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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ai estes nossos magistrados!


Que muitos dos juízes e dos magistrados da nossa praça têm um enorme défice de competência e de formação pessoal não é novidade para ninguém!

Têm dado provas disso às dezenas: no que toca aos políticos então têm sido de uma parcialidade discricionária assustadora e quanto ao binómio homem – mulher, isso então nem é bom pensar! Basta referirmos o hediondo caso do juiz Neto de Moura…

Muito por isso, vamos em início de fevereiro e já foram dez – DEZ – as mulheres assassinadas pelos companheiros ou ex-companheiros.

Este caso do homem do Seixal que assassinou a sogra e a filhita de dois anos é mais um e dos mais horrendos!

Mais doloroso é sabermos que a ex-companheira apresentara queixa na Polícia que, depois de ter feito a sua investigação, se pronunciou como sendo um caso muito grave e deu estatuto de vítima à mulher e à menina.  Só que,  quando o processo chega ao Ministério Público, não sei que magistrado, formado não sei em que escolas e em que família, considerou o caso pouco grave a acabou por arquivá-lo!

Os agressores que perpetram os crimes não deveriam sequer ser considerados pessoas já que carregam toda a espécie de falhas e frustrações psíquicas, comportamentais, sociais e sei lá que mais e, se se deixarem viver, são – ou deveriam ser – judicialmente punidos. Mas estes senhores magistrados não deveriam ser seriamente responsabilizados por, por inépcia ou desmazelo ou seja lá por que for, permitirem que estes crimes aconteçam?!

Vi hoje num telejornal que o MP, no ano de 2018, arquivou 21 mil queixas de violência doméstica!

Assim, bem podemos contar com muitos mais assassinatos de mulheres…




quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Impunidade!

Foi logo ao pequeno almoço. A televisão estava a transmitir a notícia da mulher que foi morta à paulada pelo marido.  (mais uma, pois então!)

Há pouco mais de um mês a vítima dirigiu-se ao Ministério Público para apresentar queixa por violência doméstica contra o marido que a espancara e ameaçara matá-la. O Ministério dito Público nada mais fez senão chamar a senhora para ela explicar por três vezes o que queria e sem lhe atribuir o estatuto de vítima. (Se calhar tinha o 5º ano do liceu e por isso tinha mentalidade e conhecimento para se proteger…) Hoje, passados 37 dias sobre a queixa, a mulher foi espancada até à morte. Mais uma!

Sinto-me furiosa. Sinto-me fragilizada. Não temos ninguém que nos proteja! De nada! Mulheres, homens, crianças. Estamos completamente entregues a nós próprios num país implantado no dito primeiro mundo! Instituições não faltam! Cheias de senhoras doutoras e de senhores doutores a ocuparem cargos com nomes por de mais compridos e enviesados para serem designados aqui, agora. Todos sentadinhos às suas secretárias, escondidos por detrás dos seus computadores a fingirem-se muito ocupados, dentro dos seus fatinhos e gravata a condizer ou das suas lindas blusas de seda. Com os ares impantes de quem domina tudo e sabe de tudo. (mas pouco ou nada faz).

Diz o sítio do Ministério dito Público que «O Ministério Público é uma instituição que tem por finalidade garantir o direito à igualdade e a igualdade perante o Direito, bem como o rigoroso cumprimento das leis à luz dos princípios democráticos. A Constituição da República Portuguesa e a lei atribuem ao Ministério Público muitas funções. Por exemplo, exercer a acção penal, dirigir a investigação criminal, participar na execução da política criminal, representar o Estado, defender a legalidade democrática, defender os direitos e interesses das crianças e jovens, exercer o patrocínio oficioso dos trabalhadores e suas famílias na defesa dos seus direitos de carácter social, defender os interesses colectivos e difusos, defender a independência dos tribunais e velar para que a função jurisdicional se exerça em conformidade com a Constituição e as leis. »

Tem-se visto! Palavreado. Nisso é que nós somos bons. No palavreado.

É o MP e é o Tribunal de Menores e são as CPCJ e mais outras quejandas. Cheias de gente com uma capa de impunidade que até assusta. Quando os tristes acontecimentos, os dislates lhes caem em cima, “sacodem a aguazinha dos capotes” Burberries, desculpam-se com o excesso de trabalho e com a falta de pessoal e depois fica tudo bem: nada lhes acontece!

