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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Lançamento Kingpin Books: Rendez-Vous em Phoenix



A Kinpin publica mais um livro do mexicano Tony Sandoval
Depois de "As Serpentes de Água" e "Mil Tormentas" a Kingpin torna a apostar neste excelente autor, com o seu novo livro: Rendez-Vous em Phoenix

Como é referido na nota de imprensa, esta é uma obra autobiográfica sobre os tão actuais problemas da imigração. O autor é um excelente contador de histórias, possuindo um traço muito próprio e inimitável.

Por baixo da nota de imprensa têm um "retrato" bastante pormenorizado deste autor, escrito por Mário Freitas aquando da publicação de "Mil Tormentas" por esta editora portuguesa.



RENDEZ-VOUS EM PHOENIX
de Tony Sandoval

Nascido no noroeste do México, TONY SANDOVAL narra-nos a sua travessia clandestina da fronteira para os Estados Unidos. «RENDEZ-VOUS EM PHOENIX» é o relato autobiográfico de um jovem ingénuo e idealista em busca do sonho americano. Entre desventuras e encontros fortuitos, o autor apercebe-se da angústia e do medo daqueles que deixam o México em busca de um Eldorado.

Uma visão sentida e muito pessoal das agruras por que passam os migrantes ilegais, num registo bem diferente do universo fantástico do criador de «As Serpentes de Água» e «Mil Tormentas».

Capa dura, cores, 80 páginas
Dimensões: 19,5 x 27,5cm
ISBN: 978-989-8673-25-1


Retrato de Tony Sandoval por Mário Freitas
 (retirado de um post antigo sobre o autor)

Nascido há 42 anos na pequena cidade de Obregón, cedo o autor percebeu ser dotado de uma criatividade invulgar que o arrastava para construções narrativas bizarras que pululavam na sua cabeça. Parte para a Europa em meados da década passada e, influenciado pelas lendas e culto dos mortos tão comuns no seu país, por óbvios pastiches lovecraftianos e pelos acordes pesados da música que o inspira, inicia em Barcelona a sua colaboração com editoras espanholas, lançando as primeiras edições de El Cadáver y El Sofá e Nocturno, onde a sua obsessão pela morte e pela libertação do espírito criativo se tornam desde logo marcantes.

Em Paris, conhece o suiço Pierre Paquet, seu editor desde então, que dá a conhecer as obras de Sandoval ao público franco-belga. Em 2010, juntos colaboram em Un Regard Par-dessu L'Épaule, escrito por Paquet, num dos raros casos em que o autor mexicano ilustra uma história de outrem. Já com a reputação cimentada, é em 2012 que desponta para o estrelato com a nomeação de Doom Boy (Paquet, 2011) para o Grande Prémio de Angoulême, ano que marca também a sua primeira visita a Portugal, por ocasião da 3ª edição do Festival AniComics Lisboa, em Maio. Doom Boy sedimenta a maturidade artística atingida com Les Bêtises de Xenoxiphérox (Paquet, 2011), reforçando a simbiose entre o traço fino e solto a caneta e as cores suaves aguareladas que lhe dão corpo. Uma arte invulgar, única, feita de corpos esguios, fluídos como um líquido e dotados de enormes cabeças ovais e expressivas; um estilo singular, peculiar, dificilmente colável a influências evidentes e verdadeiro sinónimo de um artista ímpar. A história de ID, um jovem guitarrista mediano que se vê subitamente tocado por um talento divino, não parece diferir em muito da Marta de Les Bêtises... que faz um pacto com uma bruxa em troca de aptidões literárias. Porém, no que a decisão de Marta acaba por libertar o inevitável mal extra-dimensional das histórias de Sandoval (por muito que, neste caso, a personificação do mal seja uma criatura ridícula semelhante a uma pequena baleia voadora) com consequências devastadoras para a própria e para os que a rodeiam, a estrela que se acende em ID despoleta aquele que é, talvez e paradoxalmente, o menos apocalíptico dos livros do mexicano. A partir da premissa clássica da morte como catalisador, Doom Boy reflecte a "explosão" de ID como catarse do desaparecimento prematuro da sua amiga Anny, transformando-o numa lenda urbana do Doom Metal (a tal inspiração musical predominante do trabalho de Sandoval), um génio incógnito cujas gravações seminais se propagam e mitificam de ouvido em ouvido. O talento como alma eterna.


