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terça-feira, 14 de abril de 2020

Página do Diário de uma Quarentena


O despertador toca como que por hábito porque agora não preciso de me despachar para nada. Mas eu deixo-me ficar - «o que é que vou fazer hoje?» penso ainda pouco desperta. E depois levanto-me quando as minhas gatas começam a saltar para cima da cama e para cima de mim. Uma delas senta-se confortavelmente sobre as minhas costas ou sobre a minha barriga e faz uns miadinhos fofos até me pôr da cama para fora.

Depois a rotina: casa de banho, ir para baixo, desligar o alarme, subir as persianas, abrir a porta do quintal para as gatas saírem – e entrar o amarelo, o comensal – tratar do pequeno almoço ouvindo as notícias «sempre a mesma coisa, que raiva!» Das duas, uma: ou barafusto com a televisão, ou converso com as gatas sobre o que gostam ou não gostam de comer.

Banho e tal… Escolher a roupa porque, tal como quando ia para a escola ou para a Associação Sénior, visto diariamente roupa diferente e «ton sur ton» para me sentir bem.

As manhãs são sombrias porque, se sair, é apenas até ali à pastelaria buscar pão e não é sempre. (Afugento, como posso, as lembranças de há um ano para trás de quando saíamos os dois no carro para irmos ao café e comprar o jornal e dar uma volta – agora não há mesmo volta a dar…)

Há a internet … ver as piadas da Cristina e do Luís Lobo e fazer as minhas próprias para animar as minhas facefriends…

«Ena pá!!! Já é uma hora! O que que vou almoçar?» Se houver alguma coisa feita, (umas vezes por outras, dá-me para fazer um guisado ou um assado e sobre sempre para o dia seguinte, o que é muito bom!) é só aquecer; mas se não há nada feito, grelha-se um bife ou uma costeleta e serve-se com uma laranja às rodelas e uma verdura cozida, ou assim…

E depois, vem a tarde! Longa, silenciosa, displicente… Uma voltinha pelo quintal, se não chove, uns telefonemas de circunstância e de cortesia … E agora? «Vou ler ou vou trabalhar para o computador – tenho tantas coisas para escrever!!!» O pior é que, se me ponho a ler, dá-me o sono e fico com dor de cabeça… Então talvez ir para o computador. Mas antes de me pôr a escrever – que implica consultas e leituras – vou (re)ver o que se passa no facebook… (Admirável e abençoado mundo novo!!!) Entretenho-me, demoro-me e, entretanto, há que ir lanchar (Comer é quase um vício… Hummmm, mas sabe bem… Mas depois do lanche e até à noite ainda tenho muito tempo para trabalhar!)

Se escrevo meia página ou se termino uma tarefa das que fazem parte da lista de coisas para fazer, fico contente comigo própria. Mas também são muitas as vezes que, aí pelas cinco da tarde, já me apetecia acabar o dia e oralizo, por vezes, vocifero: «Que dia tão grande!...»

O jantar é frugal e rápido, mas ainda dá para responder (quase sempre torto…) aos «noticiadeiros» que, com mais ou menos entoação, com mais ou menos piscar de olho e posição corporal de ataque, repetem as entrevistas canhestras e cinzentas feitas pelos estagiários e tecem comentários quase sempre de demérito ao que os governantes têm feito ou dito.

Por fim, vem a parte menos angustiante do dia: o momento de sentar frente à televisão, com a mantinha elétrica sobre as pernas e as gatas enroscadas, uma de cada lado, e partir para as séries da 2 ou da netflix… (Admirável mundo novo!)

Mesmo no fim de tudo, cama ! E ler, ler, ler até que o livro me caia em cima da cara…




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Em modo de metáfora


Não se pergunta a quem não conseguiu aprender a ler «vês como falta faz saber ler?»

Já lhe chega sabê-lo, senti-lo. Não precisa da humilhação.




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Desculpem qualquer coisinha...

Falhas de textos meus, falhas de publicações diárias, falhas – e grandes – de visitas aos blogs amigos e de comentários às respetivas publicações, falhas de atenção…

… que me desculpem todos. 

