador) diz que ainda tenho alguma gordura corporal a mais. Não é muito, creio que uns 4 ou 5% a mais (tenho o telemóvel a carregar noutro sítio, não me apetece levantar-me para ir ver o valor certo), mas não quero. Só que ver-me livre dela não está a ser pêra doce. O ChatGPT diz que tenho que fazer mais exercício ou consumir menos calorias. La Palice não diria melhor. Só que é uma dor de alma não poder comer o queijinho pelo qual me pelo, tenho que me limitar a um esquálido quadradinho de chocolate preto sem pingo de açúcar. E a fruta, que eu se fosse eu comeria às carradas, agora está mesmo limitada a 3 míseras peças por dia. 

E o pior é que sei que, mesmo quando estiver no ponto, para assim me manter, terei que me manter assim, à míngua. Ora eu sou tudo menos vocacionada para me forçar a provações.

Enfim.

Bora mas é tangar.

No es por ti - Grupo Corpo (Lecuona)


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E agora é mal empregado colocar aqui um texto tão objectivo, tão exacto, como o que vou tomar a liberdade de transcrever na íntegra. Mas as coisas são o que são. O autor é Rui Bebiano, de que já antes aqui fiz referência, e escreve no blog A Terceira Noite que eu sigo religiosamente.

12 de Março de 2025

De forma simplificada, são dois os motivos principais que levaram à rejeição da moção de confiança e à próxima saída de Luís Montenegro do cargo de primeiro-ministro. O primeiro, mais invocado, tem a ver com práticas profissionais que colidem com o dever de exclusividade de quem detém cargos de responsabilidade no governo, por motivos acrescidos quem dele seja a figura principal. O segundo motivo, menos mencionado apesar de também importantíssimo, prende-se com o facto de a empresa envolvida, a Spinumviva, ser apenas familiar, não tendo sequer sede própria e corpos gerentes, dedicando-se basicamente ao tráfico de influências realizado sob a capa de «aconselhamento» em negócios privados.

Nada disto deveria ter acontecido, e, a ser revelado como foi, deveria ter conduzido de imediato à apresentação da demissão do cargo que LM ocupa. Todavia, não só tal não foi feito, como depois da triste novela pública vivida ao longo destes dias, o mesmo LM declarou pretender apresentar-se de novo a eleições e afirmou nada ter feito que «qualquer português não fizesse». Se assim acontecer, o PSD irá arrastar o país para uma situação de impunidade legal e ética premiada. Sabemos que em países como os Estados Unidos da América de Trump isto está a tornar-se trivial, mas, caramba, nós ainda vivemos no democrático país de Abril. Por isso de modo algum pode acontecer.

Nem mais. É isso mesmo. 

quarta-feira, novembro 29, 2023

No balneário das mulheres

 


A ginástica na piscina é, para mim, um dos pontos altos dos meus dias, ultimamente tão cheios de 'baixos'. 

Já quando andei a fazer hidroterapia depois da artroscopia aos joelhos eu tinha adorado. Tinha que conduzir um bom bocado à hora de almoço, agravado pelo facto de ter que usar uma das vias, à época, mais congestionadas e acidentadas do país, a Segunda Circular. Aconteceu-me falhar a sessão por ficar presa no engarrafamento. Praticamente não almoçava mas, ainda assim, fazia todos os esforços para chegar uns minutos antes da hora para poder ter a piscina só para mim e nadar um bocado. Era uma pequena piscina, sempre com pé, mas era um prazer. Espantava-me ao ouvir, no balneário, algumas parceiras a contar as sessões que faltavam para 'se verem livres' daquilo. E eu só queria era que não acabassem. O único senão é que não podia atrasar-me pois dali voltava directamente para o trabalho, geralmente comendo qualquer coisa enquanto conduzia. Sempre à pressa de um lado para o outro.

Depois disso voltei a fazer hidroginástica mas era perto de casa, à noite. E era um stress pois nunca consegui ter horas para sair, havia sempre alguém que me aparecia no gabinete quando eu estava para dar de frosques, depois era o trânsito, um trânsito sempre ensarilhado. Só para sair do parque onde se situava o edifício onde trabalhava era um pesadelo. Um nervoso desgraçado, sempre com receio de chegar muito depois da hora. Não dá para entrar numa piscina a meio de uma sessão. 

Agora é diferente. Chego a horas, não tenho pressa para sair e, maravilha das maravilhas, é uma piscina funda com dois metros e tal de altura de água e, portanto, toda a sessão decorre sem pé, sempre em suspensão. De vez em quando aquilo cansa a valer. Tenho que fazer um esforço para respirar fundo para oxigenar o organismo pois, quando em esforço, a tendência é fazer respirações curtas. 

Quando acaba, o professor diz que podemos relaxar à vontade. Geralmente, aproveito para nadar. Gosto mesmo. Ainda por cima a água é morninha. Um prazer.

Há agora muita gente, muito mais do que antes das férias. Não sei se irão desistindo ao longo do ano ou se este ano as pessoas acordaram para o bom que é fazer exercícios dentro de água. A maioria frequenta a hidroginástica tradicional, com pé. Na classe da ginástica em suspensão somos poucos. 

Dali vamos para o balneário.

Antes das férias de verão, como não éramos muitas no balneário feminino, eu ficava sempre no mesmo canto. Agora, como é muita gente, quando chego, por vezes o 'meu' canto está ocupado e tenho que ir para onde há uma aberta. Hoje calhou ficar ao pé de uma senhora obesa. Íssima. Na maior das descontracções, toda nua, conversando, rindo, dizendo piadas. Antes, teve uma outra que ajudá-la a despir-se. Estava sentada, a rir e a galhofar, e outra a despi-la. Não estão na minha classe pelo que não imagino se consegue fazer os exercícios como deve ser. Sei é que voltei a vê-la, depois das aulas, nos chuveiros. Eu, pudica, de fato-de-banho, só a passar-me por água, ela, na risota, toda nua. Lava-se com gel de banho e faz uma ginástica dos diabos para chegar ao rabo. Mas enquanto se contorce, continua a falar e a rir. 

Despachei-me o mais à pressa possível com medo que ainda me pedisse para eu a vestir. Com uma descontração como nunca vi, parece que nada a atrapalha ou de nada se intimida. Felizmente chegou a que a tinha ajudado a despir.

Em situações assim constato como as pessoas são diferentes umas das outras. 

Hoje também fiquei surpreendida com uma coisa. Uma senhora que deve ter uns quantos anos a mais que eu, também nua nos chuveiros, tinha a pele tisnada das férias. E vi que usa apenas uma tanga minúscula pois tem a respectiva ínfima marquinha branca que se destaca no corpo ainda bronzeado. Também fiquei admirada. 

