segunda-feira, 30 de abril de 2018

JARED JAMES NICHOLS


Originalmente publicado em 21.09.2015.


Lembro como se fosse ontem como descobri este jovem guitarrista do Missouri, mas sediado em LA, e as primeiras impressões que me passou. E posso garantir que não foram das melhores. Entusiasmado com uma resenha,  que mostrou-se ufanista ao extremo, fui levado ao download de um álbum de uma jovem e talentosa promessa de apenas 16 anos, que havia ganho seu primeiro violão apenas 2 anos antes. E lá fui eu conferir...e me decepcionar com aquele amontoado de (algumas boas) canções registradas à maneira lo-fi sob o auspicioso nome de 'Here's To Anticipation'. Bacaninha...mas, sei lá, nada que justificasse o lançamento ou mesmo uma apreciação crítica profissional. Mas, afinal,  por que estranhar que aquela estreia, ainda assinando como Jared James, fosse tão desapontadora?  Afinal, face à pouca experiência de uma criança, seria o resultado mais lógico, sejamos claros. Na verdade, acredito que o próprio não deva ter gostado tanto do resultado final e, por isso, tenha resolvido dedicar um tempo maior ao estudo do violão, bem como, também, iniciar-se na guitarra.
E não foi por puro milagre que, longos 7 anos depois, e já assinando Jared James Nichols, o EP independente 'Old Glory & The Wild Revival' tenha espantado tanto a quem já conhecia seu trabalho. Eu mesmo demorei alguns meses para tomar coragem e conhecê-lo. Desta vez, apenas uma enxurrada de excelentes resenhas me fez dar-lhe uma segunda chance. E valeu...muito! Impressionante o amadurecimento de seu som e a guinada proporcionada em sua carreira por estas 5 faixas recheadas de soul, blues e blues rock, levando-o a dividir palcos com Lynyrd Skynyrd, ZZ Top, entre outros. Mas o principal foi conseguir o interesse de um selo, o pequeno Listenable Recs., pelo relançamento de 'Old Glory & The Wild Revival', desta vez completo em suas 12 faixas de estúdio e a inédita 'You Won't Last' e 'Playin' For Keeps' registradas ao vivo no Viper Room de LA.
E assim, 2015 talvez esteja testemunhando o surgimento de mais um bom nome na cena blues, aquele gênero que, tal como seu primo ainda mais pobre, agoniza mas não morre. 





NEW!!!
Atualizado em 30.04.2018.


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VIDEOS







segunda-feira, 9 de abril de 2018

WHITE COWBELL OKLAHOMA-SEVEN SEAS OF SLEAZE (EP/2018)


EXTRA!!! EXTRA!!! EXTRA!!!

A banda mais punk e anárquica do southern rock está de volta! É apenas mais um EP, agora com 2 faixas inéditas em estúdio e 5 regravações -no esquema 1, 2, 3 vai, porra!- de suas músicas mais exigidas em suas orgiásticas apresentações...mas qualquer coisa da WCO é motivo mais que suficiente para atropelar 3 postagens já pré-agendadas. Até porque, este pancadão nas orêia só será oficialmente lançado em 10.04.

Afaste os móveis da sala porque você vai precisar de espaço pra ricochetear!!!





Gostou e quer mais? É só dar um rolê por aqui, aqui, aqui e aqui!



segunda-feira, 2 de abril de 2018

KALEO

Costuma-se dizer que, de onde menos se espera...é que não sai nada mesmo. E o Lollapalooza, já há algum tempo, está entre as melhores expressões para esta máxima popular. Mas não é que, ao menos este ano, o festival criado por Perry Farrell16 anos, com o propósito de servir de palco para a música independente, frequentemente alijada dos grandes festivais, me trouxe uma bela surpresa?! E ela veio do frio glacial da Islândia, que já nos havia apresentado Sugarcubes (e Björk, claro!), Sigur Rós e a fofa Of Monsters And Men.
Amigos desde a infância, JJ Julius Son (vocais/guitarras/violões/piano), Daniel Kristjansson (baixo) e David Antonsson (bateria) formaram a Kaleo -"o som", em havaiano- em 2012, quando tinham em torno de 17 anos de idade. Poucos meses depois, adicionaram o guitarrista Rubin Pollock à receita, como forma de imprimir maior liberdade a JJ como frontman. E logo tornaram-se queridinhos locais, tocando sem parar. Um grande impulso deu-se ao lançarem um lindo cover para uma canção folclórica, 'Vór Í Vlagaskógi', muito querida no país. Com isto, logo assinam com o mais importante selo local e, já no ano seguinte, lançam seu primeiro álbum, auto-intitulado. Aberto com o hino islandês executado na guitarra e quase que integralmente em inglês, já visando uma carreira internacional, 'Kaleo', o álbum, é um amontoado de grandes músicas, sempre com os pés muito bem fincados nos pântanos do delta do Mississipi.
Com o single  'All The Pretty Girls', de 2014, circulando bem nos canais de streaming, assinam com a poderosa Atlanctic e mudam-se para Austin,TX, já com o tecladista e gaitista PG Davidsson nas bagagens. E bastaram mais 3 singles promocionais para 'A/B', 'Way Down We Go', 'No Good' e 'I Can't Go On Without You' para que o blues rock da Kaleo tomasse de assalto a América e o Velho Continente. Em tão pouco tempo de atividade, conseguiram até uma indicação ao Grammy por 'No Good' e o respeito da mídia especializada. Tendo como ponto alto a voz como se encharcada de bourbon e tabaco barato e as ganchudas canções de JJ, a Kaleo esquenta os corações de quem se aventura a experimentá-la.  
Quem diria que uma música tão quente pudesse originar-se de lugar tão gelado...