Gentes, podeis continuar a bater a e matar as vossas ex! (o oposto talvez não!) Podem continuar a violar as crianças e a sujeitá-las a toda a espécie de violência bárbara e até a retirá-las aos pais para adoções rendosas que nada de mal vos há de acontecer porque as instituições são lentas, incompetentes e ineficazes.


Impunidade! Impunidade! É a característica mais aberrante, mais abjeta, mais ignóbil e mais difundida neste país. Estou furiosa!




domingo, 17 de dezembro de 2017

Violência contra as mulheres? Culpa delas!

«Ele avança a morder-se o lábio, e da estalada ela esquiva-se, sentiu de que lado vinha, outra vez o jogo que sabemos como se joga, mas com a outra mão ele agarra-lhe o cabelo, e como vem quase a correr, consegue desequilibra-la, a puxá-la pela nuca, para o lado e para baixo e depois para o lado outra vez, e é incrível a rapidez de um corpo enlouquecido a atacar e a de um corpo aterrorizado a defender, ambos capazes de tudo, e com isto estão na cozinha

- Como é que vai ser então, como é que vai ser minha puta

Ela procura tapar a cara com as mãos, está com as mãos na cara desde o início, porque conhece o jogo, porque não quer ver, nem é tanto pela sova que vem aí outra vez, tapa os olhos e quase tenta cantar baixinho, tapa os olhos porque não quer ver a sua vida outra vez outra vez outra vez.

Mas só consegue proteger a cara com as mãos nas primeiras três pancadas contra o frigorífico.

Depois as mãos soltam-se, devagar, na ponta dos braços caídos ao longo do tronco, porque a quinta e a sexta vez que lhe atira a têmpora contra o frigorífico ela já não está bem ali.

E não disse nada, não vai dizer nada, sabe muito bem a táctica do jogo, mas é dentro de casa, porque ele vem a arrastá-la pelos cabelos da nuca para fora da porta, para as escadas do prédio, pelos degraus abaixo»

(«O Pianista de Hotel»; Rodrigo Guedes de Carvalho; D. Quixote; Lisboa; 2017, pp 97-98)

Este é um breve trecho de um romance (que ando a ler, se bem que sem grande entusiasmo porque, a páginas cento e tal, ainda não encontrei o fio condutor) mas podia muito bem tratar-se do testemunho de uma qualquer mulher deste nosso encantador país.

Mas – e aqui devo escrever um MAS com letras bem grandes – MAS teria de tratar-se de uma mulher sem instrução, provinciana, das berças, com a educação do tempo das nossas bisavós, ou burrinha de todo, demente talvez.

Não, meus caros amigos, não estou a ironizar e muito menos a duvidar dos muitos testemunhos das muitas mulheres que são agredidas e violentadas e até mortas pelos homens! Estou tão-somente a ir ao encontro da leitura que os juízes e JUÍZAS da “nossa” praça fazem dos casos que se lhes apresentam.

Que saibamos, já são dois os casos em que o homem agressor é ilibado de culpas pela “justiça” dado as respetivas mulheres serem consideradas “modernas, esclarecidas, destemidas e independentes pelo que têm a obrigação de se protegerem e aos respetivos filhos”. Palavras de juíz(a)! Isto sem esquecer o anterior caso do inexorável juiz Neto de Moura & Cª.


Ora nesta ordem de ideias, meus caros amigos homens, ficam – aqueles que assim o entenderem e que tenham mulheres modernas, destemidas e independentes – livres e à vontade para lhes carregar sempre que vos apetecer, mordê-las, cuspir-lhes, atirá-las ao chão ou pela janela fora, parti-las, matá-las e aos filhos! A responsabilidade não vos vai ser atribuída! Elas é que – algumas bêbadas, outras umas desarrumadas, outras umas devassas, umas putas – logo após a primeira bofetada, têm a obrigação de sair de casa, nem que seja para debaixo da ponte, para se porem a salvo da vossa abençoada força de macho latino protegido pela lei da Bíblia e da Justiça portuguesa!




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Para que nunca nos esqueçamos

O dia 11 de Setembro lembrado pelos piores motivos. A queda do democrata chileno Allende substituído pelo ditador Pinochet (1973) e a queda das Torres Gémeas em Nova Iorque (2001).



