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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Anicomics 2014: Lançamento de F(r)icções com entrevista a Nuno Duarte e João Sequeira


Nuno Duarte (A Fórmula da Felicidade e O Baile) e João Sequeira (Psicose), através da editora El Pep, irão apresentar, lançar e dar autógrafos no já muito próximo Anicomics, o seu novo livro F(r)icções.

No âmbito deste lançamento o Leituras de BD resolveu fazer uma entrevista dupla aos autores deste livro.

Mas para já uma pequena apresentação dos dois:

Nuno Duarte
Nasceu em Lisboa em 1975, cedo descobriu ter histórias e piadas contar, algo mais exacerbado após uma colisão frontal com o curso de Direito.
Escritor freelancer associado das Produções Fictícias desde 2002, trabalhou em imprensa escrita, teatro e televisão, em projectos como “Manobras de Diversão”, “Inimigo Público”, “Bocage”, “Conta-me como foi” ou “Liberdade XXI”.
Escritor de obras em Banda Desenhada como “Paris Morreu” ou “A Fórmula da Felicidade”, foi o vencedor dos galardão de argumentista de BD de 2013 dos Prémios Profissionais e dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada pela obra “O Baile”.
Continua a escrever para televisão e a rir-se com o estado do país, tarefas paralelas a ser pai do Diogo, a sua melhor história de sempre.

João Sequeira

Licenciado em Arquitectura (1995).
Em 1993 conhece o André Lemos, no curso de “Design, imagem e criação por computador”, que lhe dá a conhecer publicações e autores alternativos, o que o motiva a arriscar fazer uma banda desenhada.

Em 1994 faz a sua primeira BD.”Big Joe and the phantom 309”, uma adaptação da música, com o mesmo título, do Tom waits, com letra de Tommy Faile, em seis pranchas, formato A3, a preto e branco com tinta-da-china.

Em 1997/98 frequenta o curso de desenho da “Sociedade Nacional de Belas Artes” e o curso de pintura no Atelier ”Arte Ilimitada, Lda.”, em Lisboa.
Participa, com a apresentação da Banda Desenhada “The black rider” nos “II Encontros de Ficção Cientifica e Fantástico”, em Oeiras.

Em 1999 Expõe uma colecção de desenhos a tinta-da-china s/ papel com o título “Rostos da Vila”, em Nisa.
Edita o fanzine “Apalpalhão”, feito em parceria com o Miguel Mocho e o João Portalete.
No ano 2000 participa, com a banda desenhada “Western a cores”, com texto do Miguel Mocho, no 10º Salão de banda desenhada de Moura.

Em 2001 Expõe uma colecção de desenhos a tinta-da-china e carvão com o título “Convívios e solidão”, em Portalegre.
Em 2002/2003 frequenta o curso de Banda Desenhada do CITEN. Produz duas ilustrações para o suplemento “Leitura furiosa”, do jornal “Público” de 2 de Fev. de 2003.

Em 2005 publica a banda desenhada “Metamorfina” com texto do Miguel Mocho numa edição da BDteca de Lisboa.
Em 2006 produz o fanzine “Alçapão – fanzine de arquitectura dura” nº 1. Uma edição da Ordem dos Arquitectos – delegação de Portalegre.

Em 2007 produz e edita o fanzine “150 facas” e publica um desenho no livro de poemas “Os anjos deixaram por aqui cair as asas” de Vasco Câmara Pestana.
Em 2008 produz o nº2 do “Alçapão”, no qual participa com ilustrações e a banda desenhada “tudo o que é sólido dissolve-se no ar” com texto de Luís Henriques. Publica a BD “O homem que passeava um papagaio atrelado a um rádio portátil” no fanzine “Gambuzine” nº1 – 2º série.

