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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Pantera Negra: Quem é o Pantera Negra?



Saiu hoje o 19º volume da colecção da Salvat “Colecção Oficial de Graphic Novels” (Marvel).
O herói de serviço é o Pantera Negra numa história de Reginald Hudlin com os lápis de John Romita Jr.

O título, “Quem é o Pantera Negra?”, deixa antever logo à partida o género da história que iremos ler, ou seja, mais um reboot de “origens”.
O livro saiu no princípio do ano passado nos EUA e leva logo a crer o leitor mais avisado destas coisas que é um relançamento da personagem a preparar o filme dos Vingadores (Guerra Civil) onde foi personagem importante.

Reginald Hudlin vem do cinema, onde realizou vários filmes, e são notórias as sequências cinematográficas  projectadas e tornadas vivas no papel por Romita Jr., sobretudo em cenas de acção.
Este relançamento do Black Phanter retira-o das ruas de norte-americanas onde perseguia vilões, e coloca-o em África, mais propriamente no reino de Wakanda. Este reboot é feito através de flashbacks num passado distante, sempre aproximando-se mais do presente com uma narrativa nos EUA onde se discute o que fazer com Wakanda politicamente.


No fim acaba por ser um ser um thriller de vingança… o vilão achei-o um chato, aliás, os vilões usados não são grande coisa na minha opinião, inclusivamente o Cavaleiro Negro aparece por ali meio perdido. Outra coisa mal explicada ali pelo meio é o avanço tecnológico de Wakanda. O desenvolvimento social… pronto, ok, será atingível em situações utópicas, mas o tecnológico nem por isso.
De resto gostei do trabalho de Hudlin na generalidade.

Romita Jr é um ódio de estimação meu dentro dos comics. Desde que largou o estilo do pai (continuo a achar que era o pai a desenhar com o nome dele) demonstrou um estilo horrível, falhas anatómicas por vezes ao nível do amigo Liefeld, enfim, achei o “progresso” dele detestável. Mas pronto, e sem mais delongas, acho que aqui não fez um trabalho mau. Aliás, tem alturas que nem reconhecia o traço mau dele (eheh).
Comparando com o que já vi dele, acho que aqui fez um bom trabalho !

Na minha opinião um livro mediano que se pode comprar perfeitamente sobretudo se for fã do Pantera, ou se está à espera dos filmes para conhecer melhor a personagem.

Fiquem com a nota de imprensa da Salvat e respectivas imagens de promoção do livro:

Volume 19
PANTERA NEGRA
QUEM É O PANTERA NEGRA?
Argumento de REGINALD HUDLIN e arte de JOHN ROMITA JR.

Durante séculos, o avançado reino africano de Wakanda tem sido protegido pelo Pantera Negra, o seu nobre rei-guerreiro. Agora, T’Challa, o rei atual, vê-se forçado a proteger o seu povo de um novo grupo de forasteiros que desejam explorar as suas terras e os seus vastos recursos.


O Pantera Negra é uma das mais marcantes e importantes personagens do Universo Marvel, e foi também o primeiro super-herói negro nos comics. Mais que isso, ele surgiu como uma personagem negra extraordinariamente original e muito contra a corrente da época: era rico, era rei da sua própria nação, um pequeno país africano tecnologicamente avançado, e o próprio nome que ostentava garantia alguma controvérsia, especialmente quando os Panteras Negras de Malcolm X se tornaram famosos nos anos seguintes à sua primeira aparição nas páginas dos comics (em Fantastic Four #52–53, de 1966). Desde aí tornou-se um membro de pleno direito do mundo Marvel, e as suas aventuras nunca mais deixaram de ser publicadas, com alguns hiatos e interrupções. Algumas das suas mais significativas aventuras fizeram história: uma luta contra o Ku Klux Klan, numa história que causou alguma controvérsia (em Jungle Action #19–24, de 1976), apareceu como “artista convidado” nas páginas de quase todos as revistas da Casa das Ideias, e já nos anos 90 integrou os Vingadores (para melhor os poder espiar e controlar, já que receava que se pudessem tornar numa ameaça para o seu país!), lugar em que a maioria dos fãs o viram recentemente no filme Capitão América: Guerra Civil, que marca a estreia de T’Challa no grande ecrã e no universo cinemático da Marvel, onde o veremos em breve num filme a solo.