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Poema da Morte na Estrada

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.

A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.

Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.

Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.

Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.

Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.

António Gedeão, in 'Linhas de Força'




domingo, 4 de junho de 2017

Porque foi sábado

Ontem tive vontade de deixar aqui parte do extraordinário poema de Vinícius – escrito antes de eu nascer, imagine-se! – «O Dia da Criação», o sexto, exatamente porque era sábado e porque diz tanto da nossa natureza humana que tantas vezes tão pouco – ou nada – tem de humano.

Depois dos tremendos atos de violência que se viveram esta semana em Cabul e se têm vivido ultimamente por esse mundo fora, dá vontade de lamentar, como o poeta tão bem faz, o sexto dia da criação – aquele em que o Senhor criou homem.

Parecia eu que estava a adivinhar que mais um “major incident” haveria de estar para acontecer. Uma vez mais em Inglaterra. Dói-nos mais quando se passa aqui perto em locais que nos habituámos a amar como se fossem nossos. E a mim parece-me que a França e a Inglaterra têm sido por de mais massacradas.

E porque ontem foi mais um sábado desses violentos e violentados e eu falhei com o poema, deixo-o aqui hoje … porque ontem foi sábado.

(…)

«Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, frequentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.»

Vinícius de Morais, 1946
(para ler o poema completo, clique aqui)


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Para que não nos esqueçamos

Faz hoje 70 anos que nasceu a Polícia Internacional e de Defesa do Estado. A 22 de Outubro de 1945 o Decreto-Lei n.º 35 046 dava "corpo" à PIDE, que foi braço direito do regime. 


Em 1969, passou a ter o nome de Direção-Geral de Segurança, continuando a ser conhecida por PIDE/DGS. Segurança não das pessoas, mas do regime e, para isso, escutava, prendia sem julgamento, torturava, exilava e matava - não esquecer o assassínio do General Humberto Delgado em 13 de Fevereiro de 1965.





(daqui)

quinta-feira, 12 de março de 2015

O seu marido bate-lhe?


Muito atual este anúncio - infelizmente!!

Não haveria Favacau d'A Mariazinha que chegasse para tantas mulheres violentadas e assassinadas como as de que há notícia nos últimos anos no nosso país!





domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher

Diz que é hoje.

Enquanto isso:

  • "Uma mulher saudita que tinha sido vítima de estupro foi condenada a 200 chicotadas e seis meses de prisão após ser declarada como culpada de falar com a imprensa sobre o crime e indecência"

-"A Saudi woman who had fallen victim to a violent gang-rape has been sentenced to 200 lashes and six months in jail after being found guilty of speaking to the media about the crime and indecency.

The Shia woman, 19 years old back in 2006, was in the car of a student friend when two men got into the vehicle and drove them to a secluded area, where she was raped by seven men, the Middle East Monitor reported on Friday."



  • O chamado Estado Islâmico - ao qual as mentes brilhantes Bush, Blair, Aznar e Barrosão abriram as portas alegremente - destrói, mata, estupra, e vende escravas sexuais a vários preços.





E, por cá,

 - 40 mulheres portuguesas morreram em 2014 devido à violência doméstica. 

 - Para além das 40 vítimas mortais, a UMAR sinalizou ainda 46 tentativas de homicídio contra mulheres perpetradas por ex-companheiros e familiares próximos.

- Desde janeiro, 33 mulheres foram assassinadas pelos maridos, namorados ou companheiros, a maioria delas num contexto de violência doméstica.  http://apav.pt/


- Hoje, mais uma mulher foi assassinada pelo companheiro que depois se suicidou. Foi em Coimbra.


E depois ainda me vêm com a falácia do «feliz dia da mulher»?! Poupem-nos de tanta hipocrisia (para não falar do consumismo...)


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Terrorismo

O terrorismo chegou a Portugal e não pela mão dos jihadistas. Veio mesmo pela mão deste "governo", mais concretamente pela mão do ministro da Saúde: que se saiba já morreram cinco pessoas do grupo da chamada peste grisalha nas urgências dos hospitais antes de terem tido a possibilidade de serem vistos por um médico.


Sabemos que este é o "governo" que prometeu desde o início «fazer mais com menos» e tem-se visto os resultados a todos os níveis, nomeadamente no campo da Educação e da Saúde. 

