O “papagaio de serviço” que faz os comentários que muito bem entende aos domingos na TVI, lá veio ontem, uma vez mais, perante o ar absolutamente enfeitiçado (ou apalermado se preferirem) do gaseado apresentador do Telejornal, pôr água na fervura do vergonhoso caso das contas da Madeira, dando a entender que não foi nada de mais, que o anterior governo... que o Tribunal de Contas... que o Banco de Portugal... que... que... E lá acabou por concluir brilhantemente que o senhor em causa não pode ser deixado cair pelo partido em que milita (só podia ser aquele, pois nenhum outro o suportava!) porque ganha eleições. José Sócrates foi eleito há dois anos e já lá não está. Mas o Alberto João Jardim ganha eleições!
É inacreditável, não é? (Esqueceu-se foi de dizer que o primeiro foi apeado pelo senhor presidente da República logo no seu famigerado discurso de tomada de posse; enquanto o segundo, não obstante o ter achincalhado publicamente por mais de uma vez, continua a ser alvo de palavrinhas mansas e de comentários de circunstância.)
Porém, pior do que as carradas de demagogia avulsa do dr. Marcelo, pior que os sorrisinhos matreiros e dos silêncio estudados, pior que os convenientes pigarreios e aclarar da garganta que usa não inocentemente, pior que aquela (parola) daquela professora que entrevistou antes dos comentários e da apresentação dos novos livros que disse tanto disparate pela boca fora que até senti vergonha de ter sido professora toda a vida, pior, pior, pior... é o facto de as doutas opiniões do dr. Marcelo – qual divina encarnação do Oráculo de Delfos – serem referidas pelos jornais e repetidas nos telejornais das 2ªs feiras.
Não se pode! Marcados indelevelmente pelos 300 anos de Inquisição e pelos 48 anos de ditadura moralista a que nos ativemos como bons alunos, continuamos – não obstante termos votado até junho último maioritariamente à esquerda – a ser um povo de direita. Castrado, condicionado, subserviente, atendente à “sábia” palavra do “mestre” – de um mestre qualquer que queira e saiba meter-nos a areia para os olhos.
Intolerável. Verdadeiramente intolerável!
Mas é disto que o pessoal gosta...