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terça-feira, 5 de maio de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 1
A história que antecede o selo: 1982-1985


Hoje começamos com uma série de artigos que propõe recordar o percurso editorial que levou a DC Comics a criar a Vertigo, tendo em conta as origens e a história do selo de material adulto, que começaram em 1982, quando o mercado directo permitiu às editoras lançar material sem o selo da Comics Code Authority.


Tanto a Marvel como a DC Comics tinham linhas de títulos bastante diversificadas nos anos 70, incluindo humor, fantasia, guerra e terror além dos super-heróis. No entanto, aqueles géneros eram também os mais vulneráveis a flutuações de um mercado onde a BD ficou bastante vulnerável à guerra das distribuidoras nas bancas, contribuindo para a criação do mercado directo. E foi quando surgiu este espaço que as editoras começaram a tornar-se mais criativas, reforçando a sua imagem de editoras de super-heróis ao mesmo tempo que tentavam melhorar a qualidade das histórias de outros géneros, atraindo novos talentos ou dando mais liberdade criativa a certos artistas consagrados para sair dos padrões formulistas dos anos 70.

Em 1982, a Marvel lançou uma linha inteira de revistas como um spin-off da revista Epic Illustrated (tentativa de emular a Métal Hurlant e a sua variante americana, a Heavy Metal), a Epic Comics, onde, regra geral, o material produzido era propriedade intelectual dos seus criadores. A DC, por seu lado, preferiu lançar séries novas com a marca da DC, mas sem o selo da Comics Code Authority e papel de melhor qualidade. Nesse ano, a subsidiária da Warner Communications deu os primeiros passos na criação de uma linha editorial que mais tarde daria origem à sub-editora Vertigo.

Vários títulos no activo integrariam a Vertigo no futuro. Entre eles estavam Saga of the Swamp Thing (a primeira revista solo do Monstro do Pântano) e Unknown Soldier (O Soldado Desconhecido), bem como as antologias House of Mystery e Weird War Tales. Outras revistas tinham material que andava nas fronteiras entre a DC e o futuro selo, como a revista do herói aviador Blackhawk, o grupo de investigação oculta Night Force, os títulos de fantasia Arion, Lord of Atlantis e Arak, Son of Thunder e a revista de ficção científica (género 'sword and planet') Warlord.




O primeiro título da DC criado especificamente para o mercado directo foi a mini-série Camelot 3000 (teoricamente, a primeira revista deste género foi o one-shot de Madame Xanadu de 1981), de Mike Barr e Brian Bolland, cujo número 1 chegou às bancas em Dezembro de 1982. A história cola elementos de ficção científica (cenário no futuro da Terra, invasão alienígena) com o mito do Rei Artur, e a sua distribuição limitada permitiu a Barr explorar temas como romances homossexuais e transsexuais, relações inter-raciais e comparações entre o mito arturiano e cultura extra-europeia. Bolland teve vários atrasos e a mini-série de 12 números terminou apenas em 1985, mas esta história demonstrou a viabilidade de projectos fechados e de séries fora da continuidade e com um pouco mais de sofisticação.

Camelot 3000 também foi uma das primeiras séries da DC a ficar disponível como uma graphic novel em formato TPB, a partir de 1988. Nunca foi integrada na linha Vertigo, apesar de ter uma temática apropriada para o que a linha se tornou, mas não o que era no seu lançamento.





Em 1983, a revista ganhou companhia entre os títulos com temáticas adultas. Novembro viu o lançamento da série Thriller. Concebida como um título mensal, começou com argumento de Robert Loren Fleming e arte de Trevor Van Eeden e terminou no 12º número, na fase final já com argumento de Bill Dubay e arte de Alex Niño. A história era essencialmente de ficção científica, com um grupo paramilitar que se encarregava de derrotar ameaças terroristas e quase sobrenaturais. Nunca foi reimpresso e hoje é pouco conhecido, ao contrário da revista Ronin, lançada em Julho.