O número de óbitos nos últimos dias aumentou desmesuradamente (cerca de 1200 entre 1 e 3 de Janeiro e 2268 na segunda semana do mês) pelo frio que se tem feito sentir e pela falta de condições económicas de grande parte dos idosos para se protegerem das condições climatéricas.

Mas ainda há mais: grande parte dos doentes infetados com hepatite C não tem acesso a um tratamento inovador porque os hospitais não têm dinheiro para comprar o respetivo medicamento.

Apetece, a propósito, deixar aqui a imagem também algo terrorista  que um meu facefriend pôs no seu mural.




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Preconceito

A apresentadora de televisão Bárbara Guimarães vai ser julgada pelo crime de violência doméstica. Não por ter agredido ou violentado fisicamente o ex-marido, o professor e filósofo Manuel Maria Carrilho – que nesse campo é ele que é conhecido dizem que já do tempo da primeira mulher – mas antes por lhe ter infligido maus-tratos psicológicos. É que a apresentadora (se calhar sem motivos de força e apenas por maldade, sei lá…) aproveitou uma saída do país do ex e mudou a fechadura de casa e empacotou os livros do professor em caixas certamente para lhos mandar entregar.

Não me interessa aqui tomar defesa nem ataque por nenhum dos mediáticos elementos do casal porque nenhum deles me é próximo nem conheço minimamente os motivos que levaram ao seu desenlace. Trago aqui o caso apenas pelo caricato da “nossa” Justiça. Afirma então o Tribunal de Instrução Criminal que o comportamento da apresentadora “consubstancia actos de grande violência psicológica, o que terá provocado” no ex-marido “danos na sua saúde psíquica e física, “apresentando [ele] um quadro de depressão”, como referiu um psiquiatra ouvido em sede de instrução. O documento refere ainda “as condutas da arguida visavam atingir a dignidade do assistente, humilhando-o, o que configura maus-tratos psicológicos, emocionais e sociais que ofenderam a dignidade pessoal e a integridade psíquica e física do assistente”.

Carrilho terá alegado que se sentiu “profundamente perturbado, ansioso, esgotado emocionalmente, tendo, por via da somatização da situação de extremo sofrimento psicológico a que foi sujeito, apresentado queixas como privação do sono durante várias noites seguidas e perda de peso até aos 56,5 Kg que exigiram acompanhamento e tratamento médico.”

Coitado! E o Tribunal aceitou de imediato as queixas do marido deprimido, maltratado e magro e tratou de acusar a mulher e levá-la a julgamento pelos motivos psicossomáticos que o pobre homem sofreu!

Quantas e quantas mulheres, para além de levarem tareias de morte e de serem vítimas de todas as ofensas, humilhações, e maus-tratos psicológicos por parte dos maridos, sofreram e sofrem de depressões, de efeitos psicossomáticos e ficaram com muito menos do que 50 quilos sem que os tribunais façam alguma coisa por elas?

E aquele caso tão falado do juiz que cortou uma indemnização a uma mulher que há anos ficou estropiada por uma operação que correu mal e que, por ter já 50 anos, o sexo já não lhe fazia falta? Ah, se fosse um homem, que diferente seria a decisão judicial!

Infelizmente e para mal de todos nós, os “nossos” juízes têm dado provas de andar um pouco descontrolados (manietados?) nas suas acusações, nas suas decisões, nas suas sentenças. Podem, de facto, ser muito conhecedores das leis que aprendem na Faculdade e no CEJ, mas têm mostrado que lhes faltam muitos conhecimentos e práticas no âmbito do Desenvolvimento Pessoal e Social e da Educação para a Cidadania – é que as aulas de catequese não chegam!

Veja-se, a título de exemplo, a atitude de subserviência deste juiz-desembargador a agradecer à ministra tê-lo escolhido para director do SEF… 



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Méfie-toi, Europe!

Em jeito de homenagem aos infelizes que tombaram ontem inocentemente às mãos de uns fundamentalistas loucos em Paris, mas também aos muitos outros que caíram sob as Torres Gémeas, aos que morreram em Atocha, Madrid, em Londres, em Boston e em outros muitos locais também vítimas de outros tantos elementos do Islão.