O volume que aqui apresentamos representa um relançar da personagem pelas mãos de um cineasta afro-americano, Reginald Hudlin, que em 2005 tomou nas mãos a revista Black Panther. E é um ponto ideal para entrar na história desta personagem, já que Hudlin aproveita para rever a história de Wakanda, a ligação dos seus monarcas à terra de que são originários, e a própria origem do Pantera.
Hudlin tentou uma modernização ambiciosa da personagem, usando como fonte de inspiração toda a parafernália da moderna cultura pop afro-americana, desde os filmes de Spike Lee, o rap e as figuras públicas de rappers como Jay-X e P.Diddy, o hip-hop... tudo para dar à personagem, segundo as suas próprias palavras, street cred — credibilidade de rua, credibilidade junto dos jovens, cool, badass. Secundado por John Romita Jr., um dos grandes desenhadores dos comics americanos — que vimos também no anterior volume Eternos — este primeiro arco de história coloca o Pantera Negra face a uma tentativa de invasão de Wakanda por um velho inimigo, e é uma excelente história auto-contida, que foi um sucesso de vendas quando saiu, em 2005.


Finalmente, e para responder à pergunta colocada no título do livro, Quem é o Pantera Negra? Deixemos as palavras ao próprio Reginald Hudlin:
“O Pantera Negra é o Capitão América Negro. Ele personifica os ideais de um povo. Enquanto Americanos, sentimo-nos bem quando lemos acerca do Capitão América,porque nos recorda do potencial da América para fazer coisas boas, se, é claro, todos se regerem pelos mesmos princípios que são a base da fundação deste país. Enquanto Africano, o Pantera Negra deveria representar o potencial de uma nação Mãe Africana. E foi assim que o mostrei nas minhas histórias.”

Ficha técnica
Volume 19: PANTERA NEGRA: QUEM É O PANTERA NEGRA?
Reginald Hudlin e John Romita Jr.
Este volume reúne as histórias publicadas originalmente nas edições Black Panther (Vol. 4) 1 a 6.
160 pgs.
ISBN: 978-84-471-2812-9
PVP: 11,99€




Continuo a não gostar da designação "Graphic Novels" para esta colecção...

Boas leituras














quinta-feira, 5 de março de 2015

Crónicas Temáticas: Reflexões e refracções V - O Pantera Negra é o pior rei de Wakanda




Nos últimos anos, o Pantera Negra tornou-se um dos membros mais importantes dos Vingadores, envolvido nas várias conspirações dos grupos Illuminati, um monarca de uma nação africana, impiedoso na sua determinação de salvaguardar o futuro do seu país, Wakanda. É considerado um dos super-heróis mais inteligentes e mais perigosos, amado pelo seu povo, no entanto… como rei, é um grande falhanço.

O passado de T’Challa tem sofrido algumas alterações nos últimos anos, especialmente pela mão de Reginald Hudlin, cuja origem colocou o Pantera Negra no Bendisverso. Mas esses implantes de cronologia têm permitido explorar melhor como um país isolacionista conseguiu tornar-se tão evoluído tecnologicamente. Sem trocas comerciais ou culturais, o destino normal de uma nação ou etnia é a estagnação. No entanto, os wakandas parecem ser motivados por paranóia, desenvolvendo novos conceitos com o intuito de praticar guerra à distância, e conquistando as tribos circundantes, integrando-as no reino de Wakanda, ostensivamente para servir de escudo humano.

Mesmo assim, há alguma batota por parte dos wakandas. Os estrangeiros não são bem-vindos, mas uma família, os Khanata, foram seleccionados pelo Pantera Negra para viverem isolados, acumulando conhecimento sobre o resto do mundo, depois de um acordo feito com o líder da nação mais poderosa da época, Genghis Khan. O herdeiro mais recente da família é Derek Khanata, agente da SHIELD e embaixador do império do Garra Amarela, o que o deixa numa excelente posição para obter acesso a informação vital para a segurança da nação de Wakanda.