Poderia fazer-se uma reportagem sobre as vidas das mulheres que frequentam uma coisa assim. 

Claro que os homens também devem ter as suas idiossincrasias mas dentro da piscina não dá para conversar e nos balneários, como é bom de ver, não há 'misturas'. Por isso, só posso falar pelo que observo no balneário feminino.

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Um dia feliz

Saúde. Tranquilidade. Paz.

terça-feira, fevereiro 14, 2023

A moda das transparências e das flores pouco subtis também dará para idosas ou para quem é de boa carnadura...?
Pergunto.

 

Há aquilo de que 'este país não é para velhos'. Alguém disse e virou moda. Não aderi. Parece-me fatalismo. 

E quem diz velhos diz anafados.

Fica de fora quem quiser ficar. Mesmo que haja eternos jovens ou mentecaptos encartados que padeçam de claustrofobia em relação a espaços habitados por gente mais vivida (ou melhor alimentada), eu acredito que uma andorinha não faz a primavera, não é toda a gente que é assim, e compete a quem quer estar in não saltar fora.

Mas uma coisa é a idade que a gente sente dentro de nós, que pode ser a idade de um adolescente rebelde, e outra é a imagem que o espelho nos mostra. E aí, caraças, muitas vezes a coisa não coincide.

Não acredito que a malta mais entrada tenha que se vestir 'à velha'. Ná-ná-ni-na-não. Pode até acontecer que um certo ar hippie, retro-chic ou simplesmente um ar de descontração natural tenham um certo charme. Mas daí até a malta se pôr descapotável como se tivesse a inocência que a verde idade transporta já vai um grande passo.

Quando eu era teen ou jovem adulta ousava as saias bué curtas, os vestidinhos ligeiros ou as blusinhas levezinhas sem soutien -- sabendo que o meu descaramento era evidente e provocava olhares pouco discretos -- e estava tudo certo. Pensassem o que quisessem que eu vestia o que me apetecia e era assim que me sentia bem.

A minha cabeça ainda funciona assim e agora é que eu devia ter vinte ou trinta. Mas hélàs, a cabeça funciona assim mas perdi parte da inocência e do descaramento. Portanto, olho e fico a pensar que por muito que gostasse já não me sentiria bem com esta moda que se anuncia, toda ela chamando a primavera e honrando a sagrada nudez. 

É que não é apenas o facto de as transparências revelarem todas as refeições bem comidas e toda a ginástica que ficou por fazer... São também as flores pouco subtis. Para quem tenha um corpinho liso, quase andrógino, os espigões das flores quase fazem as vezes de mamilos que dão graças aos céus. Agora quem descende das modelos de Rubens, se ousar uns destemperados antúrios sobre os seios vai ficar até obscena. Acho eu.



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Ainda por cima, ao vivo, a gente não consegue photoshopar-se.... (vide foto abaixo)

sexta-feira, julho 29, 2022

A praia é para todos

 


Os estores desta casa são eléctricos e, segundo fiquei a saber, são de elevada segurança. São de alumínio duplo e correm numa calha embutida. Segundo me têm disto os especialistas, não há ladrão que consiga levantá-los ou cortá-los.

Dito assim parecem boas notícias, não é? 

O pior é quando se avariam. Não há processo manual para os levantar ou baixar. Para serem limpos tem que se ter cuidado para não desalinhar as lâminas. São tão pesados que qualquer desalinhamento compromete o seu bom funcionamento e, se ficam desalinhados, não há outra forma de remediar a situação, senão chamar os técnicos. Uma impotência. Bem procurava, ao princípio, alguma manivelita ou fitarola que me pudesse salvar. Nada. 

E os técnicos, quando chegam, protestam porque dizem que, da maneira como foram feitos, eles  mal têm margem para trabalhar. Dizem que os estores costumam correr por fora e não por dentro. Contudo, quando me queixo das constantes maçadas e do dinheiro que gastamos a repará-los e digo que o melhor é pôr estores novos, mais simples, mais leves, aí insurgem-se, dizem-me que nem pense nisso, que já não se fazem estores de tão boa qualidade. 

Desta vez foi o estore grande da cozinha, um estore alto e largo. Começou por dar estalos, depois saltos. Depois não queria subir ou descer. Fomos forçando, julgando que a coisa iria ao sítio por si. Mas está bem, está. Chegou a um ponto em que já não tugia nem mugia.

O veredicto foi que tanto forçámos que já se tinham entortado cinco lâminas. No primeiro dia não conseguiram fazer o trabalho. Ficou corrido durante umas duas semanas, escuridão absoluta, sempre de luz acesa. E hoje teve que vir um terceiro elemento para conseguirem fazer a manobra de levantar o estore e encaixar as lâminas novas. Dizem que o peso era demais para dois conseguirem aguentar o bicho. Não sei, já não digo nada.

O que sei é que ao fim da tarde foi um ver se te avias na cozinha. A fera a ladrar possessa do lado de lá do portão do pátio da cozinha e, na cozinha, um chinfrim, uma azáfama. Às tantas zaragateavam uns com os outros, davam-se instruções uns aos outros. Levanta. Aguenta. Arreia um bocado. Pára. Avança! Um desatino. Ferramentas e caixas e tralha espalhadas pelas bancadas da cozinha, o chão pejado de tralha.

Por fim já só queria que se fossem embora.

Quando finalmente acertámos as contas e eu me queixei que era o preço de uma nova e de eles me terem dito que nem pense nisso pois uma nova destas deve custar cinco vezes esse valor, foi fazer limpeza à cozinha. E já passava das oito e nem jantar feito nem vontade de puxar pela cabeça para ver  que fazer. 

O meu marido disse: vamos passear à beira da praia e compramos qualquer coisa por lá. E fomos. Fui como estava, com uns calções soltos, acima do joelho e uma blusinha sem mangas com decote em bico à frente e atrás. O meu marido disse que era melhor levar outra coisa pois estava a esfriar. Peguei no meu poncho de crochet em abertos, todo em abertos, feito numa linha crua, um amparo que é psicológico e não de agasalho. 

Lá chegados, rapei um frio dos antigos. A aragem estava a dar ares da sua valentia. Não me queixei para não ouvir observações mais do que óbvias.

Felizmente, o mar estava muito lindo e o sol fazia a sua escolha de sempre. Os amores eternos e incontornáveis são assim, um mergulhando no outro sem se saber quem mergulha em quem. 

O pior mesmo eram as poses absurdas, as selfies, as posições ridículas a que muita gente se entrega. A praia parece que atrai os que se acham fantásticos.