Com argumento e arte do mais conhecido Frank Miller, na altura um ídolo das multidões pelo seu trabalho nas histórias do herói Demolidor, da Marvel, Ronin devia ter sido lançada como parte da linha inicial da Epic Comics. No entanto, num almoço com a presidente da DC, Jenette Kahn, foi persuadido a mudar de camisola. Kahn prometeu-lhe a manutenção dos direitos de autor, se bem que na prática a DC controla a publicação de material da propriedade. Miller criou uma história sobre um samurai ressuscitado num futuro distópico nos Estados Unidos, para enfrentar o seu némesis, fazendo equipa com uma agente de segurança. Cada uma das seis partes da história tinha 48 páginas e Miller não se coibiu de copiar directamente painéis desenhados por Goseki Kojima na série japonesa Lone Wolf & Cub, da qual o autor americano era grande fã.




Um escritor britânico ainda pouco conhecido, chamado Alan Moore, foi encarregado de começar a escrever Saga of the Swamp Thing, a revista do Monstro do Pântano, e a primeira coisa que fez foi matar o personagem principal, no nº 20, publicado em Janeiro de 1984. Isto libertou Moore do personagem unidemensional e permitiu-lhe explorar elementos como a relação dos seres humanos com o planeta, sexo inter-espécies ou a Teoria de Gaia e também serviu para criar o tipo de ambiente que seria a componente central da Vertigo em 1993. Moore continuou a escrever o Monstro do Pântano até ao nº 64, em 1988. A nova direcção nunca foi um grande sucesso de vendas, mas foi bastante apreciada pela crítica e cimentou a popularidade de Moore junto de um público mais sofisticado.





Durante o período de 1984 a 1985, a DC também lançou mais alguns títulos noutros géneros, que estariam próximos da temática Vertigo. O primeiro foi Nathaniel Dusk, a história de um detective privado nos anos 30, durante a Grande Depressão, um tema supostamente gasto mesmo nos anos 80, mas soberbamente executado pela dupla Don McGregor/Gene Colan, que trabalharam juntos muitas vezes. A mini-série de quatro números em formato de luxo, lançada em Fevereiro, centrou-se essencialmente nas experiências individuais dos personagens e teve direito a uma sequela em Outubro de 1985. Ainda em 1985, em Setembro, a DC fez uma modificação total ao personagem western Jonah Hex, transformando o ex-soldado da Confederação num motoqueiro num mundo pós-apocalíptico do futuro. A revista, baptizada simplesmente Hex, durou 18 números, mas quando Jonah Hex voltou integrado na Vertigo, foi de volta ao seu ambiente normal.







A DC experimentou também com ficção científica mais clássica, com as mini-séries Spanner's Galaxy e Sun Devils. A primeira, lançada em seis números a partir de Dezembro de 1984, era uma space opera criada por Nick Cuti e Tom Mandrake, e a segunda, lançada em 1984 e durando doze números, era uma história de invasão alienígena feita por Gerry Conway e Dan Jurgens, passada num ambiente militar. Sun Devils não teve o selo da Comics Code Authority, o que a poderia tornar interessante para ser republicada na Vertigo.






Durante 1985, passaram ainda pelas bancas revistas do Deadman e do Dr. Fate, republicando histórias passadas. Ambos os personagens permaneceram paralelos à Vertigo, mas nunca foram formalmente absorvidos. A história do Manhunter de Archie Goodwin e de Walt Simonson, retirada das últimas páginas de Detective Comics, também foi republicada numa edição especial. Começando em 1984, a DC também editou uma antologia para novos talentos, New Talent Showcase, englobando vários temas, desde os super-heróis ao terror, passando pela fantasia e pela ficção científica, mas não deu origem a novos personagens e a revista foi sempre obscura.

Continua na próxima semana com o período referente a 1986 e 1987.










quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Super-Heróis DC Comics Vol.5: O Último a Rir



O Último a Rir
Este foi o livro que saiu a semana passada pela colecção “Super-Heróis Dc Comics” da Levoir.
Colecta duas das melhores histórias do universo Batman:
  • Piada Mortal (Killing Joke)
  • Joker
Tem a particularidade de para mim ser um 4 em 1! São quatro autores/desenhadores que eu aprecio muito, Alan Moore e Brian Bolland em Piada Mortal, e Brian Azzarello com Lee Bermejo em Joker.

Outra particularidade destas duas histórias, é o Joker ser o protagonista, sobretudo na segunda história, e não Batman.
Vamos por partes.

Piada Mortal
Um verdadeiro ensaio de loucura!
Esta obra dos finais dos anos 80 iniciou um estilo diferente a que alguém apelidou de grim and gritty. Histórias mais obscuras num ambiente mais realista, sempre presente um humor também ele negro.