Não nos deixemos porém embalar pelas homenagens, pelas vigílias, pelas manifestações folclóricas,pelos simbólicos desenhos e frases pacifistas.

Há que fazer muito mais a todos os níveis da sociedade para travar os fundamentalismos e as minorias - a começar pelo retomar seriamente os verdadeiros valores da democracia, virando de vez as costas ao liberalismo puramente económico.




terça-feira, 29 de julho de 2014

Semelhanças e diferenças

Quando faz cem anos que oficialmente começou a I Guerra Mundial, a chamada Grande Guerra, deixo aqui dois desenhos que mostram bem as lutas que se começavam a desenhar na Europa do início do século passado. 

De notar as semelhanças e as diferenças.

1 de Fevereiro de 1908

28 de Junho de 1914

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Chocante!


Não é difícil encontrarmos notícias chocantes nos jornais da atualidade porque, de facto, vivemos num mundo cão dominado pela violência e pela força do dinheiro.

Chocante a nível internacional é o caso das raparigas nigerianas raptadas da escola por um bando de loucos extremistas e fundamentalistas que se dizem islamitas. E a comunidade internacional, o que faz? Manifestações com cartazes apelativos que, de alguma forma, apenas ajudam a descansar as suas mentes solidárias. Sei que países ditos civilizados enviaram equipas de peritos para tentarem encontrar as infelizes jovens e também sei que Portugal não quis participar na pseudo-ajuda ou tão pouco tomar partido para não suscetibilizar a Guiné Equatorial ou não sei que outro país que, por dinheiro, queira integrar a CPLP…

Chocante, de facto, a vida de miséria e opressão a que as mulheres islamitas são sujeitas! Chocante e revoltante.

Mas choque e revolta foi que senti quando, num dia destes li no jornal que, aqui neste nosso país à beira-mar plantado, os suspeitos de violência doméstica podem agora pagar uma multa e assim evitar ir a julgamento, mantendo o seu cadastro limpo. O que é isto? Uma forma de encher os cofres do estado e de ajudar a desentupir os tribunais?

Dá-se uma coça ou ameaça-se a mulher de morte, paga-se a multa e pronto, fica tudo bem como se nada tivesse acontecido? Ah! Mas o agressor não pode voltar a exercer violência, senão… Pois. E se da segunda vez lhe der para matar a mulher? Dá-se-lhe uma segunda oportunidade e paga mais uma multa? E se da violência doméstica se passar a funcionar assim com a violência nas ruas, ou com os assaltos a casas, ou com outra qualquer forma de agressão?

Poderão dizer-me: «ah, isso não pode acontecer!» E eu digo: «não sei, não!»


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Chocante!

Confesso (com algum pudor embora) a minha ignorância, mas nunca tinha ouvido falar na terrível realidade descrita hoje no jornal pela jornalista brasileira Daniela Arbex, que passou para livro a história, a horrível lembrança, para que conste e para memória futura, do que foi viver (e morrer) no hospital psiquiátrico Colónia, na cidade de Barbacena em Minas Gerais, Brasil ao longo de 50 anos.

O livro tem o nome de “HolocaustoBrasileiro” e foi escrito a partir do testemunho dos poucos sobreviventes daquele autêntico campo de concentração.




O dito hospital psiquiátrico foi inaugurado no início do século XX e, até aos anos trinta, terá funcionado normalmente. Com o advento da ditadura e com a sobrelotação que passou a ter, porém, aquele espaço tornou-se num verdadeiro depósito dos indesejáveis. Apenas 30% dos doentes teriam problemas psiquiátricos, os restantes, os indesejáveis, chegavam a Barbacena no “trem do doido” sem diagnóstico e eram «meninas violadas, grávidas dos patrões, mulheres que os maridos já não queriam para ficarem com as amantes, alguém simplesmente tímido», qualquer pessoa que tivesse um comportamento social não aceitável.
Essas pessoas passavam a viver uma vida degradante: «as camas foram substituídas por uma espécie de palha para criar mais espaço», andavam nus porque não havia roupa suficiente, «a comida era escassa e as condições de higiene inexistentes». Homens, mulheres e crianças eram torturados com choques eléctricos pelos guardas que era a forma que eles encontravam para os conter.