Em 2009 participa, em parceria com o Miguel Mocho, no fanzine “38 special” e publica 4 fotogramas no fanzine “Sandes de cebola” nº1.
Em 2010 participa na colectânea de desenho “Massive” editada pela “associação chili com carne”.
Convidado especial da tertulia BD de Lisboa, ano XXV – 313º encontro.
Publica a BD “Havia um homem zangado com tudo”, baseada num excerto do livro “O cavalo a tinta-da-china” da autoria de Baptista Bastos, no Fanzine “tertúlia BDzine nº 153”
Publica a BD “Western a cores”, com texto de Miguel Mocho, no Fanzine “tertúlia BDzine nº 155-156”.
Ganha o 1º Prémio (escalão A+) no festival Amadora BD 2010 com a BD “República” com texto de Miguel Costa Ferreira
Em 2011 ganha 1º Prémio (escalão B) no festival MouraBD 2011com a BD “Movimento prepétuo”, com texto de Miguel Ferreira.

Participa com a BD “The road”, com texto de Miguel Costa Ferreira no festival de BD de
Em 2012 participa, com o Paulo Monteiro e o Geraldes Lino, no Workshop de banda desenhada organizado pela escola D. Sancho II em Elvas.

Publica a BD “Corto no Alentejo” com texto de Luís Pedro Cruz, no fanzine “Efeméride nº 5 – Corto Maltese no sec. XXI, editado por Geralde Lino.
Publica o livro “Psicose”, que reúne quatro BDs, com texto de Miguel Costa Ferreira, editado por “ElPep – edições”.
Publica a BD “Conto d´horror e outras quinquilharias” com texto de Cátia Alves no Fanzine “tertúlia BDzine nº 172”.
Em 2013 expõe as pranchas originais da BD “Psicose” no Festival de BD de Beja.
Exposição das pranchas originais da BD “Psicose” na associação cultural “Ficar” em Portalegre.
Exposição de Banda desenhada no Centro cultural Prof. José Maria Moura em Alpalhão.
Em 2014 publica o livro “F(r)icções”, que reúne quatro BDs, com texto de Nuno Duarte, editado por “ElPep – edições”.

Publicou Cartoons e desenhos no “Jornal de Nisa – série II”, de Dezembro de 2009 a Maio de 2011.
Vive em Alpalhão e trabalha Em Nisa.
Publica os seus trabalhos no blog jasaqui.blogspot.com

E agora a entrevista. As respostas de Nuno Duarte estarão a rosa escuro e as do João Sequeira a rosa claro:

Podes contar aos leitores deste blogue algo sobre o teu percurso na Banda Desenhada até chegares a este livro?

O meu percurso na banda desenhada está intrinsecamente ligado ao meu percurso como escritor e argumentista. Tudo começou pelo gosto da narrativa e de como a podia potenciar no campo da arte sequencial, algo que surgiu de muitas horas a ler BD, que sempre abundou no seio da minha família.
Daí surgiu a necessidade de criar, algo que ganhou forma em pequenos fanzines e colaborações como o “The Killer Season Fanzine” ou uma participação no álbum colectivo “Mutate & Survive”, ganhando uma expressão mais profissional e artisticamente deliberada após o contacto com a comunidade lisboeta de artistas e entusiastas de BD. Tudo isto culminou em projectos editoriais como “Paris Morreu”, os dois volumes de “A Fórmula da Felicidade”, ou o recém galardoado “O Baile”.

A biografia em anexo faz um bom retrato do meu percurso, posso, no entanto, salientar dois momentos altos, conhecer o André Lemos que me mostrou que a banda desenhada é muito mais do que patinhas e super-heróis e o Geraldes Lino que me transmitiu confiança e motivação.
Os prémios na Amadora e em Moura e a publicação do “Psicose” também ajudaram a dar alento para continuar.

Quais foram as tuas principais dificuldades neste teu novo projecto?

Cada projecto parte de premissas e desenhadores diferentes, pelo que a adaptação às idiossincrasias de cada um deles pressupões não dificuldades mas especificidades. O desafio é precisamente o de transmitir a cada um as ideias correctas que melhor potenciem a transposição da história para o formato gráfico.