Este estilo da época influenciou não só os Comics, mas também o cinema e criadores na sua generalidade.

“Um dia mau.” (One bad day)
Como é que apenas um mau dia na vida de alguém pode transformar a vida de tantos?
Esta é a premissa deste livro. Como levar alguém à loucura em apenas um dia?

É isto que o Joker quer provar a Batman… e para isso vai servir-se do Comissário Gordon e da sua filha Bárbara Gordon. De salientar que apesar de este título não pertencer à cronologia “normal” da DC Comics influenciou-a profundamente. Bárbara Gordon (Batgirl) fica paralítica numa cadeira de rodas e posteriormente vai transformar-se no Oráculo. Foi aqui que isto aconteceu!

O Joker quer provar a Batman que basta um mau dia para transformar uma pessoa incorruptível num louco. Para isso vai servir-se de Gordon e da sua filha.
A história inicia-se em Arkham onde Batman descobre que o Joker se tinha evadido deixando um “duplo” seu no asilo.

Mas o Joker não tinha perdido tempo para montar o cenário, e o cenário perfeito é mesmo uma feira de diversões abandonada.
Alan Moore escreve esta história irrepreensivelmente, mostrando “às pinguinhas” flashbacks da vida do Joker quando ainda era uma pessoa normal. No seu caso um cómico de quem ninguém se ria nos seus espectáculos, com uma mulher grávida, e sem dinheiro para assistir às necessidades dela. Acaba por aceitar fazer um trabalho numa fábrica para um gang. Depois de ter aceite recebe a notícia da morte da sua mulher devido a complicações de gravidez! Nesse momento já não quer fazer o trabalho para o gang, mas acaba por ser obrigado… corre mal, e acaba por cair num lago de resíduos químicos e transforma-se… foi aqui o seu primeiro contacto com Batman!
Este foi um dia mau para este homem, e que mudou a sua vida para sempre!

Agora quer provar ao morcego que basta mesmo isso! Para tal entra pela casa do Comissário Gordon dentro, dispara sobre Bárbara deixando-a paraplégica, rapta Gordon, despe a filha e tira-lhe fotografias.
Leva o comissário para o parque de diversões e submete-o a verdadeiras torturas psicológicas… ele quer quebrar fisicamente e psicologicamente Gordon! Mas Batman estraga tudo…

O final é sui generis… o Joker conta uma anedota a Batman. E riem-se os dois às gargalhadas!
Em que livro é vocês viram Batman rir-se às gargalhadas? Nunca! Alan Moore é especial, porque é. Consegue ser sempre original, mesmo que o conceito já esteja visto.

O trabalho de Bolland é maravilhoso. Quando li Camelot 3000 fiquei a adorar este desenhador, e aqui passou a ser um dos meus preferidos, mesmo!

Piada Mortal e Joker

Joker
Diferente e perturbante.
São duas palavras que me surgem logo quando penso nesta história de 2008.
Brian Azzarello tem aqui uma história a seu gosto! Se “Piada Mortal” o registo era negro, bem… aqui desce aos infernos!

Azzarello conta esta história através de um bandido de 2ª categoria. É Johnny Frost o narrador deste livro, ele gostaria de ser como o Joker… mas falta-lhe um bocadinho para isso. Frost vai receber à saída do Asilo Arkham o terrível Joker, estranhamente, alguém o considerou curado!

A partir daqui começa uma festa macabra. O Joker descobre que os seus “amigos” tinham dividido a “sua” cidade entre eles… mas ele quer a “sua” Gotham de volta. Para isso serve-se dos poucos que ainda lhe eram fieis e começa o massacre de inimigos e a chantagem aos que lhe ainda interessavam, como o Pinguim e o Duas-Caras. Tem um aliado poderoso, o Killer-Croc!

Este Joker não é engraçado, não há grandes piadas, mas compensa a falta disto com um sadismo que ultrapassa os limites, bem coadjuvado pela Harley Quinn nessa loucura completa. Batman, aparece apenas nas últimas páginas...
Azzarello fez o Joker mais sádico da BD! Esta é a minha opinião.