Num grupinho destacava-se uma mulher saída de um quadro de Botero. Via-se que era de genética bem tisnada mas apresentava-se muito loura. Usava um vestido vermelho, de cavas, justíssimo, com um cintinho preto na cintura e a saia um bom bocado acima dos joelhos. Como era de carnadura exuberante, a perna que ela alçava para lhe salientar o rabo a la Georgina, mostrava aquela manta de gordura que algumas mulheres têm por cima dos joelhos. Levantava o cabelo com a mão e o braço mostrava também que a gordura estava para além da conta. Mas isto da 'conta' é relativo pois ela estava feliz da vida. Um homem mais velho, metade dela em peso e altura, não fazia outra coisa que não fotografá-la ou a ela ou a ela e às amigas. Mas era ela que o instruía: baixa-te, apanha-me de lado, apanha o mar, vou-me virar e tu aproximas-te. O pobre homem obedecia sem um pio. Toda uma coreografia. 

Por mim ficava ali parada a ver. Acho estas cenas deliciosas. Depois chegou uma outra com uma caixa branca e deu-lhe. Ela rejubilava. O meu marido disse: faz anos. Depois entraram num restaurante e ela pegou no telemóvel e filmou o restaurante, filmou-se a ela, filmou o sunset. Coisa mais estranha. E eu interroguei-me uma vez mais: mas para que é que estas pessoas fazem isto? Quem é que tem interesse em vê-la em mil poses ou no restaurante?

Pergunta retórica pois a resposta é óbvia: pessoas iguais a ela. 

As pessoas, podendo exibir-se em poses cinéfilas, em ambientes cinéfilos e com sorrisos cinéfilos sentem-se umas divas, sentem-se especiais, imaginam-se especiais, com muitos seguidores, com muita gente a querer vê-las belas, formosas, rodeadas de amigos e frequentando lugares paradisíacos. Alimentam uma ilusão.

Mas, ao mesmo tempo, pensei que ainda bem que aquela mulher era descomplexada pois notoriamente sentia-se bela, desejável.

Mais à frente passou um casal de mulheres de braço dado, muito chegadas, um casal in love. E eu pensei que ainda bem que as pessoas que estão apaixonadas por outras do mesmo sexo já não têm que se esconder ou sentir vergonha. 

Enquanto isso, passou por nós um homem muito magro, de calções e tshirt de alças, de rabo cavalo grisalho, de bicicleta, ondulando como se surfasse.

A diversidade a que por ali se assiste é uma coisa extraordinária e eu, se não fosse dar-se o caso de querer esticar as pernas e dar uma caminhadela, deixava-me era ficar sentada a curtir os visuais e os moods de quem passa. 

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A Ministra da Igualdade em Espanha lançou uma campanha inclusiva que não está a passar despercebida. Seja qual for a estatura, a cor da pele ou o que for, a praia e o sol são para todos. O cartaz lá em cima dá o mote à campanha "El verano también es nuestro". 

As pinturas são, como é bom de ver, de Botero e vêm na companhia de Mika que interpreta Big Girl

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.

domingo, novembro 21, 2021

Estes hiperactivos que nos rodeiam

 


Bem. Dormi que nem uma pedra. Sono e cansaço à mistura com um relaxante muscular é cocktail dos bons. Devo ter dormido oito horas e tal sem interrupção. Acordei com uma boa disposição de dar gosto. O dia foi bom, tranquilo, parte em casa da minha mãe com a minha filha e sua trupe. E, claro está, a pequena fera.

Como não dormiu a sesta, o baby dog não esteve com as pilhas ao máximo. Ainda assim, pôs um dos meninos a choramingar, já sem saber como se ver livre dele, já assustado com a brincadeira que o maluco tem de mordiscar os pés. Felizmente o irmão foi em seu socorro. Ao princípio não percebemos e acho que a mãe ainda se zangou com ele. Só quando ele disse que o pequeno urso cabeludo estava a fazer bullying ao irmão é que reparámos. Não é por mal, é pura brincadeira, quer tirar-nos as meias, quer chamar a atenção, quer levar a dele avante. Como é teimoso e ainda bebé não percebe quando deve parar. Está-lhe na massa do sangue. A necessidade de muito exercício e a teimosia são características dos Serra de Aires. Isso e o serem muito inteligentes.

Mas, pronto, é o que é.

A minha mãe preparou o lanche do costume que faz com que os meninos, quaisquer que sejam, fiquem esfomeados mal poem o pé dentro de casa. Cheira a bolos, a crepes, a coisas boas. Tem uma vitalidade invejável a minha mãe. Faz um bolo de cenoura coberto de chocolate que é uma maravilha. E uns crepes que não lhe ficam atrás. Costuma fazer um creme de chocolate para barrar. Outras vezes faz também um doce de ovos que sabe a torta de Azeitão. Também me desforro. Um dia não são dias. Mas estou a comer aquelas gordices e a pensar como hei-de compensar. O pior é que tenho bom apetite, sou um bom garfo. 

Vai fazer um colete de malha, sem mangas, branquinho, para a minha filha. 

Anda sempre activa: aulas na univerdidade sénior, ginástica, fisioterapia, compras, tricots e crochet, leituras, tratar da casa, receber a família, fazer caminhadas. Queixa-se que não lhe sobra tempo para descansar. Por isso, está como está, jovem de espírito e, fisicamente, elegante e, salvo as coisecas da idade, de boa saúde. 

Quando chegámos a casa, como seria de esperar, o little baby bear caiu a dormir. Ficou na sala da lareira que foi onde aterrou. 

Quando acordou, largou a correr e entrou aqui na sala da televisão como um touro desembolado. O que ele para aqui fez nem sei explicar. Espalha-brasas, foguete canino. Hiperactivo.

Agora que escrevo isto, hiperactivo, lembrei-me do filho de uma rapariga que conheço. Ela é obesa. E quando digo obesa não quero dizer muito gorda. Não, quero mesmo dizer obesa. Gordura, se moderada, pode ser considerada formosura. Mas gordura excessiva, daquelas que sobrecarrega o coração e o esqueleto, não pode ser saudável. Já foi operada, salvo erro aquilo da banda gástrica, e ficou um pouco melhor. Mas acho que já voltou ao estado anterior. Uma bolinha. Quando vi as fotografias dos filhos percebi que eram umas amostras dela. Duas bolinhas em ponto pequeno. Uma vez vi-a com um saco com umas quantas embalagens de pão bimbo. Disse-me que os miúdos só comem desse pão, por ser fofinho e sem côdea. Disse-lhe que pão muito refinado não é lá grande coisa para miúdos. Disse que também acha mas que é o único pão que comem.