Trabalhar à distância tem as suas desvantagens.
Apesar de, tanto o Nuno como o Pepe, terem acompanhado todo o processo, não é a mesma coisa que discutir ao vivo e em direto com um prato de caracóis e uma imperial à frente.
Acho que a proximidade entre os vários intervenientes pode dar origem a um trabalho melhor.

Como é trabalhar com o João Sequeira?

O João é um entusiasta do trabalho e da minúcia quer a título gráfico e de composição, quer da necessidade de algum input acerca das razões de alguns pormenores da narrativa. Nesse sentido, como escritor e argumentista é extremamente gratificante trabalhar com alguém que apesar das dificuldades do seu “day Job”, põe tanto de si no trabalho e no interesse pela coerência do mesmo.

Como é trabalhar com o Nuno Duarte?

É óptimo, ele sabe o que faz e os textos têm dinamismo e sugerem imagens que me apetece desenhar.
Depois de ver a BD “Sem escape” e concordar em avançar com o projecto, o Nuno, enviou-me umas quantas histórias para eu “escolher”.
O “Uivo” e o “Pistoleiro que gostava de dançar” foram as histórias que mais me aliciaram logo na primeira leitura.
Já “A dama vestia de negro” foi uma espécie de encomenda da minha parte, sendo o policial negro um género que gostava de experimentar.
Eu apenas sugeri ao Nuno um policial negro e resultou na minha história preferida e a que mais gozo me deu desenhar.

Como começou a vossa parceria? Qual foi o clique que fez com que iniciassem este trabalho juntos?

Este livro partiu de uma premissa interessante que foi a do João Sequeira pegar num conto meu e de o adaptar para o formato de BD. Tendo ficado extremamente agradado com o que daí resultou, decidimos partir para a elaboração de um álbum de histórias curtas, sempre baseadas em textos meus pré-existentes.
O processo passava pelo João ler o texto e me propor uma escolha de arranjo gráfico, que depois analisávamos e decompúnhamos em formato sequencial, dando eu retoques nos textos para os passar para uma linguagem mais tradicional de BD.
Em algumas histórias mais específicas como “O pistoleiro que gostava de dançar” trabalhámos propositadamente num arranjo de quadros largos para transmitir a sensação “cinemascope” dos velhos westerns, e no conto “A dama vestia de negro” a colaboração foi mais tradicional com um guião especialmente preparado por mim para ser directamente transposto para BD.
Mais uma vez foi uma nova abordagem a forma de escrever uma BD, mas que me deixou extremamente satisfeito.

Em 2010 comprei o nº 1 do TLS Mag e resolvi desenhar a história “Sem escape” do Nuno Duarte, que guardei até que, cerca de um ano depois, a mostrei ao Pepe na tertúlia BD de Lisboa.
O Pepe gostou, mostrou ao Nuno, ele gostou e propôs juntar mais três histórias curtas para o Pepe publicar.

Quais são as vossas expectativas em relação a este trabalho?

As expectativas são sempre que digam algo a quem o lê e que obviamente pague o investimento do editor, coisa que neste mercado nunca é fácil.

Eu, pessoalmente, acho que tem potencial para ser publicado fora de Portugal e agradar-me-ia muito que isso acontecesse.

Trabalhaste de que forma neste livro, tradicional ou digital?

Na profissão de arquitecto não me posso livrar da informática por isso na banda desenhada apenas uso o computador para digitalizar as pranchas e dar-lhes algum tratamento de limpeza.
Para este livro reduzi os materiais usados para lápis, caneta pincel com tinta-da-china e corrector ortográfico.
Tento que as pranchas impressas sejam o mais idênticas possível aos originais, por isso incluo os textos, também desenhados com caneta pincel e tinta-da-china.
Se a mancha de texto e os desenhos vão funcionar como um todo no livro, agrada-me que também funcione assim nas pranchas originais.

A aposta no preto e branco nos teus livros é escolha preferencial, ou tem a ver com facilidade no desenho e impressão?

