Paulo Costa dá nova contribuição ao Leituras de BD, desta vez uma série que saiu nas páginas da revista Warlord, e que teve alguns episódios em português!
Fiquem com as palavras de Paulo Costa:
Esquecidos no sótão: O Mundo Desolado
Gostava de vos poder mostrar uma boa edição encadernada para ler, mas não posso. Para lerem isto, ou perdem tempo à procura de várias edições de uma série menos conhecida da DC Comics dos anos 80, ou vão ter que fazer uso da capacidade da Internet em distribuir entretenimento sem autorização. É uma pena que a DC nunca tenha republicado isto, porque cabe tudo em menos de 250 páginas.
Nos anos 80, a DC ainda apostava em revistas com mais de uma história, às vezes de modo experimental. É o caso de “The Barren Earth”, uma tira curta editada na revista do Warlord entre 1982 e 1984, que chegou a ser publicada em português como “O Mundo Desolado”. A Editora Abril usava isto para encher a revista dos Novos Titãs (uma combinação estranha), mas como era material pré-Crise e a editora queria avançar com a cronologia, interromperam a história após o 15º capítulo. Pena que nunca pensaram em continuar a história no título Aventura & Ficção, mas nas primeiras edições deste título publicava-se exclusivamente material da Marvel.
“The Barren Earth” era uma tira de ficção científica pós-apocalíptica, criada pelo escritor Gary Cohn e pelo artista Ron Randall. Estreou-se no nº 63 da revista Warlord, substituindo “Arion, Lord of Atlantis”, que tinha sido promovido a uma série mensal, e teve um total de 23 capítulos publicados até ao nº 88 (saltou alguns números da revista, pelo caminho), antes de completar a história na mini-série em quatro números “Conqueror of the Barren Earth”. Tinham-se passado milénios
desde que a humanidade abandonou a Terra e estavam em guerra com uma raça alienígena chamada Qlov. Dois mil anos antes, alguns terrestres tinham voltado à Terra para estabelecer bases temporárias, mas entretanto essas bases degeneraram para sociedades quase medievais, com tecnologia limitada.
Quando uma nave de exploração regressou à Terra, encontrou um clima hostil (os oceanos desapareceram), animais e plantas estranhos e agressivos e tribos nómadas selvagens. Apenas uma jovem oficial chamada Jinal sobreviveu, acabando por unir várias facções distintas, ao mesmo tempo que descobriu uma cidade voadora de sacerdotes cientistas. Estes revelaram ter intenções piores do que as que demonstravam, obrigando Jinal a unir-se a um senhor da guerra para conquistar o planeta. A mini-série acabou com os amigos de Jinal a regressarem a Terra para a salvarem, mas não foram contadas mais histórias.
A arte é boa, a lembrar os artistas filipinos que trabalhavam na Espada Selvagem de Conan, enquanto a história é um pouco baseada em “Dune”, mas a boa mistura de acção com politiquices palacianas faz com que a história seja agradável e nos mantenha interessados em voltar para ver o capítulo seguinte. Jinal e o resto do elenco têm personalidades distintas e bem trabalhadas. Infelizmente, duvido que haja interesse em ressuscitar esta propriedade. Teve menos visibilidade que Arion, Kamandi ou Ametista, foi um mundo que ficou de fora da primeira Crise e nunca teve um crossover com os heróis do universo DC normal. E por esse mesmo motivo nunca deverá ter direito a ser coleccionada num único volume.
Texto: Paulo Costa
Ainda bem que o pessoal ainda não desistiu de colaborar com este blogue! Se quiserem ver as outras entradas do Paulo Costa neste blogue, basta clicar no nome dele!
...e tenho um enorme prazer nesta rubrica.
:)
Boas leituras