Uma vez vi-os ao vivo. Tinha levado para o lanche dos filhos: pacotes de sumo, pacotes de bolachas e de guloseimas. Voltei a alertar para o elevado poder calórico de tudo aquilo. A resposta foi a mesma: que quer que eu faça? já não sei que lhes dê, não querem outra coisa. 

Entretanto, o miúdo andava a tratar-se numa psicóloga por ser hiperactivo. Inclusivamente tomava a célebre ritalina. Quando ela me contava sobre o rebuliço que o miúdo causava quando estava na sala a ver televisão ou na sala de aulas, eu dizia-lhe: mas será que não tem a ver com comerem calorias a mais ou alimentos com cafeína? Ela dizia que não, que era dele. E vá de ritalina.

Não sou entendida e, se calhar, o problema da hiperactividade dos miúdos é coisa deles e nada a ver com o exagero que ingerem. 

Mas uma coisa é certa: não sei o que sentem os hiperactivos mas uma coisa deve ser certa: conviver com um ser hiperactivo é muito cansativa para os outros. Pelo menos nós dois, quando ao fim do dia o little baby bear desata a saltar, a querer atacar-nos, a pucxar almofadas, a fazer toda a espécie de disparates, ficamos a ponto de rifá-lo. Bem tento puxá-lo para o meu colo para ver se nos meus quentinhos se deixa contagiar pelo mimo. Mas é sol de pouca dura.

Mas ainda não consegui ser bem sucedida de forma sustentada. E, agora que ele já adormeceu, estou aqui só a cair para o lado. Portanto, assim sendo e nada mais havendo a acrescentar, o que eu estimo é o que eu desejo.

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E, já agora, por falar em hiperactividade, "Make 'Em Laugh" pelo hiperactivo  Donald O'Connor


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Desejo-vos um belo dia de domino

quinta-feira, dezembro 17, 2020

A gente não vai para nova

 




Lá está, é aquilo que se diz: a gente não vai para nova. 

Parece -- e é -- um déjà lu mas é a verdade: o meu dia foi carregadinho de cabo a rabo. Quando as máquinas são postas em movimento, chegam a um ponto em que ganham embalagem e não há quem as pare. Portanto, levantei-me cedo e foi de então até agora. Em dias assim é garantido: não me sobra cabeça para tema. Se nem sei a quantas ando e, pelo meio, ainda tenho que arranjar espaço para rever um documento necessário para a faena de amanhã, muito menos sou agora capaz de inventar prosa capaz. Não sou. 

Não sei de novidades e, assim de repente, acho que apenas vi um passarinho. Mas, de tal forma estou, já nem sei se foi hoje, se foi ontem. Sei que choveu. Aliás estou num dilema. Há vasos muito grandes e impossíveis de mover que têm pratos de barro por baixo. Com a chuva, não apenas a terra está ensopada como os pratos estão cheios de água. Não sei se não é água a mais. Mas não sei como resolver isto sem partir o prato. Também saí, mesmo à chuva, para ir apanhar três laranjas que estavam caídas na relva. Estão muito sumarentas, ficam pesadas. Não se dá conta delas. No outro domingo foi o meu filho que levou uma sacada, neste foi a minha filha. Penso sempre que boa ideia mesmo era pôr-me a fazer compotas e geleias. Ou farripas de casca de laranja envoltas em chocolate. Imagino o cheirinho bom que haveria de se espalhar pela casa. Frasquinhos de doce resplandecente de cor e luz. Caixinhas de guloseimas. Mas tudo tem açúcar e se, em tempos, podia comer bolos na maior descontração que tudo se evaporava sem deixar rasto, agora é o contrário, só de aspirar o rasto já eu vou aumentando de peso. Tenho que jejuar de quando em quando para me manter nos eixos, coisa a que, de resto, já me habituei. Até porque o meu jejum é relativo, não é? Um chá, uma fatiazinha de queijo com trufa, uma maçã, um quadradinho de chocolate preto. Coisa simples. Quiçá um ou outro caju e arando misturado na boca com o chocolate. Não me perco.

Mas, então, dizia eu que a gente não vai para nova. Ninguém vai para novo. Que me lembre só mesmo o Benjamin Button. E não tenho ideia que fosse coisa boa. Imagina uma pessoa a perder idade, a perder sagesse, toda se rejuvenescendo a caminho de uma luminosa jeunesse e depois a caminho da childwood  e a ver a coisa a evaporar-se até voltar ao já eras. Ou melhor, ao ainda não és nada. Ninguém está contente com o que tem, essa é que é essa. Idade é sabedoria, é generosidade, paz interior, é paciência para aturar maluco, marado, sei lá. E é. Mas é também coisa chata, e esta de uma pessoa ficar toda cheia de formas só de desejar comer coisa doce é uma delas.

Tirando isso. Pus a mesinha onde me alojo a trabalhar mais junto à janela. Gosto mais assim. Mas acontece que, em frente, está um espelho. Volta e meia não consigo deixar de dar de caras comigo. O que vale é que sou míope. Ainda assim ajeito o cabelo se percebo algum desalinhamento. Mas cabelo desorientado é coisa conjuntural. Pior mesmo é ruga que isso, sim, é estrutural. No outro dia estava em casa da minha mãe e estava a dar uma porcaria e, enquanto atendi um telefonema, ela fez zapping. Foi parar a uma cena em que as mulheres estavam todas alteradas. Quando acabei de falar, indaguei mas que raio de coisa era aquela para as mulheres serem todas beiçudas e mamalhudas. Ela disse que era tudo assim. Parece que era um casadas à primeira vista num país qualquer. Diz a minha mãe, sabes lá, faz-se zapping e só aparece disto, bocas inchadas, bochechas e mamas redondas e insufladas. E eu espantada: mas estas são novas. Pensava que eram só as velhas que se recauchutavam daquela boa maneira. Diz a minha mãe: não, nem penses nisso, novas e velhas. No outro dia, também eu estava eu aqui a fazer zapping e dei com uma que quase que só conheci pela voz. Repuxada, repuxada, mal mexe a boca. Comentavam personagens do BB. Mudei logo porque aquilo estava a ponto de ferir a minha sensibilidade: não se percebia nada do que dizia e, quando a câmara mostrou os outros, foi o anti-climax. Gente estranha. Um mundo estranho.