Em 2014, As Serpentes de Água marca a estreia da edição em português do autor (então a viver em Berlim) e o seu regresso a Portugal, por ocasião do lançamento do livro no Festival Internacional de BD de Beja. Mais do que qualquer outra das suas obras, As Serpentes de Água sintetiza as temáticas recorrentes das obras de Sandoval. O Rei belo de uma das facções do domínio da imaginação é aprisionado pelos seus opositores e transformado num polvo negro que esperará uma eternidade pela salvação; pela recuperação da verdadeira forma; pelo reacender da centelha da criatividade. Presentes em boa parte dos livros de Sandoval e símbolo comercial da colecção Calamari que o próprio dirige na Paquet, os cefalópedes assumem-se aqui, em definitivo, como Reis no gatilho criativo do mexicano. As Serpentes de Água é um clássico “coming of age”, um livro sobre o amadurecimento e libertação sexual, um grito libertador contra as grilhetas que o mundano e as pessoas comuns impõem aos espíritos livres. Mila é uma menina especial capaz de ver Agnès, aparentemente morta há 11 anos, mas que estará afinal prisioneira na dimensão alternativa da imaginação em que tanto da narrativa clássica de Sandoval se desenrola. Esta dimensão onírica, lar de anjos e demónios e palco de guerras milenares entre o Céu e a Terra, mais não é que o espaço privilegiado de cada personagem no seu combate pela individualidade, pela fuga à banalidade que tanto da realidade e dos seus protagonistas encerram.

Em Mil Tormentas (Kingpin Books, 2015, em estreia mundial simultânea com as editoras espanhola, italiana, suíça e polaca), o autor reforça a unicidade do seu universo autoral, cruzando subtilmente referências dos seus últimos livros e praticamente revelando que o domínio da imaginação (onde residem o “céu” e o “inferno”, consoante as crenças de cada um) é um, e um só, em todas as suas histórias. À semelhança de Mila, Lisa é uma adolescente solitária com uma obsessão coleccionista que desperta a desconfiança e a crueldade das outras crianças, e uma curiosidade inerente que a mergulhará na tal dimensão alternativa, onde sonho e realidade, vida e morte, se misturam e confundem. O equilíbrio é precário, e entre roubos compulsivos e oferendas de paz, a conclusão das narrativas de Sandoval aponta muitas vezes para o apaziguar dos demónios internos, mais até do que dos ficcionados. Não será por acaso que os protagonistas das suas histórias são, em regra, adolescentes e jovens adultos diferentes ou solitários que se debatem com as angústias e dúvidas existenciais típicas da idade. A excepção a esta regra surge em Les Échos Invisibles - editado em 2 volumes e em que a história e layouts de Tony Sandoval são servidos pela belíssima arte da italiana Grazia LaPadula – onde o protagonista, Baltus, é um fotógrafo de cerca de 40 anos, cuja vida desaba após a morte prematura da sua mulher. Mais uma vez, a morte servirá de catalisador para a descoberta de um dom, que colocará o protagonista em rota de colisão com as expectativas e perspectivas comuns sobre a vida, sobre a morte e sobre potenciais renascimentos, reais ou criativos.