Desde o passado dia 28 em que o meu companheiro de uma vida foi longa e delicadamente intervencionado, parece que não consigo concentrar-me nas rotinas habituais, parece que tudo está diferente… entontecida me sinto.

Além de que, regressado a casa passados dez dias, os cuidados necessários são os exigidos por um cálice de cristal, deixando-me pouco tempo e pouca energia para estoutras atividades.

… que me desculpem todos.


E, se por ventura, teimo em vir aqui, é talvez mais por vício, talvez porque em tempos li no blog do Carlos Oliveira um slogan engraçado de mais que aconselhava: «Este verão não abandone o seu blog!».





quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Dia de enorme pressão

A informação era de que se tratava de uma intervenção delicada e demorada. Marcada para logo de manhã.

O telefone retinia de chamadas e mensagens a querer saber, a desejar tudo a correr bem, se precisares de alguma coisa, é só dizeres… Só simpatias, só sinais de amizade, de grande amizade.

O médico há de dizer-te alguma coisa – avisou-me ele.  Mas a tarde alongou-se sem que tivesse concentração para me ocupar com coisa alguma. O telefone tocava «então já se sabe alguma coisa?»

 Às cinco da tarde, «vamos contactar o hospital», mas que não, que ainda estava no bloco. Nem a garrafa de gás butano conseguimos que se ligasse ao aquecedor daquela divisão. (Será que as coisas inanimadas absorvem a nossa inquietação? Lembrei o dia da primeira eleição de Soares para Presidente contra Freitas do Amaral que tinha a vitória como certa – para grande raiva minha – e tudo correu mal nesta casa, até a máquina de lavar roupa recusou trabalhar – e sem avaria!)

Lá para as seis e meia, «já saiu do bloco, mas ainda não subiu. Vou ligar ao recobro.» «Não, esses casos vão para a medicina intensiva. Vou ligar.» Obrigada, obrigada, obrigada a todas tão amáveis, com vozes tão frescas apesar do trabalho pesado que têm sobre si…

«Sim, ele está cá. Mora cá em Leiria? Estou a perguntar porque a visita é só das sete às sete e meia.»

Que sim, que podia ir mesmo que chegasse um pouco atrasada… Obrigada, outra vez.

Lá estava ele, o meu companheiro de vida em todas as horas boas e más, ligado a não sei quantas máquinas num espaço amplo, daqueles que fazem lembrar os filmes, com mais três ou quatro outros vigiados por médicos e enfermeiras. Sereno, profundamente adormecido, entubado. Esquecido da vida.

Foram seis horas de operação. Correu como se previa, sem surpresas. O resto, logo se vê. Disse o médico.

Depois foi informar os amigos de volta, enviar mensagens, receber mais telefonemas. Ouvir mais palavras de conforto.

Estou muito cansada. A pressão foi muita. Que notícias teremos amanhã? Trata-se de um órgão muito delicado.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

... na vida tudo passa...

Ontem, depois de um jantar de amigos, de onde saí algo acabrunhada - culpa minha por certo - lembrei uma canção dos inícios de 60, uma das minhas canções, cuja letra (e toada) nunca pude esquecer por tão verdadeira. De facto, "na vida tudo passa"....


domingo, 20 de agosto de 2017

Ciúmes? Não, obrigada.

«O ciúme é muitas vezes uma inquieta necessidade de tirania aplicada às coisas do amor.»

Marcel Proust


«O ciúme tem as suas raízes mais no egoísmo do que no amor.»

Henry Longfellow


Das coisas que mais podem atormentar uma mãe é sentir desentendimentos entre os filhos por causa de ciúmes infundados! (digo eu) É uma aperto no peito, um desconsolo, uma enorme contrariedade. (digo eu)


«A culpa é dos ciúmes, das brigas, das desconfianças, das mentiras e da falta. O amor não tem culpa.»

Pequena Sereia




terça-feira, 19 de abril de 2016