Agora, enquanto escrevo e antes de ir parar às Terras Extremas, passei pela SIC, pela Arrastadeira Vermelha, e estava uma loura estranhíssima, platinada, ultra-pintada e com uma daquelas bocas que levou mais enchimento que um pneu. E toda ela deve ter sido injectada. Pintada até mais não poder. Não imagino como seja quando acorda, desmaquilhada, despenteada. E como será quando tiver mais vinte ou trinta anos em cima. Fico beige com estas coisas. Não percebo, sinto-me deslocada, incapaz de enfrentar esta realidade macaca, capaz é de ir eremitar-me.

Bem. Isto tudo para dizer que, estando eu para aqui sem cabeça de qualquer espécie, fui zanzando no desinteresse até aportar ao primeiro vídeo que o meu bff algoritmo tinha para me oferecer. Glória Pires e Marcos Frota se emocionam ao relembrarem Mulheres de Areia. Lembrei-me desse nome. Naquela altura as novelas da Globo eram coisa que não se podia perder. E a Glória Pires aparecia muito. Não era muito bonita mas era interessante e boa actriz. Fui no play sem hesitar. E fiquei sem saber como agora descrever. Apanhada de surpresa, talvez, com uma certa pena, também. Estupidez a minha. Não a via há tanto tempo que agora me espantei mas, lá está, espantei por mera desatenção minha. Envelheceu, ela... Mas como não haveria de ter envelhecido se não a via talvez há vinte ou mais anos? Envelheceu mas envelheceu bem. Está grisalha. Está com a pálpebra um pouco caída de lado. Era tão inteira, um cabelo tão bonito, e agora está uma senhora. Numa casa muito bonita, a Glória Pires é agora uma senhora distinta. 

Até não há muito, quem me via não me vendo há muito tempo, exclamava: ah, está na mesma... Mas, se calhar, um dia destes, vou começar a perceber que quando falam de mim dizem que é que estou uma senhora. Caraças é que sou uma senhora. Não tenho vocação para senhora. As senhoras são baças, chatas, datadas. Eu não.

Mas isso era a Glória Pires. Mas depois o Marcos Frota. Pelo nome não estava a ver quem fosse. Havia um que era que era pornô da pesada que era Frota mas esse acho que esse não era Marcos. Quando apareceu aquele velho barbudo ali no vídeo, cabelo branco, não vi quem era. Mas depois, pela voz, tive um lampejo. Quando apareceu em novo fiquei até emocionada, quase tanto quanto ele ao recordar aquele tempo e aquele amor tão grande, tão incondicional.

Gostei de revê-los e, vistas bem as coisas, ainda bem que envelheceram: é sinal que estão vivos e isso é que interessa, olarilas. E dizer isto é um daqueles lugares comuns que não fazem falta nenhum? Ah pois é, bebé. (Agora soa-me bem dizer isto)



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Os gordos do Botero fazem-se acompanhar pelas  MonaLisa Twins com When I'm sixty-four

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Saúde. Sorte. Amor.

segunda-feira, abril 29, 2019

Este corpo





Isto para dizer que, tendo eu decidido firmemente fazer dieta, no outro dia, quando fomos lanchar, toda a gente a pedir tostas, sandes, torradas, e vou eu, sentindo-me tão doente, achei que deveria ser compensada com uma doce excepção e, vai daí, para mim pedi uma tarte de limão merengada e, para curar a doença e para fazer pendant com o boloum carioca de limão. O meu filho admirou-se: 'Mas não estavas a fazer dieta?'. Claro que estava.


Entretanto, depois de uns dias em cura de sono e a viver como que numa twilight zone, à vinda, o meu marido foi simpático e percebeu que eu estava carente de algo. Ou seja, perguntou: 'Queres ir comer um gelado?'. Respondi que, estando eu em rigorosa dieta, só ia abrir excepção por ele estar a insistir tanto. Ele ainda me tentou: 'Vê lá, se preferires, não vamos' mas eu não mordi o isco. Claro que fomos. Ou melhor, fui eu que ele não quis. Quando ia a entrar na gelataria pensei que ia ser só uma bola mas, quando pedi, o que me saíu foi: 'Cone de duas bolas'. Mas logo caí em mim. E, portanto, acrescentei: 'Cone sem açúcar' e, por caridade, abstive-me de me achar ridícula. 


Mas depois, enquanto me lambia com ele, ia pensando que, a partir de agora, é que ia ser. E vai. Macacos me mordam se não vai. Saladinhas, hidratos de carbono = bola, açúcar nem vê-lo, nem pintado, nem disfarçado de frutose.
Claro que isto do peso é uma quimera. Tenho colegas que fazem de tudo para engordar: comem papas, iogurtes gordos e açucarados, pão com marmelada e, para inveja global de todas as outras, mantêm-se elegantes de dar gosto. Mas elas não gostam: gostavam de ter chichinha, um pneuzinho que lhes enfeitasse o abdómen, umas maminhas mais salientes. A minha mãe, por exemplo, também pode comer de tudo que não muda de peso. Eu, desde que entrei na menopausa, é o contrário. Só de me apetecer um belo risotto já o meu cérebro interpreta que vêm aí calorias a mais e, por avanço, já começa a processá-las e a alojar gordurinhas a mais um pouco por todo o lado. E não que esteja muito gorda. Há quem ache que estou bem. Mas isto cada um compara-se com quem quer e eu comparo-me com o que era antes. Pode ser um disparate, pode ser que não se consiga nem faça sentido. Mas não quero saber. Tenho para mim que é uma questão de disciplina, de aritmética: não ingerir mais calorias do que as que consumo. E até atingir o ponto de equilíbrio, ingerir menos do que as que consumo. 

E estou a escrever isto e a pensar que não devo é estar boa da cabeça para, em noite de eleições em Espanha e com o galã do Vox, um cavaleiro vindo dos tempos de antanho, a marcar pontos, estar aqui nesta conversa da treta em vez de me dedicar a temas a sério. Por exemplo, talvez pudesse dizer que se calhar era oportuno perceber se há alguma consanguinidade entre o dito Abascal e o calinas do Melo (que parece que nunca fez ponta de coiso enquanto anda a fazer de conta que é deputado europeu e que agora quer ir a cavalinho na onda de populismo do outro) ou se aquilo é mesmo apenas afinidade ideológica. E também podia dizer que os senhores jornalistas deveriam perguntar à Madame Cristas da Coxa Grossa se perfilha a opinião do seu colaborador.


No entanto, agora que estou a sair da toca constipal em que, graças à ceterizina, estive hibernada, dormindo dias a fio, estou ainda desligada da realidade.
(Nem sei como consegui aparentar trabalhar durante a semana que passou. A sério: é um mistério.)
Ou seja, não consigo estar à altura dos temas pertinentes do mundo real nem sequer responder a mails nem a comentários -- e só de pensar que se avizinham mais uns dias normais de trabalho já me apetece voltar a hibernar. 