O que dizer de Bermejo… tornou o ambiente realisticamente sombrio. Sente-se nos seus desenhos realistas o stress da loucura do Joker. Consegue fazer emoções através dos seus desenhos, desenhando expressões finamente loucas!
A sua representação gráfica do Joker é a do filme The Dark Knight, protagonizado por Heath Ledger. Mas não é uma cópia! Este livro foi desenhado dois anos antes do filme, embora tenha saído quase na altura da estreia. Presume-se que Bermejo tenha enviado um concept do seu Joker, e que este foi aproveitado para a caracterização de Heath Ledger…

O Leituras de BD recomenda vivamente este livro. Não tem só uma história de excelência, tem duas!

Hardcover
Criado por: Alan Moore e Brian Bolland (Piada Mortal), Brian Azzarello e Lee Bermejo (Joker)
Editado em 2013 pela Levoir/Público
Nota: 11 em 10

domingo, 21 de julho de 2013

Bolland Strips!



De vez em quando deparo-me com pérolas destas.

Brian Bolland é dos meus desenhadores favoritos da actualidade. Conhecido pela maioria do público pelo seu trabalho em Judge Dredd na 2000AD, que o catapultou para o estrelato dos comics, e posteriormente por Camelot 3000 e Batman: Piada Mortal (a publicar na série Heróis DC Comics da Levoir); para além disso fez também capas fantásticas para a série Zatanna e Jack of Fables.


Este livro mostra um Bolland muito mais intimista e visceral. Ele é o autor do desenho, mas também dos textos. Aqui mostra uma faceta que eu lhe desconhecia, e que para o leitor apreciar na sua plenitude tem de ter uma cultura geral bastante decente. Não são “tiras” de humor cego, aliás, grande parte nem é de humor como se poderia pensar numa apreciação mais “light” deste livro.

Este livro tem a particularidade de apresentar "The Actress and the Bishop" na sua totalidade. Esta foi a primeira tentativa de Bolland escrever e desenhar Banda Desenhada, e surgiu em meados dos anos 80 a hipótese de publicar estes trabalhos na “A1” da Atomeka Press.
Esta série de páginas apresenta-nos um Bispo e uma Actriz. Ele é velho e ela nova. Dormem juntos. E adoro os pormenores da decoração… como uma Gioconda.

Mas não estejam já a pensar coisas! Bolland consegue uma enorme dicotomia com este par. Em tudo opostos, a mulher fatal e um velho baboso abstinente (pelo menos fisicamente) conseguem situações cómicas muito inteligentes. O Bispo no seu cérebro tem pensamentos libertinos que nunca passam para o plano físico (também é muito velhote, coitado), e a Actriz anda sempre com roupa a menos! Vivem na zona suburbana de Londres e está sempre presente a luta de “opostos”… castidade, controlo, tentação, sedução; tudo é posto em jogo aqui mostrando a fragilidade do ser humano.
Muito bom, e excelente arte! De notar o esforço na escrita… é que as falas estão todas feitas em quadras em que o 2º verso rima com o 4º. Fantástico!


Mr. Mamoulian… aqui tudo é diferente graficamente.
Muito mais cartoon que as páginas do Bispo e da Actriz, mas também muito mais profundo ao nível das ideias. A atmosfera é um pouco neurótica, o humor por vezes é negro.
A religião, política, sexo, repressão, problemas sociais, tudo é posto em jogo nestas páginas. E sim, é preciso trabalho do leitor para apreender muitas das situações expostas por Bolland. Olhei com desconfiança para as primeiras páginas, em que apenas as li raspando a superfície, e depois voltei atrás para ler tudo outra vez com atenção. Grande Bolland!
Mr. Mamoulian está quase todo compilado neste livro. Só uns trabalhos mais recentes não estão.

Depois Bolland faz-nos viajar por temas tão díspares como a "The Princess and The Frog", uma metáfora terrível e de um humor muito negro de que só nos apercebemos na história seguinte, uma prequela, "Prince and the Witch”.
Entramos também pela perversão mental de que só o ser humano é capaz em “Kapas” ou numa história de terror Bílblica, “A Miracle of Elisha”.

E está tudo dito.
Esperem!!!
Não está não. No final do livro temos uma galeria de arte de Bolland, magnífica!
Depois deste livro fiquei a conhecer muito melhor este autor, e a gostar ainda mais dele.
De notar que a arte presente neste livro foi feita por métodos convencionais, Bolland ainda não tinha passado para o registo digital aqui!


Boas leituras

Hardcover
Criado por: Brian Bolland
Editado em 2008 pela Knockabout Comics
Nota: 9,5 em 10

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