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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O despudor

Isto é assim há muitos anos cá em casa, pelo menos desde que as filhas deixaram de ser crianças: ir acompanhando o telejornal à hora do jantar.

Pois hoje não aguentei e desliguei! É que os três canais que transmitem o telejornal das oito estavam a passar a mesma mentira, a mesma trapaça ao mesmo tempo: que a taxa do desemprego continua a descer pelo quarto trimestre seguido! E iam comentando e mostrando gráficos que provavam como estamos cada vez melhor e que a economia está a dar sinais de… sei lá de quê!

Esta é das mentiras que este “governo” põe a girar que mais me enoja, que mais me irrita! O emprego não aumenta mas o desemprego desce. Meio país está sem trabalho e sem conseguir trabalho, mas o desemprego baixa. Ah, é verdade! Muitas pessoas vão trabalhar para outros países onde ganham rios de dinheiro, o que também ajuda a baixar a taxa do desemprego.

Mas o que estes falaciosos do “governo” pela boca, ou melhor, pelo silêncio dos jornalistas e dos comentadores das televisões calam, é o número imenso e todos os dias crescente de pessoas que deixam de ter direito ao subsídio de desemprego, passando à categoria de indigentes, que vai ajudando em larga medida a fazer baixar a percentagem do desemprego. Só que na comunicação social estes que passam à classe de pessoas sem direitos são mencionados como “pessoas que deixaram de procurar emprego”. Como se o fizessem por sua própria vontade e iniciativa!

O cinismo e o despudor com que estes fulanos enganam o povo são verdadeiramente nojentos. E o pior é que o povo está desertinho por votar a ser enganado!




terça-feira, 29 de maio de 2012

Crianças em situação de pobreza

Um relatório da UNICEF sobre pobreza infantil em países industrializados que analisou 34 países, 29 dos quais são europeus, põe Portugal no 25º lugar, à frente apenas da Hungria, Letónia, Roménia e Bulgária. Por outro lado, indica que três em cada dez crianças a viver em Portugal são carenciadas.

O estudo pondera diversas variáveis que avaliam a situação financeira, alimentação, habitação, vestuário, tempos livres, acesso a livros ou internet. Os autores do estudo consideram carenciada qualquer criança que não tenha acesso a duas ou mais das 14 variáveis de base. Fazem parte dessas variáveis ter livros educativos em casa, ter três refeições por dia, dois pares de sapatos por ano, espaço em casa para fazer os trabalhos de casa ou uma ligação à internet.




O maior problema em Portugal encontra-se no nível financeiro, atingindo negativamente 43,3 por cento das crianças.

De acordo com a UNICEF, 14,7% das crianças até aos 16 anos vivem abaixo do limiar de pobreza, isto é, em casas onde o rendimento anual por adulto se encontra 50% abaixo da mediana dos rendimentos (perto dos 400 euros por mês).

Este estudo foi realizado tendo em conta os dados de 2009. A UNICEF porém alerta para o facto de a realidade atual no nosso país ser mais penalizadora em termos financeiros e sociais pelo que os números serão necessariamente mais negros.

Este alerta pouco deve preocupar os “nossos” governantes que, “bons alunos” como apregoam ser das lideranças europeias, pensarão que, comparadas com as crianças do Níger ou da Guiné Equatorial, as nossas têm de sentir-se abençoadas pela divindade.


(Comovente, não acham?)
 (imagens retiradas da net)