Não sei bem porquê mas prefiro a BD a preto e branco, assim como os filmes e as fotografias.
Por outro lado, simplifica e acelera a produção.
Gosto da ideia de poder resolver tudo só com um pincel e tinta-da-china, além do prazer que dá manchar uma folha branca com tinta preta.
Grande parte das minhas referências são autores que trabalham sempre a preto e branco ou cujos meus trabalhos de eleição são a preto e branco, como por exemplo, A. Breccia, D. Battaglia, F. Miller, W. Eisner e mais recentemente, E. Baudoin, L. Mattotti, M. Larcenet, Gipi, D. McKean, M. Mignola, N. de Crécy…

E para o futuro, já tens projectos?

Tenho dois ou três projectos de BD no prelo para começar a trabalhar em meados de Junho, mas que por estarem em diferentes estados embrionários e em alguns casos sem artista ou editora definidos, não vale ainda a pena especificar.

Concretos ainda não, mas pretendo fazer um livro mais longo, com uma só história ou uma compilação.
Ainda não falei com o Nuno, mas já tenho algumas ideias para analisar com ele.
Também gostava de experimentar fazer uma BD biográfica ou de reportagem.

Podes falar um pouco do livro e já agora, que tipo de emoções pretendes que os teus leitores sintam após acabarem de ler o livro?

Este é um livro cru, com emoções fortes e onde como em poucas outras coisas que eu tenha escrito, faz mais sentido o preto e branco. O facto de ser um livro de contos quer demonstrar uma larga gama de sensações, mas sempre com o traço comum de uma ironia e de que uma história é tão mais marcante quanto provocar fricção no cérebro de quem a lê. Daí o nome, já que, idealmente, todas as ficções deviam criar a tal fricção.

O livro é o resultado de um longo processo, que se iniciou em 2010 e terminou em 2014 e que envolveu o empenho de três pessoas.
Gostava que os leitores, após acabarem de ler o livro, voltassem ao início, observassem os pormenores da edição, lessem a ficha técnica e tornassem a folheá-lo para rever algumas vinhetas ou lerem partes do texto, antes de o arrumar na estante ao lado da “Psicose”.
É isto que eu faço quando acabo de ler um livro de que gostei.

Quando idealizaste o livro, o resultado final depois de desenhado era o que tu esperavas, ou foi/é sempre uma surpresa no final?

O apelo da Banda Desenhada para um argumentista é de ver transformado estilística e graficamente um conceito abstracto na sua mente em algo que seja visualmente reconhecível. Neste caso o estilo cru e altamente matizado do João transportou para as minhas histórias uma qualidade crua e negra que me surpreendeu agradavelmente e que acho ser por vezes chocante mas quase hipnotizante na forma como a arte e as palavras se complementam. Daí que outra das qualidades que muito me agradaram na arte do João tenha sido a do lettering manual absolutamente incrível, que surge como parte do embelezamento das pranchas, unindo assim desenho e escrita de forma perfeita.

Ainda só vi fotos do livro, mas pelo que vi e tendo em conta a experiencia anterior com a “Psicose”, tenho a certeza que o resultado é excelente.
O Pepe gosta do que faz e isso nota-se no resultado final.
Toda a edição é pensada ao pormenor e todo o processo acompanhado pelo Pepe.
Demora, mas quando saí, saí bem.
Além disso, há dinheiro envolvido e, nos tempos que correm, é de louvar quem queira investir em livros.
Parabéns Pepe.

Qual foi a tua maior dificuldade, graficamente falando, com este novo livro, se é que houve alguma?

As dificuldades que me surgiram não são exclusivas deste livro mas sim transversais a todo o meu percurso e prendem-se com o método inicial de interiorizar o texto, que passa por ler e reler o mesmo, decompô-lo por páginas, escreve-lo todo à mão e em simultâneo recolher uma quantidade imensa de referências fotográficas e encher cadernos com estudos de personagens, cenários e de composição das pranchas.
Depois deste período angustiante e já com algumas certezas passo para os desenhos a lápis e posteriormente a tinta-da-china.
Curiosamente, depois de ultrapassar esse período inicial, a produção das pranchas finais é relativamente rápido e fluido.