Portanto, voltando ao tema que aqui me traz: o das curvas.

Uma vez que os votantes, um pouco por todo o mundo, andam a dar mostras de estar fartos de políticos de faz de conta e, de carrinho, enfiam tudo no mesmo saco, e fartam-se também dos políticos de verdade, começam a vingar os palhaços, os comediantes, os apresentadores de reality shows, os parvalhões encartados. E eu, pensando nisso, e já que em Portugal somos mais comedidos, acho que poderíamos inovar e ter candidatos temáticos: os candidatos que são a favor da comida vegan, os candidatos que defendem o direito das mulheres a quererem casar com um agricultor, os candidatos que defendem o direito das pessoas a tatuarem-se de alto a baixo e... os que defendem o direito das mulheres a terem à sua disposição espelhos que emagreçam (ou que engordem -- conforme o caso).


E esta conversa toda porque.

Em França, o movimento The All Sizes Catwalk já aí está. E para provarem que não têm medo de nada e que vieram para ficar, desfilaram este domingo em Paris, no Trocadéro, bem em frentezinha da Torre Eiffel. Em lingerie. O que é bom é para se ver.

E quem não acreditar que faça o favor de conferir, que eu não estou aqui para enganar ninguém.

E desfilaram novas, velhas, magras, gordas, com celulite, sem celulite, mamalhudas ou nem por isso. Do 34 ao 52. Uma alegria de diversidade que assim é que é bonito.

[E fiquei a saber que, para que se saiba, o número mais comum em França é o 42. Boa.]

E, para terminar, un petit cadeau. 

Ou melhor, qual presente qual carapuça: um statement -- This Body


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E uma boa semana para todos a começar já por esta segunda-feira.

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terça-feira, abril 17, 2018

Divinas


No outro dia, quando vínhamos a sair da praia, passámos por uma rua pejada de gente a caminho dela. Novos, velhos, crianças, todas as raças. Um verdadeiro desfile. Estava estupefacta com o que por ali passava naquele verdadeiro sambódromo. Nem quero aqui descrever com pormenor para não parecer mais elitista do que, na volta, se calhar, sou mesmo. Mas era com cada gorda mais matrafona, banha ao léu, tatuadas, rebolonas, descaradonas, umas com ar quase avacalhado, outras com ar bem vivido mas de saia curta ou legging, rabo de cavalo -- nem sei, um despropósito. Até uma idosa numa cadeira de rodas estava pintada e repintada, com um lenço ao pescoço cheio de brilhantes. E homens pintarolas, penteados mais do que suburbanos, vestimentas abaixo de vulgares, sapatos e tatuagens às cores. E tudo falando alto, chamando uns pelos outros, um carnaval.

Espantada, perguntei em voz baixa para quem seguia ao meu lado: 'Mas que gente é esta, senhores?'. Parecia uma cena a la Fellini. Juro. Responderam-me: 'É o povo'. Fiquei a pensar. Acrescentaram: 'Tu é que não estás habituada a andar no meio do povo'. Pois, na volta é isso.

Pensei cá para mim aquilo que tantas vezes se diz: 'Os ricos não comem nada de jeito, não sabem cozinhar e as empregadas não estão para se maçar a alimentá-los, por isso são magros que nem cães esgalgados. E são sovinas, não gastam um cêntimo mal gasto. Se nem em comida, quanto mais no resto. Qual nails, qual cabelo às cores, qual modelito,  qual ténis de marca, qual jeans esfiapados de origem (só se já estiverem mesmo rotos de podres que estão). Nem força têm para falar alto, quanto mais para rirem à gargalhada. Os pobrezinhos, não. Os pobrezinhos comem que se desunham, por isso andam sempre bem nutridos, sobra-lhes calorias para rirem a bom rir, e não deixam passar uma moda em vão, todos sempre na ponta da unha'

Mas pronto, não me alongo senão os mais puritanos, os que só engolem papinha politicamente correcta, ficam indignados com esta minha desbocadice.

De resto, só me lembrei de falar nisto ao ver o vídeo que o meu amiguinho algoritmo do YouTube tinha aqui para ver se me tira do sério. Não tira. Veja eu o que vir mantenho-me na minha, não desço do chinelo, não desço, não desço, não desço.

Divinas


Um vídeo de Vitoria de Mello Franco


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sexta-feira, fevereiro 10, 2017

As mulheres de generosa carnadura são mais sensuais do que as outras?



Já aqui contei, acho eu. Quando eu passei de miúda a adolescente, tinha uma 'melhor amiga'. Mais precisamente: duas 'melhores amigas'. Uma era gordinha, não particularmente bonita, muito divertida. Não tinha muitos pretendentes mas convivia bem com isso. Mais tarde encontrou um rapaz bem interessante, casaram novos, tiveram filhos. Ele deixou os negócos da família e tornou-se artista. Ela é médica. A minha mãe vê-a muitas vezes e ela pergunta por mim. Calma e despretensiosa como sempre, diz-me a minha mãe. A outra era muito bonita e, com o tempo, tornou-se invulgarmente namoradeira. Andavamos sempre juntas. Mesmo quando comecei a namorar, antes delas, eu arranjava maneira de andar imenso com elas, confidenciávamos, ríamo-nos muito com as nossas dúvidas e descobertas. A mais gordinha tinha dois irmãos mais velhos mas que não lhe prestavam muita atenção pelo que ela não sabia muito mais de rapazes do que nós. Tinha também um irmão muito mais novo, para aí uns onze ou doze anos mais novo, com quem muito andei ao colo e a quem troquei muitas fraldas. Vejo-o agora frequentemente na televisão, quase sem cabelo, com idade para poder ser meu pai. A outra tinha um irmão e uma irmã, ambos ligeiramente mais novos e a quem ela pouco ligava.

A mãe era uma senhora que não trabalhava e que pouca paciência tinha para os casos do marido, pessoa importante na cidade, casos esses que eram quase públicos, e muito menos para aqueles três adolescentes que, cada um, levava amigos lá para casa, tornando-a um lugar de entra e sai, sem baias de qualquer espécie. A senhora era bonita mas tinha uns seios enormes, pesadíssimos, que lhe faziam vergar as costas, dando-lhe um ar cansado. Não conduzia. Era o marido que a transportava ou, não podendo ele, andava a pé.