Em termos artísticos, o recente Mil Tormentas é menos denso que o seu antecessor, predominando a caneta e suaves cores pastel, pontuadas apenas, aqui e ali, pelas aguarelas clássicas de Sandoval. Esta flexibilidade visual das suas obras contribui para o reforço de uma sensação de desconforto, de incerteza, quer para as suas personagens, quer para o próprio leitor, bastas vezes prisioneiros numa fina, quase imperceptível, membrana entre o sonho e a realidade. Aliás, procurar uma lógica narrativa nas histórias de Sandoval torna-se um exercício inútil. A sua abordagem insere-se antes em fogachos de sensações, em pinceladas de intenções, com uma leitura e coerência interna muito próprias que caberá ao leitor decifrar. Sandoval não é David Lynch, mas partilha com o cineasta a intercepção rotineira entre a realidade e o sonho, entre o presente narrativo e saltos temporais nem sempre perceptíveis numa primeira leitura. Mas no que Lynch é intenção, é ciência calculada, Sandoval é instinto, é pureza narrativa.

Tony Sandoval respira arte. Diria que também a transpira por todos os poros. Compartilhar com ele uma qualquer mesa de café ou restaurante é vê-lo, inevitavelmente, a rabiscar algo de belo no seu inseparável bloco de notas ou até numa toalha de mesa de papel. Se a sua infindável criatividade é o alicerce da sua arte, as pinceladas a aguarela, a café, ou até a cerveja, são a palete que dá cor a cada momento da sua existência terrena. Porque Tony sabe que um dia o seu corpo partirá, mas a sua alma e o seu talento permanecerão ad aeternum na tal dimensão conturbada da imaginação, prontos a dar mão a criadores hesitantes, que anseiem ou desesperem, até, por uma qualquer inspiração divina.

Texto: Mário Freitas




Boas leituras





terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Palavra dos Outros:
Autores: Tony Sandoval


Tony Sandoval é conhecido pelos temas oníricos em que baseia as suas obras, e é exactamente neste ambientes que a sua arte encontra a melhor expressão. Estão editados dois livros deste autor em Portugal pela Kingpin Books, e assim sendo, a pessoa mais indicada para escrever sobre Tony Sandoval será o editor Mário Freitas.

Para verem os outros posts de Mário Freitas no Leituras de BD basta clicar no nome dele.

TONY SANDOVAL
As Serpentes da Imaginação

A obra de Tony Sandoval é marcada pelas mitologias, pelos cheiros, pelos sabores das vilas e costumes do México da sua infância. Origens que se cruzam com a Europa cosmopolita que o acolheu, com o Gótico e o Doom Metal que o inspiram e que ritmam a sua arte. A ingenuidade onírica dos desenhos de Sandoval e a suavidade da sua palete contrastam profundamente com o horror, o grotesco e o absurdo aparente das suas histórias. Porque o artista, tal como as suas personagens, clama incessantemente pelas bizarrias que procuram, em vão, esconder-se para além do limiar da imaginação.

Nascido há 42 anos na pequena cidade de Obregón, cedo o autor percebeu ser dotado de uma criatividade invulgar que o arrastava para construções narrativas bizarras que pululavam na sua cabeça. Parte para a Europa em meados da década passada e, influenciado pelas lendas e culto dos mortos tão comuns no seu país, por óbvios pastiches lovecraftianos e pelos acordes pesados da música que o inspira, inicia em Barcelona a sua colaboração com editoras espanholas, lançando as primeiras edições de El Cadáver y El Sofá e Nocturno, onde a sua obsessão pela morte e pela libertação do espírito criativo se tornam desde logo marcantes.

