"Quinta-feira, dia 19, o Público dá-lhe a oportunidade de apreciar um dos livros, das edições ASA, mais esperados do ano –“QUATRO?”, do prestigiado argumentista e desenhador Enki Bilal.
Radicalmente intimista, longe da fúria de “O Sono do Monstro” e de
“32 de Dezembro”, como se tivesse de se livrar de uma memória demasiado pesada para manter o equilíbrio, sobreviver e gostar de si próprio, o ponto final desta história é voluntariamente de interrogação. Paradoxalmente, ao fim de uma viagem como esta (tetralogia iniciada em 1995), este ponto de interrogação trai o fundo de realismo que a forma barroca podia ocultar.
A tetralogia do Monstro é uma história a três vozes. As de Nike, Leyla e Amir, órfãos de Sarajevo, dispersos pelos quatro cantos do mundo. Antes de mais, trata-se de uma obra sobre a memória. Memória individual e colectiva, onde se misturam imagens escritas da desintegração da Jugoslávia – “local” de nascença de Enki Bilal (país tão depressa desmembrado como esquecido) – e imagens desenhadas, numa estonteante conjugação passado-presente-futuro. Memória prospectiva também, potencial, dos Balcãs e alargada ao resto do mundo. Este mundo, único local, é preciso dizê-lo, que nos resta.
Da tetralogia do Monstro fazem parte as seguintes obras:
Volume 1 – O Sono do Monstro
Volume 2 – 32 de Dezembro
Volume 3 – Encontro em Paris
Volume 4 – Quatro?
“Quatro?”, de Enki Bilal
Com o Público por 14€"
(retirado do "press release" da ASA)
A ASA pretende começar a completar colecções com este parceiro priveligiado, no que toca à distribuição. Se esta edição der frutos, muito provavelmente teremos mais edições do género noutras séries (o que era óptimo!). Não sei se foi referido, mas o quarto e último volume, "Quatro?", é em capa dura como os seus antecessores.
Para além da parceria com o jornal "O Público" a ASA vai editar a "solo" o "O Cachimbo de Marcos". Segue também parte do "press release":
"La Realidad é uma aldeia em pleno coração do zapatismo em Chiapas, um lugar onde convivem indígenas e europeus “solidários”.
Mas a realidade de La Realidad não é só isso. La Realidad é um jogo de espelhos no qual se vêem e ocultam militares, zapatistas, antiglobalizadores bem-intencionados, fãs do subcomandante Marcos e pequenos sonhadores com delírios de grandeza.
Quando Vasco chega ao povoado à procura do seu amigo Juan, encontra tudo isto e muito mais: uma visão em primeira mão do que resta da última revolução da história, uma visão romântica e também desmistificada, com a dose necessária de ironia e distância.
Com Vasco, a banda desenhada recupera a figura do aventureiro clássico, desencantado, digno herdeiro de Corto Maltese, que percorre a América Latina em busca de um amigo.
As viagens de Juan Sem Terra não podiam começar melhor…"
Boas leituras!