Qual é o teu sonho como autor de Banda Desenhada?

O meu sonho é o de todos os autores: ter algo a dizer e a mostrar a um maior público possível.

Este livro já é o terceiro sonho que concretizo como artista de BD.
No entanto quero desenvolver um estilo próprio com o qual me sinta confortável para realizar banda desenhada de forma mais rápida, fluida e menos angustiante.

Qual o desenhador com que gostarias de trabalhar um dia, e porquê.

Tenho vários e todos nacionais com os quais acho que faz todo o sentido trabalhar por não ficarem a dever nada aos melhores do mundo, como o Jorge Coelho, o Filipe Andrade, o RUI Lacas e o Pedro Brito, entre vários outros.

Qual o argumentista com que gostarias de trabalhar um dia, e porquê.

O José Carlos Fernandes, porque adorei tudo o que ele escreveu, mas acho que está retirado da BD, o que é pena porque eu já me estava a preparar para lhe propor desenhar uma das “black box stories”…
Tenho acompanhado o trabalho do André Oliveira e agrada-me bastante a versatilidade com que escreve, além disso estou a ler a “Hora do saguim” e é fixe saber que há mais alguém no mundo que se lembra da reportagem sobre o senhor que tinha o tecto do restaurante revestido com porta-chaves, achou piada e passou a coleciona-los, não sabem ainda hoje o que fazer com eles.


O teu anterior livro, Psicose, correspondeu às tuas expectativas?



Superou as minhas espectativas.

É um livro muito especial para mim porque compila duas BDs premiadas que, não sendo esta publicação, nunca veriam a luz do dia e nunca seriam lidas por quem não foi à AmadoraBD nesse ano (nem catálogo nem nada…) e a BD “Psicose” que é até à data o meu trabalho mais longo e mais experimental.

O Pepe entendeu isso logo no início e produziu um objeto digno e em sintonia com o conteúdo.

Lembro-me que surgiram comentários sobre ser uma edição demasiado luxuosa para um autor desconhecido.

Compreendo a opinião mas, para mim, o design do livro é muito importante e dá-me muito mais prazer ler um livro com capa dura e uma produção cuidada do que uma edição de usar e deitar fora.

Já vi edições que não dignificam nada o conteúdo.

O que pensas sobre a BD nacional e o seu rumo actual?

Acho que se fazem trabalhos de grande qualidade e há bastantes autores com talento.
O mérito é também dos pequenos editores como o Pepe, o Marcos Farrajota ou o Mário Freitas que criam condições para os autores serem publicados e promovidos.


Qual o teu sentimento/opinião em relação ao Anicomics?

Acho que o Anicomics tem o condão de ter um espírito muito próprio, com um público que apesar de díspar é bastante interessado, para além de uma organização que dá cartas e mostra como se faz a eventos com apoios estatais e o triplo ou o quádruplo de meios.

Nunca fui ao Anicomics, mas, apesar de não ser muito a minha onda, acho que este tipo de eventos são importantes e admiro quem toma a iniciativa de os organizar e promover.

Queres deixar alguma mensagem aos leitores deste blogue?

Comprem o meu livro.


Obrigados aos dois!
:)

Não se esqueçam, estes dois autores irão apresentar o seu livro F(r)icções no Anicomics este Sábado que vem, dia 12,  às 14:20 no auditório da biblioteca Orlando Ribeiro.


Para conhecerem todo o programa deste festival de Lisboa sigam o link abaixo:

WWW.ANICOMICS-LISBOA.NET

O Leituras de BD apoia o Anicomics!

 Boas leituras

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Baile 2ª edição, e nova capa


O campeão de prémios de 2013 foi o livro "O Baile" de Nuno Duarte e Joana Afonso.
A sua 1ª edição esgotou e a editora Kingpin Books aposta noutra edição, com nova capa e três novas páginas.