Em Paris, conhece o suiço Pierre Paquet, seu editor desde então, que dá a conhecer as obras de Sandoval ao público franco-belga. Em 2010, juntos colaboram em Un Regard Par-dessu L'Épaule, escrito por Paquet, num dos raros casos em que o autor mexicano ilustra uma história de outrem. Já com a reputação cimentada, é em 2012 que desponta para o estrelato com a nomeação de Doom Boy (Paquet, 2011) para o Grande Prémio de Angoulême, ano que marca também a sua primeira visita a Portugal, por ocasião da 3ª edição do Festival AniComics Lisboa, em Maio. Doom Boy sedimenta a maturidade artística atingida com Les Bêtises de Xenoxiphérox (Paquet, 2011), reforçando a simbiose entre o traço fino e solto a caneta e as cores suaves aguareladas que lhe dão corpo. Uma arte invulgar, única, feita de corpos esguios, fluídos como um líquido e dotados de enormes cabeças ovais e expressivas; um estilo singular, peculiar, dificilmente colável a influências evidentes e verdadeiro sinónimo de um artista ímpar. A história de ID, um jovem guitarrista mediano que se vê subitamente tocado por um talento divino, não parece diferir em muito da Marta de Les Bêtises... que faz um pacto com uma bruxa em troca de aptidões literárias. Porém, no que a decisão de Marta acaba por libertar o inevitável mal extra-dimensional das histórias de Sandoval (por muito que, neste caso, a personificação do mal seja uma criatura ridícula semelhante a uma pequena baleia voadora) com consequências devastadoras para a própria e para os que a rodeiam, a estrela que se acende em ID despoleta aquele que é, talvez e paradoxalmente, o menos apocalíptico dos livros do mexicano. A partir da premissa clássica da morte como catalisador, Doom Boy reflecte a "explosão" de ID como catarse do desaparecimento prematuro da sua amiga Anny, transformando-o numa lenda urbana do Doom Metal (a tal inspiração musical predominante do trabalho de Sandoval), um génio incógnito cujas gravações seminais se propagam e mitificam de ouvido em ouvido. O talento como alma eterna.

Em 2014, As Serpentes de Água marca a estreia da edição em português do autor (então a viver em Berlim) e o seu regresso a Portugal, por ocasião do lançamento do livro no Festival Internacional de BD de Beja. Mais do que qualquer outra das suas obras, As Serpentes de Água sintetiza as temáticas recorrentes das obras de Sandoval. O Rei belo de uma das facções do domínio da imaginação é aprisionado pelos seus opositores e transformado num polvo negro que esperará uma eternidade pela salvação; pela recuperação da verdadeira forma; pelo reacender da centelha da criatividade. Presentes em boa parte dos livros de Sandoval e símbolo comercial da colecção Calamari que o próprio dirige na Paquet, os cefalópedes assumem-se aqui, em definitivo, como Reis no gatilho criativo do mexicano. As Serpentes de Água é um clássico “coming of age”, um livro sobre o amadurecimento e libertação sexual, um grito libertador contra as grilhetas que o mundano e as pessoas comuns impõem aos espíritos livres. Mila é uma menina especial capaz de ver Agnès, aparentemente morta há 11 anos, mas que estará afinal prisioneira na dimensão alternativa da imaginação em que tanto da narrativa clássica de Sandoval se desenrola. Esta dimensão onírica, lar de anjos e demónios e palco de guerras milenares entre o Céu e a Terra, mais não é que o espaço privilegiado de cada personagem no seu combate pela individualidade, pela fuga à banalidade que tanto da realidade e dos seus protagonistas encerram.

Em Mil Tormentas (Kingpin Books, 2015, em estreia mundial simultânea com as editoras espanhola, italiana, suíça e polaca), o autor reforça a unicidade do seu universo autoral, cruzando subtilmente referências dos seus últimos livros e praticamente revelando que o domínio da imaginação (onde residem o “céu” e o “inferno”, consoante as crenças de cada um) é um, e um só, em todas as suas histórias. À semelhança de Mila, Lisa é uma adolescente solitária com uma obsessão coleccionista que desperta a desconfiança e a crueldade das outras crianças, e uma curiosidade inerente que a mergulhará na tal dimensão alternativa, onde sonho e realidade, vida e morte, se misturam e confundem. O equilíbrio é precário, e entre roubos compulsivos e oferendas de paz, a conclusão das narrativas de Sandoval aponta muitas vezes para o apaziguar dos demónios internos, mais até do que dos ficcionados. Não será por acaso que os protagonistas das suas histórias são, em regra, adolescentes e jovens adultos diferentes ou solitários que se debatem com as angústias e dúvidas existenciais típicas da idade. A excepção a esta regra surge em Les Échos Invisibles - editado em 2 volumes e em que a história e layouts de Tony Sandoval são servidos pela belíssima arte da italiana Grazia LaPadula – onde o protagonista, Baltus, é um fotógrafo de cerca de 40 anos, cuja vida desaba após a morte prematura da sua mulher. Mais uma vez, a morte servirá de catalisador para a descoberta de um dom, que colocará o protagonista em rota de colisão com as expectativas e perspectivas comuns sobre a vida, sobre a morte e sobre potenciais renascimentos, reais ou criativos.