Tinha a senhora uma irmã igualmente bonita mas muito diferente quer no físico quer no temperamento. Ao contrário da mãe da minha amiga que era silenciosa, absorta, indiferente ao que a cercava, e discretamente vestida, ela parecia atrevida, vestia-se de forma audaciosa, ria alto, interessava-se pelos sobrinhos e pelos amigos deles. Era divorciada, conduzia um carro bom, tinha uma profissão liberal onde era bem sucedida, e, por tudo, toda ela era uma lufada de modernidade. Quando estava de visita à irmã, aquela casa ganhava redobrada animação. Mais: com ela vinham duas filhas mais ou menos da nossa idade. Essas primas tinham, contudo, uma característica. Eram umas big girls: mais altas que nós, eram raparigas 'cheias', fortes, e numa coisa quase saindo à tia: tinham ambas seios igualmente fartos. Feições bonitas, parecidas de cara com a minha amiga, mas em versão XL. Acontece ainda que o volume não as condicionava nem um pouco. Eram disinibidas, posso mesmo dizer que descaradas, todas elas malícia, desafio, convite. Quando íamos à praia, ao cinema, aos bilhares ou à esplanada à beira-mar, era em casa dessa minha amiga que as raparigas se juntavam, indo depois, em bando, ter com os rapazes que, geralmente, já lá estavam à nossa espera. Quando as primas lá estavam, tudo assumia contornos de festa. Elas falavam alto, riam, vestiam-se vistosamente e, ruas afora, o grupo de raparigas dava invariavelmente nas vistas. Os rapazes, quando nos viam a chegar com as primas, ficavam logo numa agitação. Elas alinhavam no jogo da sedução apenas pelo prazer de seduzir, deixavam-se tocar, abraçavam os rapazes, se calhasse davam-lhes um beijo à má fila só para os deixar de cabeça feita num oito.


 As nossas manhãs na praia eram um festival de jovialidade e alegria. Éramos seguramente para cima de doze jovens danados para a brincadeira, tudo a nadar até longe, as raparigas a mergulharem e nadarem como golfinhos, os rapazes a assustarem-nos, vindo debaixo de água, depois na areia, sentados em volta, na conversa, nas anedotas, no namoro, na maluqueira, elas duas provocadoras, os rapazes com as hormonas desgovernadas. 

Para acompanhar esta turma, a mãe da minha amiga fazia questão de ir. Levava um chapéu de abas largas e um livro, e não nos dirigia a palavra desde que chegávamos até que partíamos, Nesses dias em que a irmã lá estava, punham-se por vezes a conversar. Depois a mãe da minha amiga punha-se a ler e a irmã apanhava banhos de sol, mergulhava, caminhava e fumava, e vinha meter-se connosco, lançando ainda mais achas para a fogueira.


Lembrei-me agora delas ao ver as feições delicadas e alegres e as generosas curvas do festivo corpo de Ashley Graham. As duas primas eram muito este género. Até a boca tenho ideia que era parecida, e a forma como se riam, gargalhadas francas, era esta. E tinham igualmente cabelos compridos que nunca prendiam e que, por vezes, voavam em volta delas.


Ashley Graham lança os fatos de banho 2017 


Swimsuits For All Collection


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E, caso queiram fugir, a estas visões mais calientes, sugiro os tigres na neve do post abaixo.


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sexta-feira, janeiro 13, 2017

Odeio ser gorda, come-me por favor


E mais não digo.


No MNAC ao Chiado

E por falar em bem-fornidas:


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Ou melhor, já digo. Tenho muito que contar. 



sexta-feira, julho 01, 2016

Embrace





[O mal de uma pessoa andar nisto já vai quase em seis anos é que se torna repetitiva. Mas, também, não se pode, todos os dias, dizer coisas nunca vistas, não é...? E a verdade dos factos é o que é, não vou estar a inventar para ser original, não acham?

Portanto, com vossa licença, vamos lá.]

Até aos meus vinte e tais pesava cerca de 50 kg. Vestia o 36. Depois de ter os meus filhos e de os ter longamente amamentado, apesar de me desdobrar em mil, de trabalhar imenso e de, apesar disso, conseguir ter tempo para os ir levar e buscar à escola e de, à noite, estar disponível para eles (e para mim), não emagreci. Pelo contrário. Passei a vestir o 38. E o 38 foi o meu número durante anos e anos. Andaria, então, pelos 54 ou 55 kg.

Contudo, à medida que os anos avançaram, o meu corpo parece ter adquirido o hábito de transformar em peso a mais pequena insignificância que ingira, mesmo que se trate de uma gota de água ou de uma folha de alface. Não tenho explicação para isto. É da idade, disse-me um dia um médico junto de quem me pus a carpir. Pimba. Já levaste. E é capaz de ser mesmo isso. Posso esfalfar-me a trabalhar, à noite ainda caminhar em ruas íngremes durante quase uma hora, posso alimentar-me ajuizadamente, que não perco peso.
Quer dizer: se conseguir, durante uns meses de seguida, comer sempre no intervalo das principais refeições, se me privar de hidratos de carbono, etc, etc, talvez perca uns quilitos. Mas não só nem sempre tenho oportunidade para comer uma coiseca a meio da manhã ou da tarde como, com tanta gente a fazer anos ou com tantas situações em que até pareceria mal se não provasse a sobremesa, as transgressões, ainda que moderadas, são relativamente frequentes.
Não sei dizer quanto peso: evito aborrecer-me e já sei que se olhasse para a balança me sentiria maçada. Por isso, faço de conta que não tenho balança em casa. Para me alienar da realidade não há como eu. Visto agora o 42 (ou o L) e, confesso, tremo de pensar que já me instalei comodamente acima dos 60 kg.

Não visto já aquelas blusas bem justinhas que antes vestia com despreocupação. Adquiri volume e se isso, aos olhos de quem gosta do género, não será mau de todo, a mim condiciona-me um bocado. Evito roupa que me faça parecer provocante ou que me iniba pois nada me inibe mais do que usar peças de vestuário que pareçam desajustadas para o meu corpo.

No entanto, se me comparar com tantas mulheres, (acho que) estou longe de ser uma gorda badocha. E, devo dizer, faz-me uma certa impressão ver como tantas jovens adquiriram já tantos quilos a mais, tanta celulite. Mas faz-me impressão, sobretudo, porque acho que não é saudável nem confortável. Andar à pressa ou subir escadas deve ser muito cansativo para pessoas cujo corpo está revestido de muitos quilos de banha e encontrar roupa confortável e feminina para números tão grandes deve ser um calvário. 

Agora, dito isto, acho um perfeito disparate que, por um idiota desejo de emulação em relação a mulheres esculpidas à faca ou a photoshop, algumas se privem do prazer de comer capazmente, passem o dia a falar de dietas ou de receitas saudáveis, andem no ginásio a estafarem-se até quase caírem para o lado-se e falem do PT (Personal Trainer) como se fosse um insubstituível guru espiritual.