Podem ler a minha crítica a este livros no seguinte link:
O Baile

Irá estar à venda para os interessados na próxima festa de Natal da Kingpin, já este Sábado dia 21 de Dezembro!
O evento encontra-se publicitado neste link do Facebook:
https://www.facebook.com/events/246764155488269/?fref=ts

Fiquem com a nota de imprensa da Kingpin Books:

O BAILE – 2ª Edição

Argumento de Nuno Duarte
Ilustrações de Joana Afonso

1967. Incumbido de investigar relatos macabros sobre uma horda de pescadores mortos que voltam para apavorar uma pequena vila costeira, o Inspector Rui Brás, da PIDE, é enviado para impor a sanidade e o silêncio recomendáveis, a meses de uma importante visita papal.

Acometido por medos e dúvidas quanto ao rumo da sua própria carreira, Rui descobre que os relatos sobre a vila são bem reais e o horror bem palpável. Dividido entre um padre deslocado e resignado, e uma mulher desequilibrada acusada de invocar os mortos, o inspector acaba por entrar num “baile” de actos e consequências nefastas que poderá arrastar toda a vila para um desenlace trágico.

Um ano após o lançamento, e depois da consagração nos Prémios Profisisonais de BD e nos Prémios Nacionais atribuídos pelo Amadora BD, a popular obra de NUNO DUARTE (A Fórmula da Felicidade) e JOANA AFONSO (Living Will) regressa com uma segunda edição renovada, incluindo uma nova capa e três novas páginas.

Uma edição Kingpin Books.
52 Páginas, cor, 26 x 18,3cm.
Brochado, com badanas.
11,99EUR.


Esta edição será apresentada na referida festa de Natal que terá a presença dos dois autores.

Boas leituras

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Baile


"Baile"... palavra temida nos calabouços da polícia política PIDE. Um baile de silêncios entrecortados com gritos e gemidos. Esta história de ficção leva-nos pela mão de um inspector da PIDE, a uma pequena povoação piscatória temporalmente situada em 1967, em pleno regime do "Estado Novo".

Nuno Duarte já tinha escrito uma das obras que eu gosto mais da BD portuguesa, "A Fórmula da Felicidade".
Aqui num registo ficcional completamente diferente aborda a temática zombie (coloca-os nos anos "60" o que é original) e os temores de um pequeno povoado mesclados com a cultura local. O mar, a pesca, os mortos... estão sempre presentes em todas as vilas e aldeias piscatórias
Nuno Duarte e Joana Afonso fizeram um grande trabalho de pesquisa para conseguir uma história sólida e verosímil dentro do fantástico. Embora os zombies não existam (vocês sabem isso, não sabem?) toda a envolvência local está bem construida. Eu vivi numa aldeia, sei do que falo... as casas, as pessoas, os seus medos, as suas tradições, o folclore local e as roupas são todas identificáveis com uma época e com o espaço onde decorre a acção.
Mesmo quando é uma história de ficção, se esta é localizada num tempo específico, e num espaço conhecido deve haver este trabalho de pesquisa. Quando é bem feito consegue tornar uma história de ficção quase real! Isto não é segredo mas nem sempre é feito, e o resultado final depende muitas vezes desta pesquisa. Parabéns à dupla por terem feito um excelente trabalho "de casa"!

Este livro era bastante aguardado por várias razões. Era mais um livro de alguém que sabe contar histórias, era o primeiro livro de Joana Afonso e era mais uma edição com a marca de Mário Freitas, a Kingpin Books. Esta pequena editora já nos habituou à qualidade e diferença das suas publicações, conseguindo formar um pequeno núcleo de bons desenhadores e argumentistas que todos os anos nos mostram algo com qualidade, e porque não dizê-lo: com originalidade no que toca a conteúdos.

No que respeita à Joana Afonso, penso que este livro foi o corolário da primeira fase de uma desenhadora em ascendência. Joana Afonso tem dados passos firmes neste meio artístico, sem pressas mas sem vacilar. Já criou um estilo próprio, que com certeza irá sendo modificado ao longo do tempo, mas neste momento os seus desenhos são inconfundíveis. Basta olhar para o grafismo e este tem logo uma assinatura, não é necessário ir aos créditos para ver quem é o desenhador!