Estima-se que tivessem morrido à volta de 60 mil pessoas em 50 anos de violência vivida no Colónia. Um verdadeiro holocausto que apenas acabou nos anos 80, quando a ditadura terminou no Brasil.





Verdadeiramente chocante o que a natureza humana consegue fazer aos seus iguais!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Consternação

Grande consternação, uma indizível revolta, uma imensa dor foi o que senti ao ouvir, logo de manhã – e assim continuei ao longo do dia – as notícias que referiam que seria perto de um milhão o número de crianças sírias que já atravessaram sozinhas a fronteira do seu país (75% das quais com idades inferiores aos onze anos) refugiando-se noutros países, enquanto outros dois milhões permanecem deslocados dentro do seu país.

É de ficar em lágrimas só de supor o sofrimento atroz destas crianças que perderam o seu abrigo, os pais, os familiares, todo e qualquer tipo de bem-estar, de conforto físico, social, psicológico, passando toda a espécie de privações.

Ato contínuo vêm-nos à mente os nossos do coração e imaginá-los em situação idêntica e parte-se-nos o coração!

Foi citado António Guterres – o alto-comissário da ONU para os refugiados – que terá manifestado a sua preocupação com o facto, tendo mesmo afirmado que é uma enorme vergonha, um enorme fracasso do mundo ocidental.

E eu que sempre considerei António Guterres um homem de bem, de uma imensa sensibilidade (e inteligência) e detentor de muitos dos valores cristãos, fiquei a pensar quanto sofrimento deve ele próprio guardar no coração face à impossibilidade de dar uma resposta, pelo menos, razoável a mais esta brutal calamidade.






quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um monumento especial

No Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios, deixo aqui o registo de esta Igreja e do sítio de Oradour-sur-Gane que, no dia 10 de Junho de 1944, foi palco de um dos muitos crimes hediondos perpetrados pelos soldados nazis contra civis.

Entre as duas e as seis da tarde, uma companhia de soldados alemães entrou na aldeia, reuniu os homens (190) no largo da feira assassinado-os sem motivo. Entretanto, as mulheres e as crianças foram enviadas para a  Igreja tendo, de seguida, tido igual destino.














Nesta Igreja foram chacinadas e queimadas 245 mulheres e 207 crianças. Apenas uma mulher, a Srª Rouffanche, conseguiu escapar atirando-se por uma janela por de trás do altar. Todos os seus filhos bem como o marido morreram às mãos dos soldados nazis.




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Brutal II



  (texto com bolinha vermelha)                                                              


Carta aberta ao governo, ao presidente da República, ao FMI, à troika, e a quem mais possa convir.


Perante a repetição até à exaustão pelos órgãos de comunicação social – certamente para inculcação dos mesmos – dos cortes, ou melhor, a contribuição extraordinária de solidariedade (vejam só a hipocrisia desta gente ao utilizar a palavra solidariedade!) a efetuar já a partir deste mês nas pensões «mais elevadas» dos reformados – e por «mais elevadas» entenda-se acima dos 1350 euros que já pode ser considerado uma fortuna! – fica-se com a sensação, senão mesmo com a certeza de que este governo do nosso descontentamento elegeu os reformados e pensionistas como o seu primeiro alvo a abater. 

Face a esta realidade perpetrada por estes governantes que em tudo patenteiam a maior falta de consideração e de apreço pelos mais velhos de nós já que, além de lhes cortarem nos proventos a que têm direito porque para isso trabalharam uma vida, lhes retiram ou dificultam o acesso à saúde, aos transportes, à cultura, ao lazer, à paz de espírito, daqui exorto todos e cada um deles a deixar-se de pieguices e de hipocrisias e a assumir a sua franca aversão por esta fatia da população que já nem para emigrar presta, e a, muito objetivamente, baixarem uma norma corajosa – como as do tempo do seu mentor alemão dos tempos de 39-45 – e criem uns fornos crematórios ou umas paredes de fuzilamento para os velhos deste país de, digamos, mais de setenta anos (ou menos, sei lá!) que, conforme tem sido deixado claro, sobrecarregam o orçamento impedindo que haja fundos para pagar a dívida soberana e outras coisas igualmente importantes como o refinanciamento dos bancos dos amigos em dificuldades!

Espero apenas que a referida norma contemple todos em geral independentemente da sua cor, raça, sexo, religião e, claro está, cartão de partido!