Já agora, um aparte para mencionar que Pantera Negra não é um nome de super-herói, é o título dado ao chefe da tribo wakanda, e só depois do novo chefe provar que o merece, derrotando os melhores guerreiros, consumindo a erva-coração e estabelecendo uma ligação mística e psíquica com o deus-pantera, que na verdade é a deusa egípcia Bast. Esta ligação cultural de um país isolado com o antigo Egipto não deixa de ser irónica, principalmente se levarmos em conta que Wakanda, que é uma nação fictícia, é geralmente colocada nos mapas do Universo Marvel numa zona onde convergem quatro famílias linguísticas africanas, bantu, niger-congolesa, afro-asiática e nilo-sariana.

Também penso que a tecnologia superior de Wakanda pode ter origem noutra civilização, se quisermos introduzir conceitos do Universo Wold Newton de Philip José Farmer. Uma coisa que Lin Carter, Robert E. Howard e Edgar Rice Burroughs tinham em comum em algumas das suas histórias era o Grande Cataclismo que acabou com a civilização atlante, e que a Atlântida tinha estabelecido colónias no continente africano, que tinham ficado isoladas umas das outras após o cataclismo, lentamente caindo na barbárie. A semi-deusa La, dos livros de Tarzan, vem de uma dessas cidades.

Mas voltemos a T’Challa. O seu pai, T’Chaka, foi o primeiro rei de Wakanda a ter um contacto mais profundo com os europeus, chegando a considerar uma entrada nas Nações Unidas. Foi também ele que permitiu a exportação do mineral vibranium (que apenas existe em Wakanda e na Terra Selvagem, e que tem origens alienígenas, bem como propriedades mutagénicas), razão porque este é encontrado no escudo do Capitão América. Mas T’Chaka sempre desconfiou dos interesses ocidentais e queria manter o contacto com europeus e americanos ao mínimo, acabando por demonstrar ter a razão do seu lado quando foi assassinado pelo aventureiro belga Ulysses Klaw, que depois de tornou o super-vilão Garra Sónica.
 
T’Challa, por seu lado, sempre esteve fascinado pelo que era estrangeiro. Estudou em Oxford e resolveu transferir-se para Nova York para se unir aos Vingadores, onde acabou por conhecer a sua primeira noiva (com quem nunca se casou), a cantora Monica Lynne. Até permitiu que se construísse uma pizzaria na capital de Wakanda (como foi visto na mini-série Panther’s Prey). E foi durante estes períodos que permitiu o surgimento de algo raro no seu reino: oposição política. Numa história dos Vingadores, publicada em Avengers nº 62, o Pantera Negra levou a equipa com ele para se opor a M’Baku, o Homem-Gorila. Nas histórias publicadas na antologia Jungle Action, escritas por Don McGregor, o primeiro arco relatava o conflito com Erik Killmonger, o Terror Negro, um exilado acompanhado por um exército de homens que sofreram mutações, como Venomm e o Barão Macabro. Até a sua madrasta, Ramonda, teve que se infiltrar no exército do Reverendo Achebe, na série escrita por Christopher Priest, para impedir uma invasão externa. E até mesmo os apoiantes mais fiéis de T’Challa, como o seu guarda-costas Zuri ou o seu chefe de segurança W’Kabi, sempre foram bastante críticos deste interesse do seu rei em eventos no estrangeiro e da evolução tecnológica rápida de que o seu povo foi alvo.

Esta dispersão de interesses do T’Challa resultou na perda do título de Pantera Negra para a sua irmã, Shuri, desencadeando uma série de eventos que culminaram na destruição do monte de vibranium (que, no reinado de T’Challa, tinha-se tornado a principal fonte de rendimento de Wakanda, através da tecnologia patenteada pela empresa estatal, o Wakanda Design Group, cujos produtos mais famosos incluem as asas do Falcão e os jactos dos Vingadores, e que não podem ser duplicados sem este material) e depois na devastação de Wakanda por Namor, seu aliado nos Illuminati. Infelizmente para T’Challa, todos os medos do seu povo, da sua família e dos seus amigos acabaram por se concretizar.


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