Em termos artísticos, o recente Mil Tormentas é menos denso que o seu antecessor, predominando a caneta e suaves cores pastel, pontuadas apenas, aqui e ali, pelas aguarelas clássicas de Sandoval. Esta flexibilidade visual das suas obras contribui para o reforço de uma sensação de desconforto, de incerteza, quer para as suas personagens, quer para o próprio leitor, bastas vezes prisioneiros numa fina, quase imperceptível, membrana entre o sonho e a realidade. Aliás, procurar uma lógica narrativa nas histórias de Sandoval torna-se um exercício inútil. A sua abordagem insere-se antes em fogachos de sensações, em pinceladas de intenções, com uma leitura e coerência interna muito próprias que caberá ao leitor decifrar. Sandoval não é David Lynch, mas partilha com o cineasta a intercepção rotineira entre a realidade e o sonho, entre o presente narrativo e saltos temporais nem sempre perceptíveis numa primeira leitura. Mas no que Lynch é intenção, é ciência calculada, Sandoval é instinto, é pureza narrativa.


Tony Sandoval respira arte. Diria que também a transpira por todos os poros. Compartilhar com ele uma qualquer mesa de café ou restaurante é vê-lo, inevitavelmente, a rabiscar algo de belo no seu inseparável bloco de notas ou até numa toalha de mesa de papel. Se a sua infindável criatividade é o alicerce da sua arte, as pinceladas a aguarela, a café, ou até a cerveja, são a palete que dá cor a cada momento da sua existência terrena. Porque Tony sabe que um dia o seu corpo partirá, mas a sua alma e o seu talento permanecerão ad aeternum na tal dimensão conturbada da imaginação, prontos a dar mão a criadores hesitantes, que anseiem ou desesperem, até, por uma qualquer inspiração divina.

Texto: Mário Freitas

Boas leituras



quarta-feira, 25 de junho de 2014

As Serpentes de Água


Grande aposta da Kingpin Books!
Após aumentar as tiragens das suas edições de autores portugueses, esta editora aposta num livro de um autor conceituado na Europa, o mexicano Tony Sandoval.


Tony Sandoval já tinha estado em Portugal a convite do editor da Kingpin Books, Mário Freitas, no Anicomics de 2012. Neste Anicomics (2014) durante a antevisão editorial para este ano, foi feito o anúncio que a Kingpin iria publicar este livro para sair no Festival Internacional de Beja, e com a presença do autor para a respectiva apresentação do livro, e claro, para autógrafos.


Um autor que joga graficamente com o tenebrosamente bonito, em que as suas personagens têm um aspecto muito "fofo", mas a histórias são muitas vezes cheias de melancolia, e dentro de mundos de pesadelo. Como costumo dizer, a arte deste autor ou se ama ou se detesta... (eu amo!)
:)

Este livro está dentro do universo que Sandoval gosta, nas fronteiras do imaginário com a realidade. Um ambiente de beleza fantasmagórica em que a suavidade dos tons pastel é subitamente interrompida por tons negros de pesadelo. As suas personagens são estranhamente belas dentro do seu estilo bem estilizado, e facilmente reconhecível. Poesia gráfica pura!


Uma parte da inspiração desta obra de Sandoval vem com certeza do conto de horror "Berenice" de Edgar Allan Poe. Um ambiente gótico, a roçar o macabro muitas vezes neste conto para adultos, em que a inocência está presente, mas duramente chicoteada  num mundo onírico em que a bestialidade e a crueldade andam de mão dada. Não contente com estes ingredientes Sandoval ainda polvilha tudo isto com alguma sensualidade! 