A paleta de cores usada pela desenhadora também é bastante interessante. À medida que o livro vai avançando as cores base vão-se modificando, provocando no climax do livro uma sensação de claustrofobia, apertando ainda mais o espaço da igreja com tons quentes e sujos/escuros ao mesmo tempo. Gostei bastante desta escolha de cores para este livro, embora a paleta de cores inicial seja uma em que Joana Afonso se sente à vontade, como pode ser verificado em muitos desenhos coloridos que ela já fez.
O estilo abonecado das personagens facilita a flexibilização entre os aspectos mais sombrios, mas quase simpático ao mesmo tempo, e a caracterização gráfica mais "feia" de personagens benévolas. Esta ambiguidade deu um excelente resultado na minha opinião!

Parece-me que esta dupla funcionou bastante bem, quem sabe daqui por uns tempos não teremos algo mais criado por estes autores?
De notar o Mário Freitas anda a aprimorar-se no trabalho de legendagem e balonagem. Cada livro que passa está melhor neste aspecto, o que torna os livros ainda mais consistentes graficamente!


Basicamente a história roda à volta do Inspector Brás da PIDE, que é incumbido de verificar e resolver possíveis problemas paranormais nesta obscura povoação piscatória. O Papa vinha a Portugal e não tinha grandes relações com o governo ditatorial de Salazar! E Brás tem problemas, os problemas de alguém normal com uma profissão anormal. O Baile dos seus interrogatórios torturantes nas prisões da PIDE estão a provocar-lhe problemas emocionais/existenciais.
Os problemas aumentam quando descobre que afinal não eram só rumores, os zombies existem e estão ali, prontos para provocar vítimas. Aqui a história passa a ter a sua vertente policial... como e porquê surgiram estes zombies neste lugarejo?
Qual será a saída que Brás vai dar a isto tudo?

Um bom livro em língua portuguesa de autores portugueses, como começa a ser apanágio da editora Kingpin Books. A minha nota confirma o quão eu gostei do livro!

Já agora, a primeira edição não correu bem na gráfica, ficando os livros muito escuros e com as cores adulteradas. A Kingpin troca a quem o desejar o seu livro por um em condições, visto que a gráfica teve de fazer uma outra edição, desta vez correctamente.Penso que todos os livros que foram vendidos no Amadora BD farão parte deste lote defeituoso, pelo menos o meu era...

O Leituras de BD recomenda este livro!

TPB
Criado por: Joana Afonso e Nuno Duarte
Editado em 2012 pela Kingpin Books
Nota: 9 em 10

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lançamento Kingpin: O Baile


A Kingpin volta à edição com um aguardado livro: O Baile
De Joana Afonso, uma promessa que se torna em certeza, e Nuno Duarte, uma certeza que é pena que não faça mais argumentos de BD. Nuno Duarte também foi o argumentista da Excelente "Fórmula da Felicidade"!

Bem vindos ao "Zombie World"!
:D


O BAILE

Argumento de Nuno Duarte
Ilustrações de Joana Afonso

1967. Incumbido de investigar relatos macabros sobre uma horda de pescadores mortos que voltam para apavorar uma pequena vila costeira, o Inspector Rui Brás, da PIDE, é enviado para impor a sanidade e o silêncio recomendáveis, a meses de uma importante visita papal.

Acometido por medos e dúvidas quanto ao rumo da sua própria carreira, Rui descobre que os relatos sobre a vila são bem reais e o horror bem palpável. Dividido entre um padre deslocado e resignado, e uma mulher desequilibrada acusada de invocar os mortos, o inspector acaba por entrar num “baile” de actos e consequências nefastas que poderá arrastar toda a vila para um desenlace trágico.

Dois anos depois de “A Fórmula da Felicidade” (nomeado para 6 Prémios Amadora BD), NUNO DUARTE (Produções Fictícias) regressa com mais uma história repleta de emoção e surpresas, desenhada e colorida com o estilo inconfundível de JOANA AFONSO (vencedora do concurso Amadora BD 2011), o novo prodígio da BD portuguesa.