Se a pessoa não tem um corpo estrelicadinho e umas medidas de top model, paciência. A pessoa sentir-se bem e segura no seu corpo (e segura também em relação à sua maneira de ser) é imprescindível para uma vida feliz. Por isso, se tenho três ou quatro ou cinco quilos a mais, vou continuar a tentar perdê-los mas não vou sacrificar nada a troco disso, muito menos vou chorar ou sentir-me infeliz. Era o que me faltava.

Mas há quem o faça, sofra, chore, faça toda a espécie de sacrifícios.

O vídeo abaixo mostra a consciencialização que é necessária para que as mulheres aceitem o corpo que têm. O documentário Embrace da autoria da fotógrafa e realizadora australiana Taryn Brumfitt fala disso. Mostrando corpos de mulheres normais, faz com que outras mulheres normais vejam que não são mal jeitosas, não senhora, e, portanto, não são indignas de que o seu corpo seja amado. Não. Somos mulheres normais. Felizmente imperfeitas.


« Pourquoi est-ce que tant de femmes détestent leur corps ? » Taryn Brumfitt, mère de trois enfants, est partie à la rencontre de femmes à travers le monde pour leur poser cette unique question. Parmi les personnes interviewées : une femme à barbe, un mannequin australien, une présentatrice de télévision ou une championne sportive dont le corps a été brûlé à 60%... (ler o artigo completo)

Embrace

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As fotografias que usei no texto fazem parte de uma edição da Vogue Itália dedicada à sensualidade e graça de mulheres big size (XL ou mais)

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E desçam, por favor, até ao post abaixo caso queiram conhecer o meu comentário desportivo em relação à nossa vitória sobre a Polónia. Então, com meio Portugal transformado em comentador, eu ia ficar de fora...? É o ias!

(E adianto já a minha opinião: Até os comemos, carago! 
- pardon my french)

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sábado, maio 07, 2016

Alexandra Leitão, Secretária de Estado Adjunta e da Educação --
a new star is born
(Tem killing instinct e não será apenas nesta guerra ensino público/ensino privado comparticipado, que aquela big girl ali tem ar de não ter medo de dar e levar)


Depois de ter contrariado as minhas piedosas mãos ao pôr-me a escrever sobre a esponjosa alforreca com cara de cherne que por aí anda de braço dado com o padrinho Balsemão e o mano Costa, fiquei com vontade de deixar os dedos passearem-se pela poesia ou irem à procura de música. Logo lá, derivei para o Picasso -- mas não foi fácil já que a rapaziada do Circo Voador se intrometeu e deu cabo da volta de bicicleta, introduzindo os Panama Papers avant la lettre.


Mas estava eu a capinar sentada, passeando os olhos pelos meus santos livros e ouvindo música celestial quando, na televisão de novo ligada, vejo uma brava mulher, bonita, farta carnadura, uma beleza lavada, e toda ela mandando brasa, verbo escorreito, olhar a direito, cabelo alargado de mulher do povo, e, fosse qual fosse a pergunta, zás pás trás, nem rodriguinhos nem palalés, nem frufrus nem deixa-cá-ver como hei-de pôr isto de uma maneira redonda onde ninguém embique com as esquinas. Nada. Poderia ser uma padeira de aljubarrrota, uma peixeira do bolhão, uma varina da nazaré, uma ceifeira no alentejo, uma cigana com uma dúzia de filhos, uma temível advogada na barra, uma jornalista de verdade, uma voluntária em cenário de guerra. Uma mulher assim não é frequente nos ecrãs de televisão. Muito menos no papel de Secretária de Estado.

Alexandra Leitão

Ouvi-a com atenção. Do princípio ao fim, admirei-lhe a inteligência, a frontalidade, a segurança. Não domino as matérias do ensino para poder ajuizar sobre tudo o que ela disse mas, em geral, gostei. Concordo que a prioridade é financiar o ensino público, dotá-lo de qualidade e sustentabilidade, tornar a escola um lugar em que alunos, professores e demais trabalhadores se sintam bem e em que as famílias sintam que podem confiar. 

Fui aluna do ensino público, a minha mãe foi professora do ensino público e os meus filhos apenas frequentaram o ensino privado quando não tiveram alternativa pois, no resto do tempo, foram também alunos do ensino público. Eu própria, durante dois anos e picos, fui professora do ensino público. Os meus quatro netos frequentam o ensino privado porque não têm alternativa mas, para o próximo ano lectivo, se tudo correr como previsto, uma vai já para o público.

Acho que todas as melhorias que se façam na escola pública serão poucas. Por aí passará muito do que será o desenvolvimento do país. 

Não consigo perceber a lógica de financiar o ensino privado em lugares em que existe oferta de ensino público. Por isso, sem conhecer em pormenor as medidas agora em discussão, o que posso dizer é que, em abstracto, concordo plenamente que, tanto quanto possível, se afectem todos os recursos possíveis à escola pública, se necessário deslocando para aí recursos financeiros até agora alocados a estabelecimentos de ensino privado cuja justificação seja duvidosa.

E, não apenas porque o tema do ensino público me é caro mas porque gostei de ver a fibra daquela mulher, aqui vos digo: cuidado com ela. Deixem-na trabalhar. Há ali uma verdadeira mulher de trabalho.

Alexandra Leitão nasceu em Lisboa em 1973. Licenciada, Mestre e Doutora em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

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[E agora permitam que volte a derivar. É fim-de-semana, preciso de desopilar e, independentemente disso, gosto de misturar alhos com bugalhos desde que isso não baralhe a capacidade de entendimento de quem me ouve ou lê, o que, dada a vossa superior inteligência, acho que é o caso]
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É que, a quem olhe para a fotografia de Alexandra Leitão e torça o nariz: hummm... gordinha..., eu digo que saiba que a anorexia já não é fashion, agora são as mulheres big size  que estão na moda -- que o digam Adele, a sexy Christina Hendricks ou a top model Candice Huffine.

Adele


Christina Hendricks

E, abaixo, Candice Huffine, a Miss Abril no Calendário Pirelli 2015

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E que entre a música que as big girls querem dançar.
Bora aí, Mika.



Big girls you are beautiful.
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E, aos meus Leitores que têm gostos estranhos, recomendo a descida ao mundo dos amigos e protegidos de Balsemão, nomeadamente ao entrevistado Durão Barroso e ao entrevistador Ricardo Costa, cada qual melhor que o outro. Salvam-se aí, vá lá, os Monty Phyton que notoriamente inspiraram o Expresso na divulgação dos Panama Tretas. É ver para crer.