Esta fábula está impregnada de magia, desde o início. O leitor não se apercebe logo que apenas Mila conseguia ver Agnès. Os dentes de Agnès fascinam Mila, assim como a transbordante vivacidade da sua nova amiga. Mas os dentes de Agnès são irresistíveis e Mila não consegue refrear o seu desejo de beijar a boca da amiga! Aqui começa o horror... imaginam um polvo a sair de dentro de uma rapariga tão bonita, e descobrir-se que afinal esta sua nova amiga tinha morrido há bastante tempo? Mila foge com sentimentos contraditórios, não entendendo o que está a acontecer! Mas a magia depois de libertada não desaparece com um estalar de dedos...
Mila vai ter de enfrentar com a sua amiga verdadeiras batalhas.


Leiam que vale a pena por todas as razões. Simplesmente deslumbrante!
Um livro em que o sonho é rei e anda de mão dada com o pesadelo.
Boas leituras


Hardcover
Criado por: Tony Sandoval
Editado em 2014 pela Kingpin Books
Nota: 9,5 em 10



terça-feira, 3 de junho de 2014

X Festival Internacional de BD de Beja: Parte I


É-me difícil começar a falar do X Festival Internacional de BD de Beja (FIBDB). Foi tanta coisa em apenas um fim-de-semana que é complicado escolher o que escrever neste primeiro post. Sim, irei fazer mais que um.

Tentarei fazer um apanhado geral nesta primeira abordagem, e falarei de alguns lançamentos a que assisti, do ambiente que o rodeou, de alguns artistas presentes, dos Prémios Profissionais de BD e aflorarei ao de leve a primeira exposição a sério da Zakarella.

Nuno Amado e Tony Sandoval no restaurante "A Pipa"

Num segundo post irei essencialmente focar-me nas exposições e autógrafos. Finalizarei com um 3º post em que farei link para o blogue da Zakarella em que ela será a rainha do artigo.

E sim, esta nova aventura alentejana iniciou-se como manda a tradição, ou seja no restaurante A Pipa com as maravilhosas presas de porco preto!
:)
Lançamento "As Serpentes de Água"

Neste restaurante encontravam-se vários dos autores presentes em Beja, como Tony Sandoval, Laerte, André Diniz, Laudo Jr., entre outros. Tive a companhia próxima do referido Sandoval, Mário Freitas e da minha Aida Teixeira!
Para compor o ramalhete Beja estava em festa! Havia uma feira Romana misturada com Celta, onde consegui comprar um anel do Batman!!! :D
E claro… tive de ir visitar o andamento da exposição da Zakarella que estava praticamente pronta!

Tony Sandoval no lançamento "As Serpentes de Água"

Mais uma vez este certame foi festa. Esta é a grande força deste festival! A festa da BD em Portugal! Completamente à vontade, muito fácil contactar directamente os autores em todos os recantos do festival e fora dele, podemos almoçar na sua companhia! A organização não os esconde, e a informalidade é rainha.

E que autores… uns já conhecia o seu trabalho, como David Lloyd, Tony Sandoval, André Diniz e Laerte, outros passei a conhecer como Laudo Jr, Klévisson, Pochet e Étienne Davodeux.
E depois tivemos os portugueses. Jorge Coelho, Osvaldo Medina, Miguel Mendonça entre tantos outros que tinham lugar este ano na programação, e também muitos outros que apenas foram visitar.

A programação de apresentações, lançamentos e debates foi exemplar mais uma vez. Tomem nota organizadores de eventos…. É assim que se faz! Foi tudo ao minuto! Nada falhou num programa completamente cheio, em que o tempo disponível era apenas de 15 minutos, ou 30 minutos em alguns casos, e só se parava para jantar! Impossível ver todos, porque senão não se fazia mais nada. Esta pontualidade só tem paralelo com o Anicomics, mas Beja mesmo assim, e pela quantidade de “entradas” e pontualidade, leva melhor a todos.
A isto chama-se profissionalismo. Alguém tem dúvidas que é o melhor festival nacional de BD?
Acho que não existem muitas dúvidas…

Houve um enorme lançamento, e pelas palavras do editor Mário Freitas foi também um sucesso comercial: As Serpentes de água.
Livro de Tony Sandoval publicado pela Kingpin Books.