Uma edição Kingpin Books.
48 Páginas, cor, 26 x 18,3cm





























Será lançado durante o festival Amadora BD, este mês, e é mais uma publicação a não perder de autores portugueses!

Já tenho data (obrigado Mário Freitas), o  lançamento está confirmado para Sábado, 27, às 16h, no auditório do AmadoraBD.

Boas leituras

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Fórmula da Felicidade Vol.2


Comprei o primeiro volume da A Fórmula da Felicidade o ano passado em Beja e fiquei a ansiar pela sua conclusão. Tal aconteceu no Anicomics deste ano e o livro respondeu às minhas expectativas. Osvaldo Medina (desenho), Nuno Duarte (textos), Gisela Lopes e Ana Freitas (cor) deram corpo e alma a este excelente projecto da Kingpin Books. Houve quem dissesse que a sua finalização podia ser outra, mas como diz o anúncio, “podia… mas não era a mesma coisa!”. Acho que o final é o desfecho lógico para a ascensão, queda e redenção de Victor, o autor da matemática fórmula da felicidade.
Este livro fala-nos do lado sombrio da “felicidade” artificial, da adição psicológica que esta trás, e nisto podemos englobar qualquer tipo de droga. Victor tomou a decisão da sua vida numa altura de grande raiva, e esta não é boa conselheira… a partir daqui o drama psicológico (com traumas no relacionamento com o sexo oposto) é evidente desviando o personagem principal da vida, dos amigos e do amor. Tudo passa a ser artificial nas suas relações sociais passando a ser um VIP com todas as mordomias e manias que são apanágio deste tipo de gente. Apesar de tudo consegue conhecer o pai, mas não foi o encontro que idealizou, acabando por ficar ainda mais em baixo e desiludido, e sempre com a pressão de um patrão sem escrúpulos que vende a peso de ouro o recitar da famosa fórmula matemática a quem quiser pagar em circuito fechado de televisão “Pay per view”.
Depois de uma zanga com o patrão tira umas férias onde tenta voltar às origens para tentar perceber onde se perdeu, mas nem isso consegue pois acaba por ser perseguido pelos aldeões da sua aldeia natal, que queriam mais uma dose de felicidade!
Victor acaba por perceber à sua custa e dolorosamente que a felicidade de uns não é a mesma que a felicidade de outros… aqui, e por acaso, acaba por lhe ser indicado o caminho da sua própria felicidade! A felicidade não se “dá”, a felicidade conquista-se e temos de procurar dentro de nós o catalisador para tal, o que não é nada fácil…
Como acaba este bem estruturada estória, bem… comprem o livro!
Esta é outra parte de que eu gostaria de falar. Eu sei que a Kingpin é uma editora pequena a dar os primeiros passos no mercado editorial, mas uma tiragem tão pequena para uma obra que deveria ser difundida ao máximo por tudo quanto é circuito comercial e bibliotecas (porque não nas escolas também), é redutora para uma das melhores obras de BD feita por portugueses. Tem tudo para ser um sucesso! Boa estória, boa arte, boa cor, bom "lettering" e boa balonagem. É uma pena que esteja limitada a 400 exemplares! Espero que se este díptico esgote a Kingpin pense numa reedição, pois deveria estar acessível para a generalidade dos portugueses.
É um drama forte que eu recomendo a quem gosta de BD, e para quem queira experimentar-se nesta arte! Muito bom. Já agora, as figuras antropomorfizadas não querem dizer que o livro é para criancinhas… é um livro para adolescentes mais maduros e adultos! Só pessoas com um certo grau de maturidade poderão tirar lições deste livro, “sem ser ver os bonecos”. Parabéns a todos, mas sobretudo ao Nuno Duarte! Fazem falta à BD portuguesa boas estórias.
Boas leituras!

Softcover
Criado por: Nuno Duarte, Osvaldo Medina, Gisela Mrtins e Ana Freitas
Editado em 2010 por Kingpin Books
Nota : 9 em 10

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