Mário Freitas no lançamento "As Serpentes de Água"

Este autor mexicano encantou pela genuína simpatia e pelo profissionalismo que exibiu nos autógrafos. Na súmula dos dois dias esteve 7 horas a autografar livros a aguarela! Grande Tony Sandoval!
A sua exposição tinha lugar de destaque no centro da Casa da Cultura de Beja, e claro, montada com o bom gosto que Beja já nos habituou.
Laerte Coutinho no almoço de Sábado

Outra autora que me cativou foi Laerte. Já me tinha cativado nos livros e tiras de jornais, agora cativou pelo espírito e pela simpatia. Também uma boa exposição!
Já agora, por norma os autores que vêm a Beja têm livros para os visitantes comprarem. Coisa que muitas vezes não acontece noutros festivais… Laerte tinha muitos livros à venda para que os autógrafos pudessem ser dados no livro. Mas… a simpatia desta brasileira foi sempre enorme ao fazer um excelente sketch em folha a uma criança pequena que apareceu do nada fora da hora reservada a autógrafos!

Este festival é mesmo muito “boa onda”!
:D

Quantos aos Prémios Profissionais de BD. A organização decidiu mover a entrega dos prémios para Beja, e diga-se com sucesso. Não vale a pena ter um sítio de luxo como a Torre do Tombo (edição do ano passado) se o horário não permite a quem trabalha se deslocar aquele magnífico auditório. Aqui em Beja tivemos uma sala cheia para assistir. Aposta ganha, sim!
Embora já vários sites e blogues já tenham dado a notícia, passo a presentar os vencedores:

ÁLBUM DO ANO
Dog Mendonça e Pizza Boy III: Requiem, de Filipe Melo e Juan Cavia (Tinta da China)

ARGUMENTISTA DO ANO
Filipe Melo (Dog Mendonça e Pizza Boy III: Requiem), Tinta da China

DESENHADOR DO ANO
Osvaldo Medina (Super Pig: Roleta Nipónica), Kingpin Books

Nuno Amado e Mário Freitas na apresentação dos Prémios Profissionais de BD

COLORISTA DO ANO
André Caetano (Uma Aventura Estaminal), Imprensa da Universidade de Coimbra

LEGENDADOR DO ANO
Mário Freitas (Palmas Para O Esquilo, Super Pig: O Impaciente Inglês, Super Pig: Roleta Nipónica), Kingpin Books

Osvaldo Medina na apresentação dos Prémios Profissionais de BD

DESIGNER DE PUBLICAÇÃO DO ANO
Mário Freitas (Palmas Para O Esquilo, Super Pig: O Impaciente Inglês, Super Pig: Roleta Nipónica), Kingpin Books

Filipe Melo na apresentação dos Prémios Profissionais de BD

OUTRAS PUBLICAÇÕES
Living Will nº1, de André Oliveira (arg.) e Joana Afonso (des.), Ave Rara

Exposição de Laerte Coutinho


Exposição de Laerte Coutinho
Exposição de Laerte Coutinho
























Exposição de Laerte Coutinho
Exposição de Laerte Coutinho
























Exposição de Tony Sandoval


Exposição de Tony Sandoval
Exposição de Tony Sandoval
























Exposição de Tony Sandoval


Exposição de Tony Sandoval
Exposição de Tony Sandoval
























Exposição de Tony Sandoval

Por hoje ficamos assim.

Na 4ª Feira novo post, e o último fica para 6ª Feira.

O Leituras de BD orgulhou-se de apoiar o Festival Internacional de BD de Beja

Nota: As fotos em que eu apareço (a primeira e nos PPBD) foram tiradas pela Aida Teixeira.
:)

Boas leituras

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Lançamento Kingpin Books: As Serpentes de Água



Tive o prazer de conhecer o Tony Sandoval num festival Anicomics Lisboa. E gostei!
Super simpático, e super-profissional a fazer sketchs! Aliás, fez-me um dos sketchs mais bonitos que eu possuo (aguarela).

Foi com um misto de surpresa e alegria que soube há umas semanas atrás que a Kingpin Books iria lançar por esta altura o novo livro deste autor!

Melhor ainda... vai estar presente no Festival Internacional de BD de Beja (como já escrevi num post anterior) para autografar este seu novo livro. A isto eu chamo uma boa planificação: livro, festival, autor presente!


AS SERPENTES DE ÁGUA,
de Tony Sandoval

«Anda comigo! Agora somos animais! Eu sou uma raposa e tu és uma serpente de água com uma máscara de coelho!»

Num encontro fortuito à beira do rio, Mila conhece Agnès, uma misteriosa rapariga com uma personalidade fascinante e uns dentes verdadeiramente belos e incomuns. Intrigada e obcecada com a sua nova amiga, e instigada pela imaginação aparentemente delirante do irmão desta, Mila despoleta inadvertidamente uma sucessão de acontecimentos que irá revelar a verdadeira natureza de Agnès e o seu envolvimento com uma estranha criatura em cativeiro, vítima de uma guerra milenar entre os espíritos do Céu e da Terra.

Depois de Doom Boy, nomeado em 2012 para os prémios do Festival Internacional de BD de Angoulême, TONY SANDOVAL regressa com mais uma história invulgar e deslumbrante, numa mescla perfeita entre o bizarro e o onírico, dentro do registo autoral ímpar que o autor mexicano tem vindo a desenvolver, ao longo da última década, no mercado europeu.

Capa dura, cores, 144 páginas
Dimensões: 19,5 x 27,5cm
ISBN: 978-989-8673-05-3
P.V.P.: 19,95EUR (Preço de lançamento: 18,95EUR)

















































Esta é uma excelente oportunidade de conhecerem Tony Sandoval. Dia 31 de Maio e 1 de Junho ele estará no Festival de Beja, assim como exemplares do livro na zona comercial para quem esteja interessado.

O Leituras de BD apoia o Festival Internacional de BD de Beja

Boas leituras e comprem um livro no festival!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Anicomics Lisboa 2012: Autores e Autógrafos


Como já disse atrás, o organizador do evento (Mário Freitas da Kingpin Books) tem tido "dedo" para os autores estrangeiros escolhidos.
São simpáticos, não mostram enfado, e mesmo as pessoas que foram lá sem livro foram excelentemente tratadas por eles.
Os meus parabéns a todos os que lá estiveram a dar autógrafos, estrangeiros e portugueses, e também ao Hugo Silva que esteve a dar apoio aos autores e a coordenar as filas de autógrafos... foi um bom trabalho, sem stresses e tudo correu fluidamente e sem confusões.
Como já tinha dito sou um apoiante convicto do sistema de senhas para os autógrafos e pela primeira vez consegui o sketch de todos os autores estrangeiros presentes! Não há nada como uma coordenação justa!
Os autores presentes foram:

  • Fil - Fotografia de topo
  • Paula Almeida - Fotografia de topo
  • Gabriel Martins - Fotografia do lado direito
  • Bruno Ma
  • Cari
  • Marco Checchetto
  • Tony Sandoval
  • Davide Gianfelice



    Podem também apreciar mais abaixo os sketchs que estes talentosos autores me fizeram!

    Bruno Ma



    Cari























    Tony Sandoval a desenhar o sketch visto do lado direito























    Davide Gianfelice a desenhar o sketch visto do lado direito























    Marco Checchetto a desenhar o sketch visto do lado direito

    Digamos que a cena hilariante da sessão de autógrafos aconteceu quando alguém pediu ao Marco Checchetto para desenhar o Robin... de certeza que não foi ao debate do dia anterior onde Checchetto disse que detestava o Robin e que não gostava de o desenhar!
    Mas a simpatia imperou e foi feito um Robin para a menina que o pediu (entre risos, claro...).
    Amanhã últimas fotos e considerações finais!

    Boas leituras

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